sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Terra à vista!



Plano do governo federal dá perspectivas de avanços na educação especial com investimento maior que 1 bilhão de reais


Por Priscila Sampaio / Fotos: Shutterstock

FONTES:  http://revistasentidos.uol.com.br/inclusao-social/68/artigo244876-1.asp


“Viver sem Limites”, é o objetivo do governo federal para 2012. E para alcançar esse estágio é necessário que a população com deficiência tenha acesso à educação, que deve ser inclusiva nas escolas, sejam regulares ou especiais, mas que haja uma inclusão real, onde o aluno possa fazer parte da turma e aprender como os outros para poder ter as mesmas chances profissionais e uma carreira acadêmica e, assim, poder exigir seus direitos e cumprir seus deveres.
O Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o “ Viver sem Limites”, investirá R$ 1,8 bilhão, que será aplicado em ações para promover a acessibilidade nas escolas e garantir a educação. Entre as ações estaria a readequação de 42 mil escolas, que serão reformadas para instalar rampas, banheiros acessíveis e a acessibilidade dentro da sala de aula. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), aproximadamente, existem 29 mil colégios que já possibilitam a frequência do estudante com deficiência. No entanto, a inclusão não se limita à questão estrutural, mas sim a um conjunto de ações articuladas. “Não se melhora a qualidade do ensino considerando somente a sala de aula, seus agentes e espaços. É necessário que os pais se comprometam em manter o filho na escola e que os professores se dediquem a educá-lo pelo poder público”, afirma Rogério Draga, pedagogo e professor do Departamento de Teorias do Ensino e Práticas Educacionais da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Há cursos para o ensino especial pela prefeitura, pelo estado, pelas universidades, mas é algo ainda muito genérico
O investimento para a área de educação será além dos muros da escola. Dentro do plano está a aquisição de 2.600 ônibus escolares adaptados para o transporte dos alunos. Essa medida está dentro da Lei de Salamanca, assinada há 11 anos. A Declaração de Salamanca, na Espanha, estabeleceu garantias de educação a todas as pessoas com deficiência. O documento foi aprovado por unanimidade por representantes de 88 governos e 25 organizações internacionais na Conferência Mundial de Educação Especial das Nações Unidas, realizada em junho de 1994.

Recursos 
Nas salas de aula regulares está sendo cada vez mais comum o número de alunos com deficiência. O censo escolar de 2010 apontou mais de 700 mil matrículas na rede pública e privada. Houve um aumento de 10% comparado a 2009. Contudo ainda não há uma seleção de professores especializados para assistir determinados estudantes. “Temos cursos pela prefeitura, pelo estado, as universidades têm oferecidos pósgraduações para o ensino especial. Mas, infelizmente, é algo ainda muito genérico. Eu já tive um aluno cego e um outro com autismo. Me senti desorientada de como poderia trabalhar cada um deles junto com a turma, pois apresentavam dificuldades e habilidades distintas”, diz Neila Oliveira, professora de Português da rede pública de São Paulo.
Perante esse fato, o MEC desenvolveu o Programa de Implantação de Recursos Multifuncionais. São salas que trabalham com materiais pedagógicos para desenvolver o aluno que frequenta a sala comum. O programa, que atende atualmente mais de 24 mil unidades de ensino pelo Brasil, foca o desenvolvimento cognitivo, o nível de escolaridade, os recursos específicos para o aprendizado e as atividades de complementação e suplementação curricular. Esse é o apoio que professores, como a Neila, poderão ter para auxiliar os estudantes. No plano anunciado pela presidente Dilma Rousseff serão criadas mais 17 mil salas de recursos multifuncionais.

 Plano Nacional criará, até 2014, cursos de letras-libras nos 27 estados

Capacitação 
Dentro do valor de R$ 1, 8 bilhão, o MEC terá o compromisso de implantar ações para a capacitação de professores. Para Ana Lúcia Scagnolato, coordenadora de projetos sociais na ArcelorMittal Piracicaba, é muito importante o governo fomentar centros de estudos para a educação especial. “É desafiador trabalhar a inclusão escolar, por isso, fazer com que os profissionais estudem juntos proporcionará, além do conhecimento técnico, a troca de experiência, que será válida tanto quanto a absorção dos conceitos teóricos da inclusão”, analisa.
Para atender a comunidade surda do Brasil, que hoje está representando quase 10 milhões, como revelou o censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Plano Nacional criará, até 2014, cursos de letras-libras nos 27 estados e serão instalados em núcleos de acessibilidade nas instituições federais de ensino superior.



