quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Em PE, app para deficientes chega a escolas públicas e tem 10 mil usuários

Do G1 PE

Um aplicativo criado por um pernambucano está causando uma revolução na vida de cerca de dez mil pessoas. A tecnologia, que ajuda pessoas com deficiência a se comunicarem, se chama Livox e já foi traduzida para 25 idiomas. Nos países de língua árabe, por exemplo, o aplicativo deve ser lançado em dois meses. A ideia também começa a chegar nas escolas públicas do Recife, em fase de testes.
O escolhido para os testes no Recife foi o estudante Jhonatan, de 18 anos. Ele tem paralisia cerebral e não é alfabetizado, mas é louco por internet e tem habilidade com aplicativos no telefone. Com o aplicativo, Jhonatan pode se comunicar melhor e também aumentar o aprendizado na escola. "As questões pedagógicas se iniciam a partir da comunicação. Se eu me faço compreender e faço com que o meu aluno seja compreendido, isso dá uma autonomia pra ele, uma segurança no aprendizado", explica a professora Jeisy Oliveira.
De acordo com o analista de sistemas Carlos Pereira, criador do aplicativo, a tecnologia tem algoritmos inteligentes que fazem o sistema se adaptar ao usuário, a partir da deficiência dele. "Não importa se a pessoa tem deficiência motora, visual ou cognitiva. Ele se ajusta a cada deficiência", explica. Exemplo disso é que dois terços dos usuários do aplicativos são pessoas autistas. Carlos criou o aplicativo para ajudar a filha, Clara, que tem paralisia cerebral, a se comunicar.
Livox foi criado para ajudar Clarinha a se comunicar (Foto: Reprodução / TV Globo)Carlos criou o Livox para ajudar a filha Clarinha a se comunicar (Foto: Reprodução / TV Globo)
Aplicativo
A filha de Carlos Pereira, Clarinha, de sete anos, teve paralisia cerebral por causa de complicações durante o parto. Ela não consegue controlar os movimentos do corpo mas entende tudo, e o Livox foi criado para ajudá-la a se comunicar.
Os pais de Clarinha não se conformaram em deixá-la viver com total lucidez mas sem capacidade de se expressar. Eles foram até a China, fizeram um tratamento pioneiro com células-tronco e chegaram a abrir uma clínica no Recife, que atende 300 pacientes.
Mas Carlos achou pouco -- por isso, criou o sistema. Clarinha, que foi a primeira a usar o Livox, passou a se expressar, contar o que pensa e o que sente. "Hoje eu posso orientar, educar de uma forma mais precisa. Isso é ótimo, porque ela faz até perguntas e eu posso responder", explica a mãe, Aline Costa Pereira.
O Livox já ganhou o prêmio de melhor aplicativo de inclusão do mundo, pela Organização das Nações Unidades; de inovação tecnológica com maior impacto em 2014, do Banco Interamericano de Desenvolvimento; e foi o primeiro lugar na Copa do Mundo de Tecnologia do Vale do Silício, em junho deste ano. "Eu fico muito feliz com todos esses prêmios, mas o maior prêmio que eu tenho é ver minha filha se comunicar", conta Carlos Pereira.
Clarinha teve paralisia cerebral e não movimenta o corpo, mas entende tudo  (Foto: Reprodução / TV Globo)Clarinha teve paralisia cerebral e não consegue falar, mas entende tudo (Foto: Reprodução / TV Globo)

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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Aluna doa 11 cadeiras de rodas, alcançando a marca de 39 doações

O projeto Lacre do Bem, desenvolvido pela aluna da Unidade Coração Eucarístico, Julia Fernandes, de 11 anos, continua promovendo a solidariedade, através da doação de cadeiras de rodas.  Na noite da quarta-feira, 9 de julho, Julia Fernandes participou da cerimônia de entrega de 11 cadeiras de rodas para instituições de assistência social. Além dos familiares da aluna, estavam presentes os parceiros do projeto Lacre do Bem, entre eles a diretora da Unidade Coração Eucarístico, Mônica Maria Ribeiro, e representantes das entidades atendidas.
Julia Fernandes, vencedora do Prêmio Bom Exemplo 2014/Categoria Cidadania, criou o projeto há dois anos e durante o período doou 39 cadeiras de rodas, com a colaboração de doadores de lacres de latinhas de alumínio de Minas Gerais e de vários estados, alcançando a marca de 5 milhões de lacres.  "Nunca pensei que fosse tão longe. Ajudar faz bem!", disse Julia Fernandes, durante a cerimônia de entrega.
Segundo a mãe de Julia Fernandes, Ivette Macedo, diretora do projeto, o momento mais importante da campanha aconteceu dois meses após o seu início, quando tinham conseguido juntar menos da metade de uma garrafa PET de 2 litros, com lacres. "Mostrei a Julia a quantidade de lacres que havíamos recolhido, no intuito de fazê-la desistir, mas ela, com os olhos brilhando, disse: que tanto! Eu olhava a parte vazia da garrafa e ela a parte cheia, esta forma positiva de ver as coisas foi uma lição muito grande para todos nós e foi o grande motivo para continuarmos."
De acordo com Ivette Macedo, a família buscou apoio do Colégio Santa Maria Coração Eucarístico, que abraçou a causa. Atualmente, recebem doações de lacres de várias cidades, como Rio de Janeiro, Curitiba, São Paulo, Brasília e Salvador. Dentre as entidades atendidas estão o Núcleo Assistencial Caminhos para Jesus, a Cidade Ozanan, o Projeto Assistencial Novo Céu.
 




segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Campanha de escola junta 1 milhão de lacres para obter 3 cadeiras de rodas

Objetivo é doar para idosos com dificuldade de locomoção em Araraquara.
Em quatro anos, estudantes e colaboradores já conseguiram 7 cadeiras.

Alunos da escola arrecadaram um milhão e 92 mil lacres (Foto: Wilson Aiello/EPTV)
Uma campanha do Centro Municipal de Educação Integrada Piraquara de Araraquara (SP) conseguiu arrecadar 1 milhão de lacres de latinhas para trocar por três cadeiras de rodas. O objetivo é doá-las para asilos, ajudando os idosos que têm dificuldades de locomoção. No ano passado, outra campanha do tipo ajudou uma instituição e até agosto deste ano outras três cadeiras serão doadas.
Com espírito de solidariedade, os alunos da escola receberam 30 galões com os lacres levados pelo professor aposentado Soma Hiroshi. O trabalho, que já é feito há quatro anos, teve a ajuda de comerciantes e amigos, além de recolher latinhas na cidade.
O material se junta a outros milhares arrecadados pelos estudantes e outros voluntários da campanha. "Meu intuito é incentivar esse pessoal a recolher o lacre, porque na realidade a gente não consegue recolher 20% dos lacres que existem nos bares", afirmou Hiroshi.
"Tem garrafa de lacre do extremo sul do Estado de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Pederneiras, de várias cidades que a gente nem conhece. Os familiares vão passear e nesses passeios eles contagiam as pessoas com essa corrente", contou a professora Maria Socorro Moreira.
No total, foram arrecadados 1 milhão e 92 mil lacres distribuídos em 30 galões e 120 garrafas pets. "Ajuda o meio ambiente e outra porque ajuda os idosos que precisam de cadeiras de rodas", disse a estudante Maria Eduarda Larocca.
Os alunos entregaram uma cadeira no ano passado para um asilo da cidade. Para agosto deste ano, está prevista a chegada de mais três cadeiras. Os lacres de agora serão trocados por outras três que chegam até o fim do ano.
"A criança vê uma série de pessoas envolvidas, não só ela que está aqui na escola, mas ela sendo um elo, parte de uma corrente, para um bem maior. É o que nós acreditamos. Ela vai ser uma pessoa melhor com certeza e vai cuidar de nós no futuro", narrou a professora.
Os interessados em ajudar podem levar os lacres no Centro Municipal, que fica na Rua Bahia, na Vila Xavier, em Araraquara.
Em 4 anos de campanha, lacres já renderam 7 cadeiras de rodas em Araraquara (Foto: Wilson Aiello/EPTV)Em 4 anos de campanha, lacres já renderam 7 cadeiras de rodas em Araraquara (Foto: Wilson Aiello/EPTV)http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2015/07/campanha-de-escola-junta-1-milhao-de-lacres-para-obter-3-cadeiras-de-rodas.html

Depoimento do paraplégico Thomaz Magalhães

http://www.deficienteciente.com.br/2010/07/depoimento-do-paraplegico-thomaz.html
Católico praticante, Thomaz mudou radicalmente de vida após o acidente que o deixou paraplégico. Acidente, aliás, não é a palavra com a qual ele gosta de se referir ao tombo sofrido no dia 25 de agosto de 1991, durante treinamento para uma competição de hipismo, na Sociedade Hípica do Rio de Janeiro. “Acidente dá a impressão de algo trágico, triste. E posso dizer que me tornei uma pessoa feliz porque fiquei paralítico”, afirma. “Descobri que a verdadeira felicidade está na paz de espírito.”
A determinação de Thomaz em fazer coisas como subir e descer a escada do prédio chegou a assustar a mulher, Clara. “Ele sempre foi uma pessoa de desafios.

