segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Postado por: Deficiente Ciente Categoria(s): Postado: Quarta-feira, Outubro 21, 2009
Durante essa semana, estava lembrando do meu primeiro dia de aula após o meu acidente. Estava na quinta série e tinha onze anos de idade. A turma de alunos era a mesma do ano anterior, eram todos meus colegas. No entanto, durante o recreio, percebi que a turma estava dividida em grupos e todos me observavam atentamente. O primeiro grupo aproximou-se e perguntou o que tinha acontecido comigo, expliquei o que tinha ocorrido, e logo após, esses alunos se afastaram. O segundo grupo ficou somente observando e nem mesmo aproximou-se. Percebia que esses alunos queriam ficar bem longe de mim. No entanto, tinha um terceiro grupo, e esse grupo era a minoria de alunos. O grupo aproximou-se, prestou solidariedade e me disse palavras de coragem. Contudo, essa minoria, assim como eu, não se enquadrava no corpo “perfeito”, “ideal” cultuada pela sociedade preconceituosa. O grupo era formado de alunos altos, obesos, negros, que de certa forma também sofriam preconceito por parte dos colegas.De acordo com o ensaio “Preconceito e Discriminação como expressões de violência” das professoras Lourdes Bandeira e Anália Soria Batista, “O preconceito, assim, constitui-se em um mecanismo eficiente e atuante, cuja lógica pode atuar em todas as esferas da vida. Os múltiplos preconceitos de gênero, de cor, de classe, etc. têm lugar tipicamente, mas não exclusivamente, nos espaços individuais e coletivos, nas esferas públicas e privadas. Fazem-se presentes em imagens, linguagens, nas marcas corporais e psicológicas de homens e de mulheres, nos gestos, nos espaços, singularizando-os e atribuindo-lhes qualificativos identitários, hierarquias e poderes diferenciais, diversamente valorizados, com lógicas de inclusões-exclusões conseqüentes, porque geralmente associados a situações de apreciação-depreciação/desgraça. O preconceito se contrapõe às qualidades de caráter, como lealdade, compromisso, honestidade, propósitos que afirmam valores atemporais e regras éticas.”Vale lembrar que preconceito é a idéia e discriminação é a idéia colocada em prática. Um exemplo disso foi o que aconteceu comigo. O primeiro e o segundo grupo de alunos praticamente me ignoraram, isso é preconceito. Se um desses alunos me insultasse ou tomasse qualquer outro tipo de atitude pejorativa, isso seria discriminação.Felizmente, naquele momento da minha vida, não me importava com o que meus colegas pudessem estar sentindo em relação a minha deficiência, mas de certa maneira aquela situação me deixava incomodada. O terceiro grupo do qual falei, me deu muita força e me acolheu muito bem, assim como alguns professores e isso me deixou muito feliz. Não sentia que estava sendo bem recebida por parte de alguns professores, pois os mesmos não orientavam a classe, sobre a questão da deficiência e as maneiras de convivência que respeitassem as diferenças. Isso aconteceu na década de 80 e hoje em dia a situação não é muito diferente em algumas escolas. Esse é um outro assunto que abordarei numa próxima oportunidade.A doutora Luciene M. da Silva, em seu artigo “ O estranhamento causado pela deficiência: preconceito e experiência” afirma que:“O corpo marcado pela deficiência, por ser disforme ou fora dos padrões, lembra a imperfeição humana. Como nossa sociedade cultua o corpo útil e aparentemente saudável, aqueles que portam uma deficiência lembram a fragilidade que se quer negar. Não os aceitamos porque não queremos que eles sejam como nós, pois assim nos igualaríamos. É como se eles nos remetessem a uma situação de inferioridade. Tê-los em nosso convívio funcionaria como um espelho que nos lembra que também poderíamos ser como eles.”Infelizmente muitas pessoas pensam dessa maneira, eles não se colocam no lugar do outro, pelo simples fato desse outro representar a fragilidade humana. Se essas pessoas soubessem o que estão perdendo...Atualmente não tenho mais contato com nenhum desses grupos. O primeiro e o segundo já não tinha mesmo, e o terceiro continuamos nossa amizade durante muito tempo, porém devido as correrias do dia-a-dia, mudanças de endereço, perdemos contato. Acredito que esses amigos que me acolheram são pessoas felizes, pois possuem nobreza de espírito, são solidários e generosos. Quanto ao primeiro e segundo grupo, torço para que eles tenham mudado a forma de pensar, torço para que eles valorizem o ser humano não por sua aparência, mas por sua essência, e que dessa maneira possam passar para as gerações vindouras que o respeito ao outro ser humano, independente de sua cor, raça, etnia, características físicas ou intelectuais é uma demonstração de humanidade e de sabedoria.Como disse muito bem o colega Gilberto do Blog Nel Mezzo Del Cammim “Chega de inteligência, o mundo precisa mesmo é de sabedoria!”Texto escrito por Vera (Deficiente Ciente)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Acessibilidade e Turismo de Aventura em sintonia

