terça-feira, 8 de abril de 2014

CONHEÇA O FILME AQUI:Hoje eu quero voltar sozinho



 No próximo dia 10 estreia o premiado filme Hoje Eu Quero Voltar Sozinho. Na trama, o adolescente Leo, que é cego, tenta fugir da superproteção da mãe e tem uma grande amizade com Giovana. Ao conhecer Gabriel, que acabou de entrar em sua escola, o rapaz descobre sentimentos que até então desconhecia e muda sua visão do mundo.
CONHEÇA O FILME AQUI: http://www.hojeeuquerovoltarsozinho.com.br/

Voltado para inclusão social, "Programa Especial" completa dez anos

Há pouco mais de dez anos, a jornalista Maria Léa trabalhava no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e buscava informações sobre a síndrome de Down (alteração genética causada por um erro na divisão celular durante a divisão embrionária), para entender e ajudar melhor seu filho, que recebeu o diagnóstico, mas não encontrava.

Percebendo a necessidade urgente de falar mais sobre isso, ela procurou a produtora No Ar Comunicação com a ideia de um programa. Nascia aí o “Programa Especial”, dedicado à inclusão social de pessoas com deficiência. Desde o dia 9 de março de 2004, ele vai ao ar semanalmente na TV Brasil e fala de mercado de trabalho, lazer, tratamentos, esporte, saúde, entre outros assuntos.

“Concordei plenamente com a ideia da Maria. Fizemos toda a concepção do programa, com o diferencial de mostrar a pessoa com deficiência não como um coitadinho ou super-herói, mas como um cidadão que precisa de respeito. A questão da deficiência é tratada, mas a pessoa está em primeiro lugar”, lembra Ângela Reiniger, diretora da produtora e do programa.

Segundo Ângela, antes da estreia, as pessoas “não levavam muita fé” e achavam um tema estranho para ser debatido. “Mas, uma vez que o programa mostrou uma visão positiva e séria do assunto, a repercussão foi muito boa, tanto na imprensa quando com o público”, conta. 

Em março de 2014, além dos dez anos de vida do programa, eles têm outros motivo para comemorar: o Dia Internacional da Síndrome de Down, lembrado nesta sexta-feira (21/03) e que existe desde 2006, é um dos indicativos de que o assunto ganhou espaço e atenção, trazendo informações e ajudando a diminuir o preconceito.

A novidade é que a atração inicia uma nova etapa com a preparação de um quadro com foco em crianças e a busca maior pelo espectador que não tem relação com a questão da deficiência, mas acha interessante a abordagem inclusiva do programa. 

Equipe especial
São três apresentadores-repórteres: Juliana Oliveira e José Pacheco, cadeirantes, e Fernanda Honorato, até onde se sabe a primeira e única repórter com síndrome de Down do mundo. "Eles servem tanto como ‘espelho’ para outras pessoas com deficiência, como para aquelas que não têm relação com a questão e possam ver com mais naturalidade este assunto", afirma Ângela.
Crédito:Divulgação
Juliana, Fernanda e Pacheco, equipe do Programa Especial, que vai ao ar aos sábados às 10h30
Juliana Oliveira

"Foi depois da cadeira que me formei, fiz mestrado, fui morar sozinha, casei, tive dois filhos e virei apresentadora."

Além da necessidade da informação, havia um anseio grande de ver pessoas com deficiências representadas na TV. A primeira integrante do programa veio dessa busca. “Eles foram pedir indicações no Centro de Vida Independente (CVI) onde faço as minhas adaptações para comer, escovar o dente... Fiquei lisonjeada com a indicação”, lembra Juliana Oliveira, sobre o convite para os testes do programa piloto em 2002. Dois anos depois, ela foi chamada para a estreia. 