Achei que ia ficar mais tranqüilo, mas teve impulso para, através da dificuldade, fazer mais coisas”, diz ela. “Meu marido virou um testemunho vivo para muita gente. Provou, com a ajuda de Deus, como enfrentar os problemas.” Pai de Thomaz e Chiara Magalhães, ex-namorada do apresentador Luciano Huck, o empresário se superou com o apoio da família. Os filhos eram pequenos na época. “Ele mostrou para os filhos que todos somos frágeis, mas o mais importante é superar a queda, pensar em reagir”, conta Clara. “E eles viram como é gostoso saber que, depois da luta, conseguimos a vitória.”
A luta foi dura. Para ter essa postura de vida, o empresário sofreu muito. Amante de esportes como o hipismo e o vôlei, louco por motos e ganancioso a ponto de querer sempre mais dinheiro, como ele próprio admite, Thomaz chegou a pensar em suicídio. “Planejei minha morte, pensava em abordar um guarda, pegar a arma dele e me matar”, conta ele, que não botou o plano em prática por causa da família. “Eles já estavam sofrendo por eu ter ficado paralítico. Seria muito pior se virasse um suicida.”
Da fase de desespero, que durou menos de um ano, o empresário passou a ser um homem determinado a se virar sozinho. Escondido da família, desceu quatro andares da escada de serviço do prédio onde morava, no Rio, e subiu outros dois, sentado no chão e puxando a cadeira. “Queria ver se podia fazer algo em caso de incêndio”, justifica. Ousadia maior ele experimentou na estrada Rio-Petrópolis, à noite. Seu carro adaptado teve o pneu furado e ele mesmo trocou, sentado na cadeira de rodas. “Demorei 40 minutos, mas consegui”, lembra.
A mudança total aconteceu em 1997. Escolhido como um dos representantes da família brasileira para o testemunho de fé ao papa João Paulo II, no Maracanã, achou que era o sinal para largar a vida de empreiteiro. Vendeu sua parte na Montreal e passou a dar testemunhos em todo o Brasil e em países como México, El Salvador e Chile. Junto com a mulher, abriu uma loja de artigos religiosos, a Agnus Dei. “Queríamos que as pessoas fossem na loja para se sentir bem, mas acabou virando um negócio. Deixei de ser empresário dos homens e passei a ser um empresário de Deus.”
Fontes: Globo Vídeo (02/10/09)
            Revista Isto É Gente Online

Projeto troca lacres de latas de alumínio por ... - Globo TV

Projeto troca lacres de latas de alumínio por ... - Globo TV


Projeto troca lacres de latas de alumínio por ... - Globo TV

globotv.globo.com/...lacres...aluminio.../3568228/
16 de ago de 2014
Projeto troca lacres de latas de alumínio por cadeiras de rodas.


http://globotv.globo.com/rbs-sc/jornal-do-almoco-sc/v/projeto-troca-lacres-de-latas-de-aluminio-por-cadeiras-de-rodas/3568228/

Escola entrega 96 mil lacres de alumínio para serem trocados por uma cadeira de rodas em Joinville

Ação faz parte do Projeto Ações Sustentáveis, desenvolvido pela unidade desde o ano passado


Escola entrega 96 mil lacres de alumínio para serem trocados por uma cadeira de rodas em Joinville rogerio da silva/Divulgação

o aliarem a consciência ecológica com a solidariedade, os alunos e professores daEscola Municipal Elizabeth von Dreifuss se reuniram na manhã da última quinta-feira para entregar um pacote com mais de 96 mil lacres de latinhas de alumínio para a diretoria do Rotary Club Joinville Cidade das Flores.

A ação faz parte do Projeto Ações Sustentáveis, Escola Feliz, desenvolvido pela unidade desde o ano passado. Com a doação, a escola contribui para a obtenção de uma cadeira de rodas a ser entregue para uma instituição beneficente de Joinville.

Segundo a diretora, Tânia Regina Bueno, a atividade envolveu mais de 700 alunos da escola e, no ano passado, foram arrecadadas 40 toneladas de lacres de latinhas. Ieda Lúcia Pereira, presidente do Rotary Joinville Cidade das Flores, explica que existem vários postos de coleta dos lacres em entidades parceiras.

—A campanha não acaba aqui, porque muitas pessoas ainda precisam da nossa ajuda para conseguir uma cadeira de rodas—, afirma.

