sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Todo brasileiro tem direito a fraldas descartáveis grátis, diz STJ

Boa notícia: todo brasileiro tem direito a fraldas descartáveis grátis, diz STJ

Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça garantiu a todos os brasileiros o direito de receber fraldas descartáveis gratuitamente caso não tenham recursos para arcar com os custos.

Saiba mais nesta reportagem do Estadão: http://migre.me/i5ozs

Direito reivindicado pelo Ministério Público para jovem portadora de patologia congênita é estendido a todos  por determinação do Superior Tribunal de Justiça

SÃO PAULO - Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) garantiu a todos os brasileiros o direito de receber fraldas descartáveis gratuitamente caso não tenham recursos para arcar com os custos.

Em julgamento de recurso especial interposto pelo Ministério Público de Santa Catarina, a segunda turma do STJ garantiu o direito a todos os brasileiros em ação civil pública destinada a garantir o fornecimento de fraldas descartáveis a portadores de doenças que necessitem desse item e não tenham condições de arcar com seu custo. A decisão foi unânime.

A ação foi movida em favor de uma jovem de 21 anos, portadora de um conjunto de patologias de origem congênita. A família, de baixa renda, não conseguia arcar com o custo das fraldas descartáveis, de aproximadamente R$ 400 por mês, e o MP conseguiu garantir na Justiça o fornecimento gratuito pelo estado.

Na ação, o Ministério Público pediu o que fosse atribuída eficácia 'erga Omnès' (para todos) à decisão. O juízo de primeiro grau acolheu o pedido, mas o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) reformou a sentença.

Segundo o acórdão, "não se afigura razoável impor ao estado e aos municípios suportar os custos de publicação da sentença (artigo 94 do Código de Defesa do Consumidor) para atribuir-lhe eficácia erga omnes, nos casos em que a ação civil pública foi ajuizada para tratar da especificidade do caso concreto de uma determinada pessoa, cuja situação sequer poderá reproduzir-se no futuro ou poderá estar superada pela dinâmica de novos tratamentos ou medicamentos".

No recurso ao STJ, o MP alegou que o acórdão, ao limitar a eficácia da decisão, deixou de observar que "a tutela difusa concedida na sentença, naturalmente, será objeto de liquidação individual, oportunidade em que os interessados deverão produzir a prova da necessidade".

O ministro Og Fernandes, relator, também entendeu pela abrangência da sentença prolatada. Ele citou decisão da Corte Especial do STJ, em julgamento de recurso repetitivo, no sentido de que "os efeitos e a eficácia da sentença não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido, levando-se em conta, para tanto, sempre a extensão do dano e a qualidade dos interesses metaindividuais postos em juízo".

"A ausência de publicação do edital previsto no artigo 94 do CDC, com vistas a intimar os eventuais interessados da possibilidade de intervirem no processo como litisconsortes, constitui vício sanável, que não gera nulidade apta a induzir a extinção da ação civil pública, porquanto, sendo regra favorável ao consumidor, como tal deve ser interpretada", acrescentou o ministro.

Desse modo, concluiu o relator, "os efeitos do acórdão em discussão nos presentes autos são 'erga omnes', abrangendo todas as pessoas enquadráveis na situação do substituído, independentemente da competência do órgão prolator da decisão. Não fosse assim, haveria graves limitações à extensão e às potencialidades da ação civil pública, o que não se pode admitir".
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,todo-brasileiro-tem-direito-a-fraldas-descartaveis-gratis-diz-stj,178841,0.htm

Ideologia da deficiência

O Cartaz mostrando a foto de uma cena do filme e com letras brancas escrito “Die Welle” (A Onda em alemão)

Será que estamos rumando para coordenações autocráticas dentro do segmento e não nos demos conta disso? Quando vi o filme “A Onda” – filme alemão de 2008 que é baseado no livro homônimo do escritor norte americano Todd Strasser, fala de um professor que daria aula de anarquismo, mas seu colega não quer trocar e ele acaba dando aula de autocracia e faz um experimento, porque os alunos (terceira geração após o advento do nazismo) duvidam que a Alemanha moderna, possa haver uma ditadura. Com um experimento comportamental, prova que sim, mas tudo foge do controle e ao acabar com tudo, um aluno atira num colega e se mata, o professor é preso provando assim como é possível – enxerguei que muitos coordenadores e lideranças, levam a exclusão em querer somente o poder e não a verdadeira essência da coisa. Em alguns movimentos e em alguns “guetos” de deficientes, está virando moda chamar de “cultura”, sendo que cultura são um conjunto de atitudes e costumes que não seriam o caso. Mas, será que estamos fazendo uma ideologia dentro da deficiência?

As ideologias são um conjunto de ideias sobre um assunto que um ou vários membros podem seguir. Por exemplo, o comunismo é uma conjunto de ideias baseadas nos trabalhos do filósofo Karl Marx que visam a igualdade e um nivelamento salarial que colocaria a sociedade em igualdade, existe o nazismo criada por Adolf Hitler que visa a igualdade e superioridade da raça ariana (vem dos Arias que viveram entre a Europa central até o que hoje era a Persia) que deveria procurar a pureza e o ser humano fraco e defeituoso, assim como homossexual, negro, mestiço, judeu, cigano, eslavo e etc, teriam que ser eliminados. Outras ideologias politicas poderiam ser citadas, como as liberais que acreditam no livre comércio, como os neoliberais que acreditam num livre comercio e na livre concorrência, como a anarquia que acredita que o ser humano seja bom, mas a sociedade e o meio capitalista selvagem, o faz maldoso. Assim também há ideologias religiosas como certos rituais, certas maneiras de seguir que muitas vezes, ou na maioria das vezes, são transformadas em cultura e podem sim se tornar costume. Mas com a deficiência a coisa é diferente, pois a deficiência é uma dificuldade e não um costume, ou virar um conceito, porque daí vira uma ditadura da deficxiência.

