sábado, 28 de dezembro de 2013

Conheça as salas de recurso que funcionam de verdade para a inclusão

Alunos com deficiência precisam desenvolver habilidades para participar das aulas. Saiba como esse trabalho deve ser feito no contraturno

http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/educacao-especial/conheca-salas-recurso-funcionam-verdade-para-inclusao-deficiencia-546795.shtml

Camila Monroe (camila.monroe@fvc.org.br). Colaborou Beatriz Santomauro
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=== PARTE 1 ====
Foto: Marina Piedade
LEITURA NO TATO O trabalho com letras móveis em braile ajuda os alunos com deficiência visual na alfabetização
Fotos: Marina Piedade
Os números do último Censo Escolar são o retrato claro de uma nova tendência: a Educação de alunos com deficiência se dá, agora, majoritariamente em classes regulares. Seis em cada dez alunos nessa condição estão matriculados em salas comuns - em 2001, esse índice era de apenas dois em cada dez estudantes. O aumento merece ser comemorado, mas que não esconde um grande desafio: como garantir que, além de frequentar as aulas, crianças e jovens aprendam de verdade?

A tarefa tem naquilo que os especialistas chamam de Atendimento Educacional Especializado (AEE) um importante aliado. Instituído pelo mesmo documento que em 2008 concebeu as diretrizes para a inclusão escolar, mas regulamentado apenas no fim do ano passado, o AEE ocorre no contraturno nas salas de recursos, ambientes adaptados para auxiliar indivíduos com uma ou mais deficiências (veja nas fotos que ilustram esta reportagem alguns dos principais equipamentos utilizados em três escolas da capital paulista: EE Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, EMEF João XXIII e EMEI Professor Benedicto Castrucci). Segundo o Censo Escolar, atualmente 27% dos alunos matriculados em classes comuns do ensino regular recebem esse apoio. Se a implantação das 15 mil novas salas prometidas para este ano de fato ocorrer, o atendimento alcançará mais de 50% das matrículas - em números absolutos, cerca de 190 mil estudantes.
Trabalho não se confunde com atividades de reforço escolar

Diferentemente do que muitos pensam, o foco do trabalho não é clínico. É pedagógico. Nas salas de recursos, um professor (auxiliado quando necessário por cuidadores que amparam os que possuem dificuldade de locomoção, por exemplo) prepara o aluno para desenvolver habilidades e utilizar instrumentos de apoio que facilitem o aprendizado nas aulas regulares. "Se for necessário atendimento médico, o procedimento é o mesmo que o adotado para qualquer um: encaminha-se para um profissional da saúde. Na sala, ele é atendido por um professor especializado, que está lá para ensinar", diz Rossana Ramos, especialista no tema da Universidade Federal de Pernambuco.

Os exemplos de aprendizagem são variados. Estudantes cegos aprendem o braile para a leitura, alunos surdos estudam o alfabeto em Libras para se beneficiar do intérprete em sala, crianças com deficiência intelectual utilizam jogos pedagógicos que complementam a aprendizagem, jovens com paralisia descobrem como usar uma prancheta de figuras com ações como "beber água" e "ir ao banheiro", apontando-as sempre que necessário. "Desenvolver essas habilidades é essencial para que as pessoas com deficiência não se sintam excluídas e as demais as vejam com normalidade", diz Maria Teresa Mantoan, docente da faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma das pioneiras no estudo da inclusão no Brasil.
Foto: Marina Piedade
HORA DE CONTAR Alunos com deficiência intelectual estudam numeração associando placas
a faces do dado
Também vale lembrar que o trabalho não é um reforço escolar, como ocorria em algumas escolas antes de a nova política afinar o público-alvo do AEE. "Era comum ver nas antigas salas de recursos alunos que apresentavam apenas dificuldade de aprendizado. Hoje, a lei determina que somente quem tem deficiência, transtornos globais de desenvolvimento ou altas habilidades seja atendido nesses ambientes", afirma Maria Teresa. Com o foco definido, o professor volta a atenção para o essencial: proporcionar a adaptação dos alunos para a sala comum. Cada um tem um plano pedagógico exclusivo, com as atividades que deve desenvolver e o tempo estimado que passará na sala.