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

SEGUINDO NUMA CADEIRA AZUL...


 Após  dez anos, habitualmente tomando banho de mar, mesmo com muitas dificuldades, isto quando não era pendurada nas costas do meu irmão, era no colo de um dos sobrinhos.  Ai surgiu essa abençoada cadeira acessível! Tá certo que para quem ia  no mar em pé, mergulhava, boiava...
Pudesse escolher! É claro, que escolheria a primeira opção, mas a condição agora é outra, foi bom enquanto durou e olha foram 30 anos!!!
Graças a DEUS! Mas chega de  melodrama e vamos  ao dia 30\12\2011 as 19:00 horas, fomos nós três eu, Diego e o Daniel.  É claro, fui explicando de casa até a praia sobre a cadeira acessível, mas quando chegamos na areia molhada o Daniel falou:                      
 _ Até aqui nós viemos. Agora  você vai ter que ir andando! 
 _ Eu  não paguei 1500 reais para isso!  O Diego, como já sabia da história  toda disse:
 –PÓ MEU!! NÃO OUVIU A TIA EXPLICANDO NO CAMINHO, QUE  ELA É PRÓPRIA PARA ENTRAR NA ÁGUA TAMBÉM!!!
  -A é não prestei atenção...
 Então fom
 Mas tava  bom demais!! Só o carinho dos  dois foi muito bom.
os tomar aquele banho, apesar do dia estar fresco.
 Depois na virada do ano, quando fomos quase todos nós, o Dinho pelo qual me levou, e me molhou e quando cheguei em casa, tive que ir pro chuveiro, tomei mais um banhozinho básico, fiquei braba com ele è  claro, mas não falei nada, porque reconhecia a boa vontade dele.
No dia seguinte a tardinha  só fui fazer um comentário:
 - Estava gostoso ontem a  noite, eu toda molhada né! A  pronto o caboclo ficou tão brabo e disse:
- É a gente faz um favor e ela ainda reclama! Falou isso pra mãe, que estava junto ali na cozinha. Ai nós duas  ao mesmo tempo dissemos:
_ Mas ninguém aqui esta reclamando è apenas um comentário. E este simplesmente foi embora .
 Nos outros dois dias foi o Bruno marido da Priscila como no ano anterior, foi o meu fisioterapeuta, então já estava acostumado a lidar comigo. Mas  quem eu queria era mesmo aquele que desde criança  nós íamos lá no fundão, depois da arrebentação das ondas onde a gente se divertia a valer!!!Meu irmão querido que logo chegou e resolveu matar a saudade da infância também gentilmente levou-me e pudemos até lembrar alguns momentos que já havíamos esquecidos.
Lá fomos para o nosso tão querido amigo  mar,  assim nos últimos dois dias eu sai da cadeira com a ajuda deles e fui mergulhar. Ai que delícia viver de novo aquela emoção de ver o mar, sentir a brisa, ver o meu povo da praia que me conhece desde criança.
Outra experiência com a cadeira, até estava ansiosa aguardando minhas duas amigas a Clara e a  Valeria me haviam prometido me levarem ao mar e nunca que vinham, mas minha irmã querida foi buscá-la e vejam só quem estava aqui no Ano Novo ,a minha amiga desta e de outras vidas. E lá fomos nós, a turma jovem da casa, enquanto os mais velhos ficaram vendo pela tv os fogos. Aqui estávamos de novo todos juntos harmonizando, vendo aquelas luzes lindas no céu escuro, amigos antigos e vizinhos me cumprimentando e estranhando a minha presença de novo na areia, alguns foram dar seus pulinhos nas ondas e minha Clara-Claríssima registrando com suas habituais fotos. Seguem-se as fotos e vejam por si só o que elas dizem!!!
Preparando para saída e o meu fiel atleta sobrinho querido!!
Deixou de ser um sonho...
Luz,cor,alegria ação é disso que a vida merece!!!
Galera jovem da casa!
Ei Clara-Clarissíma mais um ano juntas celebrando o Novo Ano que aproxima.
Obrigado Diego você sempre nas minhas aventuras com a ACESSIBILIDADE!!
E lá vai ele sem esteira a cadeira tornase ainda pesada!
Mas SEGUIRAM UMA CADEIRA AZUL!!ISSO SIM !!HÁ,HÁ,HÁ!


