sexta-feira, 4 de julho de 2014

Você sabia que o acompanhante de um passageiro com deficiência possui desconto de no mínimo 80% na passagem aérea? O Código de Defesa do Consumidor também existe para facilitar a vida daqueles que possuem necessidades especiais


Você sabia que o acompanhante de um passageiro com deficiência possui desconto de no mínimo 80% na passagem aérea? O Código de Defesa do Consumidor também existe para facilitar a vida daqueles que possuem necessidades especiais. Para evitar abusos ao consumidor, Pedro Lupion sancionou a lei que obriga a afixação de cartazes em todos os estabelecimentos de comercialização de passagens aéreas. http://www.pedrolupion.com.br/noticia.php?idnoticia=505

‘Desculpe não ter postado nada antes, é que nesse período estava tentando me manter vivo’, diz Fagner Zadra

zadraFagner Zadra postou na última quinta-feira (03) um novo vídeo na internet para contar como está o tratamento e se mostra confiante na recuperação. Ainda em uma cadeira de rodas, diz que até outubro quer estar de volta aos palcos. O ator foi atingido por uma peça de isopor na abertura do Festival de Teatro de Curitiba, em março deste ano. O acidente deixou Zadra com um edema na medula cervical. O ator tem feito sessões diárias de fisioterapia, desde que deixou o hospital onde estava internado.
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Zadra faz parte do grupo de humor Tesão Piá, conhecido pelas piadas dos hábitos dos curitibanos. Após o acidente o grupo continuou a se apresentar e dedicam as apresentações ao companheiro.  A mãe do ator, Rosilene Zadra, que veio do Rio Grande do Sul para cuidar do filho,conta que o carinho dos fãs tem sido fundamental para a recuperação de Fagner.
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O ator reconhece e agradece o carinho dos fãs e faz planos para se apresentar novamente com os colegas do Tesão Piá nos shows ao vivo.
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O vídeo do ator está disponível na página oficial do grupo Tesão Piá no Facebook.

MPE recomenda à prefeitura de MS que cumpra normas de acessibilidade

O Ministério Público Estadual (MPE) de Mato Grosso do Sul recomenda à Prefeitura Municipal de Campo Grande que cumpra normas de acessibilidade e dispositivos contidos na Convenção sobre Direitos de Pessoa com Deficiência, da Organização das Nações Unidas, principalmente em relação à educação.

A assessoria de imprensa da prefeitura informou ao G1 que a administração municipal ainda não foi comunicada oficialmente sobre os pedidos, mas já adianta que "recomendação não tem caráter de obrigatoriedade"  e que, na Rede Municipal de Ensino (Reme), "é garantido plenos direitos à educação das pessoas com deficiência".

O MPE fez duas recomendações à prefeitura sobre acessibilidade e abriu procedimento preparatório para apurar a garantia de acesso à educação às pessoas com deficiência, conforme consta na edição desta quarta-feira (2) do Diário Oficial do MPE.
O MPE pede que a administração municipal condicione a expedição de habite-se e aprovação de projetos de construção, reforma e ampliação de prédios abertos ao público à construção de rampas de acesso, portas, espaços de circulação e outros equipamentos adaptados às pessoas com deficiência.

Ainda de acordo com o MPE, as construções devem ser feitas dentro dos padrões em acessibilidade estabelecidos nas normas técnicas, "em especial no que se refere aos prédios das escolas da Rede Municipal de Ensino".

Na segunda recomendação, o órgão estadual pede que a prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação e da Secretaria Municipal de Receita, Finanças e Controle, "viabilizem a inclusão na proposta orçamentária de cada ano as verbas necessárias para dar efetividade ao pleno direito à educação das pessoas com deficiência".

De acordo com as publicações, o Executivo tem 60 dias para encaminhar ao MPE, por ofício, as providências adotadas para a execução das recomendações. Em caso de descumprimento, serão tomadas medidas legais.

A Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos informou que as recomendações tem caráter preventivo e que há duas denúncias sobre irregularidades sobre o tema, em escolas, em apuração.
G1

quinta-feira, 3 de julho de 2014

POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL IGNORAM CRIANÇAS COM TDAH E COM TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM - See more at: http://www.tdah.org.br/br/textos/textos/item/412-tdah-pol%C3%ADticas-p%C3%BAblicas-educacionais-no-brasil-ignoram-crian%C3%A7as-com-tdah-e-com-transtornos-de-aprendizagem.html#sthash.yVF1Ktbi.dpuf

Escrito por 

Políticas públicas educacionais no Brasil ignoram crianças com transtornos do déficit de atenção e com transtornos de aprendizagem
 
Profa. Dra. Ana Luiza Navas
Professora Adjunta, Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP
Membro Conselho Científico da Associação Brasileira do Déficit de Atenção
 
Os recentes resultados de estudantes do Brasil nas avaliações do desempenho em Português e Matemática causam sérias preocupações de especialistas de diversas áreas. Essa defasagem entre o desempenho esperado para a idade e escolaridade, e o desempenho observado tem origem em questões pedagógicas, socioculturais, ambientais entre outras. Considerar todos estes fatores, é sem dúvida, necessário para que ocorra uma mudança significativa neste quadro da Educação brasileira. Investir na formação de professores, melhorar as condições de trabalho e de remuneração dos educadores, bem como adotar práticas educacionais baseadas em evidências científicas são algumas das prioridades.
No entanto, ainda há um contingente de crianças e jovens que mesmo se estas condições educacionais fossem ideais, ainda assim, teriam dificuldades para acompanhar o processo de aprendizagem. Esse grupo de crianças corresponde de 4 a 6% da população escolar, meninos e meninas que têm Transtornos do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e/ou Transtornos Específicos de Aprendizagem (TEA). Os sinais destes transtornos são identificados na escola, mas não são restritos ao ambiente escolar. Essas crianças têm dificuldades nas funções cognitivas de atenção e memória, em alguns aspectos do desenvolvimento da linguagem, social e até emocional, e é na escola que estas dificuldades se tornam um problema maior.
A pesquisa científica no mundo inteiro, inclusive no Brasil demonstra sem ambiguidades que quanto mais cedo estes transtornos forem identificados por profissionais da saúde, melhor será o processo educacional, já que o professor que reconhece esta criança poderá usar recursos pedagógicos adequados para garantir o acesso às informações e conteúdo escolar (Elliot et al. 2007).
Desde a Declaração de Salamanca, em 1994, o Brasil tem avançado muito em suas Políticas de Educacionais na perspectiva da educação inclusiva, estabelecendo diretrizes e critérios para o acompanhamento de crianças com necessidades especiais, no ensino regular e complementação no Atendimento Educacional Especializado (Brasil, MEC, Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, 2007). A política atual destaca o apoio aos escolares com deficiências física, auditiva, visual, intelectual, transtorno global do desenvolvimento (distúrbio do espectro do autismo) e altas habilidades/superdotação (Brasil, MEC, CNE, Resolução CNE/CEB 4/2009). No entanto, o grupo de crianças com TDAH e/ou TEA não está contemplado nesta resolução que especifica o público alvo do Atendimento Educacional Especializado.
No mundo, há legislação específica para apoio educacional e garantia de diagnóstico por equipes multidisciplinares em mais de 150 países. Como exemplo, destaco as legislações no Reino Unido e Estados Unidos da America que enfatizam a importância da identificação precoce destes casos para intervir o mais rapidamente possível (Reino Unido, Special Educational Needs Code of Practice. 2001; Estados Unidos da America, The Individuals with Disabilities Education Act, IDEA, 2004).
Em 2010, o então Senador Gerson Camata apresentou um projeto de lei que dispõe sobre a necessidade do poder público garantir o diagnóstico e o apoio educacional das crianças e jovens com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Dislexia, um dos Transtornos Específicos de Aprendizagem. O projeto visa corrigir esta lacuna no Brasil, já que a ausência de reconhecimento da dislexia e do TDAH nas políticas educacionais, dificulta que uma família consiga apoio na escola, e que tenha acesso aos recursos didáticos adequados para melhorar a vida escolar de seu filho. A falta de diretrizes explícitas também faz com que muitos professores rotulem crianças sem o devido encaminhamento aos profissionais de saúde que devem fazer o diagnóstico correto. Há ainda aqueles professores que encaminham estas crianças para as salas do AEE, o que não está previsto pela resolução do Conselho Nacional de Educação.
Essas são as razões para que parte essencial deste projeto em relação à Educação seja a proposta de que os sistemas de ensino devem garantir a formação aos educadores. Professores da educação básica deverão ter amplo acesso à informação, tanto para que possam identificar precocemente os sinais indicativos da presença de transtornos de aprendizagem ou do TDAH, bem como para que possam desenvolver estratégias para o apoio educacional escolar desses educandos. Vale ressaltar que alguns profissionais devem auxiliar os professores no estabelecimento de projetos para o acompanhamento para estas crianças, como o psicólogo e/ou o fonoaudiólogo educacional.
Já em relação á área da Saúde, o projeto de lei recomenda um programa de formação continuada para melhorar a qualidade de precisão dos diagnósticos realizados nos equipamentos de saúde e garantir o acesso ao atendimento especializado por equipe multidisciplinar. Destacam-se nesta equipe os neuropsicólogos e fonoaudiólogos clínicos.
O projeto já tramitou no Senado e foi aprovado em todas as comissões em que passou (Seguridade Social e Família; Educação e Cultura; Finanças e Tributação; e Constituição, Justiça e Cidadania). No momento (dezembro 2012), o PL encontra-se na Câmara dos Deputados e já foi aprovado na  Comissão de Seguridade Social e Família. Na Comissão de Educação, o projeto de Lei 7081/2010, teve como relatora a Dep. Mara Gabrilli, e recebeu voto favorável, com apresentação de um novo substitutivo que especifica melhor as atribuições de cada setor, Educação e Saúde, para lograr o acompanhamento integral destas crianças e jovens. Ainda faltam duas comissões para a aprovação final, a Comissão de Finanças e Tributação e Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
O Projeto de Lei 7081/2010 clama pelo estabelecimento de políticas públicas que reconheçam as crianças com TDAH e transtornos de aprendizagem como população que precisa de apoio pedagógico em sala de aula. Caso seja aprovado caberá ao Poder executivo regulamentar esta lei, estabelecendo as suas diretrizes e inserindo estas ações em programas intersetoriais de Saúde e Educação.
Com esta aprovação, o Brasil estaria corrigindo um equívoco e com isso melhorando as condições de sucesso de aprendizagem para este grupo de crianças que estão à margem deste processo. Infelizmente, ainda não é o bastante para sanar todas as dificuldades que o sistema educacional enfrenta, mas sem dúvida já representará um grande avanço e pelo menos esta parcela da população escolar terá condições mais justas de conseguir o sucesso no processo de aprendizagem.
 