Juliana ficou tetraplégica em acidente de carro em 1997, quando ia do Rio de Janeiro para a Bahia. Um pneu de caminhão se soltou na estrada e bateu no seu veículo. “Fiquei um tempão sem me mexer e muitos meses internada. Fui retomando as minhas coisas aos pouquinhos. Hoje estou estagnada, equilíbrio o tronco e tenho alguns movimentos de braço”, conta. 
Crédito:Dilvulgação
Juliana está no programa desde o início



Formada em publicidade e com mestrado em administração, no começo lembra que sentiu timidez com as câmeras. “Depois percebi que o que a TV Brasil estava procurando era naturalidade, comecei a ser eu mesma, natural, não me preocupando tanto com a função apresentadora. E aprendi na prática”, explica ela, que apresenta o programa e faz entrevistas no estúdio.
Para Juliana, o programa abriu portas para falar de deficiências com respeito. “Toda vez que a gente via nas novelas, nos jornais, era sempre muito piedoso, muito triste. Claro que é importante denunciar, mostrar que coisas ruins acontecem, mas o programa veio suprir o mostrar a deficiência como uma naturalidade. Tem dificuldades? Tem. Mas mostrar só a deficiência é pouco. Dá para ser feliz? Dá”, afirma.

Prova disso é o reconhecimento e a abordagem de espectadores que não têm deficiências. “Mostra que a gente já vive num país em que as pessoas são mais solidárias, se preocupam com a causa dos outros. Me sinto muito orgulhosa e honrada de fazer parte disso”, diz.

José Luiz Pacheco

"Há 28 anos a palavra acessibilidade não existia"

Pacheco chegou ao "Programa Especial" como entrevistado por ter sido o primeiro cadeirante a participar do Rally dos Sertões, em 2006. Ângela achou que ele levava jeito para a comunicação e o convidou para cobrir a licença-gravidez de Juliana. Em seguida, ele começou a fazer matérias sobre aventuras. E não parou mais. “Sempre tive espírito de aventura. Fui surfista, quando criança ia para lugares distantes de bicicleta, minha mãe nem sabia... [risos]. O programa só me possibilitou fazer ainda mais”, conta ele, que já pulou de parapente na Gávea, esquiou na neve e na água, abraçou turbarão, fez tirolesa, rapel, entre outras atividades em reportagens radicais.
Zé caiu do telhado em 1986 quando tentava pegar uma bolinha de tênis. Ele quebrou a coluna e morou um ano em um centro de reabilitação. "Há 28 anos nada era adaptado, não existia um lugar com rampa no país. A pessoa com deficiência era totalmente excluída. Isso me incomodava, mas eu me adaptei ao mundo da maneira que ele era”, recorda.
Crédito:Divulgação
Pacheco: "Não queria ver a vida passar"

Formado em design gráfico, Pacheco ressalta que a cadeira de rodas nunca o impediu de fazer nada, apenas deu novas e mais possibilidades. “Decidi que não ia deixar a vida passar, mas ia à luta. E percebi que poderia usar minha imagem para passar para as pessoas a consciência de que a acessibilidade cria um mundo mais humano para as pessoas”, declara.

Apesar de todas as dificuldades, ele afirma que não sabe como seria a vida sem a cadeira de rodas. “Tudo que eu fiz hoje foi graças a estar nela. A cadeira veio agregar, não tirar nada de mim”, explica.

Além da vontade de ir à luta, sua grande motivação foi a filha, que tinha um ano à época do acidente. “Ela foi a luz no fim do túnel para enfrentar tudo. Por ela estou aqui”, diz.

Fernanda Honorato

"O mais marcante é que acreditaram em mim"
Um pouco depois de Pacheco, Fernanda Honorato também chegou ao programa após ser entrevistada. “Fiz um teste e passei. Foi uma experiência muito gostosa. Meus pais nunca podiam imaginar que eu seria repórter”, conta ela, que tem síndrome de Down.

Se os pais não podiam imaginar, ela podia – e sonhava com isso. Curiosa e com gosto por acompanhar os jornais e “ver o que acontece mundo afora”, desde pequena Fernanda brincava de ser repórter com a família, entrevistava todo mundo e imitava Marília Gabriela. “Adoro ela. Sou louca para conversar com ela”, diz. E os planos não param por aí. Ela quer entrevistar os atores Tony Ramos, Murilo Benício, Glória Pires e Giovanna Antonelli. “E conhecer a Fátima Bernardes”, acrescenta.
Crédito:Divulgação
Fernanda faz "mil e uma coisas"

Mas nem só de reportagens vive Fernanda. Ela também é atleta das paraolimpíadas do Brasil, faz dança cigana, é rainha de bateria da Embaixadores da Alegria, escola de samba que abre o desfile das campeãs no Rio de Janeiro, está escrevendo um livro sobre a sua vida e pretende fazer um teste para ser atriz. “Sou assim, gosto de fazer coisas que ligam as pessoas com e sem deficiência, de igual para igual. Não consigo ficar parada”, afirma. 