Muitas pessoas fazem alguns deficientes que tem a oportunidade de estar na mídia, um padrão de superação que muitas vezes, acaba sendo pergoso. Como no filme, o deficiente que tem sérios problemas com sua auto-estima ou com sua afirmação como pessoa, enxerga aquela pessoa como uma especie de líder e o poder é tentador. Quem não quer ser um lider e ter todas as “regalias” e o respeito de lider? Quem disser que não, não está sendo honesto consigo mesmo, ou ainda não se afirmou e superou alguns conceitos humanos. Segundo o filósofo Hegel, o objetivo do oprimido sempre é oprimir porque há um conceito a se apegar, seja pela supremacia da esquerda, seja pela supremacia da direita, seja pela supremacia de uma religião, seja por algo no qual sempre vamos nos deparar com “verdades absolutas”. Ora, quando construímos uma verdade única e absoluta em todo o universo, essa verdade se torna opressora e nunca uma verdade que libertará. Por exemplo, quando um evangélico (protestante) quer que você aceite Jesus, ele diz que o seu “Jesus” é o verdadeiro que só vai olhar para aqiele que aprendeu e sabe. Mas existe muitos conceitos dentro da visão de Jesus que as pessoas constroem em cima da mesma essência que são os evangelhos canonicos e os apócrifos, que são as ideias morais e misticas que ele ensinou (se é ou não reais, é outra discussão). De repente estamos num processo perigoso de ideologização da deficiência e a supremacia da ideia da “superação”, assim sendo, só vamos ser pessoas deficiente naquele grupo ou naquele ambiente, se realmente seguirmos esse pensamento.

Esse processo começou quando houve um “boom” naquela novela do personagem da Luciana (esqueci o nome da novela) virou um incone da luta da inclusão, onde não retratou a tetraplegia direito, não tratou a mulher com defriciência com respeito (mendigando amor e afeto), não retratou nem os problemas que a maioria dos cadeirantes passam. Por que ser um incone? Porque passou em um canal poderoso de TV e teve muito marketing, como o blog da personagem como se ela existisse de verdade. Mas podemos recuar um pouco mais e verificar que esse processo foi construído diante da necessidade, talvez pela falta de inicitiva, ou pela falta de se firmar como ser humano, se forjou termos e resoluções que colaboram com esse processo. No grupo de surdos que iam num encontro no shopping se forjou o termo “eficiente”, onde se camuflou uma imagem que é uma realidade, há uma surdez que caracteriza uma deficiência. Daí a moda foi forjar termos para deixar pomposo o deficiente deixando assim, talvez, mais confortavel. Apareceram termos como “pessoas com deficiência”, “pessoas com necessidades especiais”, “pessoas portadoras de deficiência”, que desvirtuaram a realidade e o mundo onde vivemos, onde o deficiente não pode ser um simples deficiente, tem que ser do segmento das “pessoas + com + deficiência” perdendo sua identidade. Depois se forjaram imagens de pessoas atléticas deficientes, pessoas famosas tetraplégicas saindo na revista seminuas, pessoas que sem querer, ajudaram a criar mitos dentro do mundo “marginalizado” das pessoas deficientes. As coisas foram tão fortes que esse blog “Ser um Deficiente” pelo nome foi criticado, o movimento “Irmandade das Pessoas Deficientes” foi quase obrigado a mudar o nome de “deficientes” para “pessoas com deficiência” porque na Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU está que o termo “certo” é pessoa com deficiência pelo histórico mundial de ridicularização do termo “deficiente” e sua estereótipos derivados. Mas nunca vimos pessoas deficientes com paralisia cerebral, com espinha pifida, com amputação – tirando a nadadora paraolímpica que virou musa – em fotos e imagens. Salientando a culpa não é das pessoas que apareceram, mas como no filme a culpa não é do professor e ele foi preso, ajudaram a dar uma idelogia massifica onde não deveria ter.

As entidades “filantrópicas” não são diferentes dos governos autocráticos, algumas usam uniformes, usam musicas com apelativos sentimentais e sempre dão uma solução, aliás, sempre a soluções são eles. Num modo geral, eles se sentem as vezes, donos das resoluções que abrangem a inclusão e representantes da causa como se fossem os maiores entendedores do assunto. Clinicamente deixam a desejar com sua psicologia de “botequim” e dizer a uma criança que ela não vai andar numa forma totalmente delicada, ou ter regras baseadas em mães que no seu surto psicótico, dizem chamar a policia se algo acontecer com sua filha. Campanhas milionárias levam milhões para os cofres da mais conhecida, com hinos apelativos, testemunhas de crianças e tudo mais que não é muito diferente desses governos. Aliás, algumas diretorias dessas entidades, reforçam a ideia que sem eles não seriamos livres, sem eles não existiriam aparelhos, sem eles não existiriam inclusão. Mas será que eles estão mesmo preocupados com a inclusão?

Como disse há uma movimento perigoso de queremos shows exclusivos, nós queremos partidos exclusivos, queremos uma bandeira exclusiva, só falta ter alguém a seguir. Mas há movimentos que são quase uma religião, são vorazes e não sabem trabalhar com outros movimentos, outros que podem contribuir com o trabalho de inclusão. Mas ainda colocamos acima do trabalho, a amizade, só que atrás de certas amizades estão os aspectos de um partido e seu interesses, esses interesses independem das amizades.

A “ascensão do mal” está só começando.

Amauri Nolasco Sanches Junior → Filósofo da inclusão, publicitário e técinco de informática

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Imersão - Professores Instituto Priorit


Mãe Priorit - Bel Kutner


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Relação entre tetraplégico e cuidadora vira amor

Quando comecei a ler Como Eu Era Antes de Você, pensei ser mais uma dessas histórias em que um tetraplégico desenvolve uma relação bonita com seu cuidador, a exemplo do excelente O Segundo Suspiro.
Hesitei se continuava ou não, e decidi ir em frente. Que bom que não parei.
O novo livro de Jojo Moyes, também autora de A Última Carta de Amor, é uma obra que alcança um grau de sensibilidade que tira lágrimas como poucos, e sem ser piegas.
Will Traynor é um cara incrível, inteligente, astuto, mas que se tornou uma pessoa amarga, mal humorada e sem nenhuma perspectiva após ser atingido por uma motocicleta e ficar tetraplégico. Ok, esse tipo de situação só sabe dizer quão difícil é os que passam por ela.
Mas Jojo consegue criar uma personagem, Louisa Clark, que vai mudar a vida desse homem, e a dela mesma também.
Lou é uma jovem de 26 anos sem muitas ambições e que mora com a família – os pais, uma irmã mãe solteira e o avô que precisa de cuidados constantes devido a um derrame.
Após deixar o emprego de garçonete num pequeno café de sua cidade, ela aceita a vaga de cuidadora de Will. Tarefa para qual não tem experiência, mas que paga o suficiente e, definitivamente, vai mudar a vida de ambos.
Para ajudar Will a dissuadir-se da ideia de pôr fim ao tormento em que vive, Lou vai à busca de respostas na internet. Fala com tetraplégicos na web, pesquisa, impõe à própria vida um sentido que não havia antes: ajudar Will, que retribui aprendendo com as atitudes dela e ajudand0-a em questões muito simples para ele, e muito complicadas para ela.
Livro: Como eu era antes de você
Trecho:
“O pior de se trabalhar como cuidadora não é o que as pessoas pensam. Não é carregar e limpar a pessoa, os remédios e os lenços de limpeza e o distante, mas de algum modo sempre perceptível, cheiro de desinfetante. Não é nem o fato de quase todo mundo achar que você faz isso porque não tem inteligência suficiente para fazer outra coisa. O pior é o fato e que, quando se passa um dia inteiro num estado de real proximidade com outra pessoa, não há como escapar do estado de humor dela. E nem do seu próprio.”
“Eu contei para ele que o amava, a voz descendo de tom até o sussurro. E ele disse que isso apenas não bastava.”
Jogue-se nesse livro, ele é incrível, e prepare-se para rir e chorar de verdade!
(Indicado por Ligia Braslauskas, gerente de jornalismo do R7, @ligiakas)
Fonte: R7



