terça-feira, 26 de maio de 2015

Um cinema deu garrafas de água. Ninguém conseguiu abri-las. Então algo começou rodar na telona…

Em um cinema de Los Angeles, o The Water Project executou uma promoção: todos que estavam por lá ganhariam uma garrafa de água.
Mas, é claro, tinha uma pegadinha.

As garrafas eram praticamente impossíveis de abrir.

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Por quê? Para chamar atenção para uma causa social. Depois que as pessoas se sentiram frustradas de não conseguirem beber água, algumas palavras apareceram na grande tela.

“Se você acha frustrante fazer um pequeno esforço para beber água, imagine o que essas crianças sentem.”

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Invés de trailers de filmes, as imagens mostravam crianças que precisam se esforçar para buscar água todos os dias.
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Ficou claro o desconforto da platéia.

Clique no play e veja como aconteceu.

Nós reclamamos quando a crise hídrica bate em nossas portas e não temos água na torneira. A verdade é que existem pessoas em situação muito pior.
1 em 9 pessoas ao redor do mundo sofre com escassez de água para beber. Cerca de 2.000crianças morrem todos os dias de doenças transmitidas por água contaminada.

Agora a boa notícia

Melhorar o acesso de água potável no mundo não é impossível. Entre 1990 e 2002, 1 bilhão de pessoas ganharam meios de consumir água potável — e o número tem crescido ainda mais.
Vamos ser sinceros: colocar um monte de gente numa sala de cinema tentando abrir garrafas de água vai solucionar a escassez de água potável no mundo? Não. Mas o experimento é feito para chamar atenção a um problema básico que muitas pessoas enfrentam todos os dias.

Empatia pode se tornar ação

Se você acha que todas as pessoas do mundo deveriam ter acesso aos recursos básicos para a vida, então você conseguiu entender a proposta da campanha.
Basicamente você pode ajudar de duas formas: financeiramente através do site do projeto oucompartilhando este experimento social com seus amigos.
http://awebic.com/cultura/um-cinema-deu-garrafas-de-agua-ninguem-conseguiu-abri-las-entao-algo-comecou-rodar-na-telona/

terça-feira, 19 de maio de 2015

SONATA PARA VIOLONCELO - UM FILME SOBRE FIBROMIALGIA



'Sonata para violoncelo' de Anna M. Bofarull, vai ser apresentado ao mundo no Dia Mundial da Fibromialgia, 12 de Maio de 2015. 

Este é o primeiro filme dedicado a este tema.

Sinopse:
Julia é uma reconhecida violoncelista de quase 50 anos, que passa a vida a viajar para diferentes cidades do mundo, a fim de dar concertos.
O seu trabalho exige muitas horas de estudo e de ensaios o que ela aceita, porque gosta do que faz e porque desfruta da companhia dos seus amigos, mantendo uma vida social muito animada.
O aparecimento de um problema imprevisto vai obrigar Julia a repensar toda a sua vida, a longo prazo. Depois de vários anos sofrendo dores intermitentes em diferentes partes do corpo, é finalmente, diagnosticada com fibromialgia, uma doença crónica. Enquanto Julia tenta viver a sua vida como sempre fez, a doença vai impondo numerosos obstáculos e ela começa a relacionar-se com pessoas, até então, afastadas.
Com Montse GermánJuanjo PuigcorbéJan Cornet más
Género Drama
País España

trailer



Anna M. Bofarull diz "São poucos os que realmente entendem como vive alguém com fibromialgia". 
Neste filme a realizadora pisa um terreno que conhece muito bem, usando a música como fio condutor. A sua mãe sofre de fibromialgia há anos e, é esta a causa do envolvimento pessoal e da necessidade de falar sobre o assunto, através do cinema. Graças à divulgação que faz da doença, o filme recebeu o apoio de diversas associações e entidades, públicas e privadas, relacionadas com a fibromialgia. Para financiar o filme usaram-se os meios tradicionais mas também o crowdfunding (financiamento colaborativo).

