quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Pesquisa revela que autismo está ligado a até 33 genes





Um enorme estudo internacional começou a desvendar os “pequenos detalhes” da razão de algumas pessoas desenvolverem autismo, informaram pesquisadores. Eles observaram milhares de amostras de DNA de crianças com autismo e de seus pais.
O estudo sugere haver uma série de diferentes fatores de risco para a doença
O estudo sugere haver uma série de diferentes fatores de risco para a doença
Os resultados, publicados na revista científica Nature, constataram que até 33 genes estão envolvidos no desenvolvimento da condição.
A National Autistic Society (NAS), no Reino Unido, no entanto, afirmou que ainda há “um longo caminho” para a descoberta das causas do autismo.
O estudo sugere haver uma série de diferentes fatores de risco para a doença, de acordo com o autor principal, professor Joseph Buxbaum, do Icahn School of Medicine at Mount Sinai New York.
- O gatilho é a genética – mas há um monte de diferentes possíveis causas – disse Buxbaum.
Análise do DNA
O autismo é um transtorno que afeta a capacidade das pessoas de se socializarem.
Os pesquisadores avaliaram 15.480 amostras de DNA para determinar o impacto de mutações genéticas passadas de pai para filho, bem como as que surgem espontaneamente.
Dos até 33 genes ligados ao autismo, 7 genes são completamente novos para os cientistas (em sua conexão com o autismo), enquanto 11 não eram considerados risco real devido à falta de dados. Do total, 15 genes já eram conhecidos como potenciais propagadores da condição.
O estudo também afirma que mutações genéticas pequenas, raras, em 107 genes podem contribuir para o risco de autismo.
Mais de 5% das pessoas autistas estudadas apresentaram mutações genéticas (com perda de funções nos genes) não herdadas.
‘Detalhe mais fino’
O estudo deve ajudar a melhorar a compreensão de algumas das causas do autismo, disse o professor David Skuse, chefe da equipe de distúrbios da comunicação social, no Great Ormond Street Hospital, em Londres, e um contribuinte para o relatório.
- Até agora, nós realmente não fomos capazes de compreender os mecanismos que levam ao autismo – disse ele. “Este (estudo) chegou a pequenos detalhes”.
Skuse acrescentou que o estudo poderia começar a ajudar as famílias a entender o autismo. A National Autistic Society (NAS) disse que havia muitas lacunas no conhecimento do tema.
Carol Povey, diretora do Centro para Autismo do NAS, disse: “O autismo vem de uma relação altamente complexa de genes que não apenas interagem com outros genes, mas também com fatores não-genéticos também”.
- Pesquisas como esta nos ajudam a entender a genética envolvida em algumas formas de autismo e abrem a possibilidade de famílias obterem uma melhor compreensão da condição – disse ela.
- No entanto, ainda estamos muito longe de saber o que causa o autismo. O que as pessoas com a doença, suas famílias e cuidadores precisam, acima de tudo, é de acesso agora para o tipo certo de apoio, para serem capazes de levar uma vida plena – acrescentou

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Autismo: Rafael e nós



Compartilho com vocês artigo publicado na Folha de S. Paulo de hoje. O texto é assinado por Luiz Fernando Vianna, pai de uma pessoa com autismo. Ele fala de Jô Soares que perdeu o filho Rafael, que era autista e faleceu nesta sexta feira aos 50 anos.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/193781-rafael-e-nos.shtml...

O pai também aborda a realidade de tantas outras famílias brasileiras que convivem com o autismo sem o amparo do Poder Público.

Ao Jô, todo nosso amor. Às famílias de pessoas com autismo, meu apoio para fazer valer as políticas públicas do Governo.