Paraplégico, Fernando Fernandes fez a primeira viagem sozinho: 'Foi tenso'


 Depois que ficou paraplégico há mais de  4 anos, o tetracampeão mundial Fernando Fernandes só fez a primeira viagem sozinho há pouco tempo. E, no Encontro desta quarta, o atleta contou para Fátima como foi a experiência de ir para Portugal.
“Foi tenso, não sabia como lidar com as adversidades sozinho. Mas a Europa em relação a acessibilidade está 100 anos à frente do Brasil. Foi muito mais tranquilo que eu esperava”, disse o campeão que foi ao país trabalhar em um caiaque adaptado para alto mar.
 Fátima também repercutiu com Fernando, a foto que ele postou nas redes sociais de pé. O campeão explicou porque nunca tinha feito isso antes. “Não  queria estimular a expectativa das pessoas andarem. Durante esse tempo eu fiquei calado. Mas eu queria chamar a atenção de alguma forma e fiz através de exercícios humanos”, disse. O campeão também falou sobre a cura da lesão medular. Confira tudo nos vídeo!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Cuerdas - Cortometraje



Cordas, ganhou o Prémio Goya 2014, na categoria de Melhor Curta Metragem de Animação espanhol.
O filme conta a história de uma menina doce que vive num orfanato, e que criou uma ligação muito especial com um novo colega de classe que sofre de paralisia cerebral. É também uma obra que fala de valores e sonhos, cativando o espectador desde o primeiro ao último minuto.
http://portugalglorioso.blogspot.com.br/2014/02/cordas-o-melhor-filme-de-animacao.html

Que seja o filme mais visto pelos nossos filhos.
10 minutos de pura emoção!

"Cordas" (Cuerdas), é um curta- metragem espanhol, ganhou o Goya em 2014.

O filme foi inspirado nos filhos do seu criador, Pedro Solís, que tem uma filha apaixonada pelo irmão com paralisia cerebral. Uma história comovente e encantadora!
http://videos.sapo.pt/NpaSnzJBRH55PLLm1kFY

http://videos.sapo.pt/baleli

Hugo, un amigo con Asperger


Cegos ou cadeirantes, o esporte integra todos

Por meio do esporte, pessoas com deficiência descobrem uma nova maneira de viver e encarar a vida. De quebra, surgem as medalhas

Fonte: Gazeta do Povo
Enviada por Ligia Lamy

Há três anos, a rotina semanal é mantida na Academia AMK, no bairro Água Verde, em Curitiba. Uma dezena de atletas chega para treinar esgrima no meio da tarde – alguns são cadeirantes, outros usam muletas. O bicampeão de esgrima em cadeira de rodas Clodoaldo Lima Zasatoski, 29 anos, é um deles. Pioneiro no esporte, ele conta que é o único da equipe que tem mobilidade reduzida desde que nasceu, fruto de uma má-formação genética, e que os demais foram prejudicados por acidente de trânsito.
O desafio do grupo é chegar a 30 integrantes e levar a prática a outros municípios do estado. Em Curitiba, o espaço é cedido pela academia e o treinador trabalha voluntariamente, mas os custos com equipamentos são altos. “A esgrima é um dos esportes mais caros. Uma espada pode custar de R$ 300 a R$ 500 e tem também a roupa para treino, mas conseguimos apoio da prefeitura. Temos ajuda para a compra de alguns materiais e para as viagens”, conta Zasatoski, que é um dos diretores da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP). O apoio também vem dos esgrimistas que treinam à noite no mesmo espaço – chamados entre eles de “convencionais”, por não terem deficiência.
Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Marcelo Andrade/Gazeta do Povo / Reunidos pela bocha: esportistas que se reúnem na UFPR superam deficiências e acumulam conquistasAmpliar imagem
Reunidos pela bocha: esportistas que se reúnem na UFPR superam deficiências e acumulam conquistas
Contribuição
Universidades fazem ponte entre treinadores e deficientes
Além de haver projetos de inclusão no esporte em instituições como Faculdades Integradas do Brasil (Unibrasil) e Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a Universidade Federal do Paraná (UFPR) concentra algumas modalidades de esportes adaptados, como a bocha, esgrima e basquete. Elas fazem parte de um projeto de extensão coordenado pela professora Ruth Eugenia Cidade, que há 20 anos é professora da disciplina de Esporte Adaptado e doutora na área pela Unicamp. No basquete, há equipes de adultos e de crianças, de 9 a 13 anos, em cadeiras de rodas. O time mirim já chegou a viajar para Santa Catarina, onde enfrentou outra equipe de crianças cadeirantes.
Ruth conta que já houve projetos de apoio a outras deficiências, como visuais, auditivas e intelectuais, mas atualmente apenas deficientes físicos estão sendo atendidos pelo projeto. O próximo passo é a inclusão do rugby em cadeira de rodas, que também depende de espaço específico e da adesão de novos participantes.
Entre as dificuldades está a formação de pessoas que optem por esta área, já que falta valorização para quem escolhe trabalhar com esse público. “Há alunos que vão trabalhar com esporte adaptado, mas que acabam mudando, pois o retorno financeiro é limitado. As políticas de governo precisam melhorar o incentivo financeiro aos técnicos”, reforça.
Golfe
A integração dos atletas também ocorre na Asso­­ciação Atlética Banco do Brasil (AABB), onde o professor de Educação Física Anselmo Franco da Silva treina crianças e jovens com deficiência intelectual. O golfe adaptado é montado no espaço, o atletismo ocorre no campo de futebol e os horários das piscinas são intercalados entre os jovens, o que rende encontros no entra e sai da água.
Fora dali, os alunos de Anselmo frequentam bosques, universidades, algumas escolas e clubes. “Faz falta ter estrutura para os treinos em todas as modalidades. Há quadras em que não é permitido o uso por cadeirantes, pois os pneus podem riscar o chão. Mas, principalmente nas escolas especiais e regulares, precisávamos ter espaços adequados”, diz.
As universidades também têm sido procuradas como forma de tentar contornar o problema da falta de estrutura. O goal ball, por exemplo, é praticado por deficientes visuais na Uni­­versidade Tecnológica Fe­­de­­ral do Paraná (UTFPR) e na Faculdade Opet. O técnico Altemir Trapp diz que o grupo conta com 25 participantes, de 12 a 58 anos. “A evolução de quem pratica é muito rápida, com melhora na interação e início de uma vida mais ativa”, conta o treinador, que recentemente foi chamado para comandar a seleção brasileira da modalidade. O time foi campeão na última edição dos Jogos Aber­­tos Paradesportivos do Paraná (Parajaps), assim como a equipe curitibana de esgrima.
Apoio da família é fundamental
Kele Cristine Contente, 28 anos, descobriu na Escola Alternativa, onde estuda até hoje, que levava jeito pra o golfe. Com o incentivo da família, recentemente ela viajou pela primeira vez para competir nos Parajaps, em Londrina. Voltou com medalha de ouro e disposição renovada para continuar os treinos. Segundo a mãe dela, Ivete Contente, a jovem se transformou depois que começou a praticar atividades físicas – além do golfe, Kele, que tem deficiência intelectual, também treina salto em distância, corrida e beisebol. “Ela ficou radiante com a premiação. O esporte a ajuda a assumir mais responsabilidades, ela se sente muito importante e feliz”, conta Ivete.
De acordo com a professora da rede estadual Evelyn Bettinelli Romualdo Sabadin, que se especializou em Educação Física Adaptada e trabalha na Escola Especial Primavera, os esportes contribuem na formação do aluno como cidadão. “Mesmo praticando esportes individuais, ele aprende a conviver em grupo, ter responsabilidades, reconhece que tem valor, mesmo quando não ganha uma medalha”, diz.
Equipe afinada
O gostinho de ser campeão também foi experimentado por Felipe Sista, campeão na bocha em 2013 nas Paralimpíadas Escolares em São Paulo. O jovem de 17 anos, que sofreu paralisia cerebral, começou a praticar o esporte ano passado, mas não se vê mais sem os treinos que ocorrem ao menos três vezes por semana no câmpus Jardim Botânico da UFPR. A mãe de Felipe, Noeli Navarete Sista, é a motorista do dia a dia de treinamento e, para as viagens de competição, quem assume é o pai. “Se ele fica em casa não tem o que fazer, só fica no computador e não tem motivação. Mas quando tem treino fica feliz, a gente vê a diferença”, conta Noeli.
No time de Felipe há pessoas com deficiência física que vai de distrofia muscular à tetraplegia. A equipe existe desde 1998 e, desde 2002, é treinada pelo professor Darlan França Júnior, que já foi técnico de diversas modalidades de esportes adaptados. “Ainda sobra muita gente com deficiência em casa sem fazer nenhum esporte. Algumas precisam ser convencidas que podem continuar vivendo na sociedade e o esporte permite isso”, defende.