Texto elaborado de uma experiencia pessoal de Jussara Molina,47,PC,uma pessoa alegre,vencendo barreiras e limites,ama a vida . Sabe que pode e deve ser útil a sua maneira numa sociedade aprendendo a lidar com as diferenças!




terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ilha Solteira (SP) tem primeira praia acessível de água doce do país


Ilha Solteira recebe dez cadeiras anfíbias do Programa Praia Acessível.


Programa Praia Acessível: também em água doce
A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência leva o Programa Praia Acessível ao interior de São Paulo, onde o mar está distante e a população conta com as "prainhas" de água doce. A prefeitura da Estância Turística de Ilha Solteira recebeu dez cadeiras anfíbias, entregues no  domingo, 15 de janeiro, na Praia Catarina. O objetivo é promover a inclusão de pessoas com deficiência também no lazer.
O Programa Praia Acessível foi lançado em 2010 e tem como objetivo oferecer tecnologia assistiva para que pessoas com deficiência possam usufruir do banho de mar ou de rio com segurança e dignidade. A Secretaria é responsável pelo fornecimento das cadeiras e as prefeituras oferecem equipes de suporte para atendimento aos usuários.

È a primeira vez que a Secretaria leva o programa a um município que não conta com a proximidade do mar. No litoral paulista, os municípios de Cananéia, Mongaguá, Itanhaém, São Sebastião e Ubatuba receberam também dez cadeiras anfíbias cada. O Guarujá foi beneficiado com 16 unidades e Iguape duas. As unidades utilizadas no Praia Acessível são feitas com um tipo de pneu especial, que permite superar a dificuldade de locomoção na areia, e também não afundam dentro da água. Devido à sua altura, é possível o usuário entrar na água, em uma profundidade não perigosa. Existe facilidade na transferência para a cadeira, que possui braços removíveis.

O programa Praia Acessível já beneficiou mais de 5 mil pessoas e vem acontecendo aos finais de semana em São Sebastião, Ilha Comprida, Ilhabela, Bertioga, Guarujá e Santos. A partir de janeiro de 2012, o programa será implantado em Iguape, Cananéia, Mongaguá, Itanhaém e Ubatuba. Agora, também Ilha Solteira está sendo beneficiada.

NOSSA SENHORA DO AMOR INCLUSIVO





FONTE: http://bronca-blogdobronca.blogspot.com/

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Igual ou diferente?Importa é atitude!!!!