Julia é uma mulher atraente, elegante e culta, disposta a viver a vida à sua maneira, entregue de corpo e alma à música. Reconhecida violoncelista de trajectória internacional, a determinado momento enfrenta uma reviravolta inesperada que a vai obrigar a repensar a sua vida, a longo prazo. Depois de anos de dores esporádicas em várias partes do corpo, Julia recebe um diagnóstico definitivo: fibromialgia. 

A longa metragem protagonizada por Montse Germán, Juanjo Puigcorbé e Anna Salas, rodou-se principalmente nas comarcas de Tarragona e também em Lleida, Barcelona, nos Pirinéus e em Berlim. A estreia do filme foi no Festival de Málaga e vai agora iniciar a apresentação em vários outros festivais, até chegar às salas comerciais.


COMO SURGE ESTE PROJECTO?

A ideia já surgiu há muito tempo. A minha mãe sofre de fibromialgia e a mim interessava-me ver o reflexo desta doença no grande écran. Quis confrontar este problema com o processo de criação, de modo a que a mudança de vida que a dor crónica implica não obrigue apenas a mudar de trabalho mas obrigue a renunciar à única coisa importante na vida de uma artista, neste caso uma violoncelista reconhecida a nível internacional. Para Julia, a protagonista, a dor converte-se numa limitação que a leva a lutar contra o próprio corpo para continuar a tocar.


APESAR DO GRANDE NÚMERO DE PESSOAS DIAGNOSTICADAS EM TODO O MUNDO, PERTO DE 4%, NÃO EXISTE AINDA NENHUM FILME QUE FALE DA FIBROMIALGIA...

Certo. Assim que tive um guião escrito e comecei a pesquisar formas de financiar o projecto, investiguei e fiquei muito surpreendida ao saber que nunca ninguém tinha feito um filme sobre este assunto, apesar do grande número de afectados pela doença. Assim pensei que este seria mais um motivo para apostar neste projecto.


PORQUE É TÃO DESCONHECIDA, A FIBROMIALGIA?

Nos últimos anos este nome 'fibromialgia' tem-se ouvido mais, mas, ainda que muitos comecem a associá-la a dor crónica, poucos são os que realmente entendem como vive alguém com fibromialgia. Os portadores desta doença queixam-se de que nem amigos nem familiares os compreendem, que os acusam de "fazer de conta" ou que não têm vontade de trabalhar, não são activos. Isto é muito injusto.


'SONATA PARA VIOLONCELO' PARTE DE UM CONTEXTO DE FICÇÃO, ATRAVÉS DO CINEMA, ATÉ À COMPLEXA REALIDADE QUE ENVOLVE A FIBROMIALGIA. O QUE VAMOS DESCOBRIR SOBRE ESTA DOENÇA?

O espectador vai descobrir, não tanto as razões médicas da doença, mas de que forma se pode viver com a dor, como se enfrenta, como condiciona muitos aspectos da vida. Trata-se de um caso concreto mas, até à data, o filme tem sido muito bem recebido por parte dos afectados pela doença (maioritariamente mulheres), que se vêm reflectidas, o que, para mim, é muito importante.


NÃO É A PRIMEIRA VEZ QUE ABORDAS, EM FILME, UMA PROBLEMÁTICA SOCIAL. O QUE TE ATRAI NO TEMA?

Para mim, escrever, realizar e produzir um filme significa dedicar muitos anos de vida a um projecto, envolver-me de forma obssessiva, já que o tema e os personagens me absorvem por completo. Por isso sinto necessidade de ser útil, de alguma forma, à sociedade onde vivo, que o meu trabalho tenha mais sentido do que a pura diversão cinematográfica. Consigo isso ao estar próxima de temas sociais relevantes.

A INTERNET E AS REDES SOCIAIS FORAM AS GRANDES ALIADAS DESTE PROJECTO. DE QUE MANEIRA CONTRIBUIRAM PARA QUE O FILME SE FIZESSE?

Há 4 anos decidimos avançar com este projecto, publicamente. Partilhamos a ideia e a dificuldade de financiar o filme com todos os portadores de fibromialgia, ao mesmo tempo que apelamos ao crowdfunding (uma forma de financiamento colectivo). O mais interessante foi receber o feedback de muita gente, em todo o mundo, durante todo este tempo, o que nos animava a prosseguir pelo duro caminho que se percorre para concretizar um filme. Houve momentos em que isto foi a única causa pela qual continuamos a trabalhar, sem atirar a toalha ao chão. A cada semana recebemos contactos a perguntarem quando poderão ver o filme, em cada um dos países.


