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quarta-feira, 12 de junho de 2013

domingo, 1 de maio de 2011

Apae usa tecnologia da Nasa

Método criado para combater atrofia em astronautas ajuda no tratamento de crianças especiais atendidas por escola de Cascavel

Apae usa tecnologia da Nasa
Método criado para combater atrofia em astronautas ajuda no tratamento de crianças especiais atendidas por escola de CascavelPublicado em 01/05/2011 Luiz Carlos da Cruz, correspondente

Uma tecnologia desenvolvida pela Nasa, a agência espacial americana, para combater a atrofia muscular presente em astronautas quando retornam do espaço, está sendo usada para auxiliar no tratamento de crianças atendidas pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Cascavel. O PediaSuit, como é chamado, começou a ser testado há três semanas na unidade, a primeira do Brasil a usar o equipamento.
Por enquanto, três crianças estão sendo submetidas ao tratamento. O aparelho consiste numa roupa terapêutica composta por um material que oferece estímulos sensoriais suplementares aos músculos e articulações do corpo, agilizando o tratamento e ajudando a promover o crescimento e desenvolvimento da criança.

De acordo com Amanda Vicenti Basso, integrante do Conselho de Administração de Voluntários da Apae e responsável pelo setor de saúde da entidade, os resultados já começam a aparecer. “O número de estímulos proporcionados pelo método é imensamente maior do que na terapia convencional”, afirma. Ela conta que uma das crianças em tratamento evoluiu de forma extraordinária. “Ela [a criança] ficava em pé, mas agora já consegue mudar os passinhos”, diz.
A dona de casa Gezereane Pontes Nobre, mãe de Thierry, de 7 anos, confirma o sucesso do tratamento. “Estou vendo resultado. O controle de tronco dele melhorou bastante”, conta. Eduardo Henrique Weber, de 2 anos, portador de síndrome de Down, também está fazendo uso do equipamento. A mãe dele, Sandra Weber, acredita que o PediaSuit vai ajudar o filho a andar melhor e com mais agilidade. Vilson Basso, presidente da Apae de Cascavel, experimentou o tratamento com seus dois filhos especiais e gostou dos resultados. “É um grande avanço no desenvolvimento das pessoas atendidas pela Apae”, resume.
O tratamento

Diariamente, as três crianças selecionadas pela Apae de Cascavel para o tratamento (por meio de sorteio) recebem os estímulos do equipamento especial durante uma hora (custo de cerca de R$ 3,9 mil). A roupa, que custa US$ 2,5 mil, é semelhante a uma órtese – dispositivo aplicado ao corpo para corrigir uma função deficiente – e composta por colete, touca, shorts, joelheira e calçados. Integra a estrutura uma gaiola, chamada de spider, que auxilia no equilíbrio do paciente com ajuda de cordas elásticas.
Embora o equipamento tenha um custo relativamente baixo, a aplicação da técnica só pode ser feita com o acompanhamento de um especialista. O fisioterapeuta Luiz Henrique Natali foi treinado por uma equipe da Therapies 4 Kids, dos Estados Unidos, para trabalhar a nova técnica. A equipe americana estará em Cascavel de 23 a 26 de junho para treinar outras pessoas interessadas em trabalhar com o PediaSuit.

Novidade

O PediaSuit foi criado em Mi­­­­chigan, nos Estados Unidos, onde passou a ser usado em crianças com necessidades especiais. Ele foi trazido ao Brasil há pouco tempo, mas até então só existia em clínicas particulares de grandes centros. A Apae de Cascavel é a primeira a fazer uso da tecnologia.
O novo método tem chamado a atenção de outras cidades. A Apae de Macaé (RJ), por exemplo, deve enviar um profissional de Fisioterapia para ser treinado em Cascavel.


Publicado em 01/05/2011 Luiz Carlos da Cruz, correspondente

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Inclusão: Burocracia: O grande desafio para comprar um carro com isenção de impostos


Pessoas com mobilidade reduzida enfrentam um longo e demorado processo para garantir um desconto de até 30% no valor do veículo zero-quilômetro


Assim como em diversos procedimentos no Brasil, a burocracia é o principal desafio no caminho dos motoristas portadores de deficiência na hora de comprar um carro zero com benefício. Apesar da garantia da isenção de alguns impostos ser atribuída por lei, o processo para conseguir o aval é moroso e pode levar até um ano. De­­pen­­dendo da característica do veículo, o desconto pode chegar a 30% do valor. Por exemplo, o modelo Corolla XLI automático, que custa pouco mais de R$ 68 mil, pode cair para R$ 50 mil.