Programa Aventura Segura oferecerá aos amantes da adrenalina um Manual de Orientações para Acessibilidade em Turismo de AventuraBrasília (25/01/10) Você é um amante de aventura e de práticas ao ar livre e tem alguma deficiência ou mobilidade reduzida? Conte sua experiência e dê sua contribuição para o Manual de Orientações para Acessibilidade em Turismo de Aventura por meio de pesquisa disponível no link http://www.encuestafacil.com/RespWeb/Qn.aspx?EID=639021.O manual, uma ação do programa Aventura Segura, desenvolvido pelo Ministério do Turismo (MTur) em parceria com a Associação Brasileira das
Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (ABETA) e o Sebrae Nacional, pretende estimular as empresas do segmento a implementar recursos de acessibilidade.Os dados levantados junto ao público consumidor farão parte de um capítulo do manual. Por meio da pesquisa básica do consumidor deficiente ou com mobilidade reduzida, será possível levantar informações, como as principais atividades praticadas por esse público e as maiores dificuldades enfrentadas na prática do Turismo de Aventura.
O manual trará também informações sobre empresas e profissionais que oferecem serviços de Ecoturismo e Turismo de Aventura a clientes com deficiência ou mobilidade reduzida. E, ainda, servirá como ferramenta para orientar a adaptação das atividades de aventura com base na Norma Técnica ABNT NBR 15331 – Turismo de Aventura – Sistema de gestão da segurança – Requisitos.A previsão é finalizar o documento ainda no primeiro semestre deste ano. O manual será disponibilizado na íntegra para download no site www.aventurasegura.org.br e a versão impressa será distribuída nos principais eventos do segmento.AVENTURA SEGURA
Criado em 2005, o programa tem o objetivo de qualificar empresas e profissionais de Ecoturismo e Turismo de Aventura. Além disso, são implementadas práticas de gestão de segurança que possibilitam o fortalecimento do segmento e, principalmente, a prevenção de acidentes.O programa já capacitou mais de quatro mil pessoas por meio de oficinas, cursos a distância e presenciais em 13 estados. Além disso, envolveu mais de 100 municípios em suas ações, e dá assistência as 170 empresas participantes da implementação do Sistema de Gestão da Segurança nas operações de Turismo de Aventura.
Mais informações para a imprensa
  • Assessoria de Comunicação do MTurimprensa@turismo.gov.br(61) 2023 7055
  • Siga o turismo no Twitter: www.twitter.com/MTurismoEvandro Dias de SouzaCoordenação Geral de Qualificação e CertificaçãoDepartamento de Qualificação e Certificação e de Produção Associada ao TurismoSecretaria Nacional de Programas de Desenvolvimento do TurismoMINISTÉRIO DO TURISMOSCN Quadra 06 – Bloco A – Sala 1201 – Ed. Venâncio 3000CEP: 70.716-900 Brasília – DFFone: (61) 2023-7611Fonte: Agência Inclusive
  • DEFICIENTE ALERTA foi criado para orientar,educar,protestar e ajudar todos com deficiência. www.deficientealerta.blogspot.com
Finep destina R$ 10 milhões para projetos de inclusão social de deficientes

Tecnologias para inclusão socialA FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, vai apoiar a inclusão social de deficientes com recursos não reembolsáveis no montante de R$ 10 milhões.O chefe do Departamento de Tecnologias Sociais da Finep, Maurício França, informou que a agência de inovação "quer apoiar projetos de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias que auxiliem pessoas com deficiência a ter uma autonomia maior na sua vida."Os projetos deverão ser liderados por universidades e institutos de pesquisa, que poderão se associar a empresas e organizações do terceiro setor. "Mas quem vai tocar esses projetos de pesquisa serão, necessariamente, instituições de ciência e tecnologia, uma vez que se trata de projetos de desenvolvimento de tecnologias inovadoras", ressaltou França.Prevenção das deficiênciasA chamada pública não visa apenas promover a inclusão social de pessoas com deficiências, mas também a prevenir a ocorrência de deficiências de modo geral, sejam físicas, auditivas, visuais, ou intelectuais. Essa prevenção pode ser feita, por exemplo, no desenvolvimento de protocolos e metodologias fisioterápicas."São protocolos inovadores que fazem com que aquela pessoa que momentaneamente esteja com uma deficiência não tenha mais essa deficiência. E você pode também atuar no diagnóstico precoce", disse França.As instituições interessadas devem enviar seus projetos à Finep até o dia 19 de março. A divulgação dos resultados está prevista para o dia 18 de junho. De acordo com o que determina a lei, 30% dos recursos serão destinados a projetos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.Fonte: Inovação TecnológicaDEFICIENTE ALERTA foi criado para orientar,educar,protestar e ajudar todos com deficiência. www.deficientealerta.blogspot.com

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Walter Domingos




Walter Domingos é escritor, com vários livros publicados. Mineiro de nascimento, paranaense por adoção recíproca, mora em Mandaguari.
Sócio fundador do Elos Clube de Mandaguari, da Academia de Letras, Artes e Ciências Centro Norte do Paraná e do Instituto Araucária de Qualidade Ambiental, do qual é presidente.

