sábado, 28 de novembro de 2009

Acessibilidade: Siga essa ideia.

Publicado por Juliana Ponte em 25/11/2009

A campanha “Acessibilidade. Siga essa idéia” foi promovida pelo Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade), ligada à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, e propõe que a sociedade, por meio de suas diversas entidades – poder público, iniciativa privada, ONGs e outras -, crie iniciativas para a superação de barreiras arquitetônicas, atitudinais, de informação, dentre outras, que impedem que as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida sejam incluídas na vida em sociedade.

O papo de que todas as pessoas devem ser respeitadas, não importando o sexo, a idade, as origens étnicas, a opção sexual ou as deficiências, é velho, mas tá é longe de ser respeitado realmente.Pelo menos no que diz respeito aos direitos das pessoas portadoras de deficiência física.

Pois é sabido que, embora esse direito a igualdade de todos perante a lei seja assegurado na Constituição Federal Brasileira, existem milhões de pessoas que não saem de casa porque não podem circular sem algum tipo de ajuda. Uma massa que está marginalizada quando poderia estar atuando em condições de igualdade dentro do meio social.

Cerca de 25 milhões de brasileiros, ou 14,5% da população são portadores de algum tipo de deficiência física, segundo dados do IBGE.

Um número considerável para que a barreira chamada preconceito já tivesse sido ultrapassada, pois as pessoas portadoras de deficiência física devem ser vistas como pessoas capacitadas que desempenham muito bem os seus papéis sociais e que exigem sua inclusão na sociedade.

Aceitar as diferenças individuais, dar valor a cada pessoa e, principalmente, aprender a conviver dentro da grande diversidade humana, são alguns dos princípios da Inclusão. Incluir significa muito mais do que trazer de volta alguém para dentro da sociedade, é saber respeitar. Este direito muitas vezes, não é dado aos portadores de deficiência física quando construções são autorizadas sem a mínima preocupação, impondo, além dos obstáculos pessoais, barreiras arquitetônicas que os impossibilitam de ter a liberdade de movimentos e locomoção.



Portanto, faz-se necessário impor tentativas de uma sociedade justa, igualitária, uma sociedade que aceite todos, que não imponha condições. Isso é inclusão. Devemos cada um, procurar meios de fazer isso, porque hoje não se discute mais se a sociedade tem que ser aberta, inclusiva. Isso é fato, tem que ser assim.

Uma sociedade aberta a todos, que estimula a participação de cada um e aprecia as diferentes experiências humanas, e reconhece o potencial de todo cidadão, é denominada sociedade inclusiva.

Muitas pessoas ignoram esse tipo de ‘luta’ porque não precisam diretamente dessa acessibilidade, mas é necessário lembrar que cada um de nós, em alguma fase da vida, pode tornar-se incapaz para a realização das tarefas quotidianas devido a acidentes, sequelas de doenças, idade avançada ou outros fatores. E talvez seja só nesse momento que iremos despertar e desejar alguma mudança.

Acessibilidade é a condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida, segundo Lei Federal nº 10.098 de 2000.

É bom ressaltar que garantir essa acessibilidade não é apenas construir rampas, instalar sinalização e mobiliário urbano adequados, garantir a acessibilidade é, antes de qualquer coisa, respeitar a limitação e o direito de cada ser humano, é proporcionar segurança para que essas pessoas possam sair de casa sem medo de ficar parada em alguma barreira, ou de serem tratadas com preconceito. É preciso edificar o respeito e projetar a confiança.

Em pesquisa realizada, este ano, no Calçadão da Avenida Beira-Mar da cidade de Fortaleza, foi possível constatar que, mesmo de forma primária, a idéia da acessibilidade já está sendo adotada. Algumas adaptações já foram feitas, outras estão em fase de construção, muito embora ainda fujam, em alguns aspectos, aos critérios e parâmetros estabelecidos pela NBR (normas técnicas).

Mas a verdade é que a estrutura física do Calçadão ainda não consegue atender de forma justa às necessidades das pessoas portadoras de deficiência física. Visto que algumas adaptações foram feitas de forma aleatória, outras foram construídas, mas não são respeitadas, e ainda há aquelas que nem chegaram a sair do papel. É notável a carência de responsabilidade na execução desses projetos, advinda talvez da falta de interesse dos nossos empenhadíssimos governantes.