“A primeira etapa é ir até o Detran para tirar a carteira de motorista especial. Para isso, é necessário realizar consulta com o médico perito do órgão. Ai está o maior índice de reclamações, já que o Detran tem um número limitado desses profissionais”, aponta o executivo de vendas diretas da concessionária Toyota, Juliano Ribeiro.

Arquivo

Arquivo / Com os benefícios, um Toyota Corolla pode ser comprado por R$ 50 milAmpliar imagem

Com os benefícios, um Toyota Corolla pode ser comprado por R$ 50 mil

Saiba mais

Alguns procedimentos e dicas para solicitar o benefício

Condutores

- Tirar ou mudar o tipo da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A pessoa precisa da carta especial do Departamento de Trânsito do seu estado.

- Em seguida, com o resultado do laudo, terá que se matricular em um Centro de Formação de Condutores (CFC) para fazer a prova teórica. Para a realização do teste prático, o candidato precisa procurar uma autoescola com carro adaptado.

- Para obter isenção do IPI e do IOF, o deficiente deve procurar a Receita Federal e montar um processo para cada tipo de imposto que requisitar o não-pagamento. O formulário pode ser encontrado no site da instituição: http://www.receita.fazenda.gov.br .

- Com o documento da Receita, que libera a isenção do IPI, a pessoa vai até uma loja de carros e escolhe o modelo adaptado. A concessionária dará uma carta, relatando o veículo selecionado pelo consumidor.

- Com a carta da loja, o consumidor pode dar entrada na Secretaria da Fazenda do Estado e pedir a anulação da taxa do ICMS.

- Com todos os documentos, o deficiente pode comprar o carro.

- A última etapa é voltar ao Detran para que o documento do veículo tenha a inscrição “intransferível” para não pagar o IPVA.

Não condutores

- Passar por perícia de um médico credenciado no SUS (Sistema Único de Saúde). É importante levar o formulário da Receita Federal (para cada deficiência há um tipo) – o documento está disponível no site: www.receita.fazenda.gov.br.

- Neste grupo, o automóvel com desconto sai no nome do deficiente. No entanto, os representantes legais dirigem ou podem indicar até três condutores para esse veículo.

- Quando o deficiente tem autismo, Síndrome de Down ou problema mental, mas tem até 16 anos, os representantes legais podem recorrer ao benefício da isenção do IPI por ele. Porém, se o deficiente tiver mais de 16 anos, os responsáveis terão que entrar na Justiça para pedir por esse direito.

Orientação

Veja quem tem direito à isenção

Condutores

- paraplegia (paralisia de ambos os membros inferiores e, geralmente, da região dorsal inferior)

- paraparesia (paralisia incompleta de nervo ou músculo dos membros inferiores que não perderam inteiramente a sensibilidade e o movimento)

- monoplegia (paralisia de um só membro ou grupo muscular)

- monoparesia (paralisia incompleta de nervo ou músculo de um só membro que não perdeu inteiramente a sensibilidade e o movimento)

- triplegia (paralisia de três membros)

- tetraparesia (paralisia “parcial” dos quatro membros, pois há um pouco de força em alguns deles)

- triparesia (paralisia incompleta de nervo ou músculo de três membros que não perderam inteiramente a sensibilidade e o movimento)

- hemiplegia (paralisia de uma parte do corpo; exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho da função)

- hemiparesia (paralisia incompleta de nervo ou músculo de um dos lados do corpo que não perdeu inteiramente a sensibilidade e o movimento)

- amputação ou ausência de membro

- paralisia cerebral

- membros com deformidade congênita adquirida

- câncer de mama (nos casos compro­­vados por médicos que a pessoa perdeu a força nos membros)

Não condutores

- visual

- mental severa e profunda (ex. Síndrome de Down)

- física (como tetraplegia, paralisia dos quatro membros, e paralisia total)

- autista


A etapa seguinte é solicitar nas entidades competentes, re­­ceitas Federal e Estadual, as isen­­ções de impostos (veja quadro na página). “Essa parte não de­­mora tanto. Entre 30 e 45 dias é possível conseguir os do­­cumentos”, reitera Ribeiro.


