sábado, 8 de setembro de 2012

Daniel Dias ganha 5º ouro e bate recorde mundial nos 50 m borboleta

Daniel Dias comemora vitória nos 50 m borboleta
O nadador Daniel Dias não para de acumular recordes. Brasileiro com mais medalhas de ouro e pódios em Jogos Paraolímpicos, ele venceu os 50m borboleta em Londres, nesta sexta-feira, com direito à melhor marca da história da prova, com o tempo de 34s15.

Daniel Dias comemora vitória nos 50 m borboleta
O paratleta paulista já soma cinco medalhas douradas em 2012. Ao todo, são 14 pódios em dois Jogos, incluindo nove ouros.
Nesta quinta, ele já havia se tornado o maior atleta paraolímpico da história do Brasil, ao vencer a prova dos 50m costas, classe S5, também com recorde mundial, superando a coleção de premiações do nadador Clodoaldo Silva e da velocista Ádria Santos.

FOLHA DE SP


Foto Suzanne Plunkett/Reuters






Bad boys fazem a fama da “bola assassina”

Eddie Keogh/ Reuters / Cara de mau: britânico David Anthony incorpora o estilo do rúgbi em cadeira de rodas



GAZETA DO POVO
 
Ao som de rock e com contato liberado, os choques são frequentes na modalidade mais violenta dos Jogos



Londres - Cabelo moicano pintado de azul, tatuagem no braço e cara de mau. Ao olhar para David Anthony na Paralimpíada, dá para imaginar que ele está em um esporte “barra pesada”. E está mesmo. O britânico é um dos atletas do rúgbi em cadeira de rodas, a modalidade mais violenta dos Jogos.

A disputa – criada na década de 1970 no Canadá – é popularmente conhecida como “murderball” (“bola assassina”), o que dá ideia das características das partidas. No jogo, o objetivo é levar a bola à área de gol adversário. Para atacar e defender, o choque entre as cadeiras de rodas é totalmente liberado, ao melhor estilo carrinho bate-bate dos parques de diversão.


Uma equipe de manutenção sempre fica a postos à beira da quadra para consertar possíveis danos nos equipamentos. Ontem, por exemplo, na vitória do Japão sobre a Grã-Bretanha, os assistentes tiveram que entrar três vezes na área do jogo para trocar as rodas de cadeiras de jogadores do time asiático.

“O esporte é de contato total. A cadeira absorve um pouco o impacto, mas você ainda sente. Se um atleta acha que a partida é muito dura, melhor não jogar”, diz o capitão britânico Steve Brown. “Eu não penso em nada. Só entro em quadra e dou tudo de mim lá”, emenda o moicano Anthony.

O rúgbi foi uma das modalidades cujos ingressos foram esgotados rapidamente antes da Paralimpíada. Na arena onde as partidas são realizadas, no Parque Olímpico, o público é convidado a entrar no clima das disputas acirradas. O que predomina no sistema de som é o rock pesado. A única música pop é de Michael Jackson: “Bad” (Mau). Poderia ser outra?

Nem tudo é só impacto no esporte. O jogo exige muita habilidade, afinal é preciso usar a cadeira para desviar dos oponentes. Além disso, a velocidade é outra característica. As equipes têm apenas 12 segundos para passar, pelo menos, do meio da quadra. Ao todo, a jogada pode durar, no máximo, 40 segundos. Não há tempo para enrolação.

O Brasil não teve um time em 2012. No entanto, na Rio-2016, como país sede, a vaga está garantida. Oportunidade para homens e mulheres, já que, por incrível que pareça, a modalidade é mista. A britânica Kylie Grimes é uma das duas únicas mulheres em Londres. “Eu sempre digo para eles: podem bater [com a cadeira] o mais forte que puderem. Eu aguento”, responde ela, ao melhor “estilo rúgbi de ser”.

*O jornalista viajou a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro

Adaptar-se á mudanças....

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Quem serão analfabetos do século 21?


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É Bi na bocha!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Mãe de brasileiro que venceu Pistorius fala da dificuldade de conseguir próteses no SUS

A mãe do para-atleta brasileiro Alan Fonteles afirma que conseguir próteses pelo SUS (Sistema Único de Saúde) foi uma das maiores dificuldades enfrentadas durante a infância do campeão paraolímpico dos 200 m.