PORQUE FOI ESCOLHIDO O FESTIVAL DE MÁLAGA PARA ESTREAR O FILME?

Foi uma espécie de prémio pelo longo processo de produção, um reconhecimento pelo trabalho realizado. Málaga é uma montra fundamental para o panorama cinematográfico espanhol, recebe muita atenção da imprensa e pode ser uma grande ajuda para abrir caminho até às salas de cinema.


Jan Cornet, Anna Maria Bofarull e Montse Germán no Festival de Málaga



website do filme Sonata para Violoncelo
El Diario
http://fibromialgiaempt.blogspot.com.br/2015/04/sonata-para-violoncelo-um-filme-sobre.html

domingo, 17 de maio de 2015

Agora ou Nunca: jovens angolanos cegos lutam por permanência no Brasil

Grupo chegou há quinze anos, e busca ajuda para custear vida longe de casa


Agora ou Nunca: jovens angolanos cegos lutam por permanência no Brasil

Grupo chegou há quinze anos, e busca ajuda para custear vida longe de casa

16/05/2015 às 17h10 
Atualizado em 16/05/2015 às 18h43
Jovens estão no Brasil há quinze anos (Foto: TV Globo)Jovens estão no Brasil há quinze anos (Foto: TV Globo)
Quinze anos atrás, um grupo de crianças angolanas desembarcava no Brasil em busca de melhores condições de estudo. Todos os jovens são cegos e desde que chegaram ao país continuam em contato com antigos sonhos.
“Nós viemos através de uma bolsa de estudos do governo angolano. Ano passado, falaram que tínhamos que voltar para a Angola e que a bolsa tinha acabado”, explicam os jovens que brigaram por um visto de permanência no Brasil.
“Nossa luta de permanecer no Brasil e estudar é justamente o amor que temos por Angola. Queremos voltar para ser parte de uma solução”, explica Prudêncio.
Para entender melhor o que aconteceu com os “irmãos”, Luciano Huck foi para Curitiba conversar com eles. Juntos, eles formaram uma nova família e alguns perderam o contato com os familiares que ficaram em Luanda, no país de origem. “Meu pai faleceu na guerra e, com o tempo, perdi totalmente o contato com a família”, explicou Jacó, integrante do grupo. Um dos estudantes, Rui, chegou ao Brasil com apenas sete anos.
Após desembarcar no Rio de Janeiro, os angolanos experimentaram as maravilhas da cidade carioca. No clima do circuito mundial de surf, os estudantes surfaram  e se divertiram. “Foi muito radical e eu gostei demais”, contou Mauricio empolgado. Já no palco do programa, o grupo aceitou o desafio de provas especiais do Agora ou Nunca e levou para casa trinta mil reais.
Luciano foi a Curitiba conversar com os angolanos (Foto: TV Globo)Luciano foi a Curitiba conversar com os angolanos (Foto: TV Globo)http://gshow.globo.com/programas/caldeirao-do-huck/O-Programa/noticia/2015/05/agora-ou-nunca-jovens-angolanos-cegos-lutam-por-permanencia-no-brasil.html

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Curitiba ganha primeiro centro de atendimento ao autismo



VIDA E CIDADANIA | 5:22 | 31/03/2015

Curitiba ganha primeiro centro de atendimento ao autismo

O ambulatório Enccantar recebe crianças e adolescentes com autismo. O atendimento com psicólogo, terapeuta ocupacional, neuropediatra e fonoaudiólogo deve ser solicitado na unidade de saúde mais próxima da residência da família.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Um lugar onde se pode ensinar e aprender de tudo – e não é uma escola: conheça a Cinese

Um lugar onde se pode ensinar e aprender de tudo – e não é uma escola: conheça a Cinese