Coisas que já aprendi com meu iPad


Estamos em plena Idade Mídia. E os fins da educação exigem novos meios. Ou será o fim da educação! Não tenhamos receio: o essencial não está nos instrumentos, mas em quem os utiliza.
Não precisamos descartar as coisas antigas, as tradições, as relíquias. Não precisamos caluniar o passado. O iPad não nos pede isso. Há quem goste de usar o giz em sala de aula, por exemplo, como sinal de resistência. E repete, recorrendo a palavras da liturgia da Quaresma: “do pó de giz eu vim... e ao pó de giz eu voltarei!”. Ou, com ares homeopáticos, afirma que tinha alergia ao giz, mas se curou com o próprio pó!
O iPad é um meio, algo que me permite alcançar várias finalidades. Aprender e ensinar são duas delas. Com esses fins em mente, comprei o iPad. “Cada dia sem iPad é um dia a menos de aprendizado”, disse eu a mim mesmo, querendo convencer-me de que não era despesa de consumista, mas investimento educacional.
A primeira coisa que aprendi com o iPad é que ainda sou analfabeto digital. Atualizar-se é ter a humildade de perguntar a alguém, ler um manual, pedir explicação aos outros. E colocar o dedo na tela. Esta, aliás, foi a segunda coisa que aprendi: o toque ligeiro. Quem um dia datilografou em máquinas mecânicas sabe quão sutil é o tanger que o iPad espera.
Fui ao iPad como quem vai com sede ao pote. Sede de entender o que po­de um iPad que um computador qualquer não possa. O que dá a esse meio uma importância especial?
O iPad parece um livro. E nele posso carregar milhares de livros. Já incluí, por exemplo, um livro de pensamentos de Leonardo da Vinci. Que ficaria enlouquecido com um aparelho desses entre seus dedos curiosos e inventivos. Se é que não o previu em sonhos futuristas.
Ler no iPad, e ver também. Ver as imagens nítidas, a ótima resolução, o colorido. E ouvir no iPad. Só não há como cheirar. O iPad não fede nem cheira como os livros do sebo (o viciante cheiro do uso), ou como os livros recém-lançados, aquele cheiro do novo em folha, capa e tinta.
Levo meu leve iPad para cima e para baixo, dentro do avião, entre nuvens reais e virtuais, ou no metrô subterrâneo. Aliás, nele sou conduzido e induzido a baixar/comprar aplicativos. Fui aluno aplicado outrora, mas nunca vi tantos aplicativos numa hora! E é só o começo.
Estou aprendendo com o iPad a me desbloquear. Todos os dias.
Mas não sou eu o único aluno do iPad. Meus alunos também são seus alunos! O que poderão fazer no iPad, no dia em que cada um tiver um à sua mão? O ideal seria colocar todo o material da mochila num tablet. Todas as bibliotecas, videotecas, fonotecas, grafotecas, mapotecas, sonotecas, midiatecas, hemerotecas, iconotecas dentro do iPad. A vida lá dentro, como outrora fizemos com a parede da caverna, o afresco da igreja, a tela da TV.
Para só mencionar uma inovação: provas-games. O jogo da química. O jogo da gramática. O jogo da filosofia. O jogo da física. O jogo da história. O jogador joga para aprender. Aprendendo, ganha pontos. E os pontos se traduzirão em prestígio virtual e poder de criação. Com os pontos adquiridos, o aluno pode criar um perfil escolar/profissional, seu currículo imediato, em articulação com futuras vagas em universidades, centros de pesquisa, postos de trabalho.
Artigo publicado na edição de outubro de 2011 da revista Profissão Mestre.


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domingo, 29 de janeiro de 2012