Para elaborar esse planejamento, o profissional da sala de recursos apura com o titular da sala regular quais as necessidades de cada um. A partir daí (e por todo o período em que o aluno frequentar a sala de recursos), a comunicação entre os educadores deve ser constante. Se o docente da turma regular perceber que há pouca ou nenhuma evolução, cabe a ele informar o da sala de recursos, que deve modificar o plano. Outra atitude importante é transmitir o conteúdo das aulas da sala regular à de recursos com antecedência. "Se a turma for aprender operações matemáticas, é preciso preparar o aluno com deficiência visual para entender sinais especiais do braile", exemplifica Anilda de Fátima Piva, professora de uma sala de recursos na EMEF João XXIII, em São Paulo.
=== PARTE 2 ====
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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Joni Eareckson Tada Speaks at the 2013 NRB Convention


Trailer Legendado do Filme Joni


AUTISMO NA PERSPECTIVA DA NEUROCIÊNCIA

A Neurociência engloba várias áreas do conhecimento, tais como biologia, psicologia, antropologia, física, medicina, farmacologia, que se debruçam sobre as funções e disfunções do sistema nervoso (SN), bem como sua estrutura e desenvolvimento. A forma como o corpo interage com o SN e com o meio determina nossos comportamentos, entendendo por estes tudo aquil...o que fazemos (Ex: comer, dormir, pensar, brincar, escrever). Desta forma, a Neurociência busca desvendar o desenvolvimento humano, bem como seus desvios, numa perspectiva filogenética (processo evolutivo da espécie), ontogenética (processo evolutivo individual) e sócio-histórica.
As informações do mundo físico e social são processadas através dos cinco sentidos (tato, gustação, olfato, audição e visão), do sistema vestibular (equilíbrio) e das sensações dos músculos e articulações (propriocepção). Através das sinapses (comunicação entre os neurônios, as células que representam a unidade básica do SN) o impulso nervoso conduz as informações.
Muitas e longas redes neurais, cada qual com sua função e em combinação com outras redes podem ser acionadas quando exibimos determinado comportamento. Estas redes mudam se estamos falando de uma criança de 3 ou de 10 anos, se consideramos um comportamento que estamos aprendendo ou uma ação automatizada, se a ação é com uma ou ambas as mãos, se estamos de olhos fechados ou abertos...sim, as representações neurais, bem como as relações entre cérebro e comportamento são muito complexas, mas extremamente instigantes para alguém como eu (Formada em Farmácia, trabalhando como artista plástica, concluindo a psicopedagogia e com um filho com autismo...muitas inquietações para uma única pessoa
Os dois hemisférios cerebrais e o cerebelo (estrutura do SN central relacionada à funções motoras e cognitivas) são especializados em complexas funções e podem ter um padrão de funcionamento alterado se há uma lesão ou quando se desenvolve de um modo atípico. Um desvio pode originar outro desvio.
As hipóteses que a Neurociência tem levantado para o autismo contribuem, em especial, para o fim da cultura da subjetividade na etiologia do autismo. Alterações morfológicas e funcionais dos Neurônios, no Córtex Cerebral (substancia cinza que reveste o cérebro com circuitos altamente complexos encarregados de funções primordiais), em estruturas que conectam os dois hemisférios cerebrais, no Sistema Límbico (estruturas relacionadas ao comportamento emocional e social) e no cerebelo são objeto de pesquisas em autismo e podem, no futuro, contribuir para novos caminhos em prevenção, diagnóstico e tratamento.
Atualmente, muito me interesso por um conhecimento mais profundo sobre a Práxis (Planejamento Motor) e a Comunicação, que pertencem a área neurocomportamental e estão relacionadas a cognição. Esta relação parece ficar mais nítida em crianças com transtornos do desenvolvimento onde dispraxia, disfasia, TDA e comportamentos autísticos são frequentemente comorbidades. Meu filho tem sido investigado para dispraxia entre outras possibilidades(“syndrome mix”) E minha dúvida quanto ao “mais nítido” diz respeito a diferença entre: “O que a criança sabe?” e “Quanto ela consegue demonstrar do seu conhecimento a despeito das suas limitações?” Eis a pergunta-chave para potencializar o aprendizado das crianças com autismo.
Entendo que é necessário diminuir barreiras e criar pontes.
E me arrisco a sugerir apoiar este aprendizado em quatro pilares fundamentais:
1) Usar de Tecnologia Assistiva (Em especial comunicação aumentativa ou alternativa) 2) Promover a Regulação Emocional (sentir-se seguro e aceito através do outro) 3) Utilizar Estratégias Comportamentais (Sentir-se competente através de uma estratégia de ensino eficaz e do adequado manejo dos comportamentos indesejados) 4) Trabalhar o Corpo (Circuitos Motores dando enfoque às Funções Executivas, em atividades do Cotidiano, em terapias que promovam novas experiências motoras)
Parece até uma prescrição...mas não é. Existe muito trabalho por trás disto. Mas me esforço para tornar tudo mais objetivo e funcional possível.
A verdade é que muito do que se sabe hoje sobre neurocomportamento (e por incrível que pareça, é pouco!) deve-se ás observações de disfunções em adultos. Isto poderia levar á equívocos ao observar uma criança, pois as redes neurais e a conectividade passam por mudanças na estrutura e no funcionamento durante a ontogênese . E isto se deve principalmente aos estímulos do AMBIENTE! Sendo assim, mãos à obra, pois não há tempo a perder.