Folha SP

"A primeira prótese que ele teve, aos nove meses, nós tivemos que comprar. As outras, conseguimos pelo SUS", disse Cláudia Fonteles.
"Era muito difícil. Tem dias que não gosto nem de me lembrar. Mas Alan sempre me diz: 'Mãe, o passado é o passado, o importante é agora. Tanto eu ensinei para ele quanto aprendi.'"
Fonteles, que no último domingo venceu o favorito Oscar Pistorius e levou o ouro nos 200 m rasos, correu até os 13 anos de idade com as próteses de madeira que usava para caminhar.


Julian Stratenschulte - 2.set.12/Efe
O brasileiro Alan Fonteles (à esq.) ultrapassa o sul-africano Oscar Pistorius nos metros finais dos 200 m
O brasileiro Alan Fonteles (à esq.) ultrapassa o sul-africano Oscar Pistorius nos metros finais dos 200 m
O atleta paraense, de 20 anos, começou a correr aos 8 anos em um projeto de iniciação esportiva ligado ao governo do Pará.
Sua primeira treinadora, Suzete Montalvão, disse que ficou "assustada" e "preocupada" ao ouvir da mãe de Alan o pedido para que treinasse o menino. "Aquilo era novo para mim. Nunca tinha treinado um atleta paraolímpico."
Montalvão, que acompanhou Alan até o fim do ano passado, quando ele se juntou à equipe permanente paraolímpica, diz que foi preciso adaptar os movimentos do atleta às próteses de madeira. Por causa da falta de flexibilidade dos membros, ele tinha que correr com as pernas mais abertas.
"É muito difícil, imagine correr com uma perna de pau. Mas trabalhávamos com o que tínhamos, isso não podia ser um fator de desestímulo para ele. Eu tinha que mostrar que ele podia fazer o melhor para ele com essa condição", disse.
"Muitas vezes ele sangrava na hora do treinamento, mas ele sempre dizia para continuarmos. Me doía o coração, mas era da condição dele mesmo. O atleta olímpico também trabalha em cima da dor."


Stefan Wermuth/Reuters
O brasileiro Alan Fonteles (à dir.) posa com a medalha de ouro ao lado do sul-africano Oscar Pistorius, prata
O brasileiro Alan Fonteles (à dir.) posa com a medalha de ouro ao lado do sul-africano Oscar Pistorius, prata
*'PREOCUPAÇÃO DE MÃE'
A dona de casa Cláudia Fonteles, de 39 anos, foi quem pediu a Suzete Montalvão que treinasse Alan para ser um atleta. No entanto, ela disse que foi convencida a deixá-lo correr.
"Os meninos próximos a ele, amigos e vizinhos, já corriam e ele começou a insistir que queria ir para o atletismo, mas eu não queria deixar. Era preocupação de mãe", disse ela à BBC Brasil.
"Mas o vizinho veio falar comigo e disse que seria bom para ele. Aí nós fomos na escolinha de educação física e ele começou."
Nascido em Marabá, Alan Fonteles teve uma septicemia - infecção geral no organismo - causada por uma infecção intestinal, aos 21 dias de vida. Por causa disso, ele teve as duas pernas amputadas acima do joelho ainda bebê.
Além da fisioterapia diária até os três anos de idade, para aprender a andar, ele também praticou natação durante a infância, por recomendação médica.
"Ele é um menino que não reclama, que 'fica na dele'. Não se queixava de dificuldades", disse a mãe.
"Sempre acreditei nele, nunca tive medo de ele cair ou se machucar."
Segundo Suzete Montalvão, o apoio familiar foi determinante na trajetória do medalhista olímpico. "Um dos maiores problemas que temos para treinar crianças com deficiências é que as famílias não acreditam que eles conseguem fazer as atividades", disse.
"A família do Alan foi diferente. A mãe dele é uma guerreira, o levava para os treinos e sempre o acompanhou."
VONTADE
Fonteles tornou-se um dos nomes mais conhecidos dos Jogos Paraolímpicos de Londres, após uma arrancada na final dos 200m e as críticas do atleta sul-africano, que disse que suas próteses eram "altas demais".
Nesta segunda-feira, Oscar Pistorius pediu desculpas por ter feito os comentários sobre as próteses de Fonteles no final da corrida, mas manteve o questionamento.
O Comitê Paraolímpico, no entanto, voltou a afirmar que o equipamento do brasileiro está dentro dos padrões dos Jogos e que ele é, de fato, o campeão da prova.
"Ele (Oscar Pistorius) quer questionar, é do direito dele, mas o Alan está dentro dos padrões e das regras. Alan cresceu, não é mais o menino de Pequim. Ele é um homem. Por isso as próteses dele têm que acompanhar o crescimento, biomecanicamente. Se os ossos do corpo cresceram, os ossos da perna também tem que ser maiores", afirmou Suzete Montalvão.
"Alan ganhou do Pistorius na raça, na vontade, por causa da técnica dele e do treinamento."
O paraense havia conquistado uma medalha de prata no revezamento 4x100m nas Paraolimpíadas de Pequim 2008, a prata nos 200m e o bronze nos 100m nos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara 2011 e o bronze nos 100m no Mundial de Christchurch, em 2011.
"Ele sempre falava que o sonho dele era ir nas Olimpíadas e que ele iria. Desde pequeno", afirmou Cláudia Fonteles.
A disputa da final dos 200m rasos foi assistida pela família de Alan Fonteles em casa, na companhia de amigos, colegas e vizinhos.
"É uma emoção muito grande, não consigo nem explicar", disse a mãe do para-atleta, com a voz embargada, ao telefone.
Depois de conquistar a medalha, Alan falou com a família. "Falei para ele que eu amava muito ele e ele agradeceu por tudo que a gente já passou. Foi isso. Não tem muito mais o que dizer."
Já Suzete Montalvão preferiu assitir a prova decisiva em sua própria casa, "quietinha".
"Na sexta-feira à noite eu conversei muito com ele, fizemos uma retrospectiva da vida dele, das dificuldades pelas quais passamos aqui em Belém. Disse que ele sabia onde queria chegar, agora era só mostrar que veio para ficar."