Bibliografia
  • Brasil. Ministério da Educação. Parecer CNE/CEB nº 13/2009, aprovado em 3 de junho de 2009 - Diretrizes Operacionais para o atendimento educacional especializado na  Educação Básica, modalidade Educação Especial. Disponível aqui.
  • Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 555, de 5 de junho de 2007, prorrogada pela Portaria nº 948, de 09 de outubro de 2007.
  • Elliott, S., Nan, H., Andrew, T.R. Universal and early screening for educational difficulties: Current and future approaches. Journal of School Psychology, v.45, n.2, p.137-161, 2007.
  • United Kingdom, Department of Education and Skills. Special Educational Needs Code of Practice. 2001. Disponível aqui
  • United States of America, Education Department. The Individuals with Disabilities Education Act (IDEA). 2004. Disponível aqui



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Deficientes visuais acompanham a Copa pela Rede Verde e Amarela

Acompanhar a Copa pelo rádio é a escolha de muita gente que está ligada na Rede Verde e Amarela do Grupo Bandeirantes desde o começo do mundial.

Mas para algumas pessoas, construir as jogadas através do som é a única opção.

A reportagem da Bandnews FM esteve no colégio do Instituto Padre Chico, que há 86 anos atende deficientes visuais na zona sul de São Paulo. 

E por lá, o futebol e a Copa têm um significado bem especial.