Claudia Zirbes

Referências: Njiokiktjien, Charles. DEVELOPMENTAL DISORDERS AND RELATED MOTOR DISORDERS.2007
Blog da Marie: "umavozparaoautismo.blogspot.com"

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

+ tolerancia + amor no LABORATORIO DE INCLUSAO!!Vejam ai!!!

Publicado em por
Feliz Natal 2013
Desejamos a você mais tolerância com as diferenças e mais amor nas atitudes. No natal ouvimos frases como “o natal existe e ninguém é triste e que no mundo há sempre amor” ou “seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem”. Então vem a realidade. Pessoas sofrendo pelas violências nas ruas, o mundo em guerras., concentrações de renda, aumento da pobreza, da fome, do racismo, dos preconceitos. Uma paz que ainda não veio.
Por que repetimos as mesmas frases, todos os anos, mesmo sabendo que ainda não são reais? Somos teimosos ou incoerentes? Somos incansáveis ou acomodados? A tolerância com as diferenças humanas pode mudar o mundo, melhorar as pessoas, as vidas. Precisamos de mais amor, mas o amor só tem sentido com atitudes. Precisamos cantar o natal, mas também precisamos ter atitudes para melhorar o mundo. Assim poderemos um dia cantar a verdade e não a mentira.
Aqueles que fazem a diferença, que fazem sua parte, por atitudes de solidariedade, respeito e amor, podem cantar pelo menos que o natal existe porque não desistiram de lutar, porque continuam sonhando em ser feliz. Acreditar em um mundo melhor só tem sentido quando permitimos ter atitudes de generosidade com outras vidas. A paz, afinal, está dentro de cada um e é refletida através de nossas atitudes por um mundo melhor.

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Mensagem de Natal - Fenapaes


Mensagem Natalina

Missa em libras e rampas no altar levam acessibilidade a Alfenas, MG

 Missa em libras e rampas no altar levam acessibilidade a Alfenas, MG. Intérprete traduz celebrações para fiéis com deficiência auditiva. Rampas foram construídas para cadeirantes e deficientes físicos *

Exemplos diferentes de acessibilidade são práticas constantes na Paróquia de São Sebastião e São Cristóvão em Alfenas (MG). As missas são traduzidas em libras, ou seja, na linguagem dos sinais. Além disso, rampas foram construídas na igreja e cadeirantes e deficientes físicos podem participar das missas e cerimônias na igreja.

O estudante Wladimir Batista é deficiente auditivo e depois que a tradutora Nathália Greck passou a atuar na paróquia, ele teve mais facilidade de compreender o significa do que é passado. “Ela traduz e eu consigo entender melhor as orações, as canções e isso aumentou minha fé”, disse para a professora, que traduziu.

Thamires Passos já frequentava a paróquia, mas antes da chegada da intérprete de livras, tinha dificuldades para entender as missas. “Agora eu consigo até mesmo aprender mais sobre a religião católica e sobre os santos”, comentou a estudante.

Ponto para a intérprete, que está satisfeita com o trabalho realizado. “Eu recebi o convite do padre André Aparecido da Silva e aceitei. No início as pessoas não entendiam o que eu fazia, o que é uma reação normal, mas com o tempo entenderam a necessidade de promover esse tipo de acessibilidade”, lembrou.

Para ele, as intervenções tornaram a igreja um espaço mais democrático e acolhedor. “Aqui as diferenças não excluem, elas aproximam”, completou.

Entretanto, não apenas os deficientes auditivos que foram beneficiados pela acessibilidade. De acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado em 2012, pelo menos 23,9% de toda população do país tem algum tipo de deficiência e o padre, observando que alguns fiéis não podiam participar de todas as cerimônias por causa dos degraus resolveu adaptar a igreja.