Foi possível também tecer algumas criticas ao Projeto de Requalificação da Cidade de Fortaleza, de responsabilidade da Prefeita Luiziane Lins, que além de não estar cumprindo prazos, não está alcançando conceito satisfatório, já que, por exemplo, as obras de requalificação do Calçadão da Avenida Beira-Mar antes mesmo de serem concluídas já necessitam de reparos.

Percebe-se também que o conceito de requalificação se refere apenas à estrutura do espaço, esquecendo totalmente as pessoas que irão utilizá-lo. É um erro grotesco pensarmos que apenas a recuperação do calçadão da Avenida Beira-Mar e as outras obras de requalificação viabilizarão oportunidades a todos os cidadãos de desfrutar os espaços de lazer da Praia de Iracema. É necessário fazer muito mais.

Eu, particularmente, não recomendaria a nenhuma pessoa portadora de deficiência física a fazer, sozinha, um passeio por nossa bela cidade. A aventura é grande e perigosa. Espero que isso algum dia mude, afinal, a cidade é um direito de TODOS!





sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O que é dislexia


Entender como aprendemos e o porquê de muitas pessoas inteligentes e,até, geniais experimentarem dificuldades paralelas em seu caminho diferencial do aprendizado, é desafio que a Ciência vem paulatinamente, em 130 anos de pesquisas. E com o avanço tecnológico denossos dias, com destaque ao apoio da técnica de ressonância magnética funcional, as conquistas dos últimos dez anos têm trazido respostas significativas sobre o que é Dislexia.
A evolução progressiva de entendimento do que é Disléxia, resultando trabalho cooperativo de mentes brilhantes que têm-se doado persistentes estudos, tem marcadores claros do progresso que vem sendo conquistado. Durante esse longo período de pesquisas que transcendeu gerações, o desencontro de opiniões sobre o que é Dislexia redundou emmais de cem nomes para designar essas específicas dificuldades deaprendizado, e em cerca de 40 definições, sem que nenhuma delas tenhasido universalmente aceita. Recentemente, porém, no entrelaçamento dedescobertas realizadas por diferentes áreas relacionadas aos campos daEducação e da Saúde, foram surgindo respostas importantes e conclusivas como:
Que Dislexia tem base neurológica, e que existe uma incidência expressiva de fator genético em suas causas, transmitido por um genetica uma pequena ramificação do cromossomo # 6 que, por ser dominante,torna Dislexia altamente hereditária, o que justifica que se repita nas mesmas famílias;
Que o disléxico tem mais desenvolvida área específica de seu hemisfério cerebral lateral-direito do que leitores normais. Condição que, segundo estudiosos, justificaria seus "dons" como expressão significativa desse potencial, que está relacionado à sensibilidade,artes, atletismo, mecânica, visualização em 3 dimenões, criatividade na solução de problemas e habilidades intuitivas;
Que, com a conquista científica de uma avaliação mais clara da dinâmica de comando cerebral em Dislexia, pesquisadores da equipe da Dra. Sally Shaywitz, da Yale University, anunciaram, recentemente, uma significativa descoberta neurofisiológica, que justifica ser a falta de consciência fonológica do disléxico, a determinante mais forte da probabilidade de sua falência no aprendizado da leitura;
Que o Dr. Breitmeyer descobriu que há dois mecanismos inter-relacionados no ato de ler: o mecanismo de fixação visual e o mecanismo de transição ocular que, mais tarde, foram estudados peloDr. William Lovegrove e seus colaboradores, e demonstraram quecrianças disléxicas e não-disléxicas não apresentaram diferença nafixação visual ao ler; mas que os disléxicos, porém, encontraramdificuldades significativas em seu mecanismo de transição no correrdos olhos, em seu ato de mudança de foco de uma sílaba à seguinte,fazendo com que a palavra passasse a ser percebida, visualmente, comose estivesse borrada, com traçado carregado e sobreposto. Sensação que dificultava a discriminação visual das letras que formavam a palavra escrita. Como bem figura uma educadora e especialista alemã, "... É como se as palavras dançassem e pulassem diante dos olhos do disléxico".