Descrição da imagem para cego ver: Foto antiga de Jô com o filho Rafael, ainda menino, em seu colo. Ao lado deles, um cachorro preto simpático também posa para foto.
Ver mais — com Iná Borges Ribeiro Ferreira e Orla Spindola.
https://www.facebook.com/maragabrilli/photos/a.556869131029665.1073741827.215275598522355/749416835108226/?type=1&theater

Software da Unicamp (SP) auxilia ensino de matemática para pessoas com deficiência

Foto de um aluno testando o aplicativo em um computador


Contas simples e pequenos problemas de matemática podem ficar menos complicados para crianças comdeficiência visual com a ajuda de um aplicativo desenvolvido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 


O software se utiliza de perguntas em áudio para ensinar alunos a entender a disciplina de forma lúdica nas aulas com professores e também pode auxiliar no dever de casa no ambiente familiar. O programa é gratuito e deverá ser disponibilizado até o fim do ano.


O MiniMatecaVox foi pensado e desenvolvido como tese de mestrado do tecnólogo em informática Henderson Tavares de Souza, de 31 anos, na Unicamp, no curso de engenharia elétrica na área de concentração em engenharia da computação. 


O sistema contempla o conteúdo de matemática do primeiro ano do ensino fundamental, portanto para crianças de 6 a 8 anos de idade. São 20 aulas com 300 atividades. 


"Eles podem aprender conceitos básicos, cálculo mental, além de ser um estímulo ao uso do computador e à inclusão digital", afirma o pesquisador.


A ferramenta poderá ser utilizada dentro de um programa já conhecido e muito usado por pessoas com deficiência visual, o Dosvox, que permite a realização de tarefas variadas por meio da voz. O caminho é fazer o download pela internet para ter acesso a todo o conteúdo. 


"O programa vai fazer perguntas de áudio. Quantos dedos há em sua mão direita? E o professor aproveita para orientar, ensinar a noção de direita e esquerda, por exemplo. A resposta é pelo teclado e um aviso com voz humana diz se o aluno acertou ou não", explica entusiasmado.


O programa, no qual o aplicativo ficará hospedado, faz a leitura de cada tecla digitada pela criança e traduz em som para que seja possível saber o que está sendo escrito pelo teclado do computador. 


Segundo Souza, não há muito investimento para melhorar o aprendizado de deficientes visuais, principalmente na área de exatas.


"Nunca vi nada no mercado. Foi um grão de areia o que consegui desenvolver em dois anos e meio. Pretendo continuar o projeto em um doutorado", conta. 


O pesquisador espera que, com a divulgação, mais profissionais se interessem pelo projeto para desenvolver e disponibilizar o conteúdo para outras séries escolares.


O trabalho foi orientado pelo professor Luiz César Martini, do Departamento de Comunicações da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (Feec).
 

Motivação veio da sala de aula


Além de pesquisador, Henderson, morador de Louveira (SP), é professor do ensino fundamental na rede pública de Várzea Paulista (SP), cidade próxima. 


No dia a dia, convivendo com as deficiências de cada aluno para aprender matemática, ele se viu motivado a fazer algo por aqueles que enfrentam ainda mais dificuldades para absorver o conteúdo.


"A matemática tem mais dificuldade para os deficientes visuais por falta de recursos, ferramentas que dêem a eles condições de aprender. Espero que através do software eles se motivem para aprender e usar a matemática para as suas vidas e para o futuro", conta o pesquisador, que hoje se diz preparado para receber um aluno com essa deficiência em sala de aula.
 

Programa foi testado em instituições especializadas


Henderson levou o programa para ser testado em instituições especializadas no auxílio a deficientes visuais em Campinas. "É um suporte a mais para o que a criança aprende no ensino regular. Foram solicitados ajustes e até o fim do ano o aplicativo estará disponível na internet", afirma.


Uma delas foi a Pró Visão, que promove a habilitação e reabilitação desse público há 30 anos. 


A instituição, localizada no bairro Jardim Proença, atende em média 45 deficientes, de bebês a adolescentes. Para a coordenadora Maria Cecília Saragiotto, a invenção de Henderson será muito importante para o futuro das crianças. 


"Tudo que facilita, dá autonomia para os deficientes visuais, é bem-vindo", conta.