Homem com perna amputada entra no Parque Náutico para nadar e desaparece

Foto:  Juliano Cunha - Banda B
Foto: Juliano Cunha – Banda B

Um cadeirante de aproximadamente 40 anos desapareceu no começo da tarde desta quinta-feira (3) após pular no lago do Parque Náutico do Iguaçu, no bairro Boqueirão, em Curitiba. De acordo com o tenente Bochoski, do Grupo de Operações de Socorro Tático (Gost) do Corpo de Bombeiros, testemunhas contaram que tinha a perna esquerda amputada e por um tempo aparentava estar bem. (Escute a matéria completa no player acima)
“Pelo que nos relataram, ele desceu da cadeira de rodas e se arrastou até a beira. Já dentro do lago ele afundou uma vez e voltou sem ajuda. Na segunda, porém, ele desapareceu”, disse.
Jovens que corriam no parque observaram a cena e rapidamente pediram ajuda. Um canoísta tentou socorrer o cadeirante, mas não o encontrou mais.
O lago possui aproximadamente cinco metros de profundidade e o Gost usa um mergulhador com busca circular para buscar o cadeirante.
As buscas foram encerradas no final da tarde e devem ser retomadas na sexta-feira.
Banda B

Assista ao trailer do filme "Antes que o mundo acabe" da diretora Ana Luiza Azevedo com audiodescrição



Assista ao trailer do filme "Antes que o mundo acabe" da diretora Ana Luiza Azevedo com audiodescrição

Como os cegos "enxergam" no cinema

Fabio Rosso entrevista a audiodescritora Letícia Schwartz
 
"A audiodescrição é tão antiga quanto a cegueira". Com essa frase a audiodescritora da Mil Palavras Acessibilidade Cultural, Letícia Schwartz, inicia explicando o que seria essa técnica que, aos poucos, está sendo incluída em algumas obras audiovisuais produzidas pelo mundo inteiro. O recurso possibilita que cegos e demais públicos beneficiados assistam à filmes, entre outras produções culturais, de forma cada vez mais independente. Confira a entrevista.

Fotografia de Letícia Schwartz em um estúdio de gravação. Ela está em frente a um microfone de pedestal e usa fones de ouvido. Sorri para a câmera.
Fotografia de Letícia Schwartz em um estúdio de gravação. Ela está em frente a um microfone de pedestal e usa fones de ouvido. Sorri para a câmera.

Fabio Rosso - O que é a audiodescrição?

Letícia Schwartz - A audiodescrição é tão antiga quanto a cegueira. Pessoas com deficiência visual sempre dependeram de familiares e amigos que se dispusessem a realizar a descrição do ambiente onde a pessoa se encontra, das características físicas das pessoas em volta, das ilustrações de um livro, das cenas de um filme ou de uma peça de teatro. A audiodescrição é a profissionalização desse “contar o que se está vendo”. A descrição objetiva dos elementos visuais é o que vai permitir a inclusão de pessoas com deficiência visual na vida cultural. Além do acesso, esse recurso gera autonomia, uma vez que a pessoa deixa de depender de seus acompanhantes para participar de qualquer atividade cultural.

Fabio Rosso – Quem está habilitado a produzir audiodescrição e onde ela é produzida?

Letícia - A audiodescrição normalmente é desenvolvida por uma equipe que conta com um audiodescritor roteirista, que desenvolve o texto e determina os pontos de inserção das descrições (a audiodescrição não pode colidir com os diálogos de um filme, por exemplo); um audiodescritor narrador, que deve fazer a locução desse texto de maneira clara e discreta; um técnico de áudio, responsável pela gravação, pela edição e pela mixagem da audiodescrição com o áudio original do programa; e um revisor, que deve ser uma pessoa com deficiência visual que avalia a clareza das informações e a qualidade geral do trabalho. Hoje em dia existem diversos cursos preparatórios no Brasil. Nesse sentido, sugiro a quem estiver interessado que consulte o Blog da Audiodescrição , um canal constantemente atualizado que divulga tudo o que acontece no país em relação à audiodescrição.

Fabio Rosso - Quais os públicos que a audiodescrição pretende beneficiar?

Letícia - O público preferencial da audiodescrição é aquele constituído por pessoas com deficiência visual. No entanto, existem ainda outros grupos que podem se beneficiar desse recurso. É evidente, por exemplo, seu potencial como ferramenta de apoio a pessoas com dificuldade de aprendizagem ou alguma deficiência intelectual. Nesse caso, a audiodescrição contribui com o processo de percepção, compreensão e fixação das informações mais importantes. Espectadores videntes também podem tirar proveito da audiodescrição. A maioria das pessoas tem por hábito deixar a televisão ligada enquanto estão ocupadas com outras atividades, como cozinhar, costurar, comer, passar roupa, etc. A possibilidade de gravar programas audiodescritos para ouvir em trânsito é também uma possibilidade atraente para esse público.