Juliana Mariz - 11 de maio de 2015
As sócias do Cinese: Camila, Giovana e Anna.
As sócias do Cinese: Camila, Giovana e Anna.
Quando tinha quinze anos, Anna Haddad saiu de Campo Grande rumo a São Paulo para cumprir a meta traçada pela família: estudar no colégio Bandeirantes. A tradicional escola, que fica no bairro do Paraíso, é reconhecida pelo ensino rigoroso e por atrair alunos que não querem fazer escala (os famigerados cursinhos) para passar no vestibular. Anna cumpriu o roteiro. Tirou boas notas, terminou o ensino médio e, aos 17 anos, foi aprovada em Direito, na PUC, em São Paulo. Cursou a faculdade e, também seguindo o roteiro, começou a trabalhar em um escritório de advocacia, na área empresarial. Até que, aos 25 anos, a rotina e o tailleur passaram a incomodar:
“Olhava ao redor e não fazia ideia de como tinha chegado até ali, que percurso tinha realizado. Eu tinha 25 anos, era advogada, mas não sabia o que queria da vida”
Era hora de sair do roteiro: ela pediu demissão e pegou a estrada de volta para casa. No próximo ano e meio, passou a trabalhar com o pai na construtora da família e dividiu-se entre o expediente na empresa e uma pós-graduação em direito imobiliário, feita em São Paulo. “Pegava a estrada semanalmente. Foi ótimo me reaproximar da família, mas percebi que também não era aquilo que queria para a minha vida”, conta.
Quando estava em São Paulo, Anna aproveitava para pesquisar, ler, encontrar amigos e, dessa forma, tentar enfrentar a inquietação — pessoal e profissional. Durante o processo, percebeu que gostava de Educação e decidiu se aprofundar: passou a ir a encontros, aulas e palestras, principalmente as que discutiam a “descolarização” ou que questionavam o modelo tradicional de ensino.
Registros de um encontro Cinese realizado este ano: a educação também está fora da escola.
Registro de um encontro Cinese realizado este ano: a educação também está fora da escola.
Apesar da angústia que a crise de identidade provoca, nessa fase Anna não estava sozinha. Tinha como interlocutora alguém bem próxima, e que passava por algo similar: sua irmã mais nova, Camila Haddad — que também fez Bandeirantes e que também entrou direto na faculdade (iniciou Publicidade, trancou, e depois concluiu Administração de Empresas na FGV). Depois de formada, Camila estava em Londres, fazendo mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Lá, ela também estudou economia colaborativa. Foi quando o papo entre as duas ficou ainda mais estimulante. “Percebi que poderia me encontrar empreendendo um negócio que fizesse sentido para mim. Passamos a pesquisar juntas nessa direção”, conta Anna.
As irmãs (hoje com 27 e 28 anos) chegaram a montar um plano de negócios para uma empresa que “recirculasse” mercadorias e fosse colaborativa. Seria uma plataforma de compra, venda e troca de produtos. Elas mapearam o mercado, identificaram um ineditismo na proposta, montaram a estrutura, mas, segundo Anna, algo subjetivo não permitiu que seguissem em frente. “Não era um motivo racional, simplesmente não fluiu.”
AO TENTAR SE ENCONTRAR, ELA ENCONTROU UM NEGÓCIO
Na tarefa de autoconhecer-se, Anna percebeu a dificuldade que tinha em acessar conteúdos diversos. “Os formatos eram muito tradicionais, vinculados ao modelo professor-aluno. Eu sabia que tinha muita gente com muito conhecimento por aí, e tantas outras querendo aprender, mas sem se encontrarem. Eu era uma delas”, diz ela.
A angústia, dessa vez, serviu de ponto de partida para um negócio: o desejo de compartilhar conhecimento fez nascer a Cinese. A plataforma agrega pessoas que querem ensinar algo com aquelas que desejam instruir-se. Em qualquer lugar, em qualquer cidade. De matemática financeira a um bate-papo sobre futebol. Com doutorado ou sem. Anna fala a respeito:
“Qualquer conteúdo é válido se alguém tem interesse nele. No Cinese, acolhemos tudo e o pano de fundo é um só: o empoderamento das pessoas”
Antes de colocarem o site oficialmente no ar, as irmãs — que a esta altura já tinham acolhido uma terceira sócia, Giovana Camargo, 25, que cursou Gestão Ambiental e atua como gerente de comunidade na Cinese — fizeram uma espécie de “soft open off-line”, para testar a ideia. Será que as pessoas teriam interesse em educação informal? Em junho de 2012, as sócias organizaram a Semana Cinética, uma série de encontros em São Paulo com temas como educação informal, democracia e arte, música, urbanismo e mobilidade e minorias. “As pessoas se engajaram, cederam espaço. Foi incrível. Mais de mil pessoas passaram pelo evento”, lembra Anna.
Parte da equipe do Cinese: Anna e Camila Haddad, o designer Rafael Nepô e o programador Kenzo Okamura
Parte da equipe do Cinese: Camila e Anna Haddad, o designer Rafael Nepô e o programador Kenzo Okamura.
