sexta-feira, 7 de junho de 2013
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Semáforo para ciclistas, em Curitiba, tem resultado positivo, diz Secretário
Essa reportagem sou obrigado comentar! Não vejo razão ter um
sinal para bicicleta. Em quanto o deficiente visual pede ajuda para atravessar
rua, os ciclistas ficam na boa! É tão difícil colocar um sinal sonoro em cada
esquina?
De uma olhada na ultima foto a situação da guia rebaixada
para cadeirante.
CADÊ A CURITIBA MODELO!!
Abraço, Matheus Kreling
Equipamento está em fase de teste na região central da cidade.
Para ciclista, ideal seria implementação de semáforos com ciclofaixas.

Pres Affonso Camargo e Rua Mariano Torres
(Foto: Thais Kaniak / G1)
Um semáforo chama a atenção de quem passa pelo cruzamento das avenidas Mariano Torres e Affonso Camargo, no Centro deCuritiba. O motivo é que em vez de dar passagem aos motoristas, o equipamento libera a passagem de ciclistas. Ele funciona sincronizado com o semáforo para pedestres.
Segundo o secretário de Trânsito de Curitiba, Joel Krueger esse é um experimento que a prefeitura decidiu fazer para melhorar o tráfego urbano na cidade. O equipamento foi instalado no fim do mês de abril e, até agora, o resultado tem sido positivo.
Krueger explica que o equipamento foi adquirido para testar a percepção da comunidade e melhorar o trânsito em pontos onde há pessoas, bicicletas e carros. “Precisavamos acompanhar as condições de funcionamento, qual a percepção do ciclista e dos pedestres. Em paralelo, estamos avaliando pontos da cidade onde seria necessária”, explica o secretário.
De acordo com ele, as avenidas Visconde de Guarapuava e Cândido de Abreu podem vir a receber os semáforos especiais. Para definir todos os pontos, a Secretaria de Trânsito pretende ouvir cicloativistas para ajudar na implantação do projeto.
Ciclistas
A médica veterinária Daniela Serighelli, de 25 anos, usa a bicicleta como meio de transporte desde 2008. Na época da faculdade, fazia o percurso da casa onde morava, em Santa Felicidade, até o Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no Jardim das Américas, em aproximadamente uma hora e quinze minutos. "De 'busão' demorava uma hora e meia. Valia a pena. Mas, claro que, chegando lá, tomava banho".
A médica veterinária Daniela Serighelli, de 25 anos, usa a bicicleta como meio de transporte desde 2008. Na época da faculdade, fazia o percurso da casa onde morava, em Santa Felicidade, até o Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no Jardim das Américas, em aproximadamente uma hora e quinze minutos. "De 'busão' demorava uma hora e meia. Valia a pena. Mas, claro que, chegando lá, tomava banho".
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“Como tudo na vida, tem dois lados. Quanto mais aparecer a bicicletinha, em qualquer lugar, mais a coisa vai ser incorporada”, acredita. Para Daniela, o ideal seria a implementação de uma ciclofaixa com o sinaleiro para ciclistas.
“É importante até para lembrar o ciclista de que ele não é a peça mais frágil da cadeia”, diz a veterinária sobre o semáforo para ciclistas. Atualmente, ela respeita a sinalização dos sinaleiros para veículos e garante não furar o sinal vermelho.
Na visão de Daniela, hoje os motoristas de carro respeitam mais os ciclistas nas ruas da cidade. “De uma forma geral, vejo mais acolhimento por parte dos carros”. Ela ainda completa que “quanto mais regulamentado o ciclista estiver, mais respeito ele tem”.
“É importante até para lembrar o ciclista de que ele não é a peça mais frágil da cadeia”, diz a veterinária sobre o semáforo para ciclistas. Atualmente, ela respeita a sinalização dos sinaleiros para veículos e garante não furar o sinal vermelho.
Na visão de Daniela, hoje os motoristas de carro respeitam mais os ciclistas nas ruas da cidade. “De uma forma geral, vejo mais acolhimento por parte dos carros”. Ela ainda completa que “quanto mais regulamentado o ciclista estiver, mais respeito ele tem”.
Para o coordenador do Projeto Ciclovida, um programa de extensão da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e coordenador técnico da Associação dos Ciclistas do Alto Iguaçu, José Carlos Belotto, a iniciativa é boa pelo simbolismo que representa e pela questão prática. “Tem um simbolismo de que existe a preocupação com o ciclista, que ele passa a ser reconhecido como um dos atores do trânsito. Na questão prática, ajuda na segurança dos ciclistas. Eles passam a ter um tempo específico para fazer a travessia e, também, favorece o pedestre que aproveita o mesmo sinaleiro”, analisa.
Belotto pondera ainda o aspecto educacional do semáforo para ciclistas, pois,conforme o coordenador, com o equipamento, o motorista começa a perceber o ciclista. “Deve ser respeitado como um veículo”.