PROMOVENDO AUTONOMIA DE PESSOAS COM DEFICIENCIA INTELECTUAL-CURSO APAE

Para mais informações:
(011) 5080-7007
 
Att.
Instituto APAE DE SÃO PAULO
 
Descrição: Promovendo Autonomia de pessoas com deficiência intelectual

Objetivo: Ampliar o olhar dos profissionais que atuam com adolescentes , jovens e/ou adultos com deficiência intelectual quanto à importância de promover a autonomia e oferecer ferramentas que favoreçam a elaboração de atividades que favoreçam o desenvolvimento das habilidades adaptativas no cotidiano das pessoas com deficiência.


Conteúdo:
•            Exercitando a autonomia.
•             Família porta de entrada para a  autonomia.
•             Condição e oportunidade para a autonomia.
•             Longevidade necessidade de autonomia...
•             Explorando o conceito de Autonomia...
•             Como desenvolver um Projeto de Autonomia Pessoal...
•             Trabalhando o contexto social como meio de desenvolvimento da autonomia através do lazer

Publico Alvo: 
Profissionais das áreas de saúde e educação, assistentes sociais, acompanhantes e cuidadores. 

Investimento: R$ 200,00

Dias: 18 e 25 de maio das 08:00 as 17:00 horas (Carga Horária Total: 16 horas)

Local: APAE DE SÃO PAULO
 
 


 

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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Lais Souza já consegue se alimentar 'por meios próprios', revela médico

Um dia depois de deixar a UTI, a saltadora Lais Souza deu um novo passo importante na sua luta pela recuperação de um grave acidente, que causou uma lesão em sua coluna cervical. A atleta já consegue se alimentar por meios próprios, sem auxílio de aparelhos.
O médico do Comitê Olímpico Brasileiro, Antônio Marttos Júnior, comemorou a evolução do quadro da atleta, afirmando que ele avançando "de uma forma muita positiva"(assista à entrevista no vídeo).
- A Lais está evoluindo muito bem. Estou muito feliz em dizer que ela venceu a primeira grande etapa. A gente conseguiu retirá-la da ventilação mecânica e hoje ela já consegue respirar sozinha, o que é muito importante. A Lais está em uma unidade semi-intensiva. A segunda grande notícia é que ela conseguiu tirar a gastrostomia, que é o tubo de alimentação no estômago. A Lais já consegue comer por meios próprios. Comeu ontem (quinta-feira) arroz, frango e verduras. Ela está vencendo cada etapa da recuperação de uma forma muito positiva - disse o médico em entrevista ao "SporTV News".
Laís Souza (Foto: Mauro Horita)Laís Souza já comeu arroz, frango e verduas, segundo médico do COB (Foto: Mauro Horita)
A atleta brasileira deixou a UTI na quinta-fira e foi transferida para a unidade semi-intensiva do hospital da Universidade de Miami. Lais se recupera da lesão grave que sofreu na coluna cervical nos EUA, quando se preparava para disputar a prova de esqui aéreo nos Jogos Olímpicos de Sochi (Rússia). Apesar do avanço na recuperação, o médico do COB adotou a cautela e prefere não fazer qualquer prognóstico sobre sequelas.
- Ainda é muito cedo (para prever quais serão as sequelas). Ela ainda está na fase muito aguda da lesão. Qualquer prognóstico seria leviano falar agora. A vida tirou algumas coisas da Lais nesse momento, mas a gente não pode tirar dela a esperança. Nós temos muita esperança que ela possa evoluir, que a gente possa diminuir ainda mais o nível de lesões, mas (sobre) a parte motora não podemos falar nada ainda - afirmou.
Antônio Marttos Júnior acrescentou que Lais Souza conta com um trabalho de apoio com profissionais especializados. E que a atletas está muito feliz com a sua evolução.
- Nós temos um trabalho de psicológos e fisioterapeutas que estão acompanhando a Lais. Ela está muito feliz com cada vitória que tem conseguido nesse momento - afirmou.