Fernanda já sofreu preconceito quando era pequena (fase que não gosta de lembrar), mas hoje não mais. “Só queremos o nosso espaço. O programa é muito importante, serve de direção para muita gente, pode ajudar a diminuir o preconceito”, defende.

Para ela, o mais marcante de participar da atração é a confiança e a oportunidade que recebeu para aprender e se desenvolver como profissional. “Eu amo demais o programa, às vezes, quando estou em casa sinto falta de fazer reportagens. Já faz parte de mim. Se hoje sou o que sou, devo muito ao "Programa Especial" e à TV Brasil”. “Eles acreditaram em mim”, declara. 

http://www.portalimprensa.com.br/noticias/ultimas_noticias/64725/voltado+para+inclusao+social+programa+especial+completa+dez+anos

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Depoimento do irmao irmão deDébora .A sindrome de Donw superando os desafios da inclusao!!!

Sobre Débora

Frederico e a irmã Débora Crédito da foto: Acervo pessoal
Frederico e a irmã Débora
Crédito da foto: Acervo pessoal
Em 15 de julho de 1981, Débora chegou à nossa casa. Nascida com a Síndrome de Down, trouxe consigo muito temor e apreensão aos nossos pais, Margarida e Robério. Como ouvi dezenas de vezes ao longo da vida, Débora representou, na época, “o fim do sonho do filho perfeito”. O contexto familiar era o pior possível, pois, além da surpresa da Síndrome, nosso avô, Maneco, faleceria dali a poucos dias, vitima do câncer.
O tempo passou, e a menina foi se desenvolvendo.
Ingressou em escolas regulares, não sem alguns percalços, mas, inabalável, seguiu.
Terminou o primeiro grau e, anos depois, tornou-se a primeira pessoa com Síndrome de Down, na América Latina, a concluir o curso de Magistério. Nascia a Professora Débora. Privilegiados, os seus alunos!
Veja também: Brasil participa da III Convenção do Dia Internacional da Síndrome de Down, na sede da ONU, em Nova York
Deu palestras em dezenas de cidades brasileiras, além de ter ido à Argentina e a Portugal, sempre para relatar detalhes de sua vida e experiência profissional.
Aquela história de “fim do sonho do filho perfeito” parecia perder o sentido…
Em seguida lançou o seu “Débora conta Histórias”, livro de fábulas inclusivas, pelo selo Alfaguara da Editora Objetiva, com apresentação do jurista Renan Lotufo, Professor de Direito Civil da PUCSP, e do imortal João Ubaldo Ribeiro. O lançamento, em Natal, foi um sucesso retumbante. Cerca de trezentos e cinquenta livros vendidos em uma só noite, feito raríssimo, segundo os especialistas. Logo depois peregrinou por Recife, Maceió, Rio de Janeiro, São Paulo e Cuiabá, dando conferências e lançando seu livro. Até ao Japão sua história chegou, em entrevista ao Yomiuri Shinbun, jornal de maior tiragem diária no mundo.
Em fevereiro deste ano, Débora foi convidada para participar de painel em evento relativo ao Dia Internacional da Síndrome de Down, que ocorreu ontem, na Organização das Nações Unidas – ONU, em Nova Iorque.
Foi um momento de superior emoção para nossa família. Poucos brasileiros chegaram até ali, um dos principais foros de debates e resoluções do mundo. Débora foi a primeira mulher potiguar a fazê-lo.
Fácil perceber que, ao longo de sua vida, ela galgou conquistas significativas. Todavia, especialmente nos últimos anos, Débora vem nos mostrando que limites pouco representam, quando verdadeiramente se tem algum objetivo em mente. É bem verdade que esse é um chavão antigo, mas sua repetição é válida diante de caso que tão bem o exemplifica.
Para nós, familiares, além de nos emocionar quase diariamente com tantas vitórias, ela também nos preenche de indizível orgulho. Aliás, para alguns, Débora é hoje o maior orgulho do Rio Grande do Norte. É capaz de ser mesmo…
Mas o que verdadeiramente importa é o “caráter social” de sua história. Débora deve servir de exemplo para diversos pais, que, muitas vezes, após a notícia do nascimento do filho com Síndrome de Down, sequer sabem que suas crias podem falar ou viver socialmente. Seu recado é: invistam, acreditem, apostem nos seus filhos. Não os segreguem ou os subestimem. Permitam-nos viver e conviver com todos, assim, indistinta e livremente.
Hoje, quase trinta e três anos depois de seu nascimento, Débora espanta definitivamente aquela história, já sem qualquer sentido, que tanto escutei ao longo da vida, pois é claro que não representa “o fim do sonho do filho perfeito”; diversamente, traz o exemplo do filho que, ao seu modo, torna-se indispensável e insubstituível no convívio familiar e, acima de tudo, retrata inegáveis avanços da educação brasileira que, ao menos no peculiar aspecto da inclusão, é vanguardista.
Nova Iorque, 22 de março de 2014.
Frederico Araújo Seabra de Moura
Irmão de Débora
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segunda-feira, 31 de março de 2014