Fabio Rosso – Onde a audiodescrição é aplicada?

Letícia - Não só no cinema. A audiodescrição pode ser aplicada à DVDs, programas de televisão, peças de teatro, fotografias, desfiles de moda, eventos esportivos, slides de power point, casamentos, histórias em quadrinhos. shows de música, espetáculos circenses, exposições, roteiros turísticos... Tudo o que pode ser visto pode ser descrito.

Fabio Rosso - Na sua opinião, qual a situação da inclusão social dos cegos no Rio Grande do Sul e como a audiodescrição vem contribuir nesse sentido?

Letícia - Acredito que somos resultado de nossas experiências, que cada filme que assistimos, cada livro que lemos, cada música que ouvimos contam um pouco da nossa própria história. Pessoas com deficiência, seja ela qual for, não podem ser privadas dessas experiências. A audiodescrição possibilita a inclusão na sociedade através do acesso à cultura, à arte, ao lazer e ao entretenimento. A acessibilidade cultural chega em busca da igualdade de condições, da liberdade de escolha e do desenvolvimento pleno do ser humano. No entanto, a questão da inclusão social dos cegos não depende apenas da audiodescrição. É preciso que a cidade como um todo seja acessível, para que a pessoa com deficiência visual possa ir e vir com liberdade e autonomia. Piso podotátil, sinaleiras sonoras e, principalemente, uma mudança de atitude por parte da população são alguns dos fatores que poderiam fazer a diferença.

Fabio Rosso - Como as salas de cinema podem ser adaptadas para que recebam o recurso?

Letícia - Na verdade, não basta que a sala esteja equipada. Para que as pessoas com deficiência visual tenham acesso ao cinema, três fatores são decisivos: Em primeiro lugar, os filmes precisam ter a audiodescrição. Ou seja, diretores, produtores e distribuidores precisam encarar os recursos de acessibilidade (audiodescrição para cegos e legendagem em português para surdos) como parte do processo de produção de qualquer filme. Em segundo lugar, as cópias do filme (digitais) devem incluir o recurso em uma faixa de áudio adicional, que será transmitida diretamente para fones de ouvido. Em terceiro lugar entra a adaptação das salas de cinema. O equipamento necessário é idêntico àquele utilizado para transmissão de tradução simultanea: um rádio transmissor que fica na cabine, conectado ao equipamento de projeção; e receptores e fones de ouvido para os espectadores. Dessa forma, apenas os espectadores que solicitarem os fones ouvirão a audiodescrição, evitando qualquer interferência no som da sala. Ou seja, é preciso que todos os envolvidos no processo tenham consciência da importância desse recurso e de que existe uma fatia de mercado que pode ser contemplada.

Fabio Rosso - Fazer audiodescrição é algo que exige um alto investimento?

Letícia - Em relação ao orçamento de produção de um filme, o valor é irrisório (menos de 1%). No entanto, para exibições pontuais o valor é, sim, elevado. A situação ideal é que a audiodescrição seja incluída no planejamento orçamentário de cada projeto. Dessa forma, os filmes poderão ser lançados já com audiodescrição e o custo desse serviço não recairá sobre os exibidores.

Fabio Rosso - Como foi a experiência de fazer a audiodescrição para o filme Antes que o mundo acabe? É o primeiro audiovisual gaúcho a contar com o recurso?

Letícia - Descrever o "Antes que o mundo acabe" foi uma experiência fantástica. O filme conta a história da um adolescente que vê seu mundo virar do avesso quando começa a receber cartas do pai, que jamais conheceu. No entanto, a relação entre os dois não se estabelece através de palavras, e sim de fotografias. Nosso desafio foi traduzir essa linguagem intensamente visual em palavras. Como as conversas com a diretora Ana Luiza Azevedo começaram bem antes do lançamento do filme, tivemos tempo de realizar o trabalho sem pressa, o que possibilitou que o processo fosse tranquilo e consistente. Além disso, o contato pessoal com a Ana e o Giba Assis Brasil (co-roteirista e montador do filme) permitiu uma troca constante, ajustando a audiodescrição à linguagem particular da obra. Em anos anteriores, foram realizadas algumas experiências com curtas exibidos em mostras. "Antes que o mundo acabe" é o primeiro longa-metragem gaúcho em que a audiodescrição está disponível no DVD. Ou seja, qualquer pessoa pode comprar ou retirar o filme na locadora, selecionar a opção "português com ad" no menu de configurações e assitir a versão com audiodescrição.

