segunda-feira, 28 de março de 2011

Cidadania em movimento!!


Fontes: Gazeta do Povo

Aos 17 anos, na flor da idade, como já diziam nossas avós, a vida e os sonhos de Mirella Whiters Prosdócimo caíram de um viaduto da BR-277 e nunca mais foram os mesmos desde aquele final de tarde de 2 de fevereiro de 1992 (2 do 2 de 92), quando ela voltava da praia com um tio e uma amiga. Os três usavam cinto de segurança. Mirella estava no banco do carona. A Lei Seca, a anos-luz de ser criada. Eis que um carro de passeio, ocupado por 11 irresponsáveis almas e conduzido por um motorista alcoolizado, vindo de uma caranguejada, cruzou o caminho de Mirella e fez com que, daquele dia em diante, ela não andasse nem para a frente nem para trás. Mirella saiu do acidente com três vértebras da coluna cervical fraturadas. O carro em que estava capotou várias vezes e foi jogado do viaduto da Sanepar, já na entrada de Curitiba, quase em casa. Dos dois meses que passou no hospital, 40 dias foram na UTI, respirando com a ajuda de aparelhos.

Hoje, aos 36, Mirella é uma mulher bem resolvida, que fez do saco de limão que lhe jogaram no caminho uma limonada. Formou-se em Letras, virou empresária na área de acessibilidade para pessoas com dificuldade de locomoção. Trabalha, sai à noite, namora, vive a vida, mesmo dependendo 24 horas por dia de alguém para fazer por ela tarefas simples como escovar os dentes, tomar um cafezinho – com canudo – ou virar-se na cama. Pois quando achou que já tinha passado pela pior das provações, eis que ela se depara com uma situação comum: alguém ocupando indevidamente uma vaga exclusiva para cadeirantes no estacionamento de um supermercado de Curitiba no entardecer do dia 11 de março. O fato foi amplamente noticiado pela coluna nos últimos dias, o que lhe rendeu 100% de solidariedade por parte dos leitores.

Mauro Campos

Mauro Campos / Quadro na parede do escritório da empresária com uma frase de Charles ChaplinAmpliar imagem

Quadro na parede do escritório da empresária com uma frase de Charles Chaplin

Ao pedir educadamente que a mulher, de aparentes 30 anos e fisicamente saudável, procurasse outro lugar para estacionar, ouviu vários impropérios culminados com a ameaça: “Cala a boca, se não vou meter a mão na sua cara” quando a parabenizou pelo “belo exemplo” que estava dando aos casal de filhos pequenos que a acompanhavam. Como não pode mexer nada por conta própria além da cabeça, a empresária foi socorrida pela segurança do supermercado e por uma de suas duas assistentes, Ana Claudia Nos, que ela chama de “meu anjinho”. “Rolou um certo barraco”, diz Mirella, com bom humor. A mulher, acuada pela aproximação de outros clientes indignados com a cena, saiu de fininho e enfurecida no Sandero prata de placas 2620, conforme anotado na palma da mão de sua secretária. As letras da placa não foram anotadas.

A notoriedade trazida pela repercussão do incidente, que motivou até a entrada do Ministério Público no caso, fez de Mirella uma celebridade instantânea da causa pelo respeito aos direitos dos deficientes. Na manhã da última sexta-feira ela conversou com a coluna em seu escritório.

Foi a primeira vez que se deparou com uma situação dessas?

Tão grande assim, foi. Nunca fui de brigar pelos meus direitos. Achava que era questão de cada um. Tomei aquela atitude porque me indignei.

O que mudou depois desse episódio?

Continuo vendo muito isso [uso indevido das vagas exclusivas para deficientes]. Precisa ter uma grande campanha de conscientização porque as pessoas acham que as vagas estão ali e podem ser usadas rapidinho. Existe um porquê daquela vaga, elas são maiores e mais próximas da porta de entrada. Tenho que aproveitar a repercussão para levantar essa bandeira, virou uma causa.