Como ciclista e motorista, Belotto percebe que o ciclista está sendo mais respeitado. “Tenho dois adesivos incentivando o respeito a ciclistas no meu carro e vejo vários carros os mesmos adesivos”, conta. De acordo com o coordenador, o aumento do número de ciclistas e o maior espaço da “causa da bicicleta” na mídia são fatores que ajudam na propagação do respeito às bicicletas no trânsito.
“As pessoas estão tomando conhecimento e refletindo sobre o assunto. O ciclista está passando a ser um pouco mais respeitado. Já vemos o reflexo de uma alteração de comportamento. Está melhorando, mas ainda é um trabalho longo”, finaliza.

Parque Municipal ganha balanço para cadeirante
Vinte e um brinquedos do Parque Municipal de Belo Horizonte continuam interditados. A prefeitura exige dos concessionários, que exploram os brinquedos movidos a eletricidade e os barquinhos laudos de segurança. mas quem for visitar o espaço público, hoje, vai conhecer uma novidade que acaba de ser instalada para crianças que, até então, eram excluídas das brincadeiras em parquinhos assim. É um balanço para cadeirante, veja:
Jornal Alterosa 1ª Edição
App oferece táxis para cadeirantes
Camila De Carli Mobile Time
Com mais de 60 mil clientes cadastrados na cidade de São Paulo, o aplicativo Taxijá ampliou suas funcionalidades, oferecendo, entre as opções de filtros nos pedidos de táxis, o carro "acessível". A novidade é voltada a passageiros que tenham deficiência física ou mobilidade reduzida, e que costumam utilizar os serviços de táxi na capital paulista. "Apostamos neste segmento, pois táxis comuns muitas vezes não conseguem proporcionar o conforto às pessoas com mobilidade reduzida. A ideia do Taxijá é de que todos possam utilizar o serviço”, explica Arthur Pelanda, um dos idealizadores da funcionalidade e sócio do Taxijá.
O serviço conta com 20 táxis acessíveis, que viabilizam o embarque e desembarque por cadeira de rodas, com área reservada para o equipamento e sistema de travamento, conforme normas impostas pela Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo. Esse número representa pouco mais de 20% de toda a frota da cidade de São Paulo adaptada para deficientes físicos, que soma 93 táxis em um universo total de 33 mil. Pelanda afirma que o Taxijá quer cadastrar pelo menos 45% dessa frota especial. O objetivo, contudo, não está em conquistar mais clientes para o app, visto que é baixa demanda por esse tipo de serviço na cidade. “O volume de pedidos de clientes com dificuldade de mobilidade é bastante pequeno. Criamos essa funcionalidade a fim de incluir essas pessoas com deficiência física”, diz.
Projeto visa entender autismo a partir de dentes de leite
"A Fada do Dente" estuda neurônios de crianças autistas a partir da reprogramação de células da polpa dentária
Jean-Philippe Ksiazek/AFP

Garoto com autismo: projeto arrecada dentes de leite de crianças com autismo
São Paulo - O Projeto A Fada do Dente, desenvolvido pela bióloga Patrícia Beltrão Braga e sua equipe, em parceria com o professor Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia, arrecada dentes de leite de crianças com autismo. Com as células da polpa do dente, a pesquisadora realiza uma reprogramação celular, transformando-as em células-tronco que são diferenciadas em neurônios.
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Esse processo permitiu identificar diferenças biológicas nos neurônios com autismo, estudar seu funcionamento e até mesmo testar drogas. O projeto tem como sede a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP e recebe dentes de crianças de todo Brasil.
A pesquisadora passou o ano de 2008 em contato com Muotri aprendendo a técnica de reprogramação celular desenvolvida pelo médico japonês Shinya Yamanaka, vencedor do prêmio Nobel de medicina de 2012. Yamanaka conseguiu desenvolver um método para reprogramar uma célula já adulta (no caso células da pele), transformando-a em uma célula-tronco semelhante às embrionárias, ou seja, as células maduras são rejuvenecidas até a fase correspondente a 6 ou 7 dias após a fecundação do óvulo com o espermatozoide.
O projeto A Fada do Dente teve início em 2009, após as tentativas de aplicação do método terem sido bem-sucedidas aqui no Brasil. Patrícia escolheu as células da polpa do dente por ter familiaridade no trabalho com elas e pela facilidade de obtenção.
Outros procedimentos para recolhimento de neurônios — como métodos de receptação após o óbito, por células sanguíneas ou até mesmo estudos com modelos animais — não garantem neurônios funcionais ou com a carga genética de um paciente, mas o método da reprogramação permite.