A Paróquia recebeu então duas novas rampas do lado de fora e uma removível no altar, para que cadeirantes e deficientes físicos consigam participar ativamente das atividades da igreja, como a ministra da eucaristia, Áurea Alves. “Agora eu posso ajudar na comunhão, já que a cadeira de rodas recebeu uma adaptação para que eu possa distribuir o vinho”, disse.
fonte: G1 - 24/12/2013

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domingo, 22 de dezembro de 2013

O Come, Emmanuel - Christmas Version - ThePianoGuys


Playboy - 20P


http://maragabrilli.com.br/federal/mara-na-midia/2261-playboy-20p 

Mara Gabrilli é a entrevistada da coluna 20P da revista Playboy de Dezembro. A deputada federal fala sobre o acidente que a colocou numa cadeira de rodas, sexo, viagens de ácido, política, o caso Celso Daniel e as possibilidades de se tornar presidente do Brasil
1. O que de pior passou pela sua cabeça depois do acidente de carro que a fez ficar tetraplégica?
Os primeiros medos, que eram os mais assustadores, foram os de me tornar uma pessoa totalmente dependente dos meus pais e de não poder mais fazer sexo. Por isso rolou sexo já na UTI. Eu estava com esse medo, e aí resolvi testar, né? (Risos)
2. Foi uma boa surpresa?
Foi uma ótima surpresa! Existe uma crença de que, quando se sofre um acidente desses, seu “organismo” desliga e fica assim pra sempre. Então, quando vi que eu teria sensações diferentes, que eu ficava lubrificada, aquilo me deu um puta alívio. Tudo que sinto no meu corpo, sinto de outro jeito. São outros nervos que me trazem informação. É curioso. O orgasmo antes do acidente era um gráfico assim (faz com a cabeça um movimento de sobe e desce), e agora fica assim, só no topo...
3. Uow! É melhor, então?
É diferente. A intensidade muda. Muda o tesão, a sensibilidade na pele, a sensibilidade por dentro. Mas essa intensidade é subjetiva. Não está ligada à condição física. Ela vem de outra forma. Minha libido aumentou porque me sinto muito mais madura. Olha, agora não estou namorando, mas estava até outro dia, e ficava diariamente pensando em sexo.
4. Como é a vida de solteira de uma cadeirante? Como são as abordagens?
Acho que já rola de cara uma boa seleção. É mais difícil para os homens. Eles ficam rodeando, tentando entender o que rolando...
5. Depois de quase 20 anos do seu acidente, você ainda sonhar em voltar a andar?
Não tenha dúvida. Faço exercícios de segunda a segunda para manter meu corpo pronto. Quero correr uma maratona. (Risos)
6. Você acha que a evolução da medicina pode ajudar?
Atualmente, existe muita coisa de neuroprótese, de implantar chip etc. No caso de uma lesão medular, isso está mais próximo da gente do que a questão das células-tronco embrionárias. , a gente falando de célula criada in vitro, numa clínica de fertilização, e que os óvulos inviáveis (para a fertilização) serão congelados e provavelmente irão para o lixo um dia! Ficar brigando para que isso não aconteça? Se você for tão contra, é só não usar. É como o cara que é Testemunha de Jeová e não faz transfusão de sangue. Ele não faz e a gente respeita, mas você vai impedir o avanço da humanidade por causa de crenças muitas vezes ignorantes?
7. No livro Depois Daquele Dia, você relata algumas experiências com drogas antes do acidente. Como as drogas entraram na sua vida?
Quando eu tinha uns 20 e poucos anos, era uma coisa bem normal. Você chegava a uma festa e alguém acendia um baseado. Eu fazia duas faculdades e morava com minha avó. Fumava ao lado dela e ela nem notava. (Risos) Era tudo muito propício. Mas imagina hoje? Fumar um baseado e ir para o plenário? Acho que não ia rolar. E cocaína, eu me lembro das primeiras vezes que cheirei... Me dava prazer, queria mais. Mas, em determinado momento, vivi uma má experiência com um namorado, que usava muito. Parei para salvá-lo, e acabei salvando, também, a mim mesma.
8. Como ficou sua relação com as drogas depois disso?
Continuei usando um baseadinho, assim, de vez em quando. Mas uma vez (já tetraplégica) tomei um ácido e meu corpo começou a tremer dos pés à cabeça. O corpo ficou tenso, todo reto, e eu parava em pé na piscina! Foi o máximo, porque praticamente conseguia levantar o braço. Supergostoso. Mas depois a viagem não passava. Meu coração ficou acelerado e comecei a ficar com medo de ter um treco. Hoje só tomo vinho.