Etiqueta on-line


Ficar o tempo todo conectado pode virar um vício e transformar o usuário em alguém mal educado
A facilidade em acessar redes sociais, e-mails e bate-papos, em qualquer lugar e a qualquer momento, por meio dos smart­­phones e tablets, está fazendo com que muitas pessoas cruzem a sutil fronteira entre a praticidade e a falta de educação.
Para evitar esse problema, e tornar os encontros reais menos conectados, começam a surgir, inclusive, alguns curiosos movimentos. É o caso do phone stacking (empilhamento de telefones), que virou febre entre os jovens nos Estados Unidos. O ritual é o seguinte: todos empilham seus celulares no centro da mesa e não podem mais tocar neles. O primeiro a cair em tentação paga a conta.
Antonio More/ Gazeta do Povo
Antonio More/ Gazeta do Povo / Ampliar image- 
Os amigos Carolina Garofani, chef de cozinha;Daniel Dall’ag­­nol, consultor de empresas; Rafael Marcondes, arquiteto; e Pedro Pontoni, videomaker toparam o desafio de testar o “phone stacking”, mas logo começaram a bater fotos e comentar as redes sociais diretamente dos celulares durante a experiên­­­cia. Ou seja, eles provaram, na prática, que está cada vez mais difícil as pessoas se desligarem de seus gadgets.
Carolina Garofani reconhece que não larga seu smartphone por muito tempo, seja para uso pessoal ou profissional, e reconheceu que já levou bronca. “No jantar de aniversário da minha irmã, ela ficou irritada comigo, chamou minha atenção porque eu não desgrudava do iPhone, mas eu precisava esperar um e-mail, era realmente trabalho”, justifica. Ela entende que o hábito pode ser mal educado em muitos momentos, e, quando sente o excesso em outras pessoas também não hesita em chamar a atenção. “Tenho muitos amigos viciados, mas eu peço, sim, para a pessoa desligar, parar de mexer no celular e falar comigo”, conta.
“Hoje em dia é difícil eu ligar para alguém ou atender um chamado. Eu uso mesmo o meu smartphone para escrever em redes sociais e falar pelos aplicativos de mensagem e bate-papo, pois você consegue fazer outras coisas ao mesmo tempo”, conta Pedro Pontoni. Daniel Dall’agnol, por outro lado, justifica sua superconexão, afirmando que as redes ajudam a aproximar as pessoas. “Com as mensagens que você compartilha, todo mundo fica sabendo das suas coisas. É bom contar o que está acontecendo para quem não estão lá com você”. Depois de admitirem os próprios vícios, os jovens concordam que tem muita gente mal educada no uso dessastecnologias.
Gehad Hajar, pesquisador em Ciências Políticas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), já sofreu na pele uma situação para lá de constrangedora, por causa de smartphones e seus donos sem educação. “Em uma palestra sobre a questão palestina, com um conteúdo bastante pesado, percebi logo a minha frente várias pessoas com seus celulares dando risadinhas. Tive que interromper minha fala e pedir que desligassem os aparelhos. Mesmo assim, alguns não o fizeram”, conta.
Mesmo com a situação embaraçosa, Hajar não é contra as novas tecnologias, pois ele mesmo afirma que não desgruda do seu smartphone. “Faço transações bancárias e checo meus e-mails pelo iPhone, acho que não vivo mais sem ele. Só que eu consigo separar as coisas e saber o momento em que ele deve ficar desligado”. Mas nem todo mundo tem esse autocontrole e situações grosseiras, como em restaurantes,cinemas e outros espetáculos, continuam acontecendo.
“Acredito que há um certo deslumbramento das pessoas que estão utilizando essas tecnologias e que, muitas vezes, não conhecem as ferramentas e suas consequências”, avalia a consultora de etiqueta Tete da Silva. Ela defende, inclusive, que as pessoas incomodadas com a falta de educação dos superconectados não pensem duas vezes em dizer o que pensam. “Temos que falar quando algo nos incomoda, claro que sempre educadamente”, acrescenta Mário Ameni, consultor de eventos e cerimonial.
Vício moderno
Mais do que uma distração, o hábito de checar e-mails e atualizações das redes é um sintoma do pensamento fragmentado da era moderna, avalia a pedagoga Danielle Louren­­­ço, que estuda a tecnologia e seus reflexos na sociedade. “A capacidade de concentração das pessoas hoje é muito pequena. Vivemos um momento de reconstrução, de tentar observar quando esse hábito se torna um transtorno”, salienta a especialista. Ela faz ainda um paralelo entre a superconexão com outros vícios, pois muitas pessoas, na ausência da internet, sofrem da síndrome de abstinência.
Foi o que aconteceu com um grupo de amigos do arquiteto Rafael Marcondes, na viagem para a praia na virada do ano. “Logo que chegamos lá não tinha sinal, nenhum celular estava funcionando, foi um verdadeiro pânico para todos. Só depois do terceiro dia é que nos acostumamos com a situação e aproveitamos”, conta.