O aposentado e presidente da Associação de Deficientes Físicos do Paraná (ADFP), Mau­ro Nardini, sabe bem como é o processo para obter os benefícios. O modelo SW da Peugeot adquirido em julho do ano passado é o seu terceiro veículo com isenção de impostos desde o acidente automotivo que so­­freu em 2000 e o deixou paraplégico. “O primeiro foi mais complicado por conta dos exames especiais. Agora, preciso apenas me adaptar às mudanças da legislação, pois alguns exames perdem a validade quan­­do a forma dos laudos mu­­dam. Entre a burocracia da documentação e a compra do carro foram seis meses”, diz.


Ainda de acordo com Nar­dini, os motoristas com defi­ciên­cia pagam o preço dos er­­ros cometidos por outras pessoas no passado. Quando a legislação com isenção para portadores foi criada, muitas pessoas que não tinham direito utilizaram, de forma fraudulenta, pa­­ra tirar vantagem na compra de carros. “Hoje se paga pela frau­­de de oportunistas. Diante do que ocorreu, o critério ficou mais rigoroso e demorado. É um mal necessário”, afirma.


O pedido do benefício é válido para carros no valor de até R$ 70 mil – antes o limite era de R$ 50 mil. A Associação Bra­­sileira das Indústrias de Reven­dedores de Serviços para Pes­soas com Deficiência (Abridef) está tentando que o valor au­­mente para R$ 100 mil. Veí­­culos importados não têm a isenção. Ainda de acordo com a entidade, 29 mil carros foram vendidos para esse público.


Direito adquirido


Os portadores de deficiência são divididos em dois grupos para obter a isenção: “condutores” e “não condutores” (leia qua­­dro acima). O primeiro é formado por motoristas que, apesar da deficiência, reúnem condições de conduzir o automóvel. O segundo é formado por pessoas com impossibilidade de realizar a atividade em razão de deficiências extremas como visual, mental e casos es­­pecíficos de física (tetraplegia e paralisia total).


Cada um dos dois grupos tem direito a determinados be­­ne­­fí­­cios. Os “condutores” po­­dem pe­­dir isenção do Imposto sobre Pro­­dutos Industrializa­dos (IPI), Im­­posto sobre Opera­ções Finan­cei­­ras (IOF), Imposto sobre Pro­prie­­­dade de Veículos Automoto­res (IPVA) e o Impos­to sobre a Circulação de Merca­dorias e Serviços (ICMS), recentemente prorrogado até 31 de dezembro de 2012 pelo Conse­lho Nacional de Política Fazen­dária (Confaz). Já os “não condutores” têm direito apenas ao desconto do IPI.


Demanda aumenta nos últimos anos


A procura pelos benefícios na aquisição do carro tem crescido bastante na última década. De acordo com o executivo da Toyo­ta, Juliano Ribeiro, a demanda está aumentando, infelizmente, por um motivo nada bom. “Além do brasileiro estar aprendendo que tem direitos, o grupo de pessoas portadores de deficiências tem crescido consideravelmente no Brasil por conta do grande nú­­mero de acidentes de trânsito”, afirma. Somente a concessionária Toyota recebe cerca de 70 pessoas por mês em busca de informações.


O proprietário da HN Adap­tações, Henrique Nemeth, também tem observado as mudanças ao longo dos 19 anos que está envolvido com as adaptações de automóveis. Segundo ele, o segmento tem se transformado bastante nos últimos anos, inclusive com a especialização das montadoras. “No começo existia poucos modelos; Santana, Monza e Che­ve­­te. Hoje, as opções são inúmeras”, conta.


Essa diversidade de veículos também tem feito com que as empresas especializadas oferecem novos serviços, já que após a finalização do processo de com­­pra, o motorista precisa realizar as adaptações necessárias no automóvel. “Há uma grande variedade de equipamentos conforme a necessidade do motorista e também o modelo do carro. Os preços variam entre R$ 160 até R$ 3.300”, explica o Nemeth.