Há quem diga que sobram vagas para deficientes.

A lei manda cada estabelecimento disponibilizar 2% das vagas para deficientes.

Quais são os lugares em que ocorrem mais abusos?

Nos supermercados e shoppings.

Como foi o seu processo de aceitação do seu acidente?

Bem gradual. Sempre imaginava que não existiria vida sem os movimentos. Vivia sempre na expectativa de recuperá-los.

Mesmo depois de tantos anos, você ainda tem esperança de recuperar seus movimentos?

Ainda tenho, mas não vivo mais em função disso. Não acredito que preciso dos movimentos para viver. Sou feliz do jeito que eu sou. Aprendi duas coisas: ou você fica com raiva e cai em depressão ou encara a vida de frente.

domingo, 27 de março de 2011

Bem-vindo à Holanda

A diferença de uma criança especial e um objeto

No caso de um carro ter o teto solar, o dono deste tem autonomia de proteger-se do frio,da chuva,do vento,do sol , opta pela sua preferência de colocar ou não a proteção ou ainda é uma questão de estilo,moda e até exibicionismo na sociedade.E quanto uma criança especial, ao nascer?O que lhe acontece? Ela tem autonomia como o dono do carro?E quando não preenche as expectativas dos pais,para mostrar para a sociedade o novo ser que veio ao mundo?Um ser humano não é como um objeto descartável. ou que perda sua validade e podemos trocar ou deixar para reciclagem .

A pessoa sente,tem necessidades do apoio do outro,um ser com forma diferente mas amor que ultrapassa os limites da Terra,o compromisso moral e espiritual estão inseridos nessas relações humanas.As reações dos pais podem ser diversas: revolta, fuga,indiferença, mas também ser substituídas por OPORTUNIDADE!Reparação, aprendizado, troca de sentimentos nobres que fazem-nos crescer.Quando descobrem esses sentimentos positivos conseguem exercer o verdadeiro papel e toda sociedade ganha.

Aqui fica o meu grandioso abraço á todos os seres especiais, incluindo pais de sangue, de coração, cuidadores,amigos fraternos,enfim àquelas seres especiais que nos vêem como objetos, mas seres que pensam,choram,xingam,amam....
Jussara Molina 26-03-20011