Poema realizado pelo escritor em homenagem a Zélia ARNS

A ESTRELA MUSA

A maioria das pessoas busca o estrelato,
E sem auto-conhecimento nem sabe o que faz aqui,
Caminha escondendo-se do anonimato,
Buscando um brilho ora cá, ora acolá e ora ali.

Outras são sábias no que fazer da vida,
Não se preocupam com o verbo brilhar,
Tendo certeza de forma ampla... expandida,
Que o valor de existir consiste em amar.

E quando procuram explicação fundamentada,
Para a prática do mais belo sentimento,
Encantam-se e empreendem uma viagem alada,
Na qual nunca encontram dor nem sofrimento.

São os exemplos dos que sabem o sentido de doar,
Que se estendem pela história da humanidade,
Praticando o inverso do verbo tradicional “trocar,”
E sua matéria-prima tem o nome de dignidade.

Não combina com o convencional verbo “orgulhar,”
Pois servir aos semelhantes é ato de bondade,
Sem nenhum fundamento lógico de se vangloriar,
Que vive atrelado com a mesquinha vaidade.

Dona Zilda que suavemente acaba de nos deixar,
É o mais belo exemplo de humano discernimento,
Capaz de nossa esperança fortalecer e renovar,
Dando-nos luz para o verdadeiro comprometimento.

O que fez em vida esta alma de brilho tão especial,
Com sua corajosa e determinada iniciativa,
Renova das pessoas normais a esperança vital,
Em meio a tanta mesquinharia torpe e negativa.

O que fez terá ressonância como a boa semente,
Aquela que foi colocada pelo Criador na Natureza,
Com a missão de se perpetuar e durar eternamente,
Dedicando-se para servir com amor de rara grandeza.

Parabéns família Arns: ascendentes e descentes,
Por compreender de nossa Dona Zilda a abnegação,
Ela é a perene benfeitora de oprimidos inocentes,
Cativando-nos por seu amor e grandiosa realização.

Que tenhamos a grandeza de seguir seus passos,
Sem nenhuma preocupação com o reconhecimento,
Construindo nossa parte em nossos espaços,
Nunca buscando ofuscar outras luzes no firmamento.


Mandaguari - PR, 13 de janeiro de 2010

Walter Domingos


Veja quão sábias palavras, proferidas por Zélia, antes do acidente. Emitem toda a sua visão da necessidade do FUTURO,onde o foco está na INCLUSÃO SOCIAL,sendo a base de toda a sua filosofia nas palavras do grande Mestre JESUS!


Último discurso de Zilda Arns antes de morrer Fantástico 17/01/2010 (Globo)

Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos" significa trabalhar pela inclusão social, fruto da Justiça; significa não ter preconceitos, aplicar nossos melhores talentos em favor da vida plena, prioritariamente daqueles que mais necessitam. Somar esforços para alcançar os objetivos, servir com humildade e misericórdia, sem perder a própria identidade. Cremos que esta transformação social exige um investimento máximo de esforços para o desenvolvimento integral das crianças.
Este desenvolvimento começa quanto a criança se encontra ainda no ventre sagrado da sua mãe. As crianças, quando estão bem cuidadas, são sementes de paz e esperança. Não existe ser humano mais perfeito, mais justo, mais solidário e sem preconceitos que as crianças. Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, devemos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los.

Assista alguns videos no You Tube para conhecer um pouco dessa estrela mor que fará junto de outras estrelas uma constelação!!!

• Zilda Arns-Vida e Tragetória –Pastoral da Criança
• Zilda Arnsas lições de uma brasileira exemplar

Zilda Arns Neumann (Forquilhinha, 25 de agosto de 1934 — Porto Príncipe, 12 de janeiro de 2010) foi uma médica pediatra e sanitarista brasileira.

Irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, foi também fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança[1] e da Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Recebeu diversas menções especiais e títulos de cidadã honorária no país. Da mesma forma, à Pastoral da Criança foram concedidos diversos prêmios pelo trabalho que vem sendo desenvolvido desde a sua fundação.
Índice

* 1 Vida e obra
* 2 Morte
* 3 Fragmentos de um discurso amoroso
* 4 Prêmios e honrarias
o 4.1 Prêmios internacionais
o 4.2 Prêmios nacionais
* 5 Referências

Vida e obra

O casal brasileiro de origem alemã Gabriel Arns e Helene Steiner teve 16 filhos. Zilda, a 13ª criança,[2] nasceu no dia 25 de agosto de 1934, em Forquilhinha, no interior de Santa Catarina. Em 26 de dezembro de 1959, casou-se com Aloísio Bruno Neumann (1931-1978), com quem teve seis filhos: Marcelo (falecido três dias após o parto), Rubens, Nelson, Heloísa, Rogério e Sílvia (que faleceu em 2003 num acidente automobilístico). Zilda Arns era avó de nove netos.