Com um investimento de 50 mil reais, meses depois do evento offline, em agosto de 2012 o Cinese foi ao ar. A plataforma funciona como uma rede social: de um lado, os usuários propõem encontros temáticos, palestras, aulas, workshops. Outros se inscrevem para buscar assuntos de interesse. O aprendizado é livre, coletivo e acessível. Desde o lançamento até hoje, já foram feitos 1 077 encontros entre os 10 920 usuários cadastrados.
No “menu” do Cinese há cursos e encontros gratuitos — como os de Meditação Transcendental, Modelos de Financiamento e Novas Moedas ou, ainda, Democracia Direta — e também opções pagas — Marchetaria Criativa (200 reais), Apreciação Musical (30 reais), Coaching de Carreira (2 790 reais). Além deles, há os canais curados, que levam a assinatura de instituições como o Cemec, o Estaleiro Liberdade, o portal Papo de Homementre outros.
OK, IDEIA LINDA, MAS: COMO CAPITALIZAR?
No começo, os encontros do Cinese eram gratuitos, o que acabou dando à plataforma uma característica de agregadora de cursos “socialmente relevantes”. Mas — e este é um dilema comum, central, a inúmeras ideias bacanas de plataformas digitais — era preciso capitalizar. Pensando nisso, Anna e Camila experimentaram cobrar uma taxa dos usuários que propunham uma aula remunerada. A conta era: cobrava-se 18% do arrecadado com a aula, dos quais 12% ficava com o Cinese e 6% ia para o MoIP (o sistema de pagamento on line utilizado). Deu certo, mas por pouco tempo.
“Percebemos que estávamos muito atreladas à meta de um determinado número de encontros por mês para fechar o orçamento. Não queríamos ser reféns disso. A visão de meta, lucro não faz sentido para nós. Por isso voltamos atrás e ainda estamos testando novos modelos”, afirma Anna. Ao questionarem o tipo de demanda que teriam de gerenciar, as sócias resolveram eliminar a cobrança da taxa. Elas mudaram o jogo. Mais que isso, colocaram todos os custos expostos no site, de forma transparente. Dessa vez, o retorno foi bem melhor.
Já no primeiro mês do novo modelo de arrecadação, voluntária, elas já conseguiam cobrir os custos fixos do negócio — que conta com o designer Rafael Nepô e o programador Kenzo Okamura. Além da participação pela aulas comercializadas via Cinese, outra fonte de receita são os chamados “canais curados”: escolas e espaços para cursos que publicam seus eventos na plataforma e contribuem com uma quantia mensal pelo uso do espaço.
Anna, em um encontro Cinese realizado no Lab89, fala sobre construção de comunidades.
Anna, em um encontro Cinese realizado no Lab89, fala sobre construção de comunidades.
Um pouco na tentativa e erro, mas também usando muito do que Camila tinha estudado sobre economia colaborativa e planejamento, aos poucos o Cinese percebeu que tinha um outro flanco no qual poderia atuar: elas notaram que a habilidade em ajudar outros a empreender também era um negócio. Assim, passaram a oferecer consultoria para ambientes e processos colaborativos. Aos poucos, conquistaram seus primeiros clientes nessa área, entre eles a Pharus, uma empresa de inovação e design, e a Petalusa, um espaço colaborativo na zona sul de São Paulo.
Quando pulou fora do roteiro que estava programado para si, Anna acabou encontrando — e reconhecendo — um novo percurso profissional. Encontrou também a parceria com a irmã, Camila, e ainda teve a sorte de ver transformada a sua necessidade de uma instrução mais fluida e objetiva em um business com relevância na sociedade.
Hoje em dia o Cinese tem os custos fixos cobertos pelas contribuições espontâneas (a taxa de percentual livre, que quem vende aulas repassa ao site) e pela mensalidade paga pelos canais curados. O dinheiro para reinvestir na empresa e remunerar as sócias e a equipe vem das consultorias.
Elas encontraram o rumo, já sabem para onde querem ir, mas ainda estão construindo o próprio caminho. Isso implica na vontade de estabelecer paradigmas inovadores também na forma de se organizarem como empresa. Por exemplo: no Cinese não existe hierarquia. As decisões estratégicas da pequena empresa são tomadas, na maior parte do tempo, em quatro mesas agrupadas em uma grande sala no Laboriosa 89, um espaço de coworking em São Paulo. Dali saíram as últimas definições do novo site, que será lançado em julho com a promessa de dar mais autonomia aos usuários.
No dia a dia, porém, elas perseguem o mesmo que qualquer empreendedor atento: buscam ter custo baixo e colaboradores volantes, que trabalham por projetos e com flexibilidade. “Quero uma empresa que tire o melhor de mim e não me trave”, diz Anna.
O objetivo no próximo ano é aumentar a comunidade Cinese e expandir a operação para outros Estados. Outra meta é a de atrair uma audiência mais jovem. “Queremos ajudar aqueles que ainda não ingressaram na faculdade. Dar uma força para que consigam ‘sair da caixa’ antes de escolher a profissão,” conta Anna. Ela parece querer poupar alguma outra garota recém-saída do colégio da angústia de seguir um roteiro sem saber o porquê. Com a Cinese, seus cursos livres e aulas experimentais, quem sabe não fique mais fácil encontrar sua própria estrada.