A coordenadora afirma que esse público enfrenta uma carência no ensino normal e, por isso, as crianças procuram o apoio das instituições. Sem a ajuda, muitas não conseguem acompanhar. 


"Vamos usar o aplicativo e exercitar com as crianças. Já está no nosso plano", completa.
 

Carência em matemática é percebida entre adultos com deficiência


Outra instituição que cuida dos deficientes visuais em Campinas é o Centro Cultural Louis Braille, também no Jardim Proença.


No local é possível aprender a linguagem e apoiar os jovens, principalmente acima dos 18 anos, na inclusão escolar em classes comuns. 


O coordenador de projetos sociais Devanir de Lima, que é deficiente visual, percebe que a matemática é, de fato, um problema para esse público.


"Muitos pais acreditam que o papel de ensinar está sendo feito nas escolas, que elas estão suprindo, mas não é assim. As crianças precisam sim de apoio e empenho maior das famílias", afima Lima. 


Segundo ele, muitas escolas não possuem professores especializados e o aprendizado precisa ser complementado para que as crianças evoluam.


"Recebemos jovens de 18 anos que não sabem fazer contas de adição, subtração, divisão e multiplicação com três dígitos. Matemática avançada eles nem sabem o que é. Se não tiver uma base bem feita do 1º ao 5 º ano, eles terão problemas no futuro", preocupa-se.



Fonte: G1

Batería para PESSOAS Muito Especiais ...

O Projeto Alma de Batera surgiu o em 2008 com a ideia de oferecer Aulas de bateria Pará PESSOAS com deficiência e tornar o Contato com o Instrumento Cada Vez Mais Acessível. O Trabalho e Desenvolvido atraves de Exercícios Básicos de bateria estimulando o Desenvolvimento do Aluno global, incentivando SEUS potenciais e Habilidades, atraves de Atividades Pedagógicas e Dinâmicas Corporais.
Durante Três Anos, Vivências were feitas parágrafo OS Participantes poderem ter hum Primeiro Contato com o Instrumento, CRIAR o Interesse los Aprender e divulgar o Projeto NAS Instituições. A Princípio, como Aulas aconteciam EM UM casa Estúdio e ERAM Pagas de e indivíduos.
Atualmente, como oficinas acontecem semanalmente nenhum Centro Cultural São Paulo e na ADID (Associação de Desenvolvimento Integral fazer Baixo) e CONTAM mensalmente com a Presença de Músicos Convidados that participam diretamente Nos Estudos de Conceitos dos Alunos. Ja participaram diretamente das Aulas bateristas Como João Barone, Cuca Teixeira, Maguinho, Christiano Rocha, Douglas Las Casas, André Gonzales, Daniel Weksler, Nina Pará, Nicolle Paes, Entre Outros.Apresentações Públicas also fazem Parte das Atividades realizadas los aula.
A ideia do Projeto de: Não E USAR como mesmas com a funcao de Terapia Ocupacional OU Reabilitação. O Objetivo E proporcionar Às PESSOAS com deficiência hum Primeiro Contato com uma bateria e Conhecer hum pouco Mais Sobre o Instrumento.
Os Resultados obtidos NAS Aulas de bateria com um Execuções das Atividades e Exercícios propostos não Instrumento São o aumento da auto-Significativo Estima e da autoconfiança, a Melhoria na Socialização, o Sentimento de Bem-Estar, um Aprender Motivação em, a Troca de Experiências , a Descoberta de SUAS capacidades e limitações, Além da Contribuição Para O Desenvolvimento auditivo e psicomotor, Independente da condição cognitiva, Física OU sociais fazem Participante.

"O Objetivo da Educação musicalizar E musical, OU SEJA, tornar hum individuo sensivel e receptivo AO Fenômeno sonoro, promovendo Nele, AO MESMO tempo, respostas de índole musical."

No Processo de Aprendizagem, o Aluno TEM uma possibilidade de ENTRAR in Contato Consigo MESMO, não DAS Momento dificuldades OU obstaculos E NAS Conquistas fazer Fazer musical.