Juliana Oliveira entrevista Daniel Gonçalves


Como seria?

 Algumas vezes já botei em discussão aqui no blog uma temática meio fantasiosa/sonhadora/futurista sobre como pessoas com deficiência imaginariam suas vidas sem as “malacabações” que as acometeram.
É um exercício muito louco imaginar uma realidade que você nunca teve. De certa maneira, a experiência é bacana para que se descubra e se valorize mais as conquistam alcançadas diante de um corpo com deficiência física ou sensorial.
Mas escrevo isso porque um camarada documentarista e PC, o Daniel Gonçalves, resolveu gravar um vídeo completo com o seu “como seria”. Achei a iniciativa mega, blaster interessante e curiosa.
Paralisados cerebrais podem ter comprometimentos severos no esqueleto, na fala, no equilíbrio, no formato do rosto, enfim… o caboclo pode ficar beeeem avariado.
Os desafios de viver com paralisa cerebral passam por aspectos que vão além da acessibilidade. Como também já abordei por aqui, PCs sofrem com o preconceito das avaliações ligeiras sobre o que representam.
Fiz um post, há alguns anos, sobre dicas para não pagar micos com os paralisados cerebrais e é interessante bater um olho. Basta clicar no bozo para saber mais.  bozo
Pois bem, ainda em fase de finalização, o documentário do Daniel já tem um teaser, que é um pedacinho de filme pra mode deixar a gente com vontade de ver mais kkkkkkkkkkk.
Avalio que o trabalho dele pode iluminar ideias diversas e revelar que, talvez, o “como é” tem muito mais valor e peso do que o “como seria?”.
Há um trecho que vai chamar muito a atenção de “ceistudo”: quando dois idiotas o encaram na rua, situações que muuuitos “malacabados” já passaram…