O serviço mais simples é realizado em menos de duas horas. Já a instalação de kits mais complexos que envolvem comandos elétricos podem levar até dois dias.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Cidadania em movimento!!


Fontes: Gazeta do Povo

Aos 17 anos, na flor da idade, como já diziam nossas avós, a vida e os sonhos de Mirella Whiters Prosdócimo caíram de um viaduto da BR-277 e nunca mais foram os mesmos desde aquele final de tarde de 2 de fevereiro de 1992 (2 do 2 de 92), quando ela voltava da praia com um tio e uma amiga. Os três usavam cinto de segurança. Mirella estava no banco do carona. A Lei Seca, a anos-luz de ser criada. Eis que um carro de passeio, ocupado por 11 irresponsáveis almas e conduzido por um motorista alcoolizado, vindo de uma caranguejada, cruzou o caminho de Mirella e fez com que, daquele dia em diante, ela não andasse nem para a frente nem para trás. Mirella saiu do acidente com três vértebras da coluna cervical fraturadas. O carro em que estava capotou várias vezes e foi jogado do viaduto da Sanepar, já na entrada de Curitiba, quase em casa. Dos dois meses que passou no hospital, 40 dias foram na UTI, respirando com a ajuda de aparelhos.

Hoje, aos 36, Mirella é uma mulher bem resolvida, que fez do saco de limão que lhe jogaram no caminho uma limonada. Formou-se em Letras, virou empresária na área de acessibilidade para pessoas com dificuldade de locomoção. Trabalha, sai à noite, namora, vive a vida, mesmo dependendo 24 horas por dia de alguém para fazer por ela tarefas simples como escovar os dentes, tomar um cafezinho – com canudo – ou virar-se na cama. Pois quando achou que já tinha passado pela pior das provações, eis que ela se depara com uma situação comum: alguém ocupando indevidamente uma vaga exclusiva para cadeirantes no estacionamento de um supermercado de Curitiba no entardecer do dia 11 de março. O fato foi amplamente noticiado pela coluna nos últimos dias, o que lhe rendeu 100% de solidariedade por parte dos leitores.

Mauro Campos

Mauro Campos / Quadro na parede do escritório da empresária com uma frase de Charles ChaplinAmpliar imagem

Quadro na parede do escritório da empresária com uma frase de Charles Chaplin

Ao pedir educadamente que a mulher, de aparentes 30 anos e fisicamente saudável, procurasse outro lugar para estacionar, ouviu vários impropérios culminados com a ameaça: “Cala a boca, se não vou meter a mão na sua cara” quando a parabenizou pelo “belo exemplo” que estava dando aos casal de filhos pequenos que a acompanhavam. Como não pode mexer nada por conta própria além da cabeça, a empresária foi socorrida pela segurança do supermercado e por uma de suas duas assistentes, Ana Claudia Nos, que ela chama de “meu anjinho”. “Rolou um certo barraco”, diz Mirella, com bom humor. A mulher, acuada pela aproximação de outros clientes indignados com a cena, saiu de fininho e enfurecida no Sandero prata de placas 2620, conforme anotado na palma da mão de sua secretária. As letras da placa não foram anotadas.

A notoriedade trazida pela repercussão do incidente, que motivou até a entrada do Ministério Público no caso, fez de Mirella uma celebridade instantânea da causa pelo respeito aos direitos dos deficientes. Na manhã da última sexta-feira ela conversou com a coluna em seu escritório.

Foi a primeira vez que se deparou com uma situação dessas?

Tão grande assim, foi. Nunca fui de brigar pelos meus direitos. Achava que era questão de cada um. Tomei aquela atitude porque me indignei.

O que mudou depois desse episódio?

Continuo vendo muito isso [uso indevido das vagas exclusivas para deficientes]. Precisa ter uma grande campanha de conscientização porque as pessoas acham que as vagas estão ali e podem ser usadas rapidinho. Existe um porquê daquela vaga, elas são maiores e mais próximas da porta de entrada. Tenho que aproveitar a repercussão para levantar essa bandeira, virou uma causa.

Há quem diga que sobram vagas para deficientes.

A lei manda cada estabelecimento disponibilizar 2% das vagas para deficientes.