Sportv

Acessibilidade é ponto fraco de cartões-postais de BH

Cadeirante testa pontos turísticos na Pampulha, pano de fundo para os jogos da Copa. Mineirão agrada, mas Igreja de São Francisco de Assis é reprovada

Homem em cadeira de rodas está na frente da igreja da pampulha
O preço da liberdade é a eterna vigilância. A frase, usada largamente por regimes totalitários por óbvios motivos, é creditada ao escritor britânico George Orwell, mas há controvérsias. Ele teria sido considerado o criador por ser o autor do best seller 1984, onde um poderoso big brother vigia indiscriminadamente seus cidadãos. Trinta anos depois da data em que ocorre a trama – o livro foi escrito na década de 1940 –, parafraseamos Orwell e, com uma ligeira distorção, podemos dizer que para os turistasdeficientes físicos o preço da liberdade é a eterna cobrança. Liberdade para viajar e paciência para cobrar equipamentos de acessibilidade(rampas, corrimãos, pisos e banheiros especiais, etc). O Ministério do TurismoSite externo. lança em fevereiro mais uma etapa do programa federalTurismo Acessível. Para avaliar como anda a acessibilidade na capital mineiraSite externo., fomos à Pampulha, um dos principais atrativos turísticos da cidade, acompanhando o cadeirante Gil Porta (foto), que reprovou a Igreja de São Francisco de Assis.

Para ele, Belo Horizonte contabiliza avanços (o Mineirão é um exemplo) mas falta muito a ser feito. E é bom lembrar que todos nós podemos ser deficientes em algum momento: basta, por exemplo, quebrar uma perna. Saiba também como foi a emocionante viagem de Elizabeth Dias de Sá,cega desde jovem, aos parques da Disney, nos Estados Unidos, no interessante relato de seu sobrinho, João Lucas Sá, de 15 anos.
Gilberto Porta, o Gil, entrou determinado no MineirãoSite externo.. Na direção de seu Honda Fit adaptado, vinha com um jeitão de Jérome Valcke, também conhecido como “JV, o Inclemente”, aquele francês, palpiteiro-geral da Fifa, encarregado de fiscalizar os estádios que vão sediar os jogos da Copa. Porém, vinha educado e comedido, numa sexta-feira com manhã de muito sol, pouco antes das 10h. Era o pontapé inicial de um périplo pelo conjunto arquitetônico da Pampulha. A missão: testar as condições oferecidas às pessoas com deficiência para fazerem turismo num dos principais cartões-postais da capital.
No comando da operação, Gil, de 51 anos, “mestre especialista” em detectar falhas ou, em muitos casos, observar que não há o que criticar, pelo fato puro e simples de não haver instalação alguma para deficientes. O que, por si só, constitui motivo de protesto, em se tratando de bens públicos ou a serviço de um público.
Cadeirante há mais de 25 anos, portanto experiente sabedor da rotina de um deficiente físico para a missão, Gil era “o cara” para a missão proposta pelo EM. A esposa Telma, igualmente deficiente, tem um site dirigido para o público de deficientes, o BH Legal (bhlegal.netSite externo.). O casal é viajante contumaz, portanto useiro e vezeiro de instalações para turistas como eles.
O destino a ser conferido se justifica: a proximidade da Copa do Mundo de Futebol FifaSite externo., que tem Belo Horizonte como uma das sedes e o Mineirão e a Pampulha como pano de fundo. Tocante também o fato de que em fevereiro, o Ministério do Turismo (MTur) lança mais uma etapa do programa Turismo Acessível. Que, como o nome aponta, pretende tornar a vida do viajante com deficiência física mais suave, menos laboriosa, dotando as atrações de equipamentos de acessibilidade.

Análise detalhada
Diferentemente de JV, o Inclemente, Gil manteve a fleuma ao entrar no hall principal do Mineirão. De-se por satisfeito com as instalações do estacionamento – são 52 vagas para deficientes e 73 para idosos, num universo de 2.169 abertas para o público –, as indicações por placas e a carreira de piso podotátil (aquele que tem ranhuras e relevos para que, com o toque da bengala, o deficiente visual se oriente) e a catraca própria. Disparou, porém: “Este carpete que colocaram no chão faz a cadeira de rodas agarrar. Se fosse liso, seria melhor.”
Por questões de segurança, de acordo com a assessoria de imprensa da Minas Arena (que administra o Mineirão), as instalações para deficientes são oferecidas somente no anel inferior do estádio. O local na arquibancada para a colocação da cadeira de rodas, bem como rampas de acesso e corrimãos mereceram a aprovação do cadeirante. No banheiro especial (38 ao todo), a colocação de peças como pia, espelho, corrimãos e o vaso sanitário foram também aprovados. Somente o modelo do vaso sanitário, aquele com uma abertura na ponta, foi reprovado, “porque é desconfortável e pouco prático.”
E os espaços dos camarotes não oferecem instalações para deficientes, fato que, obviamente, não passou despercebido. De acordo com a Minas Arena, o estádio tem, além de espaços para cadeiras de rodas, 622 assentos especiais para idosos, grávidas, obesos e crianças de colo.
E aí, Gil? Numa escala de um a 10, qual a nota do Mineirão? “Eu daria um 10. Se bem que os camarotes deixam a desejar. Talvez um nove. Bom acho que oito tá bom. Isso é igual hotel, você nunca pode dar 10 que eles param no tempo. Mas dá para dizer que o Mineirão está aprovado”, afirmou. Então, “bora lá” para a Igrejinha da Pampulha.