terça-feira, 25 de março de 2014

EQUIPE DO CIRCO CRESCER E VIVER VIAJA PARA LONDRES COM ESPETÁCULO INOVADOR

Capa
Este é um fim de semana histórico para o Circo Crescer e Viver.  Neste domingo, 23, o coordenador artístico Vinícius Daumas segue para Londres em companhia de uma trupe pra lá de inovadora. Com o ousado “Beloging” o elenco (formado por deficientes físicos) está na programação de um dos maiores festivais de circo do mundo, o Circus Fest 2014.
O festival reúne companhias de diversas partes do mundo e acontece entre os dias 26 de março e 27 de abril no RoundHouse, uma das casas mais prestigiadas de Londres.
O espetáculo é uma parceria do Circo Crescer e Viver com os londrinos da Graeae Theatre Company que juntos desde meados de 2013 vêm buscando desenvolver e consolidar uma metodologia de formação e qualificação em artes circenses voltada a artistas com deficiência física.
Após o primeiro contato entre brasileiros e ingleses que aconteceu em novembro do ano passado em terras “tupiniquins”, o grupo volta a se reunir em Londres para finalizar os detalhes da apresentação que acontece nos dias 15 e 19 de abril.
vinicius
Vinicius Daumas/Foto Tina Carter
Para Vinícius Daumas esta é mais uma oportunidade do Circo Crescer e Viver ampliar o impacto de suas ações em nível internacional com uma nova expertise: capacitar pessoas com deficiência física. “A gente está desenvolvendo um trabalho de pesquisa, metodologia e consolidação. A intenção é capacitar outros profissionais da área que pretendam atender de forma qualificada um público com deficiência física” afirmou.
Viviane
Vivane Macedo/ Foto Juliana Chalita
Para Viviane Macedo, bailarina, coreógrafa e integrante do Beloging, a expectativa é grande já que o projeto é inovador e reúne em um só tempo e espaço pessoas com as mais diferentes deficiências físicas em uma comunicação que acontece em quatro linguagens (português e inglês, além das linguagens de sinais brasileira e britânica). “A troca é fantástica. Enquanto aprendemos ensinamos e isso é o mais importante” comenta.
Após a experiência em Londres a trupe atravessa o Atlântico de volta ao Brasil levando o Beloging para a programação do Festival Internacional de Circo do Rio de Janeiro – evento produzido pelo Circo Crescer e Viver e M’Baraka que acontece em maio.
A direção do espetáculo é de Jenny Sealey (fundadora e diretora do Graeae) com co-direção de Vinicius Daumas.
“Beloging” é um termo em inglês que significa “pertencimento”. E de acordo com a equipe de criação esta é justamente a ideia que o espetáculo busca explorar através de um aprofundamento “naquilo que nos conecta e também naquilo que nos divide enquanto pessoas”.
Veja  AQUI a divulgação no blog britânico Graeae!
Fotos:
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menino
Marcos Paulo/Foto Cristiane Albuquerque
André
Andre Melo de Souza/ Foto Juliana Chalita
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Sara Bentes
http://crescereviver.org.br/blog/2014/03/22/equipe-do-circo-crescer-e-viver-viaja-para-londres-com-espetaculo-inovador/

Stephen Hawking

segunda-feira, 24 de março de 2014

Lançamento de bonecos para ensinar a Língua de Sinais


Um novo empreendimento visa ajudar crianças surdas ou com dificuldades de comunicação – “SignLanguageDoll.com“, um projeto nascido na Califórnia, EUA.
Os designers desta linha de brinquedos dizem ter criado uma ferramenta divertida para melhorar as habilidades de comunicação através do uso da língua de sinais, beneficiando os usuários e ajudando irmãos,  parentes e amigos de pessoas com deficiência auditiva a aprender o sistema.

“Estes bonecos estão se tornando uma ferramenta de ensino em todo o mundo. Através deles, pode-se  fazer a ponte entre quem precisa de língua de sinais, porque  podem ser ensinados  facilmente “, disse o diretor do projeto. Além do que  atende às necessidades de crianças com deficiência auditiva e seu meio ambiente. Os fabricantes afirmam que os bonecos têm sido muito benéficos para as crianças com autismo, paralisia cerebral, deficiência visual, síndrome de Down e outras necessidades especiais.
Entre as peculiaridades destes bonecos, destaca a ductilidade nas articulações das mãos, permitindo que você faça os principais sinais do sistema de sinal, além de modelos com aparelhos auditivos e implantes cocleares, ferramentas de brinquedos que ajudam a ambos os dispositivos incorporar as crianças em suas vidas diárias através do jogo e perder a sensação de “estranheza”.

“Estamos abrindo a porta de comunicação para estas crianças na construção da independência e da liberdade através da comunicação”, dizem os fabricantes.
Além de seu objetivo de negócio, a empresa tem um programa de conjunto, onde indivíduos e empresas podem patrocinar uma boneca e doar para escolas ou escolas especiais.
http://www.deficienteciente.com.br/2012/11/lancamento-de-bonecos-para-ensinar-a-lingua-de-sinais.html