Metodologia Aplicada


Todas As Aulas São planejadas e ministradas conforme à Autonomia fazer Aluno.
A Dinâmica dos Exercícios Será, será de Responsabilidade do Professor, respeitando como limitações de Cada hum e Trabalhando OS potenciais de Todos os Alunos.  No Processo de Aprendizagem, o Aluno TEM uma possibilidade de ENTRAR in Contato Consigo MESMO, não das dificuldades Momento UO obstaculos e also NAS Conquistas fazer Fazer musical.

http://www.almadebatera.com.br/#!historico/cv5x

Jô Soares volta ao trabalho e homenageia filho



http://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2014/11/jo-soares-volta-ao-trabalho-e-homenageia-filho.html
Jô Soares presta homenagem ao filho em abertura de programa (Foto: Reprodução/TV Globo)

Jô Soares gravou o Programa do Jô na segunda-feira (3), três dias após a morte do filho. O apresentador prestou uma hgomanagem a Rafael Soares, que morrreu aos 50 anos, em decorrência de um câncer no cérebro. “Na última sexta-feira, dia 31, eu sofri a dor que é o pesadelo de todo pai: a perda de um filho.”
Segundo ele, a atitude de não faltar ao trabalho foi um dos aprendizados que teve com o filho. “Ele tinha um ouvido absoluto para a música, tocava piano e até tinha a própria emissora de rádio dentro de casa. O Derico, num gesto incrível, até chegou a gravar as vinhetas. E ele não tirava a rádio do ar nunca, até mesmo no aniversário dele, na hora de apagar a velinha, ele dizia que não podia, pois eram seis horas e dois minutos e precisava entrar no ar”, contou Jô, enaltecendo a paixão de Rafael por rádio.

Com a voz embargada, Jô disse: “Como ele nunca faltou ao trabalho, eu também não poderia faltar ao meu”.

ESCOLHAS  E PERDAS

Além de apaixonado por rádio, Rafael era fã de livros. “Uma vez, estávamos numa livraria e vi o Rafinha com 12 livros na mão. Falei que era demais e que ele escolhesse no máximo seis. Nessa hora, ele me disse que então não ia levar nenhum. Pensei que era um desaforo. Foi então que ele disse: quando a gente tem que escolher, sempre acaba perdendo,"

ORGULHO DO FILHO

“Rafinha era autista e durante esses 50 anos ele viveu a realidade dele, no mundo dele. Sempre foi o nosso menino. Eu tenho muito orgulho do meu filho. Agradeço também à Teresa [Austregésilo], com quem fui casado durante 20 anos e nestes 50 ela cuidou do nosso filhinho. Do berço ao fim. E às centenas de mensagens e emails de amigos, colegas e pessoas que eu nem conheço. Muito obrigado."
Em programa, Jô mostra foto da infância do filho (Foto: Reprodução/TV Globo)

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Divulgando a Adrenoleucodistrfia no Brasil


Atenção macharada!!! O negócio é sério, viu?