O estudo das características dos neurônios permitiu identificar diferenças morfológicas nessas células das crianças autistas quando comparadas com as mesmas células de uma criança não autista. “Esses estudos permitem que se entenda mais sobre a biologia da doença”, explica Patrícia.
Como os neurônios estão em placas é possível também fazer experimentação com fármacos em busca de alterações nessas diferenças morfológicas, visando uma recuperação. Os testes ainda estão no início, mas já constituem um avanço em comparação com o que se descobriu nos últimos 20 anos.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Novos arquitetos da Prefeitura recebem Certificação em Acessibilidade
O curso capacitou os profissionais para analisarem projetos públicos e privados que atendam as exigências de acessibilidade

Arquitetos da prefeitura durante o módulo de vivência prática
A Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED), por meio da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA), ministrou nos dias 4 e 5 de junho o Curso de Educação Continuada e Certificação em Acessibilidade para os novos arquitetos ingressantes no serviço público municipal.
Em sua grade figuraram temas como Desenho Universal, Legislação e Acessibilidade em Edificações e Vias Públicas. Os técnicos da CPA abordaram as exigências relacionadas às medidas de espaços e suas diferenciações antropométricas, informações perceptíveis e o desenho universal de acessibilidade se contrapondo à arquitetura universal arcaica.
Os cerca de 40 novos arquitetos que serão alocados nas diversas subprefeituras terão a responsabilidade futura de trabalharem com a aprovação de projetos públicos e privados acessíveis. Para tanto, o curso incluiu um módulo prático onde todos os participantes tiveram a tarefa de vivenciar as dificuldades constantes na vida das pessoas com deficiência.
O Curso de Educação Continuada e Certificação em Acessibilidade é permanente e oferece 30 vagas por mês. A carga horária é de 16 horas dividida em dois dias e o público alvo são os servidores públicos de áreas técnicas como engenharia e arquitetura.
Em sua grade figuraram temas como Desenho Universal, Legislação e Acessibilidade em Edificações e Vias Públicas. Os técnicos da CPA abordaram as exigências relacionadas às medidas de espaços e suas diferenciações antropométricas, informações perceptíveis e o desenho universal de acessibilidade se contrapondo à arquitetura universal arcaica.
Os cerca de 40 novos arquitetos que serão alocados nas diversas subprefeituras terão a responsabilidade futura de trabalharem com a aprovação de projetos públicos e privados acessíveis. Para tanto, o curso incluiu um módulo prático onde todos os participantes tiveram a tarefa de vivenciar as dificuldades constantes na vida das pessoas com deficiência.
O Curso de Educação Continuada e Certificação em Acessibilidade é permanente e oferece 30 vagas por mês. A carga horária é de 16 horas dividida em dois dias e o público alvo são os servidores públicos de áreas técnicas como engenharia e arquitetura.
terça-feira, 4 de junho de 2013
Instituto oferece capacitação profissional gratuita para pessoas com deficiência no segundo semestre de 2013
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Mande mensagem para luiz.ventura@estadao.com
O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência
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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

Entre os dias 1º de julho e 2 de agosto, pessoas com deficiência física, auditiva e visual parcial podem fazer inscrição no curso gratuito de capacitação profissional oferecido pelo Instituto da Oportunidade Social (IOS).
Os interessados precisam ter no mínimo 16 anos e as aulas serão ministradas exclusivamente na unidade de Santana, que fica na Rua Alferes Magalhães, nº 256, na zona norte de São Paulo.
São 300 horas de treinamento em gestão administrativa em tecnologia, folha de pagamento, automação comercial e CRM (gestão de relacionamento com o cliente), além de regras de negócios, cálculo matemático, softwares de gestão, pacote Office (Microsoft), comunicação e expressão.
O trabalho é feito em parceria com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.
Inscrições e informações no endereço www.ios.org.br ou pelos telefones (11) 2503-2617/2618.
Novela 'Amor à Vida' chama atenção para o autismo e para histórias de perseverança
Mães de crianças com autismo falam das dificuldades e conquistas diárias

Muryllo recebe o auxílio exclusivo da educadora Sandra, que atua como segunda professoraFoto: 1 / Agencia RBS
Caroline Stinghen
A personagem Linda, da novela "Amor à Vida", da Rede Globo, interpretada pela atriz catarinense Bruna Linzmeyer, chama a atenção para o drama vivido pelos autistas. "A Notícia" conversou com três mães de crianças com autismo para mostrar as dificuldades e as conquistas.
Dificuldades começam no diagnóstico
Foi difícil entender por que Muryllo, quando ainda tinha dois anos, não conseguia falar as primeiras palavras comuns para crianças da idade dele. A mãe Amanda Zimmerhansl Leite, de 28 anos, estranhou a dificuldade do caçula em interagir com outras crianças.
— Ele entrava no armário e ficava lá —, lembra Amanda.