segunda-feira, 21 de março de 2011

01 NEGRO + 01 DOWN + 01 POETA = 01 Dia para não esquecer de incluir



Imagem Publicada - um cartaz comemorativo do Dia 21 de Março - Dia Internacional de Contra a Discriminação Racial com a frase de A. Einstein: " Época triste a nossa... mais fácil quebrar um átomo que um preconceito". Logo abaixo estão três pessoas: uma mulher loira à esquerda, uma caucasiana?, um bebê de olhos orientais, um japonês?, ao seu lado à direita esta uma mulher negra, uma africana?, elas estão envolvidos pelo mesmo cobertor de cor verde e barra lilás, unidos eles olham para o futuro onde as diferenças possam ser respeitadas e todas as formas de discriminação sejam eliminadas.01 Negro + 01 Down + 01 Poeta = 01 dia para não esquecer de incluirOs olhos ''diferentes'' de milhares de japoneses nunca foram tão vistos como agora. Esses olhos miúdos, puxados, orientais, também são os olhos que foram classificados de ''mongolóides'', e erradamente aplicados a sujeitos com deficiência intelectual por sua condição genética: a Síndrome de Down.
Hoje, quando Hiroxima e Nagasaki retornam na onda nipônica da Tsunami, esses nossos olhos também se arregalam, e trazem novamente o pesadelo nuclear. E nós, olhamos assustados a onda avassaladora e terrível no sol nascente. Há em nossos inconscientes, como ameaça indelével, uma arma invisível e mortal que nos exterminará: um cogumelo atômico?Telespectadores do Capitalismo de Desastre, inebriados, na distância defensiva, televisivamente continuamos nos esquecendo que o Oriente é aqui. Negamos outros desastres próximo como do Haiti, do Chile e das Serras fluminenses.
As tragédias terminam sendo um passado que esquecemos rapidamente. Esquecemos para não nos mantermos próximos de nossas mais profundas angústias, quiçá de nossa pulsão de morte. Assim como nos esquecemos o pertencimento coletivo à mesma Gaia, o mesmo Planeta.No próximo dia 21 de março novamente estaremos comemorando datas para não esquecer. Os esquecimentos precisam ser vencidos pelo desejo de viver outras experiências, de podermos traçar novas cartografias, vivenciar outras intensidades. Uma dessas vivências eu trago na minha própria pele. É, por isso, que me lembro do Dia Internacional pela Eliminação do Racismo, que foi instituído para rememorar o Massacre de Shaperville, ocorrido em 1960, em pleno Apartheid, quando negros sul africanos foram massacrados pelo exército. Estes negros entram para a história, junto com Mandela, no seu movimento de resistência ao modelo racista e eugenista da Africa do Sul. Um modelo que adocicamos na América Latina e, na Terra Brasilis, é o chamado racismo cordial, e permanece ainda negado por muitos.Por isso precisamos incluir + 1 negro nas comemorações que se farão neste mês.
Temos de incluir um Negro com Síndrome de Down, ou seja, uma diferença que denote e conote criticamente a Diferença. Ao pesquisar a soma das palavras negros + síndrome de down na Internet, em busca de respostas, o que encontrei foi a confirmação de um modelo excludente naturalizado: as perguntas são sobre a existência, como anomalia, de presença da síndrome de down entre pessoas da ''raça'' negra. A pergunta que muitos se fazem: " é verdade que a Síndrome de Down não ocorre em pessoas com a pele negra?"Essa ''inclusão" , que ora faço, é uma afirmação da coincidência de comemorações, pois dia 21 é também o Dia Internacional da Síndrome de Down. E uma pesquisa do CDC dos EUA afirma que as pessoas negras com Sindrome de Down têm sete vezes mais probalidades de morte precoce do que as brancas. Mas não há mais ou menos negros ou asiáticos que pessoas brancas down no mundo. O que há é uma visão medicalizada que transforma as crianças negras em populações mais vulneráveis. E vistas como minoria portanto mais marginalizável, com piores condições de vida, ainda mais por serem negras, reforçando-se a visão biologicista das mesmas.A trissomia 21 é tratada assim como a ''pele'', dentro da visão puramente médica, e algumas perguntas explicitam a visão preconceituosa: Down como doença, e for negra debaixo de duplo preconceito, com a visão racista. Fala-se de ficar ''imune', ''não ter essa anomalia'', "quero saber se os negros tem alguma resistência a isso", enfim na vox populi, ou seja o senso comum do chamado ''povo'', a noção de prevenção afirma que a ''síndrome'' deve ser tratada como uma ''doença a ser evitada'', e se necessário eliminada por um abortamento eugênico.No bojo das frases e falas sobre a existência de negros com síndrome de Down está latente a questão da eugenia. A condição genética da Síndrome de Down a coloca inteiramente inserida no campo da medicina por esta óptica. Já temos, por notícia recente, um teste