Formada em medicina pela UFPR, aprofundou-se em saúde pública, pediatria e sanitarismo, visando a salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário. Compreendendo que a educação revelou-se a melhor forma de combater a maior parte das doenças de fácil prevenção e a marginalidade das crianças, para otimizar a sua ação, desenvolveu uma metodologia própria de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres, baseando-se no milagre bíblico da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas, como narra o Evangelho de São João (Jo 6:1-15).

A sua prática diária como médica pediatra do Hospital de Crianças César Pernetta, em Curitiba, e, mais tarde, como diretora de Saúde Materno-Infantil da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, teve como suporte teórico as seguintes especializações:

* Educação em Saúde Materno-Infantil, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP);
* Saúde Pública para Graduados em Medicina, na Faculdade de Saúde Pública (USP)
* Administração de Programas de Saúde Materno-Infantil, pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) /Organização Mundial da Saúde (OMS), e Ministério da Saúde
* Pediatria Social, na Universidade de Antioquia, em Medellín, Colômbia
* Pediatria, na Sociedade Brasileira de Pediatria
* Educação Física, na Universidade Federal do Paraná

Sua experiência fez com que, em 1980, fosse convidada a coordenar a campanha de vacinação Sabin, para combater a primeira epidemia de poliomielite, que começou em União da Vitória, no Paraná, criando um método próprio, depois adotado pelo Ministério da Saúde.

Em 1983, a pedido da CNBB, criou a Pastoral da Criança juntamente com o presidente da CNBB, dom Geraldo Majella, Cardeal Agnelo, Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil , que, à época, era Arcebispo de Londrina. No mesmo ano, deu início à experiência a partir de um projeto-piloto em Florestópolis, Paraná. Após vinte e cinco anos, a pastoral acompanhou 1 816 261 crianças menores de seis anos e 1 407 743 de famílias pobres em 4060 municípios brasileiros. Neste período, mais de 261 962 voluntários levaram solidariedade e conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres, criando condições para que elas se tornem protagonistas de sua própria transformação social.

Para multiplicar o saber e a solidariedade, foram criados três instrumentos, utilizados a cada mês:

* Visita domiciliar às famílias
* Dia do Peso, também chamado de Dia da Celebração da Vida
* Reunião Mensal para Avaliação e Reflexão

Em 2004, recebeu da CNBB outra missão semelhante: fundar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa. Atualmente mais de cem mil idosos são acompanhados mensalmente por doze mil voluntários de 579 municípios de 141 dioceses de 25 estados brasileiros.

Dividia seu tempo entre os compromissos como coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e a participação como representante titular da CNBB no Conselho Nacional de Saúde, e como membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
[editar] Morte
Curitiba - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparece ao velório da coordenadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns no Palácio das Araucárias.

Zilda Arns encontrava-se em Porto Príncipe, em missão humanitária, para introduzir a Pastoral da Criança no país. No dia 12 de janeiro de 2010, pouco depois de proferir uma palestra para cerca de 150 religiosos do Haiti,[3] o país foi atingido por um violento terremoto. A Dra. Zilda foi uma das vítimas da catástrofe. [4][5][6][7][8]

No dia 14 de janeiro, o senador Flávio Arns (PSDB-PR), seu sobrinho, divulgou uma nota sobre as circunstâncias da morte da médica:

"A Dra. Zilda estava em uma igreja, onde proferiu uma palestra para cerca de 150 pessoas. Ela já tinha acabado seu discurso e estava conversando com um sacerdote, que queria mais informações sobre o trabalho da Pastoral da Criança. De repente, começou o tremor. O padre que estava conversando com ela deu um passo para o lado e a Dra. Zilda recuou um passo e foi atingida diretamente na cabeça, quando o teto desabou. Ela morreu na hora. A Dra. Zilda não ficou soterrada. O resto do corpo não sofreu ferimentos, somente a cabeça foi atingida. O sacerdote que conversava com ela sobreviveu. Já outros quinze sacerdotes que estavam próximos a ela faleceram”.[9]
[editar] Fragmentos de um discurso amoroso
Cquote1.svg (...) Sabemos que a força propulsora da transformação social está na prática do maior de todos os mandamentos da Lei de Deus: o Amor, expressado na solidariedade fraterna, capaz de mover montanhas."Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos" significa trabalhar pela inclusão social, fruto da Justiça; significa não ter preconceitos, aplicar nossos melhores talentos em favor da vida plena, prioritariamente daqueles que mais necessitam. Somar esforços para alcançar os objetivos, servir com humildade e misericórdia, sem perder a própria identidade.

