A falta de oxigênio no parto provocou uma paralisia cerebral e afetou os movimentos das pernas do pequeno Gustavo, hoje com sete anos. Até pouco tempo era inimaginável vê-lo fora da cadeira de rodas, mas, graças aos treinamentos no ringue, a recuperação desse recordista impressiona. Conheça! http://esportes.r7.com/esporte-fantastico/video/recordistas-artes-marciais-ajudam-garotinho-com-paralisia-cerebral-53ef6b420cf224c298d9d226/?s_cid=o-que-voce-espera-do-brasil-na-olimpiada-de-londres-conte-ao-esporte-fantastico_esporte-fantastico_facebook&fb_action_ids=260606904138314&fb_action_types=og.recommends
Livro fala sobre a inclusão de crianças com deficiência
usando a linguagem dos quadrinhos
Beatriz Inhudes
Rio - O jornalista Fábio Fernandes acaba de lançar seu primeiro livro, o
infantil ‘Bim, Um Menino Diferente’ (Editora Multifoco, 32 págs., R$ 38) que
trata da inclusão de crianças com deficiência sob uma nova perspectiva. A
publicação usa a linguagem dos quadrinhos para contar a história de um menino de
11 anos que, desde o seu nascimento, convive com a paralisia cerebral. Este
seria apenas mais um lançamento sob a égide da inclusão, não fosse um fato quase
extraordinário: Fábio também é portador de paralisia cerebral desde que nasceu.
Ele não fala, não anda e se comunica através de mensagens digitais, com os pés.
E foi assim que ele conversou com O DIA .
‘Não se trata de uma autobiografia’, avisa Fábio Fernandes
sobre livro
Foto: Divulgação
“O livro traz impressões e imagens que refletem a minha infância e juventude.
Mas não se trata de uma autobiografia, porque os acontecimentos que formam a
trama não aconteceram literalmente comigo. Porém, são comuns e acontecem com
qualquer pessoa com algum tipo de necessidade especial. Não é difícil ouvir
relatos de cadeirantes que enfrentam barreiras, seja no transporte, seja em
locais públicos. E o mais gratificante foi falar disso de uma maneira leve, com
humor, levando o leitor a pensar sobre o assunto”, conta o escritor, que hoje
tem 40 anos e vive com a mãe e uma irmã.
Ele conta que a ideia de escrever ‘Bim’ nasceu da percepção da carência de
uma literatura infantil que trate da pessoa com necessidades especiais. “Hoje
até existem algumas obras, mas que têm o caráter quase didático, tipo “aprenda
como conviver com seu coleguinha Down”. Meu livro também tem isso; existe a
preocupação de passar informações para o professor que recebe alunos com
deficiência e para as crianças que partilham os mesmos ambientes. Mas eu quis
mostrar que aquele menino que você vê numa cadeira de rodas é tão peralta,
travesso e alegre quanto qualquer outra criança. É isso que busquei e por isso
usei os quadrinhos. Quis dizer que ter um amigo cadeirante é legal, até porque
ele não vai te ganhar no pique-esconde”, brinca o jornalista, que também é autor
de duas peças teatrais: ‘O Menino que Falava com os Pés’ e ‘Meu Irmão’.
‘O Menino que Falava com os Pés’, aliás, foi um dos primeiros espetáculos de
teatro a tratar da temática da inclusão escolar de crianças com deficiência, em
1998. ‘Meu Irmão’, por sua vez, foi representado em 2006 pelo grupo de teatro
‘Histéricos’, em Portugal.
Fábio atuou como repórter na cobertura dos jogos Parapan-americanos, de 2007,
mantém o blog ‘Eficiente em foco’, voltado para a temática inclusiva, no ar há
mais de sete anos, trabalha como repórter do portal da Prefeitura do Rio e
colabora com a Associação Objetivo de Deficientes, entidade sem fins econômicos
que age na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Apesar da vida
ativa, confirma que ainda existe muito preconceito acerca de portadores de
necessidades especiais.
“Meu tipo de deficiência ainda traz um estigma muito grande. As pessoas com
paralisia cerebral carregam uma carga de estereótipos profundamente negativa. Eu
acho que nós, que trabalhamos com formação cultural, temos um papel fundamental
na mudança deste quadro. Fazer cultura é abrir novas possibilidades de ver o
outro, de compreendê-lo e fazer com que, no caso dos portadores de paralisia
cerebral, seja visto além dos padrões estéticos. Eu busco fazer com que meu
trabalho motive essa mudança na visão da sociedade”, reflete o autor, que nasceu
com paralisia em razão de um erro médico.
“É inaceitável que em 2014, tal qual 40 anos atrás, ainda nasçam crianças com
paralisia cerebral porque passaram da hora”, reclama Fábio, que, em seguida,
mostra novamente bom humor. “Tenho grave comprometimento motor, não ando, não
falo, mas sou simpático e bonito. Pelo menos, a minha mãe acha”, diverte-se.
Atualmente, ‘Bim, Um Menino Diferente’ está à venda apenas no site da Editora
Multifoco. Fábio ressalta que escolas e instituições ligadas à causa da pessoa
com deficiência podem formar grupos de compras com descontos e promoções. “Nesse
caso, é melhor entrar na página do livro no Facebook
(www.facebook.com/aturmadobim) para fazer a negociação”, explica o autor. http://odia.ig.com.br/diversao/2014-07-30/jornalista-com-paralisia-cerebral-lanca-bim-um-menino-diferente.html