Valei-me, São Francisco!
Em matéria de acessibilidade, a Igreja de São Francisco, que também atende pelo nome de Igrejinha da Pampulha, está a anos-luz de qualquer avanço. Nem mesmo uma simples rampa para cadeira de rodas existe no entorno do templo. Corrimãos, pisos podáteis e placas em braile então, nem pensar. Para piorar a situação, por exemplo, dos cadeirantes, parte da pista em frente à igreja foi transformada em ciclovia, o que impede o estacionamento de carros. Resta ao cadeirante estacionar nas proximidades do Parque Guanabara e se deslocar por cerca de 200 metros até lá. Mesmo esse deslocamento é sofrível, já que o piso é totalmente irregular.
Nota zero para a igrejinha, que também não anda muito bem em matéria de conservação, necessitando urgente de reformas, conforme noticiou o EM semana passada. Inclusive para acabar com goteiras no teto, que se transformam num inferno (com perdão do sacrilégio), quando chove mais forte. A assessoria da Arquidiocese de Belo Horizonte, responsável pela igrejinha, informou que um projeto de recuperação do templo e a instalação de equipamentos de acessibilidade está a cargo da Prefeitura de Belo Horizonte, porém não há previsão para execução das obras. O Museu de Arte da Pampulha está em bom estado de conservação, mas segue os passos da igrejinha e não oferece nenhum equipamento de acessibilidade.
Fundação Zoobotânica
Aquário, dentro do zoológico de BH, foi outro ponto testado. No estacionamento não há pista para cadeiras de rodas e o piso é de cascalho. Mas há rampas para acesso e dentro do espaço. No mais, as instalações foram parcialmente aprovadas: há pisos podotáteis, informações embraile, os bebedouros estão na altura ideal, etc., etc. Porém, Gil avalia que o banheiro tem algumas falhas, como papeleira e toalheira mal colocadas e falta de puxador interno nas portas. O Aquário tirou nota quatro. Há um projeto da Prefeitura de Belo Horizonte em plena execução a fim de melhorar a acessibilidade para deficientes dentro de todo o zoológico.
Em que pese o fato de que muitas das instalações para deficientes no Brasil, turistas ou não, caminham a passos lentos – isso quando existem –, Gil considera que muito coisa melhorou. E Belo Horizonte é exemplo. “É uma cidade de relevo acentuado, o que dificulta a locomoção. Mas desde que me mudei para cá, em 2000 (quando veio morar com Telma, vindo de São Paulo), tenho visto que muita coisa melhorou. Mas ainda tem que melhorar muito”, afirma.
Para ele e Telma, uma cidade modelo no Brasil é Socorro (SP)Site externo., a 138 quilômetros da capital paulista, e polo de esportes de aventura. “Socorro é nota 10. A cidade é toda preparada, fruto de parceria do poder público com os empresários. O deficiente pode praticar inclusive esportes de aventura, pois há adaptações para tudo”, afirmou.
Fonte: EM.com.brSite externo.

Aparelho criado para deficientes visuais é capaz de ler livros em voz alta



As pessoas que possuem algum tipo de deficiência visual poderão encontrar em um futuro não tão distante um equipamento capaz de permitir a leitura de livros sem braile.
Desenvolvido pelo Fluid Interfaces Group, no laboratório do MIT, o FingerReader pode ser classificado como um tipo de anel capaz de ler e repetir através de um áudio as palavras de um livro qualquer. Certamente, um grande avanço quando comparado ao sistema braile, popularmente utilizado entre pessoas com deficiência visual.
Uma pequena câmera acoplada na superfície do anel lê as folhas de um livro (ou mesmo de um tablet) e as narra sequencialmente em voz alta para o usuário. Com a ajuda do dedo indicador, o equipamento consegue identificar as linhas e ajuda a pessoa a não se perder em meio às informações do texto. Caso o usuário ultrapasse as linhas ou invada espaços desnecessários, o anel vibrará de leve para que ele volte ao posicionamento anterior.
A vibração também ocorre quando o fim das linhas está próximo, para que as pessoas já se preparem para colocar o dedo na linha de baixo. Pelo vídeo, é permitido ver como o sistema lê e repete as palavras, já observando as próximas letras para criar uma continuidade na leitura. O aparelho está em fases de testes, porém já é possível perceber como será tal equipamento quando estiver finalizado. Possivelmente, compatibilidade com fones de ouvido e outros idiomas serão implementados no futuro.


Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/conceito/51554-aparelho-criado-para-deficientes-visuais-e-capaz-de-ler-livros-em-voz-alta.htm#ixzz2tyo6tjZK