Cremos que esta transformação social exige um investimento máximo de esforços para o desenvolvimento integral das crianças. Este desenvolvimento começa quanto a criança se encontra ainda no ventre sagrado da sua mãe. As crianças, quando estão bem cuidadas, são sementes de paz e esperança. Não existe ser humano mais perfeito, mais justo, mais solidário e sem preconceitos que as crianças.

Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, devemos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los.
Cquote2.svg
— Trechos do último discurso Zilda Arns
Prêmios e honrarias
Prêmios internacionais

Entre os prêmios internacionais recebidos por Zilda Arns Neumann, [11] merecem destaque:

* Opus Prize (EUA), em 2006; [12]
* Prêmio "Heroína da Saúde Pública das Américas", concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em 2002;
* Prêmio Social 2005 da Câmara de Comércio Brasil-Espanha;
* Medalha "Simón Bolívar", da Câmara Internacional de Pesquisa e Integração Social, em 2000;
* Prêmio Humanitário 1997 do Lions Club International;
* Prêmio Internacional da OPAS em Administração Sanitária, 1994.
* Prêmio Rei Juan Carlos (Prêmio de Direitos Humanos Rei da Espanha) pela Universidade de Alcalá. Recebeu o prêmio em 24 de janeiro de 2005, das mãos do rei.[13] [14]

Prêmios nacionais

Entre os prêmios nacionais, destacam-se:

* Diploma Mulher Cidadã Bertha Lutz, do Senado Federal, em 2005;
* Diploma e medalha O Pacificador da ONU Sérgio Vieira de Mello, concedido pelo Parlamento Mundial de Segurança e Paz, em 2005;
* Troféu de Destaque Nacional Social, principal prêmio do evento As mulheres mais influentes do Brasil, promovido pela Revista Forbes do Brasil com o apoio da Gazeta Mercantil e do Jornal do Brasil, em 2004;
* Medalha de Mérito em Administração, do Conselho Federal de Administração, em Florianópolis, Santa Catarina, 2004;
* Medalha da Inconfidência, do Governo do Estado de Minas Gerais, em 2003;
* Título Acadêmico Honorário, da Academia Paranaense de Medicina, em Curitiba, Paraná, 2003;
* Medalha da Abolição, concedida pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, em 2002;
* Insígnia da Ordem do Mérito Médico, na classe Comendador, concedida pelo Ministério da Saúde, em 2002;
* Medalha Mérito Legislativo Câmara dos Deputados, em 2002;
* Comenda da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, grau Comendador, concedida pelo Tribunal Superior do Trabalho, em 2002;
* Medalha Anita Garibaldi, concedida pelo governo do Estado de Santa Catarina, em 2001;
* Comenda da Ordem do Rio Branco, grau Comendador, concedida pela Presidência da República, 2001;
* Prêmio de Honra ao Mérito da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, 2001;
* Medalha de Mérito Antonieta de Barros, concedida pela Assembléia Legislativa de Florianópolis;
* Prêmio de Direitos Humanos 2000 da Associação das Nações Unidas – Brasil, em 2000;
* Prêmio USP de Direitos Humanos 2000 – Categoria Individual.

Em 2001, 2002, 2003 e 2005 a Pastoral da Criança foi indicada pelo Governo Brasileiro ao Prêmio Nobel da Paz. Em 2006, a Dra. Zilda foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz, junto com outras 999 mulheres de todo o mundo selecionadas pelo Projeto 1000 Mulheres, da associação suíça 1000 Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz. Também é cidadã honorária de dez estados brasileiros (RJ, PB, AL, MT, RN, PR, PA, MS, ES, TO) e de trinta e dois municípios e doutora Honoris Causa das seguintes universidades:

* Pontifícia Universidade Católica do Paraná
* Universidade Federal do Paraná
* Universidade do Extremo-Sul Catarinense de Criciúma
* Universidade Federal de Santa Catarina
* Universidade do Sul de Santa Catarina

Referências

1. ↑ Pastoral da Criança, 13 de janeiro de 2010. Nota de falecimento da Dra, Zilda Arns
2. ↑ Helena Steiner ¥ Gabriel Arns
3. ↑ Pastoral da Criança. Missão da Dra. Zilda Arns Neumann no Haiti, 10 a 15/01/2010.
4. ↑ Fundadora da Pastoral da Criança estava no Haiti durante tremor - Folha Online
5. ↑ Christian Science Monitor, 13 de janeiro de 2010. Legendary Brazilian aid worker among the victims of Haiti earthquake, por Andrew Downie.
6. ↑ UN dispatch, 13 de janeiro de 2010 Haiti Earthquake, the Day After, por Mark Leon Goldberg.]
7. ↑ La reputada misionera brasileña Zilda Arns muere en el terremoto de Haití. ABC.es, 13-01-2010.
8. ↑ Un terremoto devasta Haiti. Premier: «Più di 100mila morti». Corriere della Sera, 13 de janeiro de 2010.
9. ↑ Pastoral da Criança.Nota sobre a morte da Dra.Zilda. 14 de Janeiro de 2010 09:25
10. ↑ Trechos do último discurso de Zilda Arns e Discurso da Doutora Zilda Arns Neumann proferido no Haiti no dia 12 de janeiro de 2010. (em espanhol)
11. ↑ Trabalho humanitário de Zilda Arns era reconhecido internacionalmente por Amanda Cieglinski. Agência Brasil, 13 de Janeiro de 2010.
12. ↑ Ganhadores do Opus Prize.
13. ↑ La tragedia de Haití se cobra la vida de la doctora Zilda Arns Neumann, premiada por la Universidad de Alcalá. Diario de Alcalá.es, 14 de janeiro de 2010
14. ↑ Com morte de Zilda Arns, Brasil perde "benfeitora" e "heroína", diz imprensa internacional. Folha Online, 14 de janeiro de 2010.