preditivo sobre a existência de um feto com a síndrome ainda intraútero. Por exemplo, a visão do Dr. Eduardo Fonseca, da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia: "“O nosso sonho é tirar o sangue da mãe e mapear os problemas do bebê. Essa descoberta seria o ‘Santo Graal’ da medicina fetal”. E nessa cruzada pela pesquisa de DNA, como no filme Gattaca, a experiência genética é determinante para a seleção de uma elite humana, dos que ''são válidos", ou seja eugenicamente perfeitos. Um ser humano nascido negro com síndrome de Down seria ''um azar enorme, como se um urubu tivesse feito uma m** duas vezes na mesma cabeça", é o que diria uma médica neurologista que passou e conheci na minha própria história de pai de pessoas com deficiência.Portanto há, para além das crises e catástrofes que nos englobam e engolfam, visões preconceituosas. São modos de ver, sentir, catalogar, segregar ou discriminar que ainda transversalizam, práticas, ações, reabilitações ou até mesmo as legislações. Temos a presença de nossos preconceitos, desde os altos escalões da macropolítica, dos bem intencionados das diversas religiões ou crenças, dos magistrados que ainda crêem e vêem somente "portadores de necessidades especiais hipossuficientes", das famílias que justificam o isolamento suave ou o encarceramento duro dos seus filhos diferentes, dos profissionais de saúde que ainda andam de braços dados com o "retardo mental", dos políticos que se sentem ''legais'' com os ''deficientes mentais''. Falhamos, na comemoração, pelo esquecimento de que todos e todas ainda não conhecemos, nem celebramos com a mesma intensidade e dedicação, um outro Dia da Diferença, um dia para a afirmação de direitos humanos que deveria, transversalmente, combater essas concepções.
Um dia em que Down, negritude e poesia se misturam sem perder suas diferenças, porém exigem a mesma igualdade em direitos. E esse dia é todos os dias, a cada segundo, a cada rotação da Terra.O dia 21 de março também tem uma comemoração "esquecida" assim como negros e pessoas com síndrome de down, é o Dia Internacional da Poesia. Essa comemoração também é uma diferença esquecida, talvez por seu potencial e diversidade. E com certeza em tempos de consumo, individualismo, egocentrismo e incertezas econômico-políticas, a poesia "não tem o mesmo valor".Desde um HaiKai à um verso branco, passando por sonetos e rimas, a poesia pode ser um libelo, uma denúncia de nossos apagões da memória. A história e vida dos poetas que o diga. Por isso deixo como mensagem aos diferentes leitores e leitoras uma poesia de um negro, cubano, que dizia não ser um '' homem puro'', Nicolás Guilhén com suas Palabras Fundamentales:Haz que tu vida seacampana que repiqueo surco en que florezca y fructifiqueel árbol luminoso de la idea.Alza tu voz sobre la voz sin nombrede todos los demás, y haz que se veajunto al poeta, el hombre.Llena todo tu espíritu de lumbre;busca el empinamiento de la cumbre,y si el sostén nudoso de tu báculoencuentra algún obstáculo a tu intento,¡sacude el ala del atrevimientoante el atrevimiento del obstáculo!Façamos, com inspiração, a soma de: 01 poeta negro + os atores do fime City Down + um pouco de ousadia e coragem + o desejo de outro mundo possível + ações para que nossas memórias não sejam apagadas ou melhor deletadas e distorcidas, e teremos uma combinação luminosa e rica de criatividade e invenção para a Vida na Terra em convulsão...Vamos nos atrever na busca de resultados de outras matemáticas do viver?copyright jorgemarciopereiradeandradedefnet (favor citar a fonte, autores e referências em republicações livre em quaisquer meios de comunicação de massa ou mídia)Referências do texto na Internet:"É verdade que a Síndrome de Down não ocorre em pessoas com a pele negra?"http://diariodebiologia.com/2009/10/e-verdade-que-a-sindrome-de-down-nao-ocorre-em-pessoas-com-pele-negra/Massacre de Shaperville - UM DIA PARA LEMBRAR. UMA INFÂMIA PARA ESQUECERhttp://racabrasil.uol.com.br/cultura-gente/130/artigo127852-1.aspCientistas criam novo teste para detectar Síndrome de Down durante a gravidezhttp://oblogcerto-ge.blogspot.com/2010/07/reportagem-da-revista-veja-sindrome-de.htmlFILME - CITY DOWN - A história de um diferente - http://citydown.webnode.com.br/DIA INTERNACIONAL DA SINDROME DE DOWN Mais informações: http://fbasd.blogspot.com/NICOLÁS GUILLÉN - http://www.fguillen.cult.cu/guigale/08.htmVER TAMBÉM NO BLOG - O VIGESSIMO PRIMEIRO DIA - CINEMA E SINDROME DE DOWNhttp://infoativodefnet.blogspot.com/2010/03/o-vigessimo-primeiro-dia-cinema-e.htmlA PAGAR-SE UMA PESSOA COM SÍNDROME DE DOWNhttp://infoativodefnet.blogspot.com/2010/09/pagar-se-uma-pessoa-com-sindrome-de.html .
fonte:InfoAtivo.DefNet