Com a ajuda de um neurologista e de psicólogos, ela conheceu o autismo - transtorno global de desenvolvimento. Depois do choque momentâneo, a família aprendeu a conviver com a condição de Muryllo e a ser tão feliz quanto qualquer outra. Eles estão acostumados com as pequenas diferenças e sabem aceitar as limitações de cada pessoa.
Após o momento da descoberta do diagnóstico, algumas mudanças tiveram de ser feitas na casa da família Leite. Amanda não pode mais voltar a trabalhar. A dedicação a Muryllo, hoje com seis anos, precisava ser total. A irmã Julya, de oito anos, aceitou bem.
— Com cinco anos, ela me disse que entendia a situação. E que iria cuidar dele por toda a vida. Imagine uma menina de cinco anos falar isso. Foi a coisa mais linda que aconteceu —, conta a mãe.
O apoio da irmã ultrapassou as paredes da casa e continuou no colégio. Os dois frequentam a Escola Estadual Jandira D'Ávila, no bairro Aventureiro. Ele entrou no primeiro ano do ensino fundamental _ assim como todas as demais crianças de sua idade _ e ela está no segundo. Quando o menino anda com Julya no recreio, ele é frequentemente abordado pelas demais crianças. Eles querem segurar a mão, interagir com o colega e ajudar de alguma forma.
— As meninas costumam beijar ele no rosto. Não gosto muito disso —, diz Julya, enciumada.
O afeto dentro da família é tão evidente que é até retratado em uma camisa que Julya fez questão de usar durante a reportagem: "Eu tenho um irmão autista", acompanhada de uma foto da dupla.
O carinho da família é bastante diferente do que é retratado todos os dias na novela das nove da Rede Globo, "Amor à Vida".
A atriz catarinense Bruna Linzmeyer, que nasceu em Corupá, interpreta a autista Linda. Na telinha, apesar da preocupação dos pais e do irmão mais velho, a irmã Leila ainda encontra dificuldades para entender o que se passa com Linda.
A importância das descobertas
— No começo, também passamos por isso, não conseguíamos entender por que ele não obedecia, por que ele se isolava, por que as coisas tinham que ser do jeito dele. Hoje, nós sabemos que ele também precisa de limites e que precisa seguir uma rotina à risca —, explica Amanda, que tem acompanhado a novela.
Para a atriz, a preparação para viver uma jovem com autismo na ficção foi uma das coisas "mais ricas e emocionantes" que ela já viveu. Foram nove meses de estudos sobre o tema.
— Isso me acrescentou tanto que eu nem sei descrever. Eu fico até emocionada quando penso em tudo que aprendi. Esse é um universo muito rico, que me fez olhar tudo com outros olhos. Percebi que todos nós temos diferenças e semelhanças, medos e limitações, deficiências físicas e intelectuais. Não tenho dúvida de que não sou mais a mesma pessoa —, disse a atriz ao jornal carioca "Extra".
Érica adora ler

Foi no modo de brincar que a professora de inglês Jaqueline Lopes, 30 anos, notou que a filha Érica Lopes dos Santos, hoje com seis anos, estava com algum problema. A garota se isolava demais. Procurou a ajuda de pediatras, que confirmavam que não havia nada de estranho nisso. Mas a mãe estava desconfiada. Foi com a ajuda do médico pediatra Edmundo Weber Filho que ela encontrou o significado: o autismo.
Érica tem síndrome de Asperger, uma forma leve de autismo. Mesmo assim, Jaqueline largou o trabalho para cuidar integralmente da pequena.
— Ela frequenta a Escola Elias Moreira, no 1º ano do ensino fundamental, e tem notas ótimas. O apoio que ela recebe dos profissionais da escola nos ajuda muito —, destaca a mãe.
Assim que Érica tiver mais autonomia, Jaqueline pretende voltar a trabalhar.
Em casa, uma das atividades preferidas da menina é ler. O que faz muito bem. A concentração dela é tanta, que chega a encantar quem a ouve lendo as historinhas, inclusive, com entonação. Outra paixão são os cachorrinhos da coleção Chi-chi.
— Se perguntar o número de cada cão do catálogo, ela vai saber dizer qual a raça —, conta uma orgulhosa Jaqueline.
O que é autismo?
A primeira coisa que precisa ficar claro é que o autismo não pode ser considerado uma doença. É um transtorno global do desenvolvimento.
— Podemos chamar de síndrome, porque o autista tem um conjunto de sintomas. E cada pessoa pode ter um conjunto diferente —, explicou a psicóloga e especialista em autismo Ana Carolina Wolff Motta, que atua na Associação dos Amigos do Autista (AMA) de Joinville.
Os graus do autismo podem ser divididos em leves, médios e graves _ quando a dificuldade de interação é grande, o comportamento é bastante agressivo e há retardo mental.