Quais são os lugares em que ocorrem mais abusos?

Nos supermercados e shoppings.

Como foi o seu processo de aceitação do seu acidente?

Bem gradual. Sempre imaginava que não existiria vida sem os movimentos. Vivia sempre na expectativa de recuperá-los.

Mesmo depois de tantos anos, você ainda tem esperança de recuperar seus movimentos?

Ainda tenho, mas não vivo mais em função disso. Não acredito que preciso dos movimentos para viver. Sou feliz do jeito que eu sou. Aprendi duas coisas: ou você fica com raiva e cai em depressão ou encara a vida de frente.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Professores não se sentem preparados para inclusão

GAZETA DO POVO




Falta de capacitação profissional, escassez de material didático e salas de aula superlotadas são os principais motivos
24/08/2010 00:10 Maria Gizele da Silva, da sucursal

Ponta Grossa - O Paraná, e de modo geral o Brasil, ainda estão dando os primeiros passos para a inclusão de alunos com deficiência nas escolas normais. Conforme os próprios professores, é preciso aparar arestas. É o que sugere uma pesquisa feita via internet pelo Tribunal de Contas do Estado para elaborar o parecer prévio das contas do governo estadual referente ao ano passado. Os professores elencaram os motivos que dificultam a inclusão: falta de capacitação profissional, escassez de material didático e salas de aula superlotadas.
Dos 1.623 professores da rede estadual que responderam aos questionários, 75% dizem que não se sentem preparados para dar aulas para alunos deficientes. No curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), por exemplo, os acadêmicos têm apenas 68 horas-aulas – o equivalente a duas aulas por semana – de educação inclusiva e a mesma quantidade de aulas sobre linguagem de sinais, chamada de Libras. A disciplina deveria ser aplicada em todas as licenciaturas, mas por enquanto, está restrita à Pedagogia. A Secretaria Estadual de Educação e as secretarias municipais promovem cursos de capacitação aos professores já formados. “Muitos professores não fazem os cursos, não se especializam”, diz Julia Maria Morais, da direção de educação especial da APP-Sindicato.


Em segundo e terceiro lugares na lista de queixas dos professores estão a falta de material didático (63,6%) e salas muito cheias que impedem o atendimento individualizado ao aluno com deficiência (56,3%). Além disso, os portadores de deficiência ainda têm de enfrentar barreiras físicas nas escolas (52,5%) e o preconceito de outros alunos e dos pais dessas crianças (52,3%).
Para a chefe do departamento de educação especial e inclusão educacional da Secretaria Estadual de Educação e presidente do Conselho Estadual de Direitos da Pessoa com Deficiência, Angelina Mattar Matiskei, os números não podem ser analisados sozinhos, mas dentro do contexto da educação inclusiva. “Estamos fazendo um processo de inclusão que é gradativo e crescente”, aponta. Em 2004 foi feito o primeiro concurso para contratar professores de educação especial. Angelina afirma que há uma década a realidade era outra. “Nenhum professor estava capacitado, não havia rede de apoio.” Das 2.126 escolas, a maioria foi construída há muitas décadas, quando ainda não se discutia acessibilidade.
Na opinião da pesquisadora e doutora em educação Esméria de Lourdes Savelli, o caminho está errado. “Do meu ponto de vista existe um equívoco muito grande. O aluno especial tem direito à inclusão no ensino regular, mas da maneira como ela acontece é irresponsável porque é preciso ter professores especializados. Eu sou a favor de o aluno especial ter aula no ensino regular, mas em uma turma menor e com professor especializado”, aponta. O professor Luiz Alberto Guimarães, que atua nessa área, diz que as escolas não estão preparadas para atender aos alunos com deficiência. “Acho difícil ter uma solução em curto prazo porque primeiro é preciso melhorar a estrutura física das escolas e segundo que todo profissional precisa abraçar essa causa, sendo que a oferta de cursos de capacitação tem que partir do estado ou das redes municipais”, opina. Hoje, a rede estadual do Paraná tem 37.086 alunos especiais.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Amor e dedicação têm vitória na Justiça


História de pai que não pagou prestações da casa para cuidar do filho doente sensibiliza juíza, que reverte verba para quitar a dívida