A dificuldade de conhecimento e de definição do que é Dislexia, faz com que se tenha criado um mundo tão diversificado de informações, que confunde e desinforma. Além do que a mídia, no Brasil, as poucas vezes em que aborda esse grave problema, somente o faz de maneira parcial,quando não de forma inadequada e, mesmo, fora do contexto global das descobertas atuais da Ciência.
Dislexia é causa ainda ignorada de evasão escolar em nosso país, e umadas causas do chamado "analfabetismo funcional" que, por permanecerenvolta no desconhecimento, na desinformação ou na informação imprecisa, não é considerada como desencadeante de insucessos noaprendizado.
Hoje, os mais abrangentes e sérios estudos a respeito desse assunto,registram 20% da população americana como disléxica, com a observaçãoadicional: "existem muitos disléxicos não diagnosticados em nossopaís". Para sublinhar, de cada 10 alunos em sala de aula, dois são disléxicos, com algum grau significativo de dificuldades. Graus leves,embora importantes, não costumam sequer ser considerados.
Também para realçar a grande importância da posição do disléxico em sala de aula cabe, além de considerar o seríssimo problema da violência infanto-juvenil, citar o lamentável fenômeno do suicídio decrianças que, nos USA, traz o gravíssimo registro de que 40 (quarenta)crianças se suicidam todos os dias, naquele país. E que dificuldades na escola e decepção que eles não gostariam de dar a seus pais estão citadas entre as causas determinantes dessa tragédia.
Ainda é de extrema relevância considerar estudos americanos, queprovam ser de 70% a 80% o número de jovens delinqüentes nos USA, queapresentam algum tipo de dificuldades de aprendizado. E que também é comum que crimes violentos sejam praticados por pessoas que têmdificuldades para ler. E quando, na prisão, eles aprendem a ler, seunível de agressividade diminui consideravelmente.
Por toda complexidade do que, realmente, é Dislexia; por muitacontradição derivada de diferentes focos e ângulos pessoais eprofissionais de visão; porque os caminhos de descobertas científicasque trazem respostas sobre essas específicas dificuldades deaprendizado têm sido longos e extremamente laboriosos, necessitando,sempre, de consenso, é imprescindível um olhar humano, lógico e lúcido para o entendimento maior do que é Dislexia.
Dislexia é uma específica dificuldade de aprendizado da Linguagem: em Leitura, Soletração, Escrita, em Linguagem Expressiva ou Receptiva, em Razão e Cálculo Matemáticos, como na Linguagem Corporal e Social. Nãotem como causa falta de interesse, de motivação, de esforço ou de vontade, como nada tem a ver com acuidade visual ou auditiva comocausa primária. Dificuldades no aprendizado da leitura, em diferentes graus, é característica evidenciada em cerca de 80% dos disléxicos.
Dislexia, antes de qualquer definição, é um jeito de ser e de aprender; reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que aprende de maneira diferente...
Pesquisa feita : Arthur Costenaro

sábado, 14 de novembro de 2009

O uso de materiais flexibilizados em sala de aula

Além de acessíveis, novos recursos tornam as atividades mais atraentes para a classe inteira