9. E fica bêbada?
Na cadeira de rodas é mais elegante, né? Você não perde a compostura, não sai por aí trançando as pernas. E outra: você sabe que vai sair carregada de qualquer jeito. (Risos) Falando sério, não fico bêbada, não. Comecei a tomar vinho por conta do frio que sentia. Quando estou com muito frio, é um elixir.
10. Antes do acidente, passava pela sua cabeça entrar para a política?
Nem antes nem depois. Eu achava que não tinha perfil. E que política era a coisa mais chata do mundo. Daí minha mãe começou a insistir: “Você seria bem votada, e tudo que você faz pela sua ONG (Projeto Próximo Passo) e pelo instituto (Mara Gabrilli), você conseguiria fazer muito mais!” Então comecei a refletir que eu já fazia política. Quando se é militante, presidente de ONG, você tende a procurar um culpado, e para mim o culpado sempre foi o governo. Só que, quando assumi a Secretaria da Pessoa com Deficiência, me vi dentro do governo. Foi a questão mais complexa que tive de administrar. Ficava pensando: “E agora, quem é que vou xingar?”
11. Você sofreu preconceito no Congresso por ser cadeirante?
As pessoas sempre olham. Mas não encaro isso como preconceito. Eu mesma olho. Se não me segurar, vou lá e pergunto: “Ei, por que você está numa cadeira de rodas?” Acho que, como vereadora de São Paulo, na Câmara Municipal, sofria muito mais preconceito por ser mulher do que por ser uma pessoa com deficiência.
12. Como acontecia?
Eles, os vereadores, não tinham muita disponibilidade. Depois fui entender todo o percurso, o porquê de eles não gostarem de ouvir. Não era só porque eu era mulher. Não gostavam de ouvir porque não queriam mudar o estado das coisas.
13. Essas atitudes fazem parte do “ranço de mesquinharia” de que você fala no livro?
Muitos vereadores ficam prestando atenção no que você vai fazer para não deixar que você faça. Isso é o fim do mundo! E isso pode acontecer dentro da sua própria bancada. É como se você concorresse com cada vereador. Tem muita gente ali olhando para o próprio umbigo.
14. Já faz quase dez anos que você está na política. Rola muita corrupção?
Dá para saber que rola, mas nunca ninguém teve a coragem de me fazer uma proposta indecorosa. Os vereadores iam ao meu gabinete, falavam, falavam... E não falavam nada. Acho que iam para sondar. Mas esse negócio de ver dólar rolando, nunca vi.
15. Sua família era dona de empresa de ônibus no ABC paulista (SP) e foi diretamente envolvida no caso Celso Daniel, prefeito de Santo André assassinado em 2002. (Luiz Alberto Gabrilli, pai de Mara, disse que era obrigado a pagar propina para que sua companhia pudesse funcionar.) Qual é a sua expectativa sobre a conclusão desse caso?
Essa é uma dívida que a gente tem com o país. Todos os réus foram julgados, mas falta julgar o mandante, que é o Sérgio (Gomes da Silva) Sombra. Eu procurei o ministro (do STF) Marco Aurelio (Mello), que é relator do processo. Cabe a ele o começo do julgamento. Não estou pedindo para condenar, e sim para julgar.
16. Foi por causa dessa história toda que você decidiu se filiar ao PSDB?
Foi pelo (José) Serra. Eu o conheci porque era amiga da filha dele (Verônica Serra). Mas, por causa disso tudo, eu já não gostava do PT de jeito nenhum.
17. O que você acha da disputa entre ele e o Aécio Neves pela candidatura presidencial em 2014?
Admiro o Serra, acho-o muito competente. O Aécio, conheço menos, mas simpatizo com ele. É um cara inteligente, sério, que tem possibilidades de ser um bom presidente. Mas quem sou eu para preferir um ou outro? Deixa os dois se digladiarem. (Risos) Só acho que ambos têm de se respeitar mutuamente. E ambos têm o direito de sair pelo Brasil, de trabalhar, de fazer, de acontecer.
18. E você, já está pensando em 2014?
Minha vida é uma campanha permanente. Trabalho o dia inteiro para as coisas melhorarem. E, olha, posso publicar tudo o que faço, prestar conta para as pessoas... Aparentemente, vou me candidatar a deputada federal, mas aceito novas sugestões e ideias. (Risos)
19. Aceitaria disputar um cargo executivo?
No momento não penso em cargo executivo. Mas vamos ver o que acontece. Gosto de mudar.
20. O Brasil está pronto para ter uma presidente cadeirante?
Olha, o Brasil não está preparado para o cadeirante. O país precisa ficar muito melhor para todos eles, independentemente do cargo. Mas sei que eu estou pronta! (Risos)