quinta-feira, 17 de março de 2011

Bancos são os maiores empregadores de deficientes, diz especialista



O professor e presidente da Associação Instituto Brasileiro de Relações de Emprego e Trabalho (Ibret), Hélio Zylberstajn, disse que os bancos são os que mais empregam pessoas com deficiência no País


A afirmação foi feita na tarde desta quinta-feira durante o 24° Fórum Serasa Experian de Empregabilidade de Pessoas com Deficiência

Zylberstajn mostrou dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) que dão conta de que desde 2008 os bancos foram os que mais empregaram essas pessoas. "Isso mostra que os bancos são os setores mais sensibilizados e com mais propensão a receber pessoas com deficiência", afirmou.

Segundo ele, o salário médio total por tipo de deficiência (fisica, auditiva, reabilitados, entre outros) é em media R$ 4 mil, por conta dos cargos serem preenchidos por pessoas com qualificação. "Elas são mais qualificadas e por isso a média salarial é maior", disse. E acrescentou que a empresa que não emprega portadores "joga para a sociedade um custo negativo que não precisaria existir".

O professor apresentou também informações sobre o mercado formal de trabalho no Brasil e no Estado de São Paulo. Dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) indicam que em dezembro de 2009 havia 41 milhões de postos de trabalho formais no País, destes, 280 mil eram ocupados por pessoas com deficiência, um total de 0,7%. Em São Paulo o valor é um pouco maior, 0,8%, com um total de 12 milhões de postos formais, e 96 mil ocupados por essas pessoas.

O Fórum contou ainda com outros dois palestrantes, entre eles uma professora americana, Suzanna Bruyère, diretora do Employment and Disability Institute, órgão ligado à Cornell University de Nova York, insitutito responsável por realizar pesquisas nessa área.

O terceiro palestrante, o professor José Pastore, da Faculdade de Economia Administração e Contabilidade da USP, e da Fundação Instituto de Administração da USP, acredita que a melhoria das condições de empregabilidade dessas pessoas passa pela melhoria e ampliação dos sistemas de cotas.

"Há outras formas de trabalhar que estão surgindo que não necessariamente se apresentam como emprego, uma delas é o empreendedorismo, outra é o trabalho temporário, além da terceirização e contratação de autônomos"

Para Pastore, as empresas e autoridades demonstram maior compreensão sobre o assunto do que há 10 anos, quando ele desenvolveu um estudo sobre a inclusão dos portadores no mercado de trabalho. "O caminho a percorrer é muito grande, mas a sociedade brasileira, incluindo a iniciativa privada, tomaram mais consciência da responsabilidade de abrir espaço para este grupo", disse ele. "Porém, o desafio é melhorar o que já conquistamos. O sistema de cotras pode ter limitações, mas vejo que podemos melhorá-lo e ampliá-lo.
fonte:terra

sábado, 12 de março de 2011

O dia mais odiado...