Fonte Wikpédia

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Acesso ao sambódromo do Anhembi (SP) para as pessoas com deficiência

Postado por: Deficiente Ciente | Categoria(s): | Postado: Segunda-feira, Janeiro 25, 2010

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Carnaval 2010
As pessoas com deficiência terão cerca de 100 lugares reservados por noite e 50% de desconto na compra dos ingressos. Para ter acesso ao benefício, é necessário fazer cadastramento na sala da Ouvidoria na sede administrativa da São Paulo Turismo. Os interessados deverão trazer uma foto 3x4, RG (original ou cópia), além de laudo médico ou documento que comprove a deficiência. Cada caso será analisado individualmente.

Acompanhantes pagam valor integral do setor. No caso dos cadeirantes, os setores do Sambódromo com acesso reservado são B, D e G. Os acessos são facilitados por rampas e portões mais largos.
Há ainda transporte gratuito em vans do serviço de Atendimento Especial da prefeitura de São Paulo (Atende). O serviço estará disponível do Metrô Tietê ao Sambódromo e do estacionamento do Parque Anhembi ao Sambódromo, ambos funcionando tanto na ida quanto na volta.

Para desfilar
Leandro de Itaquera:
É preciso fazer inscrição na sede da escola na Rua Padre Viegas de Menezes, 66, Itaquera. Outras informações no site http://www.leandrodeitaquera.com/

Tradição:
Informações no site http://www.grestradicao.com.br/

Veja também sobre as inscrições para assistir o desfile do Rio, acessando o Blog Inclusivas, do Jeff.

Fonte: Revista Incluir







Terça-feira, Janeiro 26, 2010

Deficientes ganham esteira de acesso à praia e cadeira flutuante para o mar



Projeto 'Praia para Todos' começou na Barra e vai ser itinerante.
Iniciativa é da ONG Espaço Novo Ser e funciona aos domingos, no Rio.




A praia é conhecida pelos cariocas como o local mais democrático da cidade. Mas até hoje os deficientes físicos, principalmente os cadeirantes, não tinham acesso facilitado à areia nem ao mar. Neste domingo (24) foi dado o primeiro passo para essa inclusão social: o projeto “Praia para todos”, pioneiro no Brasil, foi lançado no Posto 3 da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, com diversas atividades adaptadas.


A principal transformação – uma iniciativa da ONG Espaço Novo Ser, com apoio da subprefeitura da Barra e de patrocinadores - é uma esteira especial, de 30 metros, feita de fibra de plástico, que vai do calçadão às tendas na areia, o que permite a passagem da cadeira de rodas. Além disso, a chamada “cadeira anfíbia” leva o deficiente ao mar e ainda flutua na água. Nas duas tendas montadas, trabalham cerca de 30 profissionais, entre professores de educação física, fisioterapeutas, estagiários e voluntários. O Praia para Todos funciona somente aos domingos, das 9h às 14h.

O idealizador do projeto é o biólogo Ricardo Gonzalez Rocha Souza, que é cadeirante. Ele sofreu um acidente de carro em 1997 e contou que desde então busca novidades em acessibilidade no mundo. “Eu frequentava exatamente essa praia, pegava onda aqui. Depois do acidente, eu vinha à praia, mas só no calçadão. A praia adaptada é um sonho virando realidade”, disse.


Infraestrutura


Prancha de surfe adaptada pelo surfista Rico de Souza, mais vagas de estacionamento reservadas, rampas de acesso nas vias, sinalização sonora e até piso tátil para os deficientes visuais fazem parte da infraestrutura montada pelo projeto. Quando chegam à tenda, os deficientes têm disponíveis atividades como surfe, vôlei sentado, frescobol, peteca e o banho de piscina assistido, planejado para as crianças.

“O cara chega aqui, tem a cadeira anfíbia. Cansou, vai jogar vôlei; enjoou, vai surfar, vai jogar frescobol, o cara tem diversão toda hora”, destacou o cadeirante Fábio Fernandes, um dos organizadores do Praia para Todos e estudante de Direito. Em 1999, aos 23 anos, voltando de um show de uma banda a qual ele era o produtor, Fábio bateu de carro e ficou paraplégico.