As características principais e a mais visível é a dificuldade de interagir socialmente. Está é a primeira coisa que os pais percebem, quando os filhos ainda são bebês. Muitos ainda têm problemas na visão, na audição e, principalmente, na fala. O comportamento também pode ser restritivo e repetitivo. Muitas crianças costumam repetir os que os pais e professores falam.
— Esta é a grande batalha. Fazer com que a criança não só repita o que falamos. Mas que ela consiga se comunicar, que consiga se expressar —, explica.
É importante destacar ainda que nem todos os autistas têm deficiência intelectual. Segundo estudos, cerca de 60% a 70% deles possuem.
— Muitos têm um grau mais leve de autismo. Na síndrome de Asperger, por exemplo, a principal característica é o isolamento e até a irritação em alguns casos. Mas eles não possuem dificuldade na fala e no aprendizado —, afirma Ana Wolff.
O tratamento do autismo pode ser realizado com medicamentos, em casos mais graves, mas principalmente com o apoio de profissionais como psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e neurologistas e, claro, dos pais. O acompanhamento deve ser diário.
As conquistas ocorrem todos os dias
Na AMA, por exemplo, as salas de aula contam com no máximo quatro alunos. Duas professoras os ajudam a entender jogos didáticos _ com formas geométricas, os ensinam a ir ao banheiro, a brincar, a conhecer letras, animais e cores. O trabalho é de formiguinha, mas o resultado é gigantesco.
Atualmente, 85 crianças e adultos são atendidos pela AMA, que completou neste ano 25 anos de atividades. A entidade é mantida com doações e parcerias. Para ajudar, as doações em dinheiro podem ser feitas na conta de número 06759-8, agência 0828-1 do Banco do Brasil.
Direito de ir à escola
Desde dezembro de 2012, a publicação da lei chamada de Berenice Piana trouxe novos direitos aos autistas brasileiros. Depois de anos de luta, a carioca Berenice, mãe de um jovem com autismo, conseguiu convencer deputados, senadores e a presidente Dilma Rousseff de que autismo é um tipo de deficiência. Junto disto, todos os direitos que os deficientes físicos e intelectuais conquistaram ao longo dos anos foram concedidos aos autistas.
— Antes da lei, o autista era invisível. Se uma escola não quisesse matricular uma criança, ela poderia simplesmente negar. Hoje não é mais assim —, explica a própria Berenice Piana.
Mesmo com a lei, em vigor há seis meses, pais joinvilenses encontraram dificuldades em matricular autistas na rede pública. A dona de casa Sandra Mara Gretter, 37 anos, por exemplo, não encontrou vaga nos centros de educação infantil. O filho, Vítor Pinter, de quatro anos, tem autismo e ainda não consegue falar. Ele precisava do apoio da chamada segunda professora ou da educadora, que atuam em escolas para garantir a educação inclusiva.
Batalha para que lei seja cumprida

Na luta desde o ano passado, foi somente em maio, há cerca de três semanas, que Sandra conseguiu uma vaga em um CEI perto da casa dela.
— Primeiro, encontraram um lugar em um CEI do São Marcos, sendo que moro no bairro Floresta. Pressionei mais um pouco para conseguir uma vaga perto de onde moro —, conta a mãe.
Vítor está na escola com crianças da idade dele, com uma auxiliar, que poderá garantir a melhoria e o avanço na interação com as demais pessoas.
— Notei a diferença nestes poucos dias que ele está no CEI —, ressalta Sandra, sobre a importância da inclusão nas escolas regulares.
No caso de Muryllo Leite, a vaga em uma escola foi mais fácil de ser encontrada. A Escola Jandira D'Ávila conta com 17 alunos com algum tipo de deficiência ou transtorno. O filho de Amanda Leite ainda é o único autista e conta com o apoio da segunda professora, Sandra Esther Soares, que cuida exclusivamente dele.
— As demais crianças sabem que Muryllo é diferente. Que muitas vezes as atividades precisam ser outras, que temos um horário para fazer trabalhos embaixo de uma árvore que existe no pátio, enquanto eles ficam na sala, por exemplo. E eles entendem muito bem. Todos querem ajudar —, salienta a professora.
Salas multifuncionais
A supervisora do Núcleo de Educação Especial da Prefeitura de Joinville, Caren Fettback, diz que na rede municipal os auxiliares de educadores atuam nas salas de recursos multifuncionais, no contraturno do ensino regular e nas salas de aula. A cidade tem atualmente 42 salas multifuncionais. O objetivo é chegar a 58 até o fim do ano que vem.
Para conseguir uma vaga em escolas e CEIs, o processo é igual para todos.
— Muitas vezes, os pais reclamam que não encontram vagas, mas temos uma demanda muito grande. Eles entram na fila com os demais interessados e, às vezes, não conseguem uma vaga perto de casa —, observa a supervisora.