Todo o material recolhido é encaminhado para uma empresa de São Paulo que fabrica cadeiras de rodas. Constituído de alumínio mais puro, o lacre é derretido e aproveitado para a fabricação de alguns componentes das cadeiras.

A campanha de arrecadação de lacres de alumínio é apenas uma das atividades do Projeto Ações Sustentáveis, Escola Feliz, que já conquistou em 2011 o Prêmio Embraco de Ecologia.
http://anoticia.clicrbs.com.br/sc/geral/educacao/noticia/2014/02/escola-entrega-96-mil-lacres-de-aluminio-para-serem-trocados-por-uma-cadeira-de-rodas-em-joinville-4426739.html

sábado, 8 de agosto de 2015

Professor de educação especial é primordial em salas de aula, afirma especialista

Por: Vanessa Cagliari06/08/2015
Professor de educação especial é primordial em salas de aulas, afirma especialista 
Fabiana:"É imprescindível conhecer mais sobre TEA"

rede de ensino público do Brasil avançou muito no quesito acesso, mas ainda existem aspectos que precisam ser melhorados como a qualidade da educação oferecida e capacitação de profissionais para atender todas as necessidades dos alunos, principalmente alunos especiais como os autistas, por exemplo. Para inseri-los de verdade emescolas regulares, é necessário desenvolver uma boa rede de apoio entre alunos, docentes, escolas, famílias e profissionais de saúde. 


Com o objetivo de descobrir quais estratégias são viáveis e eficientes para que essa proposta se torne realidade, conversamos com Fabiana Burgos T. Garcia, especialista em educação especial na área de transtornos globais do desenvolvimento (TGD) e mãe de um menino portador da síndrome de Asperger. Acompanhe: 

O que deve ser feito para que a inclusão em escolas regulares seja garantida para a aprendizagem de todos os alunos autistas?

Fabiana: São vários fatores envolvidos. A lei obriga a matrícula do estudante na sala regular, mas não garante o sucesso de sua escolarização. Isto deve ser garantido pelo sistema de ensino que por sua vez é falho. O estadual tem várias iniciativas como curso de especialização gratuito na UNESP para os professores de Ensino Fundamental e Ensino Médio e, também, para os professores de sala de recursos, mas que têm baixa adesão ao meu ver.

Também prevê a implantação de salas de recursos exclusivas para TGD, no entanto serão salas polo que atenderão mais de uma escola (podendo chegar a 10 escolas) e, na minha opinião, isso não funciona, pois o estudante comTranstorno do Espectro Autista necessita de apoio na escola o tempo todo, mesmo que seja de grau leve.

No caso do sistema municipal, Paulínia e Campinas, por exemplo, possuem salas de recursos ou apoio uma por escola, mas são multidisciplinares, ou seja, a maioria das vezes há 1 professor especializado em educação especial. Por exemplo, ele tem que atender cegos, surdos, deficientes intelectuais e TEA numa mesma classe.

No caso das escolas privadas, a coisa complica ainda mais. Se sentem desobrigados de oferecer a sala de recursos, mas é previsto sim na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e a Nota técnica 15/2010 do MEC orienta, que eles devem seguir a legislação vigente. Também não investem em formação do professor, querem cobrar dos pais custo extra para contratar um professor de educação especial e tantas outras barbaridades puníveis com multa.


Simplificando, acredito que é preciso investir na formação do professor, mas para se ter uma ideia, as diretrizes para o curso de Pedagogia, por exemplo, somente cita que na graduação deve-se oferecer noções da educação especial, assim bem generalizado. Por outro lado, o professor também tem sua parte a fazer.


O que pode ser feito para melhorar esse cenário? Como uma escola deve fazer o projeto pedagógico inclusivo?

Fabiana
: O projeto pedagógico é obrigatório para todas as escolas e chamamos de PPP (Projeto Político Pedagógico). Nele é necessário que exista um planejamento para a Educação Especial, pensando no público da própria escola, pensado pelos professores da sala regular, equipe gestora e, claro, pelo professor de educação especial e família, em conjunto. O ensino colaborativo é o caminho. Sem o envolvimento de todos não há inclusão. A família também é fator imprescindível.

Tenho um filho portador da síndrome de Asperger e, certa vez, ouvi da diretora da escola do meu filho: Não estamos acostumados a trabalhar com a parceria da família e da saúde, precisamos aprender! (Isso aconteceu quando eu tentava ajudar professores dele e estes insistiam em dizer que eu estava protegendo-o). Gostaria de deixar registrado que há um erro muito grande que é praticado pelos professores e que acaba dificultando ainda mais o trabalho deles: basear-se no senso comum.