No ônibus, Raquel Rolnik discute como o transporte público moldou São Paulo

22/10/2014 - -
Pedro Ribeiro Nogueira
A última vez que a reportagem do Portal Aprendiz esteve no Terminal Parque Dom Pedro II foi em 11 de junho de 2013. Cobríamos o Terceiro Grande Ato Contra o Aumento da Tarifa, organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL). Próximo ao Terminal, bombas explodiam e pessoas se afastavam tossindo. Transeuntes e manifestantes, apartados e assustados, corriam ressentidos da violência. Um pneu de ônibus pegava fogo. A Polícia Militar bloqueava a entrada do Terminal e lançava bombas, mais bombas, causando um bocado de desespero. Bandeiras tremulavam e a rua era só estouro, gritos e estrondos. As bombas de efeito moral deixavam um zumbido persistente. Tudo ali, na velha várzea do Tietê, asfaltada, terminalizada. O portal da Zona Leste no Centro.
Desde 2006, o local recebe os já conhecidos catracaços – quando o Movimento Passe Livre (MPL) abre as catracas dos ônibus para deixar os passageiros entrarem. Uma ação direta contra o transporte caro, precário e mercantilizado. Uma área da cidade que se  converte em zona de guerra quando a tarifa do transporte público é alterada. De 1,70 pra 2,00. De 2,00 para 2,30. De 2,30 para 2,70. De 2,70 para 3,00. De 3,00 para 3,20 e de volta para 3,00.
Este foi também o palco escolhido pela Trupe Sinhá Zózima, que desde 2007 realiza espetáculos teatrais dentro de um ônibus, para sua mais recente residência “Os minutos que se vão com o tempo: da imobilidade urbana ao direito à poesia, à cidade e à vida”, contemplado pela 24ª Edição da Lei de Fomento. Como parte da pesquisa, o grupo realiza, desde fevereiro, uma série de debates e intervenções culturais batizadas de “Toda terça tem trabalho tem teatro”.
“Esse terminal é emblemático na medida em que ele organiza a história da nossa cidade. É uma expressão perfeita da lógica da desordem, da concentração de renda e poder”.
Após encenarem o “Cordel do amor sem fim”, “Valsa n° 6”, “O poeta e o cavaleiro” e a “Mostra de teatro no ônibus”, a Trupe segue para um novo desafio: levar o teatro para dentro da 4313-10 Terminal Parque Dom Pedro II – Terminal Tiradentes, a mais longa linha que parte dali. Anderson Maurício, diretor da Sinhá Zózima, se diz curioso para saber como as pessoas vão reagir.
“Em 2009, durante o projeto ‘Arte Expressa’, uma mostra de 12 grupos de teatro em ônibus da cidade, minha esposa realizou uma pesquisa com os passageiros e descobriu que 75% nunca tinham ido a um teatro e 20% havia ido mas há mais de vinte anos. Isso nos impactou profundamente.”
Apresentação do "Cordel do Amor Sem Fim", da Trupe Sinhá Zózima
Apresentação do “Cordel do Amor Sem Fim”, da Trupe Sinhá Zózima
Cristiane Forcinito l Sinhá Zózima
O estudo atual e o futuro espetáculo se baseiam na vida e história oral dos passageiros da linha e buscam criar espaços de convivência dentro do transporte público, onde, segundo Anderson Maurício, “as pessoas passam quase um terço de suas vidas, automatizadas, apertadas”. A escolha do Terminal não deixa dúvidas: “é onde tem mais trabalhador”.
Na noite de segunda-feira (20/10), como parte das atividades da Trupe, a arquiteta e professora de da Universidade de São Paulo (USP), ex-relatora especial da ONU para o Direito à Moradia, Raquel Rolnik, foi chamada para falar sobre Urbanismo, Transporte e Moradia.
Altos e baixos: uma radiografia da desigualdade
Sentada na cadeirinha do cobrador no antigo ônibus e iluminada pelas lâmpadas estendidas na “cordinha” usada pelos passageiros para dar sinal para o motorista, Rolnik admite ser a primeira vez que dá aula dentro de um coletivo e ressalta a importância do local escolhido.
“Esse terminal é emblemático na medida em que ele organiza a história da nossa cidade. É uma expressão perfeita da lógica da desordem, da concentração de renda e poder”, reflete ela, ao narrar a história daquele espaço, relacionando-o com a São Paulo de hoje. “Dizem que São Paulo é um caos, sem planejamento, sem lógica. Não é, e eu vou mostrar porquê.”