Atualmente, 844 crianças e adolescentes que possuem algum tipo de deficiência estudam nas escolas municipais de Joinville. A Prefeitura também tem uma parceria com a Associação dos Amigos dos Autistas (AMA). Ela lembra que a cidade foi eleita ainda neste ano como a mais inclusiva do Brasil.
Luta pelos autistas
Berenice Piana, carioca, mãe de autista e uma das idealizadoras da lei que leva o seu nome e que garante direitos às pessoas com autismo
Hoje, meu filho tem 19 anos. Quando ele era criança, pouco se falava em autismo, muito menos sobre o tratamento. Dayan não se enturmava, ele deixou até de usar roupas. A maior luta da minha vida foi encontrar profissionais que diagnosticassem meu filho com autismo. Eu mesma tive que diagnosticá-lo. A confirmação só veio quando ele tinha seis anos, depois de insistir muito. Com o passar dos anos, a situação não havia mudado. Não existia nada para proteger os autistas. Resolvi então me mexer. Resolvi ir a Brasília. Bati na porta de muitos gabinetes e ouvi muito "não". Até que o senador Paulo Paim (RS) me ajudou. Ele ficou impressionado com a minha luta. Conseguimos realizar uma audiência pública sobre o assunto. Para a nossa surpresa, vieram profissionais de todas as partes do País.
Foi em 2009 que a nossa luta realmente começou. Foram três anos até a sanção da lei. Várias vezes tive que brigar para o projeto não ser arquivado. Em dezembro de 2012, tivemos uma vitória maravilhosa, quando a lei foi assinada pela presidente Dilma Rousseff.
Muitos relutaram pelo fato de chamar o autista de deficiente. Mas a própria Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu isso em 2008. Também não tivemos outra opção para garantir os direitos. Vimos muitos pais chorando porque seus filhos não conseguiam ir para escola, não conseguiam um trabalho. Agora, temos uma nova luta. Tirar a lei do papel e exigir o cumprimento dela. Os pais que não conseguirem matricular seus filhos em escolas precisam fazer a denúncia ao Ministério Público. O preconceito também precisa ser denunciado. Só assim vamos garantir o direito aos autistas.
Confira uma galeria de fotos:
Dificuldades começam no diagnóstico
Foi difícil entender por que Muryllo, quando ainda tinha dois anos, não conseguia falar as primeiras palavras comuns para crianças da idade dele. A mãe Amanda Zimmerhansl Leite, de 28 anos, estranhou a dificuldade do caçula em interagir com outras crianças.
— Ele entrava no armário e ficava lá —, lembra Amanda.
Com a ajuda de um neurologista e de psicólogos, ela conheceu o autismo - transtorno global de desenvolvimento. Depois do choque momentâneo, a família aprendeu a conviver com a condição de Muryllo e a ser tão feliz quanto qualquer outra. Eles estão acostumados com as pequenas diferenças e sabem aceitar as limitações de cada pessoa.
Após o momento da descoberta do diagnóstico, algumas mudanças tiveram de ser feitas na casa da família Leite. Amanda não pode mais voltar a trabalhar. A dedicação a Muryllo, hoje com seis anos, precisava ser total. A irmã Julya, de oito anos, aceitou bem.
— Com cinco anos, ela me disse que entendia a situação. E que iria cuidar dele por toda a vida. Imagine uma menina de cinco anos falar isso. Foi a coisa mais linda que aconteceu —, conta a mãe.
O apoio da irmã ultrapassou as paredes da casa e continuou no colégio. Os dois frequentam a Escola Estadual Jandira D'Ávila, no bairro Aventureiro. Ele entrou no primeiro ano do ensino fundamental _ assim como todas as demais crianças de sua idade _ e ela está no segundo. Quando o menino anda com Julya no recreio, ele é frequentemente abordado pelas demais crianças. Eles querem segurar a mão, interagir com o colega e ajudar de alguma forma.
— As meninas costumam beijar ele no rosto. Não gosto muito disso —, diz Julya, enciumada.
O afeto dentro da família é tão evidente que é até retratado em uma camisa que Julya fez questão de usar durante a reportagem: "Eu tenho um irmão autista", acompanhada de uma foto da dupla.
O carinho da família é bastante diferente do que é retratado todos os dias na novela das nove da Rede Globo, "Amor à Vida".
A atriz catarinense Bruna Linzmeyer, que nasceu em Corupá, interpreta a autista Linda. Na telinha, apesar da preocupação dos pais e do irmão mais velho, a irmã Leila ainda encontra dificuldades para entender o que se passa com Linda.
A importância das descobertas
— No começo, também passamos por isso, não conseguíamos entender por que ele não obedecia, por que ele se isolava, por que as coisas tinham que ser do jeito dele. Hoje, nós sabemos que ele também precisa de limites e que precisa seguir uma rotina à risca —, explica Amanda, que tem acompanhado a novela.