Estreante ‘bate na trave’ no salto em altura

Com a perna amputada aos 15 anos, paranaense é quinto colocado uma década depois, em sua primeira competição internacional
 
Gazeta do Povo



Londres - O paranaense Flávio Reitz relutou, mas quando se rendeu ao salto em altura paralímpico mostrou ser o melhor do país na classe F42. Nessa segunda-feira (3), ele participou da final da modalidade e terminou em quinto lugar nos Jogos de Londres, nesta que foi a estreia dele em competições internacionais.
Kerim Okten/ EFE / Flávio Reitz melhorou sua marca, mas ficou fora do pódio“Eu treino na modalidade há apenas um ano e meio. Esta foi minha primeira Paralimpíada, foi a minha primeira convocação para a seleção, minha primeira viagem para fora do país”, enumera o atleta de 25 anos. “Nunca fiquei tão ansioso na minha vida como no dia da final. Não dormi, não almocei direito. Nervosismo de quem está nos Jogos e quase não acredita”, complementa.
Olho na medalha
A halterofilista Márcia Menezes, de Londrina, disputa hoje sua prova na Paralimpíada de Londres e terá de se acostumar com um ambiente diferente. Assim como quase todas as sedes olímpicas, o ginásio da modalidade na Arena Excel tem ficado lotado durante os dias de competição, o que não é usual nas disputas do esporte. “No último Parapan, em Guadalajara [México], tinha pouco público. É algo surpreendente, estou encantada. Nunca vi tanta gente para nos ver competir”, conta. Serão os primeiros Jogos da atleta de 44 anos, que disputa a categoria até 82,5 kg. Com paralisia na perna direita, Márcia já buscou, sem sucesso, a vaga paralímpica na natação e no arremesso de peso. Foi no halterofilismo, que começou a praticar há quatro anos, que alcançou o objetivo. “Eu tenho recorde brasileiro, estou em terceira no ranking mundial e minha meta aqui é brigar por pódio”, diz.
Natural de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, Reitz teve de amputar a perna esquerda por causa de um tumor no fêmur (maior osso do corpo humano), descoberto aos 15 anos de idade. Na cidade natal, ele praticou handebol em cadeira de rodas, antes de se mudar para Itajaí (SC), onde iniciou, de fato, o contato com o atletismo.
No entanto, ele “teimou” em não ir para o salto em altura. Apesar de mostrar facilidade em pular pequenos muros e cadeiras somente com a perna direita, ele começou no arremesso de peso e no lançamento de dardo. “Minha técnica [Luci de Barros] me incentivou a praticar essa prova diferente para amputados. Ela viu [o esporte] em um vídeo e ficou me provocando, me instigando a praticar os saltos. Eu fiquei meio relutante, mas, com o tempo, ela me dobrou”, relembra.
E a aposta foi certeira. Com pouco tempo de prática, Reitz tornou-se o destaque do país em uma das modalidades mais complicadas disputada pelos paratletas no atletismo. Com uma perna, eles precisam coordenar a corrida, a impulsão e o posicionamento do corpo para superar o obstáculo. “Salto em altura é complicado. Já com as duas pernas, é difícil tecnicamente. Como uma perna só, é muito mais, mas estou aí dando a cara para bater”, diz o atual recordista brasileiro.
A melhor marca pessoal de Reitz era de junho deste ano: 1,65 m. Em Londres, ele melhorou e alcançou o salto de 1,68 m. Valeu, segundo ele, a experiência para poder brigar pelo alto do pódio no Rio, em 2016. “Vim para aprender com o ambiente, a estrutura, as pessoas. Saio daqui acreditando que é possível [ser o melhor do mundo]. Meus adversários são fortes, mas com mais treino acho que posso superá-los. Vou tentar ganhar em casa daqui a quatro anos”, projeta Reitz que, agora, terá um ciclo paralímpico completo antes dos Jogos no Brasil.
O ouro da prova foi para as Ilhas Fiji (Illiesa Delana). Girisha Nagarajegowda (Índia) e Lukasz Mamczarz (Polônia) completaram o pódio. Todos pularam 1,74 m.
* O jornalista viajou a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro

domingo, 2 de setembro de 2012

Quem foi Shrek?


Shrek vivia na França e foi conhecido como Maurice Tillet. Nasceu em 1903, era um homem muito inteligente, que falava 14 idiomas, além de ser um exímio poeta e ator.Quando chegou à juventude, Maurice começou a desenvolver uma doença rara, chamada acromegalia. Esta doença causa um crescimento exagerado e incontrolável de partes do corpo. Em pouco tempo, todo o seu corpo se desfigurou de uma maneira
 muito peculiar. Na verdade, esta “transformação” afetou profundamente os aspectos psicológicos da personalidade de Tillet, que sofreu os horrores de começar a transformar-se de uma maneira grotesca, apesar de por dentro continuar a ser um gentleman super inteligente. A sua forma gerava tanto preconceito que Tillet começou a ser expulso dos lugares que freqüentava e onde antes era bem recebido. Não podendo lutar contra a doença, Maurice começou a adaptar-se a ela, adquirindo um rol de comportamentos mais adequados à sua grotesca aparência. Tillet tirou proveito das suas aptidões como ator. Foi para os EUA e tornou-se um profissional da Luta livre tendo adoptado o nome (e comportamento teatral) do “Assutador ogro do ringue”, cuja personagem (chamada “o anjo francês do ringue”) adquiriu fama imediata nas platéias. Com o avançar da doença, Tillet acabou por se tornar um recluso, embora ainda tivesse alguns amigos. Um deles foi o empresário Patrick Kelly, que visitava Tillet para jogarem partidas de xadrez. No ano de 1954, aos 51 anos, Tillet morre de problemas cardíacos. Um de seus poucos amigos, Bobby Managain, um antigo campeão da luta livre, estava a seu lado no dia em que ele se foi. Antes que Tillet morresse, Bobby pediu-lhe se poderia fazer um lifecast (uma máscara mortuária, uma prática comum até o século XIX e que com o tempo saiu de moda, mantendo-se hoje apenas no campo dos efeitos especiais), Tillet concordou e assim, após a sua morte, Bobby fez três cópias da cabeça de Tillet em gesso. Uma delas foi parar ao Museu Barbell de York. Outra das máscaras ficou no escritório de Patrick Kelly e a última foi oferecida por ele para o Museu Internacional da Luta Livre, em Iowa. Posteriormente, uma das máscaras foi duplicada e foi parar ao Museu Internacional da ciência cirúrgica em Chicago. Uma outra réplica da máscara mortuária de Maurice Tillet foi parar no Hall of Fame do York Barbell Building. A réplica de Tillet serviu para mostrar os primórdios das formas da luta livre moderna e do alterofilismo. Foi esta réplica que serviu de modelo para a construção de Shrek. O corpo de Shrek, bem como sua cabeça, foram criados tomando como referência as formas de Tillet.


Pensar e perceber diferente do que se vê...