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Da cadeira do cobrador, a urbanista Raquel Rolnik traçou um panorama da formação da cidade de São Paulo.
Priscila Reis l Trupe Sinhá Zózima
O Terminal Parque Dom Pedro II repousa sobre a maior várzea plana do Rio Tietê que, no passado, espalhava suas águas sobre os terrenos baixos de São Paulo. Situado ao lado da colina central da cidade (Pátio do Colégio/Sé), o Terminal aponta para a zona leste, definida pela urbanista como “a cidade do povo”. Do outro lado, o Anhangabaú irradia para as zonas sul e oeste, onde o desenvolvimento da “cidade rica” aconteceu.
Essa divisão entre baixo e alto revela os contornos da formação paulistana. “Os ricos ficavam nos bairros altos, salubres. Os pobres se espalhavam por onde dava, nas várzeas, cheias de bicho, calor, mosquito e doença. Tem a Lapa e o Alto da Lapa, a Moóca e o Alto da Moóca, Pinheiros e o Alto de Pinheiros – que, inclusive, fica numa baixada. O importante era que o nome transmitisse o prestígio”, analisa.
Nos bairros ricos, a companhia Light garantia o bonde elétrico, enquanto o restante da cidade se desenvolvia ao redor das estações de trem, onde se erguiam as primeiras indústrias, as primeiras habitações populares, vilas operárias arrendadas e cortiços. Foi assim na Lapa, Brás, Belém, Barra Funda.
Na rabeira dos bondes, surgiam os primeiros ônibus: caminhões modificados que levavam os passageiros que não cabiam nos veículos elétricos – espécie de lotações rudimentares. O caos do transporte em São Paulo tem história e pedigree.
Enquanto isso, no espaço do Terminal, ficava o Parque do Carmo. Uma linda área verde com uma ilhota no meio, batizada de Ilha dos Amores. Na passagem dos anos 30 para os 40, entrou na baila das reformas urbanísticas promovidas por Prestes Maia, então prefeito do município.
Vista geral do Terminal Parque Dom Pedro II
Vista geral do Terminal Parque Dom Pedro II
Felipe Mostarda l Wikimedia Commons
“A questão da moradia, ou seja, como fazer casas sem pagar bons salários, foi resolvida em São Paulo pelo modelo de expansão rodoviária. Os sistemas de avenidas radiais e perimetrais – do qual o Rodoanel é a mais nova expressão, assim como antes foram as marginais – pautaram a expansão da cidade. Se nos bairros ricos era preciso ter hospital, escola, praça, para os trabalhadores bastava chegar pista, asfalto e ônibus. Bastava garantir que eles fossem e voltassem do serviço.”
Essa urbanização informal, avalia Rolnik, é fruto de uma longa luta por direitos e “autoprodução de cidade” realizada por operários que chegavam aos milhões de todo o país e que, em larga medida, trabalhavam na indústria automobilística que florescia com o novo modelo.
“A especulação imobiliária captura o esforço coletivo de se produzir cidade”.
“Foram anéis e mais anéis de desenvolvimento. A antiga periferia – Tatuapé, Vila Matilde – foi se estabelecendo através das conquistas populares e, conforme melhoravam de vida, iam expulsando os mais pobres cada vez para mais longe, até chegar nessa imensa mancha metropolitana que temos hoje. Mas sempre com o ônibus como eixo de expansão.” Coincide com essa lógica, acrescenta ela, o aparecimento da estrutura “terminalista” da cidade: em cada asa do centro, um terminal aponta para uma zona da metrópole, como se fossem imensos portais de transporte.
São Paulo crescia e as vias expressas guiavam a “dilaceração e fragmentação dos bairros centrais”, hoje divididos pelas avenidas, como a Vinte e três de maio, a Nove de julho, entre outras. O Metrô, que inaugura suas primeiras estações na década de 70, foi criado para atender a classe média da época, na opinião da professora, “de forma insípida”.
Mas havia outra forma possível de desenvolvimento?
Para Rolnik, não há dúvidas. Ela acredita que a opção por um modelo que “organiza para desorganizar” foi deliberada e consciente. A falta de um pacto sócio-territorial distributivo, associado à consolidação precária de direitos e à perpetuação da desigualdade, talharam a malha urbana e consolidaram um modelo que já encontra perpetuação em programas como o Minha Casa, Minha Vida, “que produz casas e não cidades”.