Para a atriz, a preparação para viver uma jovem com autismo na ficção foi uma das coisas "mais ricas e emocionantes" que ela já viveu. Foram nove meses de estudos sobre o tema.
— Isso me acrescentou tanto que eu nem sei descrever. Eu fico até emocionada quando penso em tudo que aprendi. Esse é um universo muito rico, que me fez olhar tudo com outros olhos. Percebi que todos nós temos diferenças e semelhanças, medos e limitações, deficiências físicas e intelectuais. Não tenho dúvida de que não sou mais a mesma pessoa —, disse a atriz ao jornal carioca "Extra".
Érica adora ler

Foi no modo de brincar que a professora de inglês Jaqueline Lopes, 30 anos, notou que a filha Érica Lopes dos Santos, hoje com seis anos, estava com algum problema. A garota se isolava demais. Procurou a ajuda de pediatras, que confirmavam que não havia nada de estranho nisso. Mas a mãe estava desconfiada. Foi com a ajuda do médico pediatra Edmundo Weber Filho que ela encontrou o significado: o autismo.
Érica tem síndrome de Asperger, uma forma leve de autismo. Mesmo assim, Jaqueline largou o trabalho para cuidar integralmente da pequena.
— Ela frequenta a Escola Elias Moreira, no 1º ano do ensino fundamental, e tem notas ótimas. O apoio que ela recebe dos profissionais da escola nos ajuda muito —, destaca a mãe.
Assim que Érica tiver mais autonomia, Jaqueline pretende voltar a trabalhar.
Em casa, uma das atividades preferidas da menina é ler. O que faz muito bem. A concentração dela é tanta, que chega a encantar quem a ouve lendo as historinhas, inclusive, com entonação. Outra paixão são os cachorrinhos da coleção Chi-chi.
— Se perguntar o número de cada cão do catálogo, ela vai saber dizer qual a raça —, conta uma orgulhosa Jaqueline.
O que é autismo?
A primeira coisa que precisa ficar claro é que o autismo não pode ser considerado uma doença. É um transtorno global do desenvolvimento.
— Podemos chamar de síndrome, porque o autista tem um conjunto de sintomas. E cada pessoa pode ter um conjunto diferente —, explicou a psicóloga e especialista em autismo Ana Carolina Wolff Motta, que atua na Associação dos Amigos do Autista (AMA) de Joinville.
Os graus do autismo podem ser divididos em leves, médios e graves _ quando a dificuldade de interação é grande, o comportamento é bastante agressivo e há retardo mental.
As características principais e a mais visível é a dificuldade de interagir socialmente. Está é a primeira coisa que os pais percebem, quando os filhos ainda são bebês. Muitos ainda têm problemas na visão, na audição e, principalmente, na fala. O comportamento também pode ser restritivo e repetitivo. Muitas crianças costumam repetir os que os pais e professores falam.
— Esta é a grande batalha. Fazer com que a criança não só repita o que falamos. Mas que ela consiga se comunicar, que consiga se expressar —, explica.
É importante destacar ainda que nem todos os autistas têm deficiência intelectual. Segundo estudos, cerca de 60% a 70% deles possuem.
— Muitos têm um grau mais leve de autismo. Na síndrome de Asperger, por exemplo, a principal característica é o isolamento e até a irritação em alguns casos. Mas eles não possuem dificuldade na fala e no aprendizado —, afirma Ana Wolff.
O tratamento do autismo pode ser realizado com medicamentos, em casos mais graves, mas principalmente com o apoio de profissionais como psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e neurologistas e, claro, dos pais. O acompanhamento deve ser diário.
As conquistas ocorrem todos os dias
Na AMA, por exemplo, as salas de aula contam com no máximo quatro alunos. Duas professoras os ajudam a entender jogos didáticos _ com formas geométricas, os ensinam a ir ao banheiro, a brincar, a conhecer letras, animais e cores. O trabalho é de formiguinha, mas o resultado é gigantesco.
Atualmente, 85 crianças e adultos são atendidos pela AMA, que completou neste ano 25 anos de atividades. A entidade é mantida com doações e parcerias. Para ajudar, as doações em dinheiro podem ser feitas na conta de número 06759-8, agência 0828-1 do Banco do Brasil.
Direito de ir à escola
Desde dezembro de 2012, a publicação da lei chamada de Berenice Piana trouxe novos direitos aos autistas brasileiros. Depois de anos de luta, a carioca Berenice, mãe de um jovem com autismo, conseguiu convencer deputados, senadores e a presidente Dilma Rousseff de que autismo é um tipo de deficiência. Junto disto, todos os direitos que os deficientes físicos e intelectuais conquistaram ao longo dos anos foram concedidos aos autistas.