Fabio Rosso - Qual o retorno que os deficientes visuais têm dado ao assistir audiovisuais com o recurso da audiodescrição?

Letícia - Não é verdade que o cego seja um recluso. Diversas pessoas com deficiência visual frequentam cinemas e teatros mesmo sem a audiodescrição. Não compreendem, porém, boa parte das cenas, ou dependem de pessoas que cochichem em seu ouvido as informações visuais mais relevantes. Para as pessoas com deficiência visual, a possibilidade de assistir um filme com audiodescrição abre uma nova porta de comunicação com o mundo. Isso é o que os espectadores com deficiência visual tem apontado como os maiores benefícios: a autonomia, a liberdade de escolha, a possibilidade de compartilhar momentos de lazer com os familiares e amigos e a verdadeira inclusão na vida cultural da nossa sociedade.
Fonte: Fabio Rosso Entrevistas
http://fabiorossoentrevistas.blogspot.com




Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e com Altas Habilidades no Rio Grande do Sul - FADERS
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Câmara aprova pensão mensal e vitalícia para a atleta Lais Souza

Do G1, em Brasília
Laís Souza (Foto: Reprodução/Fantástico)Deputados deram aval à concessão de pensão para
a atleta Lais Souza (Foto: Reprodução/Fantástico)
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (2) a concessão de pensão mensal e vitalícia para a atleta olímpica Lais Souza, que sofreu um grave acidente de esqui em janeiro deste ano quando treinava em Salt Lake City, nos Estados Unidos. Lais sofreu uma lesão na coluna cervical e faz tratamento para tentar recuperar os movimentos das pernas e dos braços.
O projeto aprovado pela Câmara prevê que a pensão será no valor máximo pago atualmente pelo Regime Geral de Previdência Social, de R$ 4.390,24. O benefício não poderá ser transmitido aos herdeiros da atleta. O texto agora segue para votação no Senado antes de ser submetido à sanção presidencial.
Na justificativa do projeto, os autores da proposta, os deputados Rubens Bueno (PP-PR) e Mara Gabrilli (PSDB-SP), alegaram que Lais é de uma família humilde de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
Em março, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) iniciou uma campanha de doações para custear os cuidados médicos e de fisioterapia necessários à atleta. O seguro usado pelo comitê cobre o atendimento de emergência e o transporte entre hospitais, mas não prevê pagamento mensal para a continuidade do tratamento.
Antes de se dedicar ao esqui, Lais Souza representou o Brasil em duas Olimpíadas. Em 2005, conquistou uma medalha de ouro no salto, na Copa do Mundo de Cottbus, na Alemanha. O convite para começar a praticar esportes de inverno foi feito em 2013 pela Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN).
Na modalidade esqui livre, Lais representaria o Brasil neste ano nas Olimpíadas de Inverno da Rússia. O acidente que interrompeu a trajetória da atleta ocorreu enquanto ela esquiava numa pista cercada de árvores, nos Estados Unidos.
Ela sofreu um choque na cabeça, provavelmente contra uma árvore, e teve um deslocamento entre a terceira e a quarta vértebras, esmagando a medula. Com a lesão, perdeu a sensibilidade e os movimentos do pescoço para baixo.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Mauricio de Sousa fala sobre criação de personagens com deficiência