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Cinese
  • O que faz: Plataforma de aprendizagem colaborativa, com aulas pagas e gratuitas
  • Sócio(s): Anna Haddad, Camila Haddad e Giovana Camargo
  • Funcionários: 5 (incluindo as sócias)
  • Sede: não há. A rede usa espaços como o Laboriosa89
  • Início das atividades: agosto de 2012
  • Investimento inicial: R$ 50.000
  • Faturamento: NI
- See more at: http://projetodraft.com/um-lugar-onde-se-pode-ensinar-e-aprender-de-tudo-e-nao-e-uma-escola-conheca-a-cinese/#sthash.t95ZS9m2.dpuf

http://projetodraft.com/um-lugar-onde-se-pode-ensinar-e-aprender-de-tudo-e-nao-e-uma-escola-conheca-a-cinese/

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Grávida, deficiente visual sente rosto do bebê impresso em 3D após exame

Tatiana tem cerca de 8% da visão por conta de esclerose múltipla.
Jovem espera o segundo filho, Murilo, que deve nascer em agosto.


Mariane RossiDo G1 Santos
Tatiana sente o rosto do filho Murilo (Foto: Mariane Rossi/G1)Tatiana sente o rosto do filho Murilo em exame 3D (Foto: Mariane Rossi/G1)
Uma jovem mãe de São Vicente, no litoral de São Paulo, que tem baixa visão, conseguiu sentir na ponta dos dedos os detalhes do filho Murilo, que está no quinto mês da gestação, por meio do ultrassom 3D. Tatiana Guerra, que já tem uma filha de sete anos, não conseguiria conhecer os traços do filho se não fosse pela nova tecnologia. A sensação única ficará para sempre na lembrança dela.
Aos 17 anos, Tatiana começou a perder a visão e descobriu que tinha esclerose múltipla. Desde então, começou a apresentar sequelas a cada surto da doença. "Faço um tratamento para diminuir os surtos. Mas a cada surto que tenho, perco mais a visão.”. Por conta do problema, ela teve que se afastar do emprego de relações públicas.
Tatiana espera Murilo que deve chegar em agosto deste ano (Foto: Mariane Rossi/G1)Tatiana espera por Murilo, que deve chegar em
agosto deste ano (Foto: Mariane Rossi/G1)
Tatiana conheceu o empresário Jackson Souto e teve a primeira filha, Julia, hoje com sete anos. Como já estava perdendo a visão, teve a ajuda de várias pessoas. No entanto, muitas vezes ficava sozinha com a menina em casa. Em 2015, ela descobriu que seria mãe pela segunda vez. “Eu usava DIU, mas tirei e ia colocar outro. Entretanto, houve uma mudança de plano de saúde, e nesse meio tempo veio o Murilo. Foi uma surpresa”, relata. A confirmação veio com um teste de farmácia, seguido de um ultrassom. Logo depois, ela já começou a fazer dois pré-natais, já que o parto é de alto risco, devido às medicações que ela precisa tomar.
Aos cinco meses de gravidez, ela passou por uma sensação que nunca imaginou sentir durante a gestação. Tatiana, que frequenta o Lar das Moças Cegas, foi chamada para participar do comercial de uma linha de produtos para bebês. Na ocasião, ela pôde fazer um ultrassom 3D, para identificar o sexo da criança. Tatiana recebeu então a notícia de que Murilo estava a caminho. “Fiquei muito feliz, chorei. Queria mesmo um menino para fazer um casal e fechar a fábrica”, brinca.