— Antes da lei, o autista era invisível. Se uma escola não quisesse matricular uma criança, ela poderia simplesmente negar. Hoje não é mais assim —, explica a própria Berenice Piana.
Mesmo com a lei, em vigor há seis meses, pais joinvilenses encontraram dificuldades em matricular autistas na rede pública. A dona de casa Sandra Mara Gretter, 37 anos, por exemplo, não encontrou vaga nos centros de educação infantil. O filho, Vítor Pinter, de quatro anos, tem autismo e ainda não consegue falar. Ele precisava do apoio da chamada segunda professora ou da educadora, que atuam em escolas para garantir a educação inclusiva.
Batalha para que lei seja cumprida

Na luta desde o ano passado, foi somente em maio, há cerca de três semanas, que Sandra conseguiu uma vaga em um CEI perto da casa dela.
— Primeiro, encontraram um lugar em um CEI do São Marcos, sendo que moro no bairro Floresta. Pressionei mais um pouco para conseguir uma vaga perto de onde moro —, conta a mãe.
Vítor está na escola com crianças da idade dele, com uma auxiliar, que poderá garantir a melhoria e o avanço na interação com as demais pessoas.
— Notei a diferença nestes poucos dias que ele está no CEI —, ressalta Sandra, sobre a importância da inclusão nas escolas regulares.
No caso de Muryllo Leite, a vaga em uma escola foi mais fácil de ser encontrada. A Escola Jandira D'Ávila conta com 17 alunos com algum tipo de deficiência ou transtorno. O filho de Amanda Leite ainda é o único autista e conta com o apoio da segunda professora, Sandra Esther Soares, que cuida exclusivamente dele.
— As demais crianças sabem que Muryllo é diferente. Que muitas vezes as atividades precisam ser outras, que temos um horário para fazer trabalhos embaixo de uma árvore que existe no pátio, enquanto eles ficam na sala, por exemplo. E eles entendem muito bem. Todos querem ajudar —, salienta a professora.
Salas multifuncionais
A supervisora do Núcleo de Educação Especial da Prefeitura de Joinville, Caren Fettback, diz que na rede municipal os auxiliares de educadores atuam nas salas de recursos multifuncionais, no contraturno do ensino regular e nas salas de aula. A cidade tem atualmente 42 salas multifuncionais. O objetivo é chegar a 58 até o fim do ano que vem.
Para conseguir uma vaga em escolas e CEIs, o processo é igual para todos.
— Muitas vezes, os pais reclamam que não encontram vagas, mas temos uma demanda muito grande. Eles entram na fila com os demais interessados e, às vezes, não conseguem uma vaga perto de casa —, observa a supervisora.
Atualmente, 844 crianças e adolescentes que possuem algum tipo de deficiência estudam nas escolas municipais de Joinville. A Prefeitura também tem uma parceria com a Associação dos Amigos dos Autistas (AMA). Ela lembra que a cidade foi eleita ainda neste ano como a mais inclusiva do Brasil.
Luta pelos autistas
Berenice Piana, carioca, mãe de autista e uma das idealizadoras da lei que leva o seu nome e que garante direitos às pessoas com autismo
Hoje, meu filho tem 19 anos. Quando ele era criança, pouco se falava em autismo, muito menos sobre o tratamento. Dayan não se enturmava, ele deixou até de usar roupas. A maior luta da minha vida foi encontrar profissionais que diagnosticassem meu filho com autismo. Eu mesma tive que diagnosticá-lo. A confirmação só veio quando ele tinha seis anos, depois de insistir muito. Com o passar dos anos, a situação não havia mudado. Não existia nada para proteger os autistas. Resolvi então me mexer. Resolvi ir a Brasília. Bati na porta de muitos gabinetes e ouvi muito "não". Até que o senador Paulo Paim (RS) me ajudou. Ele ficou impressionado com a minha luta. Conseguimos realizar uma audiência pública sobre o assunto. Para a nossa surpresa, vieram profissionais de todas as partes do País.
Foi em 2009 que a nossa luta realmente começou. Foram três anos até a sanção da lei. Várias vezes tive que brigar para o projeto não ser arquivado. Em dezembro de 2012, tivemos uma vitória maravilhosa, quando a lei foi assinada pela presidente Dilma Rousseff.
Muitos relutaram pelo fato de chamar o autista de deficiente. Mas a própria Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu isso em 2008. Também não tivemos outra opção para garantir os direitos. Vimos muitos pais chorando porque seus filhos não conseguiam ir para escola, não conseguiam um trabalho. Agora, temos uma nova luta. Tirar a lei do papel e exigir o cumprimento dela. Os pais que não conseguirem matricular seus filhos em escolas precisam fazer a denúncia ao Ministério Público. O preconceito também precisa ser denunciado. Só assim vamos garantir o direito aos autistas.
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