Dorinha e Luca são personagens com deficiência criados por Mauricio de Sousa.
Dorinha e Luca são personagens com deficiência criados por Mauricio de Sousa.
Quem nunca ouviu falar em Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão? Criados pelo jornalista e cartunista Mauricio de Sousa, esses e outros personagens da Turma da Mônica marcaram e marcam a infância de muita gente. O que poucos talvez saibam é que o desenhista e criador dessas histórias em quadrinhos responde também pela criação de personagens com deficiência, que desde 2004 figuram nos enredos das revistinhas da Turma.
Com Luca, um garoto cadeirante, Dorinha, uma menina com deficiência visual inspirada em Dorina Nowill, André, um menino com autismo, e uma personagem feminina com síndrome de Down, que ainda está em fase de desenvolvimento, Mauricio quer passar para as crianças a importância da inclusão. “A Turma da Mônica é um grupo de personagens que vivem e agem como crianças normais, como nossos filhos ou conhecidos. Todos nós temos amigos com algum tipo de deficiência e convivemos harmônica e dinamicamente. Aprendemos as regras da inclusão aí”, contou ele em uma entrevista ao site Vida mais livre.
Veja destaques da entrevista:
VML: Quando e por que surgiu o interesse por personagens com algum tipo de deficiência?
Mauricio de Sousa: A Turma da Mônica é um grupo de personagens que vivem e agem como crianças normais, como nossos filhos ou conhecidos. Todos nós temos amigos com algum tipo de deficiência e convivemos harmônica e dinamicamente. Aprendemos as regras da inclusão aí.
Consequentemente, não poderíamos deixar de apresentar, no universo dos nossos personagens, amiguinhos da turma que também tivessem algum tipo de deficiência. Até acho que demorei muito para perceber esse vazio nas nossas histórias.
VML: Você se recorda da situação em que teve a ideia de criar o primeiro desses personagens?
Mauricio de Sousa: Acho que foi quando criamos uma história onde um novo amiguinho da turma surgia de muletas. Ele participou de uma ou duas histórias, mas depois sumiu. Ficou a necessidade de mantermos esse tipo de convívio. Posteriormente, fui buscar um cadeirante para preencher o espaço.
VML: Conte um pouco sobre o processo de criação da personagem Dorinha.
Mauricio de Sousa: Quando pensei em criar uma menina cega, busquei uma referência e me veio a figura de Dorina Nowill, da Fundação do mesmo nome. Dorina, líder, de inteligência brilhante, sem preconceitos (para com os videntes), elegante, preocupada com a causa de mostrar caminhos aos cegos. Tirei daí tudo da Dorinha.
VML: Você também criou o Luca, que é cadeirante. Como ele foi criado? Foi inspirado em alguém, assim como a Dorinha?
Mauricio de Sousa: Para criar o Luca, conversei com os atletas paraolímpicos, o que foi, para mim, uma descoberta e uma alegria. Eles são muito bem resolvidos, também. Entusiasmados, alegres, espertos, inteligentes, com o moral lá em cima. Foi fácil transpor esse clima para o personagem, que continua acontecendo muito fortemente nas nossas histórias, a ponto de a Mônica, nos quadrinhos, estar meio de asinha caída para o Luca.
VML: Além da Dorinha e do Luca, há também o André, com autismo, e uma menina com Síndrome de Down, correto? Conte um pouco mais sobre estes personagens.
Mauricio de Sousa: O André nasceu de um estudo que fizemos para uma campanha. Saiu uma revistinha muito gostosa, que serviu e serve para muita gente entender um pouco melhor o autismo e suas diversas manifestações. Já a menina com Down é mais recente, pouco conhecida e ainda não suficientemente utilizada nas histórias. Está ainda em fase de estudos, devido à variação de graduações que o Down apresenta. Ainda estou buscando em que nível está a menina.
Leia a entrevista completa no site Vida mais livre.
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Os olhos do Maracanã