O médico então perguntou como ela imaginava o bebê. Tatiana deu todos os detalhes e, em seguida, para sua surpresa, recebeu um gesso com o rosto do menino reproduzido e um recado em braile: “Eu sou seu filho”. A emoção tomou conta da jovem mãe, assim que ela sentiu os detalhes do filho na ponta dos dedos.
Julia,Tatiana e o gesso com o rosto de Murilo (Foto: Mariane Rossi/G1)Julia,Tatiana e o gesso com o rosto de Murilo (Foto: Mariane Rossi/G1)
“Eu não esperava, não sabia. Foi a mesma sensação que tive quando a Julia nasceu e o médico a colocou nos meus braços. Sempre perguntava para o médico se estava tudo bem, porque tomo remédios muito fortes. Tinha medo de ocorrer alguma má formação. Quando você faz um ultrassom, sabe que vai ver o bebê. Mas, no meu caso, sabia que não ia ver, tinha que perguntar. De repente, pude ver com as minhas mãos, foi emocionante. Consegui sentir onde estava o narizinho, a boquinha, a orelhinha”, conta.

Tatiana tem cerca de 8% da visão e só consegue distinguir o claro do escuro. Daqui em diante, ela sabe que contará com a ajuda de amigos e familiares para cuidar de Julia e Murilo. E sabe também que irá acompanhar os passos dos filhos de forma diferente das outras pessoas. “Eu ficava chateada, a Julia fazia uma graça e todo mundo começava a rir, e eu não podia ver. Sentia muito isso e sei que vou sentir também com o Murilo”, relata.
Agora, Tatiana sabe usar os outros sentidos para enxergar além do que muitos conseguem ver apenas com os olhos. “Sentir com as mãos, apalpar, ouvir bem o barulhinho dele, isso também aguça e desperta a minha imaginação. Se ele não for apressadinho, virá no dia 17 de agosto”, conclui.
Ultrassom 3D de Murilo, aos 5 meses de gestação de Tatiana (Foto: Bruna Corralo/Lar das Moças Cegas)Ultrassom 3D de Murilo, aos 5 meses de gestação de Tatiana (Foto: Bruna Corralo/Lar das Moças Cegas)

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Garota de 14 anos cria projeto em combate à violência contra a mulher

Por Jarid Arraesdezembro 17, 2013 14:13


http://www.revistaforum.com.br/questaodegenero/2013/12/17/garota-de-14-anos-cria-projeto-em-combate-a-violencia-contra-a-mulher/












Por Jarid Arraes





(Foto: Divulgação)


Jaqueline de Sousa é uma estudante do 9º ano do Ensino Fundamental, com grandes interesses na literatura e nas Ciências Humanas. Com apenas 14 anos de idade, Jaqueline decidiu desenvolver um projeto e apresentá-lo na Feira de Ideias promovida pelo Instituto Entrando em Cena. Em busca de inspirações, pesquisou na internet sobre a violência contra a mulher no Brasil e se deparou com dados alarmantes. Nesse momento não havia mais dúvidas: Jaqueline tinha certeza de que queria fazer a diferença.