Se nos bairros ricos era preciso ter hospital, escola, praça, para os trabalhadores bastava chegar pista, asfalto e ônibus.
“A intenção é boa e o povo precisa de casas, mas são guetos afastados, onde a terra é barata. [O programa] Não toca na estrutura geral das coisas e o preço inicial, se é barato, acaba encarecido por uma vida inteira pagando passagem de ônibus e trem”, pondera.
Essa ordem, baseada em vias expressas para quem tem automóvel e no transporte público para o povo, entrou em colapso. “A mesma avenida que trava o Mercedes-Benz, trava a Brasília, o Fusca e o ônibus”, afirma, sugerindo que o colapso sempre foi o signo regente do urbanismo paulistano ou a “velha ordem que ainda não ruiu”.
Mas dentro da velha ordem, forja-se a nova. A partir dessa reflexão, Raquel falou sobre o significado das manifestações de junho de 2013 e a possibilidade de implantação da tarifa zero – proposta de política pública do MPL que elimina a cobrança no transporte público.
“Não é por acaso que o transporte público foi a fagulha que incendiou a pradaria. Mas também transcende isso. A catraca simboliza a exclusão, a mercantilização da vida, da saúde, da educação. É a mesma catraca que está na porta da universidade, do hospital particular, do que deveriam ser direitos básicos. Neste sentido, significou o questionamento do direito à cidade, um direito bloqueado por catracas.”
Para a urbanista, a tarifa zero desvelaria esse modelo que concentra riqueza em um território pequeno e a ladeia de miséria, e que, através da especulação imobiliária, “captura a terra urbana e cria preços que sequestram o esforço coletivo de se produzir cidade”.
A noção de “esforço coletivo de se produzir cidade” parece balizar essa nova ordem. Ou seja, o aumento da consciência coletiva a respeito do espaço urbano, entendido agora como território de todos, expressa uma mudança. Revela um desejo de espaço público. E as ocupações artísticas, por moradia e até o fato de as pessoas preferirem mesa de bar na calçada expressam essa ruptura. “É como se as pessoas dissessem: quero ficar na rua, quero ficar na praça”, sintetiza Rolnik.
A catraca simboliza a exclusão, a mercantilização da vida, da saúde, da educação.
A construção de corredores de ônibus e ciclofaixas também indicam novas prioridades para a cidade. Rolnik relembra os tempos do governo de Erundina, quando atuou como Diretora de Planejamento, e da reação negativa à proposta de construção de corredores exclusivos de ônibus. “Não teve apoio, nem do PT, e poderia ter levado a um impeachment”.
Um novo colapso?
Embora as novas formas de pensar a cidade estejam ganhando força, São Paulo se vê diante de um novo precipício: a crise da água.
Sistema Cantareira funciona com 3% da capacidade.
Sistema Cantareira funciona com 3% da capacidade.
Luiz Augusto Daidone l Prefeitura de Vargem Grande Paulista l SP
No ano 2000, em Cochabamba, na Bolívia, a empresa americana Bechtel, em parceria com o governo local, ameaçava privatizar a gestão da água. A noção – profundamente andina – de que os recursos naturais são de todos, mobilizou a ocupação da praça central da cidade por mais de quatro meses. Barricadas, levantadas por adolescentes, jovens e velhos, questionavam a mudança. O episódio, hoje conhecido como “A Guerra da Água”, levou a cidade a declarar Estado de Sítio. Após intensa repressão e resistência, o governo recuou. Até hoje, a água permanece intocada.
O momento foi considerado um ponto de virada na organização dos movimentos sociais bolivianos e na ascensão do primeiro indígena à presidência do país. E não deixa de dizer algo sobre o que vivemos: aponta, a partir da escassez, para o que pode ser diferente.
“Já vimos revoluções urbanas acontecerem nos lugares mais improváveis, que acarretaram em mudanças profundas nas cidades. Sinto que São Paulo está numa hora propícia. Está longe, mas é um momento especial”, conclui Raquel.
http://portal.aprendiz.uol.com.br/2014/10/22/onibus-raquel-rolnik-discute-como-o-transporte-publico-moldou-sao-paulo/