sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Não voto em deficiente…


 
Nas eleições deste ano, houve uma explosão bem visível de candidatos “malacabados”. É gente montado em cadeira, puxando cachorro e prejudicado geral das partes que não acaba mais…. Todo mundo disputando uma vaga de prefeito ou vereador.
Na minha página do Facebook se multiplicam os pedidos de “vote em mim” porque eu sou igual a você! Vote em mim porque eu não vou correr do eleitor! Vote no ceguinho porque ele não vai enxergar os cofres para roubar!
Traduzo esse momento de tantas candidaturas como de oportunistas que querem uma boquinha para mamar nas tetas públicas, mas também de valorização da oportunidade de tentar “morder” um espaço para representar uma causa legítima e incandescente na realidade brasileira: a da inclusão, da necessidade de promover acessos.
Ri pra mais de metro com pedidos de algumas pessoas para que eu indicasse um desses estropiados para ser votado. Mas neeeeem a pau Juvenal! :cool:
Meu negócio é ficar do lá de cá tacando pedra em quem está do lado de lá não durma! A escolha de um candidato é um processo de convicções pessoais que deve ser feita baseada em valores, em pesquisa, e em análise dos sujeitos que se candidatam.

Charge mostra eleitor, diante da urna, dizendo que vai votar, dessa vez, em candidato que canta legal, em outro que faz dar gargalhada…
“Ôh tio, mas um candidato que ande montado em cadeira de rodas não pode ter uma visão mais voltada para o povo que vive no mundo paralelo de quem tem uma deficiência?”
Pero que si, pero que no… né?! :lol:   . Para saquear cofres governamentais, para se ligar a bandidos que só querem tirar proveito da coisa pública, para sacanear o povo não é preciso ser inteirinho das partes, não.
Mas reconheço que mais pessoas com deficiência na política representam uma evolução de integração social. Mostra que as pessoas estão mais ligadas em todas as demandas da vida. A diversidade de candidatos dá mais chance para o eleitor.
Pode ser que o cidadão do time dos quebrados que concorra tenha mais conhecimento de causa e, assim, possa ter resultados mais efetivos se eleito. Temos já alguns exemplos disso.
Diante da urna, candidato faz “minha mãe mandou escolher esse daqui, mas como eu sou teimoso…

Contudo, fazer pela inclusão, pelo pleno acesso tem de ser prerrogativa de todo bom candidato que quer fazer uma cidade melhor, um país melhor. Ter uma deficiência, volto a dizer, não é atestado de integridade moral, de competência para falar a seus pares, de comprometimento.
O mais importante é que, no domingo, as ações feitas nas urnas de todo o Brasil, sil, sil sejam bem pensadas.
Eu não voto em deficiente. Eu voto em cidadão comprometido, em quem tenha competência, em quem seja e pareça honesto, em quem tenha ideias e planos que melhorem a vida das pessoas, independentemente de suas condições físicas e sensoriais.
Bom voto a todos e beijos nas crianças!
* Imagens do Google Imagnes

3 comentários:

Rick Villar disse...

Olá Matheus e Eliane

Vejamos, fazendo essa sua abordagem está indo contra a democracia! E literalmente dando um tiro no pé da Causa!

Concordo que ser pessoa com deficiência, não significa ser moralmente correto, ético ou está de acordo com a causa!
Porém posicionamentos radicais como esse, foram feitos todos esses anos, com pessoas que diziam que as pessoas com deficiência não eram eficientes e deveriam ficar em casa, trancados como o foi toda vida.

Fazemos parte do movimento pró-acessibilidade e durante seis anos da minha vida me dediquei a lutar pelo direito da pessoa com deficiência, nesta caminhada encontrei milhares de outras pessoas que faziam o mesmo, centenas delas em todo o Brasil, hoje são candidatos a vereador, pra tentar melhorar nossas cidades.

Pior seria deixar que as leis fossem feitas por pessoas que nada entendem ou sabem de nossa deficiência, não andam de bengala ou cadeira de rodas e nem sabem o que é libras ou braile.

Em nossa sociedade há muitos políticos sendo julgados por crimes eleitorais, eleitoreiros, de cunho administrativo, enriquecimento ilícito e vários outros crimes, que deficiente nenhum cometeu até agora na política. Não que eu tenha conhecimento.

Antes de tomar uma posição radical como essa, conheça o movimento, conheça os integrantes do movimento, dê sua parcela, faça algo por nós, pessoas com deficiência, que não seja escrever em um blog, falácias que estamos acostumados a ler em muitos outros lugares.

Após dar sua parcela, defendendo o movimento da acessibilidade, talvez você escreva um texto diferente do que escreves agora.

Rick Villar disse...

Olá Matheus e Pepino
Vejamos, fazendo essa sua abordagem está indo contra a democracia! E literalmente dando um tiro no pé da Causa!
Concordo que ser pessoa com deficiência, não significa ser moralmente correto, ético ou está de acordo com a causa!
Porém posicionamentos radicais como esse, foram feitos todos esses anos, com pessoas que diziam que as pessoas com deficiência não eram eficientes e deveriam ficar em casa, trancados como o foi toda vida.
Fazemos parte do movimento pró-acessibilidade e durante seis anos da minha vida me dediquei a lutar pelo direito da pessoa com deficiência, nesta caminhada encontrei milhares de outras pessoas que faziam o mesmo, centenas delas em todo o Brasil, hoje são candidatos a vereador, pra tentar melhorar nossas cidades.
Pior seria deixar que as leis fossem feitas por pessoas que nada entendem ou sabem de nossa deficiência, não andam de bengala ou cadeira de rodas e nem sabem o que é libras ou braile.
Em nossa sociedade há muitos políticos sendo julgados por crimes eleitorais, eleitoreiros, de cunho administrativo, enriquecimento ilícito e vários outros crimes, que deficiente nenhum cometeu até agora na política. Não que eu tenha conhecimento.
Antes de tomar uma posição radical como essa, conheça o movimento, conheça os integrantes do movimento, dê sua parcela, faça algo por nós, pessoas com deficiência, que não seja escrever em um blog, falácias que estamos acostumados a ler em muitos outros lugares.
Após dar sua parcela, defendendo o movimento da acessibilidade, talvez você escreva um texto diferente do que escreves agora.

Edson disse...

Muito me admira Jairo Marques escrever tamanhas asneiras. Deu claramente a entender que PcDs só entram na política para se corromper, virar ladrão. Onde está a opinião dele, Jairo Marques, muitas vezes defendida, que podemos e devemos estar em todos os lugares. Isto inclui o meio político também! PcD´s não querem só pão e circo ou acesso somente a restaurantes, casas noturnas, praia, cinema. Queremos ser ouvidos, queremos o respeito devido. Jogar pedras e fazer alarido não resolve nenhum assunto efetivamente. Concordo com a parte final do texto em que se fala em votar em um cidadão com competência, mas fica uma pergunta: Será que esse texto mudará quando Jairo Marques se candidatar?