Chegou o dia tão odiado por mim,mas em fim ,teria de enfrentar os adultos que eram os meus pais e a minha tia Neide. Falavam-me, que seria para meu próprio bem, apesar de não achar isso ,fui pensando:
-Há o médico pode dizer:
–Talvez ela nem precise ficar aqui, mas poderá morar com sua tia e vir todos os dias fazer o tratamento de fisioterapia.
Lá fomos nós quatro, na verdade ninguém estava feliz! Eu, porque já me sentia abandonada , os outros por sentirem o mesmo. A esperança era mútua, mas foi feita a avaliação, então aconteceu o que nem um de nós queríamos, fiquei naquele refeitório chorando, assim como todos também foram muito tristes. Os três saíram daquele lugar. Lembrando que para uma criança, mesmo considerado o melhor lugar do mundo, conceituado na sociedade ,ficar ali sem os pais,sem a família ou amigos é como um abandono.Imagine como se sentem as inúmeras crianças especiais de ORFANATOS,CLINÍCAS,INSTITUIÇÕES?Mesmo sendo as melhores! FAMILIA É TUDO! AMIGOS, são como segundas famílias, que nos acolhem,respeitam e alimentam nas perspectivas de vida.
Logo veio umas moças me consolarem:
–Não chore querida! Você sabia que quem chora muito, fica feia e velha mais cedo?
Levaram-me em para uma sala de aula, onde eram feitas as orações da semana.
Fomos tomar banho num banheiro enorme, deveria ter umas vinte crianças, aproximadamente!A imprudência daquela atendente era tanta, que só me enfiou numa banheira cheia d’água. É claro ia morrer! Se não fosse outra que viu tudo e foi atrás.Quando chegou, me puxou com força , deu-me um banho , só assim fomos dormir.
Nos dias que passaram eu comecei a notar as semelhanças entre nós , a única diferença era a independência deles ,dali pra frente, criei coragem para me virar e ir além, porque apesar de todos fazerem de tudo para me virar sozinha, tipo pratinho , colher torta etc.Mas em casa era difícil ,porque sempre havia uma pessoa com pena. Ali ninguém era neném,todos eram tratados de igual para igual . Como era tímida, só fiz amizade com uma menina cadeirante, pela qual eu a empurrava para poder caminhar senão, ia pra cadeira de rodas também.
Lá faziam fisioterapia uma vez por semana. Então, jamais nesse curto espaço de tempo, aconteceria sair caminhando da sala de fisioterapia, correndo para os braços dos meus pais.
Na verdade,quando vi todas àquelas criaturas semelhantes com a minha especificidade ,pensei com os meus botões:
- Se eles conseguem, também irei conseguir, é claro!
Assim numa tarde ensolarada estava usando um vestido xadrez laranja e branco, passeando com a minha amiga Meire Cristina, no parque do colégio, quando falei pra ela:
–Meire você me espera aqui? Só um pouco!
–Aonde você vai Ju?
_ Vou tentar caminhar sem me segurar na cadeira!
–Mas você já fez isso alguma vez?
–Já sim!
–Onde?
–Lá em casa, a minha mãe fez um colchão grande, pelo qual fazia exercícios.
–Há é?
–Sim! Já volto, só vou experimentar. Fiquei ajoelhada no gramado que havia uns brinquedos para brincarmos. Fui até aquele brinquedo tipo tubo, me agarrei nos ferros, levantei, dei alguns passos, cai ajoelhada no gramado. Sim tentei!Pois, como sagitariana é duro na queda, não me convenceu e continuava persistindo nos passos, até que fossem autônomos.
Penso que muitas pessoas desistem por pouca bobagem na vida!A força está dentro de nós, podemos receber estímulos de fora, mas a ação é nossa!Meu lema sempre foi lutar para vencer. Não só tentar!!!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Me using MyTobii C12 with CEye

Vai ser possível controlar com um portátil só com os olhos!!

Alguma vez desejou que os seus olhos fossem raios laser? Um protótipo apresentado na feira de tecnologia de Hannover, Alemanha, a CeBIT , torna esse sonho realidade. Percebendo para onde é que se está a olhar, permite, por exemplo, disparar sobre os inimigos num videojogo, apenas com a visão. Durante a demonstração, foi ainda possível avançar num texto (scroll) apenas com o movimento dos olhos.Segundo a empresa que desenvolveu esta tecnologia, a sueca Tobii Technology , no futuro será ainda possível movimentar o cursor do rato apenas com o olhar. Vejamos como funciona.
Este sistema projeta sobre cada olho um feixo de luz infravermelha, invisível para o utilizador, que serve de guia a duas câmaras que captam os reflexos na retina.Para Barbara Barclay, analista de sistemas da Tobii Technology, esta tecnologia não pretende substituir o rato nem o teclado ou os novos ecrãs táteis, mas juntar-se a eles, permitindo operar o computador de forma mais rápida e eficiente.Há cerca de dez anos que a empresa sueca desenvolve este tipo de tecnologia, usada, sobretudo, por pessoas com deficiência e na investigação científica, mas agora pretende conquistar novos clientes.Dentro de dois anos, estima Barbara Barclay, deverão chegar ao mercado computadores portáteis já com esta tecnologia integrada. Atualmente, o CEye ainda custa dezenas de milhares de dólares, mas massificação do produto deverá reduzir consideravelmente o seu preço.