Vai bem longe o tempo em que a voz, o quadro-negro e o giz eram as únicas ferramentas de trabalho do professor. Imagens, objetos, jogos, livros, filmes, músicas, tudo o que possa ser usado a favor da aprendizagem é bem-vindo e ganha importância ainda maior nos novos tempos da escola inclusiva. Afinal, além de proporcionar as aulas mais estimulantes, diversificar recursos é uma maneira de torná-las também mais acessíveis a todas as crianças - tenham elas deficiência ou não. Essa prática foi adotada pela EE Pedro Fernandes da Silva Júnior, em Ribeirão das Neves, a 32 quilômetros de Belo Horizonte. Lá estuda Matheus Henrique Reis Alves. O garoto teve paralisia cerebral e, como consequência, comprometimento severo dos quatro membros e do sistema fonoarticulatório. Hoje, aos 8 anos, cursa o 3º ano da escola regular e está sendo alfabetizado. Com a ajuda de recursos flexibilizados, ele desenha, lê, interpreta textos, resolve as operações matemáticas, participa das atividades em sala e se comunica, além de escrever no computador. O que garante a interação de Matheus é uma prancha de comunicação. Ele movimenta o pé direito e usa uma sapatilha adaptada, com suporte para lápis. "Isso permite que ele desenhe, pinte e participe das atividades", explica a pedagoga Vânia Loureiro, da equipe de reabilitação infantil do Hospital Sarah Belo Horizonte, que desenvolveu os equipamentos.
Mais sobre inclusão
A prancha é um cartaz em que são colocadas figuras e imagens que representam pessoas da família e da escola, lugares frequentados, atividades de lazer ou tarefas básicas, como escovar os dentes, ir ao banheiro, dormir e beber água. Quando quer dizer algo, ele aponta com o pé a figura correspondente. Na escola, a prancha de comunicação de Matheus ganhou letras e números e os professores a usam para checar se ele entendeu o conteúdo. "Para uma atividade de leitura, a professora de apoio prepara respostas para as perguntas sobre a história que será contada", explica Eleuza de Fátima Neiva, titular da turma. "Quando apresento as questões que são discutidas oralmente, ele aponta a resposta na prancha." Rosemary de Lima Ferreira Mendes, professora de apoio, foi buscar orientação com a equipe do Sarah na hora de elaborar as pranchas. "Já temos algumas com o vocabulário cotidiano da sala, com o alfabeto, com números e com atividades de múltipla escolha, além da que foi construída originalmente." Matheus agora testa um programa de comunicação alternativa no computador. O software, doado pelo hospital, lança letras na tela e o menino clica, com o pé, num dispositivo adaptado à cadeira quando surge a que quer usar. Assim cria suas primeiras palavras. "Ele já escreve o próprio nome e algumas expressões simples", comemora Rosemary. "No futuro, essa ferramenta vai ser muito importante na vida dele."

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Atendimento debaixo do viaduto

A esperança de uma qualidade de vida pode estar debaixo dos nossos narizes, quando passamos por cima do viaduto do Pacaembu. É isso mesmo...a Fraternidade Irmã Clara (FIC) se instalou no vão do viaduto, na zona oeste de São Paulo e há 27 anos promove assistência a pessoas com paralisia cerebral em grau severo.
A instituição oferece tratamento a população carente em regime de internato de pessoas entre 11 a 47 anos, que por vezes são órfãos.
Possui o Centro de Reabilitação que tem dois setores de fisioterapia e fonoaudiologia. Na área de fisioterapia há atendimentos em : fisioterapia cardiorespirátoria, hidroterapia, fisioterapia neuromotora e terapia ocupacional. Já em fonoaudiologia, os pacientes poderão contar com programas que auxiliam na melhor digestão dos alimentos.
Um dos principais objetivos da Fraternidade é estimular ao máximo a independência dos assistidos, que através dos atendimentos, começam a realizar atividades cotidianas como se alimentarem sozinhos, equilibrando tanto o corpo como a coordenação motora para talheres e pratos.
Hoje a FIC atende 37 pacientes, mas esse número vai dobrar quando finalizarem a construção da nova sede na Rua do Bosque, no bairro da Barra-Funda, que terá uma área de 3 mil m². A previsão de mudança para a nova casa está para o início do ano de 2010 e a expectativa será de ampliar a área de atendimento e acomodações.

FONTE:

Maiores informações podem ser obtidas através do site www.ficfeliz.org.br ou pelo telefone: (11) 3666-2727

domingo, 8 de novembro de 2009

É possível sim!

Mara Gabrilli fala sobre Programa Emergencial de Calçadas

TV Estadão | 26.10.2009

Daniel Gonzales e Naiana Oscar, do JT, entrevistam a vereadora do PSDB-SP, autora do PEC, programa que cria melhorias para as calçadas. Mara apresenta o programa Derrubando Barreiras na Rádio Eldorado

Engenheira diz como deve ser a calçada ideal

TV Estadão | 29.10.2009

Como melhorar o trânsito dos pedestres de São Paulo

TV Estadão | 28.10.2009

Os repórteres Daniel Gonzales e Naiana Oscar, do Jornal da Tarde, entrevistam Eduardo José Daros, presidente da Associação Brasileira de Pedestres

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Aparência e superficialidade


Por que somos "importantes"?