“Antes a gente só descia do calçadão se fosse no colo. Hoje podemos falar que a praia é realmente para todos. Isso aqui vai se tornar um remédio para essas pessoas. Remédio para a depressão, para tudo”, exaltou ele, que tomou banho de mar e também pegou onda com a prancha adaptada.



O pequeno João Pedro, de 2 anos e 10 meses, tem uma doença rara, a leucodistrofia, que afeta o sistema nervoso central. A mãe dele, a dona-de-casa Nínive Oliveira Ferreira, contou que veio de Realengo e agora pode aproveitar a praia tranquila. João Pedro não queria sair da piscina, onde ficou com uma profissional.



“Para quem vive o problema, a gente sabe o tamanho da importância desse projeto. Antes eu só vinha do calçadão pra cima, eu não tinha como levar ele no mar ou na areia. É um projeto brilhante, espero que tenham outras iniciativas, porque o acesso é muito pouco”, disse.

Objetivo é ter posto fixo

O subprefeito da Barra da Tijuca, Tiago Mohamed, afirmou que está aberto a fazer as mesmas mudanças no Recreio. “O que a gente fez aqui é pouco perto do benefício que isso traz para eles. Os deficientes sempre estiveram excluídos desse espaço”, declarou ele.

O projeto é itinerante. Na Barra, vai ficar até o dia 28 de março. Depois, segue para Copacabana, na Zona Sul, e fica até o dia 25 de abril. Em seguida vai para a praia de Ipanema, do dia 2 ao dia 16 de maio. Por fim, o “Praia para Todos” vai para o Piscinão de Ramos, no subúrbio do Rio, do dia 23 ao dia 3 de maio.

A intenção dos organizadores é entregar um relatório de toda a estrutura para a Prefeitura do Rio, com o objetivo de que seja montado pelo menos um posto adaptado em cada praia da cidade e que ele seja fixo.


Fonte: G1

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Theatro São Pedro adapta-se a pessoas com deficiência

Além de formar plateia, o projeto de inclusão pretende criar mão de obra especializada

"O cenário está com a cortina fechada. Um homem, vestido de branco, segura o chapéu. Ele canta dolorosamente uma história de amor e traição". A voz de Marli Nunes, audiodescritora do Instituto Vivo, revela a primeira cena de I Pagliacci (ópera do compositor napolitano Ruggero Leoncavallo) às 15 pessoas com deficiência visual na plateia do Theatro São Pedro. A iniciativa é resultado de parceria entre a Associação Paulista dos Amigos da Arte (Apaa) e a operadora de telefonia móvel Vivo, que oferece 15 pares de ingressos gratuitos para esse público nos dias de apresentação.

Aos 92 anos, o São Pedro investe em acessibilidade ao admitir a entrada de cães-guia durante as apresentações, além de oferecer recurso de audiodescrição, libretos de ópera em braile e ajuda de monitores.

Faz toda a diferença

Mais do que descrever a cena, a ferramenta oferece um mundo de possibilidades às pessoas com deficiência visual porque revela noção de espaço, cores, sentimentos, gestos dos atores, vestuário e até o cenário. "Sem a audiodescrição, a ópera seria apenas um espetáculo musical. Com esse moderno recurso, tenho as mesmas informações e sensações de quem enxerga. Algumas cenas são apenas gestuais, como um aperto de mão e, às vezes, um gesto faz toda a diferença para entender a história", garante Roseli Garcia, mestranda na Universidade Mackenzie.

Boas novidades

Pela segunda vez consecutiva, o Theatro São Pedro utiliza a moderna ferramenta. A primeira ópera com audiodescrição foi Cavalleria Rusticana, que ficou em cartaz em julho e foi sucesso de público.

No próximo ano, as peças exibidas no Teatro Sérgio Cardoso, na Bela Vista, devem contar com a tradução para a língua de sinais (Libras) para pessoas com deficiência auditiva. "É um projeto que pretendemos estender aos outros teatros do Estado", adianta Mário Masetti, diretor artístico da Apaa, responsável pelo São Pedro e por mais seis teatros estaduais.

De acordo com Marcelo Romoff, gestor do Programa Vivo EnCena, além de inserir as pessoas com deficiência no mundo da ópera, o programa procura formar profissionais para atuar nessa área. A patrocinadora oferece a técnica inclusiva no Teatro Vivo em São Paulo, em espetáculos como Andaime, A Cabra e Vestido de Noiva, entre outras.

Homenagem

O Barbeiro de Sevilha é uma das óperas mais encenadas no mundo. No dia 25 de novembro, às 20h30, uma montagem contemporânea estreia no Theatro São Pedro. A nova montagem é uma realização do Governo do Estado de São Paulo em coprodução com a Apaa.