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Rio - No meio da multidão do Maracanã, das cores e do festival de imagens no jogo entre Equador x França, um grupo de cegos consegue acompanhar o jogo como se estivessem vendo cada lance, cada drible e colocando as mãos na cabeça por um gol perdido como qualquer outra pessoas. Sem conseguir ver, a experiência de presenciar um jogo é resultado de pura emoção ao ponto de poder até mesmo acompanhar o momento de levantar para fazer a ola.
Mas isso só é possível graças a uma narração especialmente preparada para o grupo de deficientes visuais e que conta, a cada segundo por meio de um transmissor de rádio, tudo que está acontecendo no campo e nas arquibancadas. Eles são os olhos de cegos que, graças a um projeto da ong Urece Esporte, começam a poder ir ao estádio. E justamente na melhor Copa em décadas.
Gabriel Mayr e Eduardo Butter são dois dos narradores voluntários que contam, dentro do Maracanã, cada um dos lances. Suas palavras são transmitidas por uma frequência de rádio e basta os cegos sintonizarem na estação correta e podem estar em qualquer lugar do estádio, inclusive no meio de uma barulhenta torcida equatoriana.
Uma primeira impressão poderia levar uma pessoa a pensar que não existe motivo para uma narração especial, já que locutores de rádios tradicionais fazem justamente o mesmo trabalho, contando a quem não está vendo o jogo cada lance e transportando o ouvindo para dentro da partida.
Mas os envolvidos com o projeto e mesmo os cegos alertam que não é a narração tradicional que os serve. No fundo, ela deixa de lado questões e descrições fundamentais de um jogo.
A explicação é simples: quem escuta um locutor já foi alguma vez na vida a um estádio ou pelo menos viu os lances pela televisão. No caso dos cegos, eles não tem qualquer referência e tudo precisa ser explicado, do movimento da bola, ao material usado nas camisetas, do banco de reservas a uma eventual ola da torcida.
“Não podemos gritar gol como um narrador por vários segundos”, explicou Mayr, que foi treinado por meses para fazer a audiodescrição. “O que temos de explicar naquele momento é justamente como foi o lance, para onde o artilheiro correu, quem ele abraçou, como está a reação da torcida”, disse Butter.
Essa não é a única diferença. Ao contrário de uma rádio tradicional, os narradores não podem dizer que um drible foi “lindo” e nem qualificar o jogo. “Isso compete a cada um que está escutando. Não podemos fazer juízo de opinião”, disse Mayr.
Até a ola é narrada. “Quando os cegos escutam o barulho da torcida, não sabem se é uma briga. Então temos de dizer que a ola está sendo feita e onde está indo”, explicou Butter. O narrador conta como foi surpreendido em uma ocasião quando se deu conta que os cegos imaginavam que o banco de reservas era um banco de madeira e reto. “Eles não imaginavam que era uma poltrona”.
Emoção - A narração ainda coloca por terra a ironia de Luis Fernando Veríssimo, que aponta que os locutores são fundamentais para que a torcida saiba se um jogo foi bom ou ruim.
Entre os cegos, a surpresa diante do novo serviço foi a disparidade entre o que as rádios colocam como a emoção do jogo e de fato o que os narradores estão explicando. “Alguns deles nos vieram dizer que, quando colocavam na rádio para escutar Bélgica x Rússia, a impressão era de que seria um jogo emocionante. Quando mudavam de frequência e nos escutavam, tinham a impressão de que o jogo estava ruim. Tentamos ser mais fieis ao que está acontecendo em campo”, explicou Mayr.
Os coordenadores do projeto admitem que tentam equilibrar o que é emoção e o que é a narração isenta de comentários.
Anderson Dias, um dos cegos que estava no estádio ontem, admite que as vezes alterna a locução especial para a da rádio para dar um “emoção extra”. Mas admite que o gol sai primeiro na narração preparada para os cegos.
O Estado ouviu parte do jogo com a narração e os detalhes vão desde o suor de um jogador, do fato de que alguns deles levam a gola da camisa para cima e uma descrição de onde estão cada uma das torcidas e o que vestem.
Entre os narradores, a satisfação é enorme quando eles conseguem ver que os cegos levantaram as mãos ao mesmo tempo que o resto da torcida. “Isso significa que eles podem acompanhar os lances como qualquer um no estádio e isso é muito especial”, declarou Butter.
A Fifa vai agora deixar os seis transmissores portáteis e as antenas para o Brasil e a esperança dos coordenadores do projeto é de que o mesmo sistema comece a funcionar em jogos do campeonato brasileiro e estaduais. Mas eles enfrentam um obstáculo: precisam ainda de uma autorização da Anatel para liberar a frequência.
Dias, que perdeu a visão com três anos, admitia que ainda falta maior treinamento para os narradores e que ele espera um dia ouvir também a locução com emoção. Mas não disfarça a emoção, principalmente quando levantava as mãos para acompanhar a ola que havia sido alertada pela audiodescrição. “Agora nós também podemos vir aos estádios”, comemorou.
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