Intitulado de “Só um tapinha?”, o projeto de Jaqueline teve como objetivo promover intervenções nas escolas, apresentando videos, músicas, debates e seminários para conscientizar os alunos sobre a questão da violência contra a mulher. Os resultados foram muito positivos, o que levou o projeto a concorrer ao Prêmio Entrando em Cena no Mundo, vencendo na terceira colocação. Mas agora Jaqueline vai ter bastante trabalho pela frente: ela vai passar por várias escolas que vão receber o seu projeto.


Quer saber mais? É só ler a entrevista feita com ela logo abaixo:


Como surgiu o seu interesse pelo tema da violência contra a mulher?


- Então, como eu sempre li muito, aconteceu que eu comecei a ver em portais de notícias dados e estatísticas sobre a violência contra a mulher e isso só me fez ficar mais interessada. Na verdade, eu carrego esse incômodo desde sempre, isso é algo muito frequente, então sempre ouvimos dizer “ah, ‘fulana’ apanhou, mas também mereceu”. Isso sempre me deixou com uma pulga atrás da orelha… como assim “mereceu”? Acho que foi assim que tudo começou.


Qual é a ideia do seu projeto? Como é colocado em prática?


-A ideia “macro” do meu projeto é a redução do índice de violência contra a mulher. Ele vai funcionar com os alunos das escolas de rede pública de Bragança Paulista, a cidade onde moro. O 1° módulo do projeto será ainda em parceria com o Instituto Entrando em Cena, que foi o Instituto que despertou em mim a vontade de mudar essa situação.

Ele vai funcionar com ações de impacto nos 4 primeiros dias da semana, tudo de forma muito artística – como teatros, documentários, depoimentos de mulheres que já sofreram violência e apresentação de dados -, para despertar o interesse dos alunos. Já no ultimo dia da semana, vamos promover um debate reflexivo onde teremos contato tanto com as possíveis vítimas quanto com os possíveis agressores. A ideia é que jovens passem as informações para outros jovens. Inicialmente, 8 escolas vão receber o projeto e vamos trabalhar com todos os alunos de 14 à 17 anos dessas unidades.









(Foto: Divulgação)


Quais resultados você espera desse projeto?


- Eu espero a humanização desses jovens e que eles fiquem tão impactados quanto eu fiquei quando vi tantos dados negativos. Espero que os jovens que vão fazer parte do projeto passem essas informações adiante. Eu só quero que meu projeto mude a história de muitas mulheres e que desperte um lado mais racional nos homens.


Você se considera uma jovem feminista?


- Na verdade, eu tive meu primeiro contato com o Feminismo quando comecei a desenvolver o projeto. Acabei pesquisando sobre o assunto e achei a iniciativa maravilhosa. Eu me identifico de certa forma com o feminismo e me considero uma jovem feminista. Muitas vezes, até me pego disparando “isso é machismo” pros meus amigos em meus círculos mais próximos.


Que mensagem você deixaria para outras garotas da sua idade?


- Se algo incomoda vocês, mudem. Os jovens têm a força para mudar o mundo. A iniciativa tem que partir de dentro de vocês – nunca, jamais abandonem seus sonhos!


Apesar do prêmio e da visibilidade que conquistou, há quem pense que Jaqueline é muito jovem para desenvolver esse trabalho. Os pais dela, no entanto, discordam: “a atitude dela foi surpreendente, eu não tinha conhecimento dessa vontade dela. Na verdade, eu não esperava tanto, mas com o desenvolvimento do projeto e seu potencial, as portas foram se abrindo e ela acabou tendo um reconhecimento incrível”, disse sua mãe.


A iniciativa de Jaqueline representa muito mais do que uma curiosidade pessoal e específica; ela é retrato de uma nova geração, que pode utilizar sua disposição para abrir a mente e seu acesso a internet como ferramentas de transformação social. E é nosso papel fazer com que esses novos protagonistas tenham espaço para crescer e solidificar uma realidade mais justa.