A vida de Mara

Mara Gabrilli vê felicidade onde não há desconforto, sente prazer nas pequenas coisas e desconhece o medo da morte. Em meio à luta pela acessibilidade, ela pondera diante de uma balança invisível: cuidar de si mesma ou cuidar dos outros
A Vida de Mara
Fernando Martins Ferreira Veja a galeria completa

por Bruna Veloso
O apartamento onde mora a deputada federal Mara Gabrilli fica em uma área nobre de São Paulo – há uma jacuzzi na enorme sacada, a sala ampla é inundada pela luz cinzenta da tarde que atravessa as portas de vidro e a decoração é simples, mas sofisticada. Mara nasceu em uma família abastada, viajou o mundo, estudou em bons colégios. Mas as possibilidades financeiras parecem nunca tê-la atraído mais do que as possibilidades humanas.
Mara, 46 anos, virou Mara Gabrilli, psicóloga, publicitária, colunista, política articulada e voz ativa na busca por melhores condições para os deficientes físicos no Brasil, sua principal plataforma de campanha, depois de ter se tornado tetraplégica em um acidente de carro em 1994, aos 26 anos. Tetraplégica: a condição física que vem sempre atrelada ao nome dela parece insignificante diante da vivacidade do discurso, da fluidez das palavras, da maneira como ela interage com o interlocutor. A cadeira de rodas é mera coadjuvante.
Primeira titular da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo (2005-2007), depois vereadora (2007- 2010) e, por fim, deputada federal (eleita em 2010, pelo PSDB-SP), Mara diz que sempre teve um “olhar para Direitos Humanos”. Vai concorrer ao segundo mandato na Câmara dos Deputados – e não pensa na possibilidade de não ser reeleita.
O quão difícil é ser mulher na política? O gênero faz diferença?
Faz, mas para o lado bom. Eu acho ótimo, porque me traz mais um diferencial. Acho que lá os homens são mais delicados com as mulheres, e vejo que me tratam com muito respeito, com mais delicadeza do que entre eles. Vou naquelas reuniões de bancada, e é até engraçado: você olha, estão lá 60 homens – e eu. Não vejo problema, pelo contrário. Acho que abre muita porta. Olho aqueles homens todos e agradeço por não ser um deles [risos].
Em uma escala de 1 a 10, onde o Brasil estaria quando o assunto é a inclusão do deficiente?
Se a gente for levar em consideração infraestrutura e serviços, eu colocaria o Brasil no número 2. Mas, por outro lado, a gente tem alguma coisa que é meio intrínseca do brasileiro, que está um pouco na frente. Embora o povo daqui não tenha o hábito, não tenha serviço, não tenha auxílio, existe uma predisposição emocional para ser mais acolhedor e mais inclusivo, sem refletir sobre o assunto. Acho que nesse ponto a gente é 8. Mas é algo que eu enxergo no modo de ser, que não é lapidado.

Você parece ter uma personalidade muito bem desenhada em todas as fases da sua vida, antes e depois do acidente. Mas qual foi a principal mudança no seu modo de agir e pensar após ter se tornado tetraplégica?
Acho que muitas mudanças aconteceriam inevitavelmente. Mas foi muito trabalhoso conseguir chegar num equilíbrio. Sabe, eu estava hoje no avião, e pensei: “Nossa, estou tão feliz”. E não tem nada acontecendo. Eu me lembro de momentos muito difíceis, então ficou muito mais fácil e recrutável um momento de felicidade na minha vida. Porque se eu estiver sem nenhum desconforto físico e emocional, é felicidade. Sabe um bebê? Ele meio que começa a chorar, gritar e espernear, oscila entre desconforto e momento de prazer. Se ele não está com frio, com cólica, ele está bem. E foi muito trabalho para eu conseguir chegar nisso [ ficar confortável]. Durante muito tempo, passei por muito desconforto longo, contínuo e frequente. Toda a sorte de desconforto. E hoje eu tenho bem mais momentos confortáveis do que antes de eu sofrer o acidente.
Foi mais difícil lidar com a realidade de ser deficiente ou lidar com a impressão das pessoas à sua volta ante a sua deficiência?
A impressão das pessoas não me ajudou em nada. Pelo contrário, incomodava. Mas com certeza não era esse meu maior incômodo. O meu maior incômodo foi o vazio em que eu me encontrei. Eu não conhecia aquilo. Não era classificável. Não sabia como faria para chegar ali [aponta com a cabeça], como seria quando a pessoa que estava do meu lado não estivesse, como seria pra deitar na cama... Eu não sabia nada.
http://rollingstone.uol.com.br/edicao/edicao-90/vida-de-mara