TESE DE MESTRADO NA USP

NUMA SOCIEDADE HIPÓCRITA, O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME SUA "APARÊNCIA"


'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'



Psicólogo varreu as ruas da USPb para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.



Plínio Delphino, Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:



'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.



O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz. Apesar do castigo do sol forte, do trabalho pesado e das humilhações diárias, segundo o psicólogo, são acolhedores com quem os enxerga. E encontram no silêncio a defesa contra quem os ignora.



Diário - Como é que você teve essa idéia?



Fernando Braga da Costa - Meu orientador desde a graduação, o professor José Moura Gonçalves Filho, sugeriu aos alunos, como uma das provas de avaliação, que a gente se engajasse numa tarefa proletária. Uma forma de atividade profissional que não exigisse qualificação técnica nem acadêmica. Então, basicamente, profissões das classes pobres.



Com que objetivo?

A função do meu mestrado era compreender e analisar a condição de trabalho deles (os garis), e a maneira como eles estão inseridos na cena pública. Ou seja, estudar a condição moral e psicológica a qual eles estão sujeitos dentro da sociedade.. Outro nível de investigação, que vai ser priorizado agora no doutorado, é analisar e verificar as barreiras e as aberturas que se operam no encontro do psicólogo social com os garis.



Eles testaram você?

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.



O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?

Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.



E quando você volta para casa, para seu mundo real?

Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.



MATEUS 18:10 -Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus.

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Comentários



Analise essa matéria como acabamos incorporando falsos conceitos dos seres humanos, rótulos e exclusões , desvalorizamos encarando a aparência e esquecendo a essência. O ser x o ter se entrelaçam, mas o amor como diz numa canção chamada VIDA interpretada por Fabio Junior, esconde outro Universo.

Não é necessário uma verdade nova ;é dar as mãos e dar de si além do próprio gesto , descobrir feliz que o AMOR esconde outro Universo.


Para Refletir...

A Imagem É Tudo

"Pois o homem, na verdade, não deve cobrir a cabeça, porque
é a imagem e glória de Deus" (1 Coríntios 11:7).


Andre Agassi, grande estrela do tênis mundial, fez um
comercial de uma determinada câmera fotográfica em que
dizia: "A imagem é tudo". Isto é verdade. mas não a imagem
superficial e vaidosa de si mesmo. A imagem de Deus é tudo.
O homem deve refletir a imagem e semelhança de Deus.


Que imagem temos refletido? A imagem de nosso egoísmo, de
nosso mau-humor, de nossa mesquinhez, de nossa intolerância,
de nossa teimosia ou verdadeiramente o brilho do Senhor
Jesus tem sido mostrado em todos os lugares por onde
caminhamos?


Quando Cristo habita em nossos corações, uma bela imagem é
constatada por todos. Não a imagem de uma pessoa pecadora
que somos, mas a imagem do amor de Deus, de Sua
generosidade, de Sua fidelidade, de Sua santidade, de uma
vida transformada que deixou para trás todos os prazeres
enganosos deste mundo. E se refletimos a imagem do Senhor, a
nossa alegria será contagiante, as nossas palavras serão
penetrantes, as nossas atitudes serão dignas de serem
imitadas. Mostraremos não um brilho superficial e
passageiro, mas uma beleza que não pode ser ofuscada pelos
anos ou pelas circunstâncias.


A imagem de Deus é tudo. E só seremos autênticos cristãos se
permitirmos que Ele nos molde conforme a Sua vontade. Os
nossos interesses devem ficar em segundo plano, os caprichos
de uma vida fútil devem ser abandonados, a indiferença pelas
coisas espirituais precisa ser apagada definitivamente. Nós
amamos ao Senhor, preocupamo-nos com os perdidos,
entristecemo-nos pelos que caminham sem fé e esperança.
Somos filhos de Deus, habitação de Seu Espírito, Seus
representantes neste mundo de dúvidas e incertezas. É isto
que somos. É esta a imagem que devemos refletir.


A imagem de Deus, na sua vida diária, tem sido tudo?


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