Serviço
O Barbeiro de Sevilha
Theatro São Pedro
Rua Barra Funda, 171 - Barra Funda
Apresentações: 25 de novembro às 20h30, 27 de novembro, às 20h30, 29 de novembro às 17 horas; 1o de dezembro, às 20h30 e 3 de dezembro, às 20h30
Ingressos: R$ 20 (inteira) - grátis para pessoas com deficiência visual, limite de 15 pares por récita, pelo telefone 7420-1599 ou pelo e-mail vagner.nascimento@vivo.com.br

sábado, 23 de janeiro de 2010

Ponto de ônibus “verde” recolhe água





O projeto de Ramesh Kanth é bem simples: um telhado capaz de coletar a água da chuva e um sistema que a devolva à terra. Mas por que isso seria útil?

Porque, apesar de não parecer, grande parte da água da chuva não volta ao solo. Como nas grandes cidades a maior parte do chão é recoberta de asfalto e concreto, a chuva não pode ser absorvida de volta pela terra. A maior parte dela escorre pelo asfalto, entra em tubulações e é encaminhada para escoamento ou tratamento.

O acúmulo de água responsável pelas enchentes é em parte causado por essa falta de absorção do solo. Daí a ideia de Kanth poder ajudar a resolver o problema nas cidades.

A chuva cairia no telhado do ponto de ônibus e escorreria por uma série de canos por dentro do solo, até alcançar regiões não pavimentadas.

O projeto, claro, precisa ser aperfeiçoado. É necessário criar uma maneira dos canos não entupirem, e cavar fundo o bastante para que a água chegue mesmo à terra, e não acabe danificando estruturas subterrâneas.

Fonte: Eco4planet.com

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

ONG faz mobilização para aumentar livros acessíveis no país

21 de Janeiro de 2010 @ 13:52 por Viva

Embora existam várias leis no Brasil que garantem a acessibilidade à comunicação, são raros os livros acessíveis no país, isto é, produzidos em várias mídias para atender às pessoas portadoras de deficiência física ou intelectual, dislexia, amputados de membros superiores ou com dificuldades motora ou de leitura.

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Pioneira na produção de livros e espetáculos acessíveis no país, a organização não governamental (ONG) Escola de Gente lança no próximo dia 18, no Rio, a publicação Os Inclusos e os Sisos - Teatro de Mobilização pela Diversidade. O livro conta a história de cinco jovens atores, alunos de artes cênicas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), que desde 2003 se dispuseram a sair pelo Brasil encenando peças que buscam mobilizar as pessoas para a causa da diversidade e da inclusão.

O Decreto 5.296/2004 representou grande passo para tornar a comunicação mais acessível, disse à Agência Brasil a superintendente-geral da ONG, Claudia Werneck. “Se você faz um livro só impresso em tinta, você está sendo altamente discriminador não só em relação a quem é cego, mas também em relação ao analfabeto, que não teve acesso à educação. Você dá uma dupla punição para essa pessoa”.

Claudia explicou que quando se faz um livro acessível, ele não é voltado somente para pessoas com deficiência. “A gente está falando em pessoas que tiveram um AVC [acidente vascular cerebral], analfabetos, pessoas com deficiência intelectual, com dislexia. Então, o livro acessível é um conceito muito amplo; a ideia de ter um livro ou folheto impresso só em tinta é uma ação de discriminação no processo de comunicação”.

No ano passado, o governo assinou o Decreto 6.649, que ratificou a Convenção das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU). “Essa convenção foi o primeiro tratado de valor constitucional no Brasil”, destacou Claudia. Ela foi aprovada pelo Congresso Nacional e virou uma superlei, que aborda também a questão da acessibilidade na comunicação.

O livro da ONG é editado em oito mídias, incluindo CD de áudio MP3, DVD em libras (linguagem para surdos), conteúdo para computador nas versões PDF, OpenDoc, TXT e Daisy. A obra é impressa no formato espiral para facilitar o manuseio pelas pessoas com algum tipo de deficiência. “O livro acessível faz parte desse movimento de você dar novo significado ao livro”, disse Claudia Werneck. O objetivo é garantir rapidez no processo de democratização da cultura no Brasil, acrescentou.

Segundo Claudia, o livro acessível tem relação direta com a política, com direitos humanos, entre outras áreas. “Entretanto, ele ainda é considerado um favor. A gente acha o contrário. Na concepção do que é ler e ter acesso à comunicação, todos esses formatos [de livro] têm igual valor. Não existe nada que seja subjacente”.

Outra novidade introduzida pela organização Escola de Gente é que o livro não será vendido, apesar de ser um projeto aprovado pela Lei Rouanet [de incentivo à cultura] e ter patrocinadores. Escrito na forma de um espetáculo teatral, ele será distribuído com a meta de facilitar a democratização desse produto para profissionais e instituições interessadas em conhecer livros em formato acessível. O objetivo é não só informar as pessoas quanto à acessibilidade na comunicação, mas também sensibilizar e mobilizar a população para essa causa. (Edição: Graça Adjuto)

Fonte: http://envolverde.ig.com.br/materia.php?cod=68358&edt=1