Eles acreditam que o autista "vive num mundo próprio", não interagem, são quietos, têm estereotipias, etc., e quando chega um que é hiperativo, fala demais, é agressivo, e outras características, acham que é uma criança indisciplinada e que a mãe não dá limites.

É preciso dizer que há vários "graus" e que por isso chamamos de TEA (transtorno do ESPECTRO autista), em cada um é cada um, cada um tem suas características singulares, como nós, e que por isso, é preciso conhecer o estudante. A família é um canal importante para isso, a fim de poder direcionar metodologias e estratégias mais adequadas de ensino. Todos são capazes de aprender, mas cada um num tempo e de uma maneira, assim como os neurotípicos (assim que chamamos os "normais"), para isso é preciso dedicação e busca por conhecimento.


Quais habilidades e conhecimentos você adquiriu ao cursar especialização em Educação Especial?

Fabiana: Bom, a educação especial dá ao professor o conhecimento legal e histórico, além de posicioná-lo com relação ao trabalho com a diversidade na sala de aula comum. Eu, por exemplo, sempre trabalhei em salas regulares onde haviam alunos com deficiência auditivaalunos com TEAdeficiência visual, mas nenhuma orientação me era dada. Não fosse pela sensibilidade que já fazia parte da minha pessoa, não teria feito qualquer trabalho com eles, o que é muito comum acontecer. Trabalhar a química, que muitas vezes é tão abstrata para qualquer pessoa, com uma pessoa com qualquer deficiência exige do professor estratégias diferenciadas e isso eu conseguia graças à formação que tive, baseada no concreto, do mais complexo ao menos complexo. Mas isso não é uma prática nos cursos de formação de professores.


Quais as principais necessidades desses alunos?

Fabiana
: Acredito que seja a adequação do ambiente e do currículo baseado nas características de cada um. É claro que muitas coisas são "padrão", como evitar o excesso de estímulo visual, explicações o mais concretas possíveis com o uso de imagens e vídeos, evitar sons muito altos, inclusive, tons de voz, diminuição na quantidade de escrita (muitos deles sofrem demasiadamente com a escrita e oferecer outros meios como a oralidade ou o uso de computadores é uma alternativa), estimular a interação com os colegas, etc.

Assim como todos os estudantes, cada um tem necessidades especiais para aprender e é preciso identificá-las. Para isso, a presença de um professor de educação especial é primordial a fim de se estabelecer um Programa de Escolarização Individualizado (PEI) em conjunto com os professores da sala regular e a equipe gestora da escola, para que as suas potencialidades sejam trabalhadas. Este deve ser o foco, suas potencialidades, suas habilidades e nunca suas dificuldades.


Fale da importância da escola, da família, das pessoas e de professores em buscarem informações para saber lidar com crianças autistas.

Fabiana: Vou falar pela minha experiência como mãe. Sofremos muito preconceito por parte da sociedade, e à medida que a informação vem se disseminando por meio da mídia isso vem melhorando, mas ainda não é suficiente. A família precisa aceitar. É imprescindível se conhecer mais sobre TEA para que a família, assim como os professores, possam identificar mais cedo os sinais e partir para a busca do diagnóstico e intervenções o quanto antes. De posse deste diagnóstico, não deixar de obter conhecimento para oferecer mais estímulo e apoio à criança e aos que convivem com ela. Os professores buscarem conhecimento, como já falei, é de suma importância e, acho que acima de tudo, ouvir o que a família tem a dizer sem que o senso comum do indisciplinado, do sem educação do sem limites atrapalhe esta pareceria, afinal, a família conhece muito mais da criança do que qualquer outra pessoa.

A mãe não está protegendo, está oferecendo informações para que na sala de aula tudo fique mais fácil. Enfim, todos precisam saber que as pessoas com TEA são capazes de aprender. Que alguns possuem mais habilidades para a área de exatas, outros mais sensibilidade e aptidão para as artes, e que assim como nós, podem sim ter muito a oferecer para toda a sociedade. Como você pode ver, é preciso agir em parceria e com conhecimento.



Fabiana Burgos T. Garcia é especialista em educação especial na área de transtornos globais do desenvolvimento pela Unesp. Presta assessoria pedagógica à famílias e escolas com relação à TEA, inclusão escolar (aspectos legais), formação de professores e também sobre adaptação curricular. É professora de química e ciências. Possui mestrado na UNICAMP em Ensino e História de Ciências da Terra com foco no trabalho do professor, professor pesquisador e interdisciplinaridade. Autora do blog "Outros olhos para o Autismo". Acesse.

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