Inclusão no mercado de trabalho

Felipe Carvalho faz parte do programa Iluminar, da Light, no Rio de Janeiro. Crédito: Vitor Madeira/Imagens do Povo
A entrada no mercado de trabalho é um passo importante para que os jovens possam fazer a transição entre o mundo da infância e o mundo adulto. O excesso de preocupação por parte de familiares e amigos muitas vezes torna essa passagem difícil para as pessoas com síndrome de Down, principalmente pela forma com que elas são tratadas e pelas baixas expectativas em relação à sua função na sociedade.
As pessoas que não estão empregadas tendem a ter mais depressão e menos autoestima. Isso acontece porque o ambiente de trabalho ajuda os indivíduos a ganhar responsabilidades e desenvolver relacionamentos com grupos diversos. Além disso, favorece o desenvolvimento de habilidades cognitivas, mecânicas e de adaptação a diferentes situações, inclusive na vida pessoal.
Reconhecer-se como parte do mundo do trabalho fortalece o sentido de cidadania de jovens e adultos. No caso de pessoas com síndrome de Down, muitas vezes as próprias famílias se surpreendem com mudanças de atitude, uma vez que elas se sentem mais independentes e capazes de realizar seus desejos.
O artigo 27 da convenção da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência estabelece que todos têm direito a oportunidades iguais de trabalho. Muitos países, assim como o Brasil, contam com uma legislação trabalhista que favorece a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, seja através de cotas ou de subsídios para as empresas contratantes.
É importante ressaltar que o trabalho não envolve apenas a pessoa e a empresa. Família, escola e sociedade precisam caminhar juntas na defesa da inclusão efetiva para que a entrada no mercado de trabalho de pessoas com síndrome de Down possa se tornar uma realidade para todos.
Na seção “Trabalho” do Movimento Down, você encontra informações sobre como contratar uma pessoa com síndrome de Down, experiências inclusivas no mercado de trabalho e um banco de dados com vagas disponíveis para pessoas com a trissomia em todo o Brasil. Se você representa uma instituição interessada em oferecer oportunidades a este público, não deixe de se cadastrar. Profissionais com síndrome de Down que desejam se candidatar a uma vaga de emprego também podem se cadastrar no banco de dados de prestadores de serviços.
Dicas para contratar pessoas com síndrome de Down
Empregar pessoas com síndrome de Down e outras deficiências intelectuais traz benefícios não apenas para os indivíduos, mas para as organizações. Para que a experiência seja positiva para todos, é fundamental enxergar as oportunidades de acordo com as potencialidades de cada um. Confira abaixo dicas importantes que podem facilitar este processo:
Além da deficiência
Compreender que o (a) profissional com síndrome de Down ou outras deficiências intelectuais é um ser humano com particularidades e potencialidades é um passo importante na hora de pensar nas oportunidades que serão oferecidas. Assim, embora seja importante compreender quais são as limitações e questões relacionadas à deficiência, é fundamental conversar com o (a) novo (a) empregado (a) para definir de que maneiras ele (a) poderá contribuir para a empresa de acordo com suas características pessoais.
Prazer, mundo do trabalho
Em virtude da falta de expectativas em relação ao futuro profissional no ambiente familiar e escolar, muitos jovens e adultos com síndrome de Down não foram apresentados ao mundo do trabalho. Assim, questões como o comportamento adequado, responsabilidade e hierarquia podem ser novidades para o (a) empregado (a) que acaba de chegar. Porém, isso não significa que essas pessoas não sejam capazes de se adaptar à rotina da empresa, muito pelo contrário. Trata-se apenas de ter disposição para facilitar sua entrada neste novo universo e explicar, sempre que necessário, quais são os direitos e os deveres relacionados ao vínculo com a organização.
Segundo a Fundação Síndrome de Down, é importante trabalhar com o exemplo dos colegas de trabalho para mostrar ao jovem que determinados comportamentos são inadequados, como por exemplo:
 Atrasos e faltas sem justificativas
 Higiene inadequada
 Confundir papel do chefe ou da equipe de trabalho
 Se negar a realizar determinadas tarefas sem motivo aparente
É importante ressaltar que uma adaptação adequada e o acompanhamento do desenvolvimento do (a) funcionário (a) dentro da empresa são fundamentais para que situações semelhantes às citadas acima sejam encaradas com tranquilidade e resolvidas com uma conversa franca entre as partes. Em alguns casos, pode ser benéfico entrar em contato com a família ou com o (a) profissional responsável pelo acompanhamento terapêutico do (a) empregado (a), se houver.
Referência é fundamental
É muito importante que cada pessoa com síndrome de Down empregada na organização saiba de forma clara que existe uma referência dentro da empresa. Um outro funcionário – não necessariamente o seu chefe – a quem ele (a) pode recorrer em caso de dúvidas e que também acompanhe de perto a sua adaptação ao trabalho para discutir questões relacionadas com a área de relações humanas da empresa caso seja necessário. Esse apoio traz segurança para o (a) profissional com síndrome de Down, que muitas vezes se torna ansioso (a) diante da incerteza sobre diversos assuntos ligados a um ambiente desconhecido.
O tempo de cada um
A síndrome de Down está relacionada a dificuldades de aprendizado, o que significa que os funcionários com a trissomia provavelmente vão demorar um pouco mais de tempo para realizar determinadas tarefas. Isso não quer dizer que elas não serão feitas, ou que serão feitas de forma inadequada. Assim, é importante acompanhar sempre o processo de adaptação da pessoa ao trabalho para determinar, de preferência junto com o (a) funcionário (a) em questão, quais serão as suas responsabilidades e tarefas a cumprir.
A relação com os pais
Para empresas como a Light e a Oi, que empregam pessoas com síndrome de Down, a parceria com os pais é fundamental no processo de adaptação ao mundo do trabalho. Muitas vezes, os pais podem se sentir inseguros em relação à convivência de seu filho ou filha em um ambiente desconhecido, pois eles também precisam se adaptar à ideia de que a pessoa com síndrome de Down ou outras deficiências intelectuais pode trabalhar. No entanto, com o passar do tempo, percebem que a experiência pode trazer benefícios inclusive no ambiente familiar. Na fase inicial, pode ser benéfico entrar em contato com eles no sentido de tranquiliza-los ou com o profissional responsável pelo acompanhamento psicológico do (a) empregado (a), se houver.
Orientações aos colegas de trabalho
A falta de acesso a ambientes inclusivos pode fazer com que algumas pessoas apresentem diversas dúvidas relacionadas à síndrome de Down. A falta de conhecimento pode gerar distanciamento e até mal-entendidos entre funcionários, prejudicando a cultura de inclusão e o ambiente de trabalho da empresa. Por isso, é importante que um profissional especializado converse com a equipe que receberá o (a) novo (a) empregado (a) sobre o assunto para criar um ambiente adequado e propício para a adaptação da pessoa com deficiência.
Cota para pessoas com deficiência
A legislação estabeleceu a obrigatoriedade de as empresas com cem (100) ou mais empregados preencherem uma parcela de seus cargos com pessoas com deficiência. A reserva legal de cargos é também conhecida como Lei de Cotas (art. 93 da Lei nº 8.213/91). A cota depende do número geral de empregados que a empresa tem no seu quadro, na seguinte proporção, conforme estabeleceu o art. 93 da Lei nº 8.213/91:
I – de 100 a 200 empregados ……………… 2%
II – de 201 a 500 …………………………………….. 3%III – de 501 a 1.000 …………………………………. 4%
IV – de 1.001 em diante ……………………….. 5% 


Saiba mais: leia o artigo de Marina da Silveira Rodrigues Almeida, consultora em educação inclusiva, sobre a empregabilidade da pessoa com síndrome de Down.

 http://www.movimentodown.org.br/trabalho/inclusao-no-mercado-de-trabalho/#sthash.Yc6sWYJj.dpuf

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Cadeirantes derrubam mitos sobre sexualidade

IG


A lesão não impede uma vida sexual ativa e satisfatória. Conheça as histórias de quem superou os próprios desafios

Nas últimas semanas, a modelo e Miss Bumbum Dai Macedo e o advogado Rafael Machado, juntos há quase dez meses, viram uma reação inusitada à relação deles. Rafael, de 31 anos, é cadeirante.
“Pessoas com diferenças muito visíveis aos outros sempre são percebidas como incapazes ou sem os mesmos direitos às expressões sexuais”, afirma Oswaldo Rodrigues, psicólogo e especialista do Instituto Paulista de Sexo. Dai e Rafael ficaram impressionados com a reação das pessoas ao fato do casal ter uma vida sexual ativa. “É tão normal, tranquilo e gostoso. Acho que as pessoas precisam conhecer e saber o que a gente vive, para depois falar”, desabafou a modelo em entrevista ao iG Gente.
Getty Images
Cadeirantes podem -- e têm -- uma vida sexual saudável e ativa