Maria Cristina da Cunha Pereira fala sobre o ensino de Língua Portuguesa para surdos

A linguista da Derdic e professora da PUC de São Paulo trata dos desafios do aprendizado da linguagem escrita por alunos surdos


Ter clareza de que a Língua Portuguesa - em sua modalidade escrita - é uma segunda língua para as pessoas surdas é uma premissa para poder realizar um bom trabalho de alfabetização desse público. Como a fala é um limite para esses alunos, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é a língua que servirá de base para que aprendam a ler e a escrever em português (ou em qualquer outro idioma). Trata-se, portanto, de um processo bilíngue, conforme explica a professora Maria Cristina da Cunha Pereira, linguista da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação (Derdic) e professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

Doutora pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e assessora da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, Maria Cristina trabalha com ensino de Língua Portuguesa para surdos desde 1968 quando aceitou, pela primeira vez, o desafio de lecionar para adolescentes surdos. Nesta entrevista, a pesquisadora fala sobre as semelhanças e diferenças entre os processos de alfabetização de alunos ouvintes e não-ouvintes.

Por que não se deve forçar a fala numa criança que não escuta?
Maria Cristina da Cunha Pereira Sou pesquisadora, portanto falo sempre do ponto de vista de um teórico. Se a criança surda tem uma limitação na audição, por que é que vou usar exatamente o que ela tem de dificuldade para que ela adquira linguagem? Por que é que eu vou forçar a audição e a fala numa pessoa que não escuta? Acredito que as famílias devem deixar seus filhos surdos terem contato com a língua de sinais. É por meio dessa língua que eles terão acesso ao conhecimento. Há um mito de que as crianças surdas que aprendem Libras ficam preguiçosas e não se esforçam para falar. Ter preguiça é uma prerrogativa de quem pode escolher. Não é por preguiça que os surdos não falam, mas sim porque têm dificuldade. Assim, ou aprendem a língua de sinais ou não se comunicam. É necessidade e não preguiça.

A família também deve aprender Libras?
Maria Cristina Sim. O melhor é que os pais também aprendam a língua de sinais porque é na interação com a família que os filhos vão se desenvolver, adquirir valores, cultura etc. Ter uma língua em comum é importante não apenas do ponto de vista da comunicação, mas também para o desenvolvimento intelectual, afetivo, emocional da criança. O ideal é que os pais enfrentem esse desafio, aprendam Libras e que as crianças aprendam a língua de sinais e também sejam expostas à Língua Portuguesa escrita.

Com que idade uma criança consegue aprender a língua de sinais?

Maria Cristina Vou responder com uma pergunta: uma mãe começa a falar com seu filho quando ele tem que idade? Desde antes de nascer, não é? Então, o ideal seria que, assim que a criança nascesse e fosse constatado que ela é surda, iniciasse a aquisição da língua de sinais. Quanto mais cedo, melhor. E, assim como acontece com a Língua Portuguesa em relação aos ouvintes, a língua de sinais deve ser ensinada como disciplina ao longo de toda a Educação Básica. Na rede municipal de São Paulo, por exemplo, elaboramos um currículo para alunos surdos com expectativas de aprendizagem em Libras que vão da Educação Infantil ao 9º ano do Ensino Fundamental.

POR: Paula Takada (paula.takada@abril.com.br)

FONTES: Nova Escola