Publicado em 29/06/2010 Vinicius Boreki
Fontes: Gazeta do Povo

O amor de um pai por seu filho convenceu a juíza federal Anne Karina Costa, da Vara do Sistema Financeiro de Habitação de Curitiba, a tomar uma decisão inédita no ano passado. O mecânico Adolfo Celso Guidi, 52 anos, abandonou o emprego, deixou de pagar o financiamento de sua casa, no Bairro Alto, e gastou as economias para encontrar uma forma de tratar o filho Vitor, hoje com 21 anos, portador de Gan-gliosidose GM1 tipo 2, doença degenerativa e hereditária. Em uma audiência de conciliação com a Caixa Econômica Federal, ele apresentou o filho e narrou sua odisseia. Funcionou: a juíza reverteu verba do fundo pecuniário – recolhida de decisões judiciais – para quitar a residência.

Esses recursos são normalmente destinados às entidades públicas ou privadas com função social, conforme o Código Penal. A argumentação do mecânico, porém, comoveu a juíza federal. “Não tenho conhecimento de outra decisão como essa”, diz a magistrada. Os motivos para a iniciativa foram “a excepcionalidade do caso do senhor Adolfo, que apresentou como justificativa para o não pagamento das prestações a história de luta pela vida do filho, portador de doença rara, e uma dedicação incomum”, avalia Anne Karina.

Formado em Engenharia Mecânica, Adolfo atua como mecânico no quintal de casa. Portanto, sua casa é também fonte de renda. Fator levado em conta pela juíza, após consulta ao Ministério Público e à Vara Criminal. A questão é vista com pragmatismo pelo pai: “Sempre me perguntam o que mudou em minha vida com a decisão. Na prática, nada. Mas, se eu tivesse sido despejado, teria mudado tudo”, relata.

Luta

Adolfo não é o primeiro a lutar pela sobrevivência do filho. O diplomata norte-americano Augusto Odone criou o Óleo de Lorenzo, enzima que impede o avanço da Adrenoleucodistrofia, doença que acometia o filho (leia nesta página). Assim como Odone, Adolfo não aceitou ver o filho morrer sem tentar reverter a situação – os médicos deram prognóstico de seis meses para Vitor. O engenheiro fez da biblioteca do Setor de Medicina da UFPR sua segunda casa. “Só tive de entender a lógica do sistema e encontrar uma forma de fazê-lo voltar a funcionar”, diz.

E a tarefa era “simples”. Vitor não produz uma enzima, a beta-galactosidase. Portanto, bastava entender a enfermidade, seu funcionamento e uma forma de fazer o corpo do filho receber a substância que não produz. Com um ano e meio de estudos, o pai descobriu a enzima que poderia ser usada e onde encontrá-la. Hoje, ela é manipulada em laboratório e não sai por mais de R$ 18 ao mês. A dieta é mais cara, pois se baseia em produtos naturais, pós de reforço nutricional, vitaminas, cálcio e fibras. O rapaz deve evitar leite e derivados. “Ele gosta de um bolo e, quando quer comer, reforçamos a enzima para não ter problemas”, explica o pai. Em tratamentos de doenças, como a bronquite, Adolfo ministra alimentos naturais e evita o uso de medicamentos mais agressivos, como antibióticos, para não afetar o sistema imunológico do filho.

Assim como o Óleo de Lorenzo, tanto a enzima quanto a dieta não têm eficácia comprovada pela medicina formal. Vitor tem hoje 21 anos, enquanto a maioria dos portadores da doença não passa dos 12 anos. Adolfo também é chamado de “doutor” e procurado por parentes de outras pessoas portadoras da enfermidade.

Dúvida

Hoje, um grande ponto de interrogação ronda a consciência de Adolfo. Até quando vai permanecer ao lado do filho? Vitor leva uma rotina tranquila. Fica em casa pelas manhãs, frequenta a Escola Especial 29 de Março à tarde e à noite curte a companhia da família. “Eu não sou nenhum herói. O que eu fiz não é um ato de heroísmo, mas assumir a responsabilidade empenhada por Deus”, diz Adolfo. “Ele, o Vitor, é o herói. Sempre teve consciência de tudo e continua lutando. Os médicos dizem que o amor dele faz com que ele esteja vivo.”