Um dos orgasmos mais marcantes que eu tive foi justamente depois da lesão", diz Juliana Carvalho
O caso de Rafael, que sofreu um acidente há 10 anos, é de lesão medular, que acaba comprometendo as habilidades motoras e sensitivas do corpo. Mesmo com a sensibilidade do corpo alterada, é possível ter prazer por meio de outros estímulos, menos óbvios que a penetração.
“Não existe nenhuma informação de que o orgasmo seja atingido única e exclusivamente pela penetração. Então, é completamente possível atingir o prazer de outras formas, descobrindo novas zonas erógenas, como a nuca, mamilos, lóbulo da orelha, entre outras partes. O casal precisa tentar”, aconselha a médica fisiatra Rosane Chamlian, da Escola Paulista de Medicina.
Nem todos os cadeirantes, porém, sofreram lesão na coluna. Às vezes, o problema pode ser uma doença progressiva que afete a habilidade motora, sem prejudicar a sensibilidade. Em casos assim, ter uma vida sexual ativa também é possível, mesmo com o obstáculo da falta de locomoção.
Arquivo pessoal
Juliana é autora do livro 'Na Minha Cadeira ou na Sua?': orgasmo mais marcante depois da lesão
Sexo antes, sexo depois
Náusea, dor de cabeça e dores pelo corpo. A publicitária Juliana Carvalho, que na época tinha 19 anos, estava certa de que aqueles sintomas eram de uma ressaca qualquer. Quando precisou ser internada, porém, recebeu um diagnóstico mais grave. Ela teve mielite transversa, espécie de inflamação na medula, e 48 horas depois de ter entrado no hospital caminhando, ficou tetraplégica.
Com a ajuda da fisioterapia e a convicção de que estar na cadeira de rodas era apenas algo temporário, Juliana conseguiu reconquistar o movimento dos braços, mas da cintura para baixo nada mudou. “Depois de oito anos recusando a ideia de ser paraplégica, entendi que voltar a andar não era a coisa mais importante da minha vida. Ser uma referência para outras pessoas com alguma deficiência valia mais a pena, mostrar que a gente pode fazer tudo o que quiser, apesar da exclusão e do preconceito”, conta ela, que encarou isso como uma missão e publicou o livro "Na Minha Cadeira ou na Tua?" (Editora Terceiro Nome), com o relato de suas experiências como cadeirante, em 2010.
A ideia de que tudo é possível também se aplicou à vida sexual. Ela, que já tinha se relacionado com outras pessoas, precisou se adaptar a um “novo” jeito de transar. Juliana se sentiu travada no começo, com medo de que a relação não fosse tão prazerosa como antes. Pela experiência, ela percebeu que o medo era apenas um engano.
No centro de reabilitação do hospital, conversando com outros cadeirantes e compartilhando experiências, Juliana percebeu que poderia ter uma vida sexual tão satisfatória como a de qualquer outra pessoa, lesionada ou não. “Um dos orgasmos mais marcantes que eu tive foi justamente depois da lesão, quando eu já estava há cinco anos sem transar com ninguém”, lembra.
Divulgação
Mara Gabrili: 'nova primeira vez' ainda no hospital
Assim como Juliana, a psicóloga, publicitária e deputada federal Mara Gabrilli precisou se redescobrir sexualmente após um acidente que a deixou tetraplégica aos 26 anos, em 1994. “Essa foi a minha maior preocupação quando recebi o diagnóstico: fiquei com medo de não ter uma vida sexual saudável, já que eu estava na cama, sem conseguir me mexer ou respirar direito”, relembra ela.
Ainda na UTI, Mara resolveu arriscar e acabou tendo sua “nova primeira vez” atrás das cortinas do hospital, com seu então namorado. “Foi muito bom porque eu vi que várias coisas estavam vivas em mim, desde o desejo até a lubrificação. A sensibilidade era diferente, mas não estava perdida”, diz. Nesse ponto, ficou até melhor: depois do acidente, Mara sentiu que os orgasmos se tornaram mais duradouros. “O nosso corpo não é estático, não está congelado. A cada dia descubro um lugar onde a sensibilidade aumentou”, explica.
Ao contrário de Mara e Juliana, a estudante de Pedagogia Tuigue Venzon teve as habilidades motoras e sensitivas comprometidas por conta de uma má formação arteriovenosa, que a impediu de caminhar sozinha aos 20 anos. Até então, Tuigue não tinha se relacionado com ninguém. “Eu tinha medo, achava que ninguém ia me querer. Acabou rolando com meu ex-namorado e foi ótimo! Hoje, entendo que e experimentar é a melhor coisa podemos fazer, para tirar qualquer dúvida”, acredita ela.
Arquivo pessoal
Rafael e os filhos: se lamentar pela própria situação nunca foi uma escolha
Coragem e criatividade
O mais importante durante a fase de recuperação é não se deixar intimidar pelas dificuldades e não abrir mão de uma vida sexual ativa, que traz uma série de benefícios para o organismo. “A pessoa que redescobre a sexualidade fica com a autoestima lá em cima, aproveita melhor a vida e tudo isso se reflete na saúde”, afirma Rosane Chamlian.
Para o advogado Rafael Marajó, cadeirante há quase três anos, se lamentar pela própria situação nunca foi uma escolha. Em agosto de 2011, durante um assalto, ele levou um tiro que o deixou paraplégico. O contato com outros cadeirantes foi fundamental para que ele entendesse que, a partir dali, a experiência sexual seria completamente diferente, mas nem por isso menos prazerosa.
“A cultura masculina é a de que o prazer só é atingido com a ejaculação. O que a gente descobre é que uma coisa é totalmente diferente da outra, e mesmo que o cara não consiga ter um orgasmo, a relação vale a pena. Não tem coisa mais legal do que estar com a parceira e vê-la sentindo prazer”, conta.
Com os homens, a questão da sexualidade é um pouco diferente. Segundo a especialista Rosane Chamlian, a ereção é possível, a única coisa que varia é a sua duração. “A cumplicidade e o conhecimento entre o casal é o segredo para fazer com quem essa ereção se mantenha durante a relação”, ressalta ela.
Além disso, existem outras alternativas que prolongam ereção, como o anel peniano, Viagra e injeções estimulantes. Mesmo assim, vale lembrar: nenhum medicamento deve ser utilizado sem a devida prescrição médica e cadeirantes também estão sujeitos à contaminação por DST’s (doenças sexualmente transmissíveis), por isso, a proteção é indispensável.
“Sexo é uma coisa tão boa, não tem por que se esconder ou se culpar. Se der alguma coisa errada, qual o problema? Que homem nunca broxou na vida e que mulher nunca deixou de gozar? O fato de estar numa cadeira de rodas não é um obstáculo para conhecer novas pessoas”, reforça Rafael.