Tonio Dorrenbach Luna, psicólogo e consultor em relações humanas, afirma que as inovações tecnológicas possibilitam proximidade e velocidade, mas também favorecem alguns transtornos. “Hoje existe gente ansiosa porque não recebeu “curtir” no Facebook. Isso mostra que as relações de dependência se transferiram muito para a tecnologia”.
Social: Desligar o celular é básico
A luz que vem da tela dos celulares pode ser incômoda em muitas situações. E o pior: há quem insista em atualizar as redes sociais no cinema, no teatro ou em pleno show. “Desligar o celular é a regra básica da etiqueta. Não podemos atender a celulares ou usar tablets e smartphones diante de um convidado”, afirma Mario Ameni, consultor de eventos e cerimonial. Por outro lado, a ansiedade em checar as redes sociais pode acabar estragando um encontro com amigos. “Você deve ficar o máximo de tempo presente com aquela pessoa. Ficar no celular mostra que outras coisas são mais importantes do que ela e isso é uma grande grosseria”, alerta Tonio Dorrenbach Luna, psicólogo e consultor em relações humanas.
Trabalho: Não misture vida pessoal e profissional
Há uma verdadeira polêmica dentro das empresas sobre a liberação ou o bloqueio de sites, e-mails, blogse redes sociais. Perda de tempo e improdutividade são alguns argumentos pelo bloqueio, mas a interação e atualização também ganham peso. Mesmo que as redes sociais e outros sites sejam liberados no ambiente profissional, é preciso acessar esses canais com moderação, pois, com alguns cliques, é possível perder horas de trabalho, alerta a headhunter Rosanne Martins. Adicionar colegas de trabalho às redes é outro ponto polêmico e é preciso ponderar se você realmente quer compartilhar suas atualizações com pessoas que não são necessariamente íntimas. Uma vez adicionado, o conteúdo enviado a eles também deve ser pensado com cuidado. Piadas e comentários sobre outros colegas estão proibidos.
E-mails: Correspondência eficaz
Nada mais chato do que receber aquelas mensagens e correntes de e-mail que são repassadas para muitas pessoas. Pior, só se a mensagem vier daquele colega de trabalho. “Você precisa ter isso bem separado. Hoje há muitos e-mails gratuitos, então você pode ter contas distintas para cada assunto, pois é fundamental separar o que é trabalho do que é pessoal”, orienta a head­­­­hunter Rosanne Martins. Na hora de enviar um e-mail para vários destinatários, inclua-os no campo “Com Cópia Oculta”, assim você não expõe o endereço dos seus amigos a estranhos. Repassar automaticamente protestos, correntes e piadas é de mau gosto. Evite fazer isso, mas, se julgar necessário, acrescente seu comentário pessoal ao e-mail e o porque de estar enviando para determinada pessoa.
Redes sociais: Cuidado com a publicação de intimidades
Dentro das redes sociais, há todo tipo de pessoas: que postam fotos e vídeos, que compartilhamnotícias, que falam do seu dia a dia e ainda as que ficam só de olho nas publicações alheias. “É preciso ter a noção de que tudo que se escreve numa rede social torna-se público”, alerta a head­­­­hunter Rosanne Martins, da consultoria De Bernt Entschev Human Capital. E ela lembra: é comum, em entrevistas de emprego e recrutamento, os avaliadores fazerem uma busca sobre o que a pessoa publica e divulga nas redes. Por isso, é importante focar em conteúdos relevantes e interessantes para todos. Expor demais sua intimidade e de sua família, como fotos da casa e de viagens, pode até gerar situações de risco. “Algumas configurações permitem compartilhar conteúdos com grupos específicos, assim você não expõe sua intimidade”, lembra a pedagoga Danielle Lourenço.
FONTES: GAZETA DO POVO


sábado, 28 de janeiro de 2012

O padrão Steve Jobs é predador


Por que milhões de pessoas estão descar­tando aparelhos novos, diminuindo o tem­po de vida dos produtos e adquirindo mo­de­los novos com pequenas melhorias?
Vou nadar contra a correnteza. Afirmo que o modelo de consumo imposto por Steve Jobs é predador e prejudicial ao futuro da humanidade. A morte de Steve elevou-o à condição de mito e chegaram a compará-lo a Leonardo da Vinci. Ele era um gênio da engenharia, disso não discordo. Mas penso que sua obsessão quase louca por lançar um produto e, alguns meses depois, relançá-lo com melhorias marginais, e seu êxito em conseguir convencer multidões a substituí-lo compulsivamente em período curto contribuíram para a exploração irracional e destrutiva dos recursos ambientais.
Debati esse assunto em uma mesa-redonda na qual o palestrante louvava Steve Jobs como um ser quase extraterrestre, um deus que estaria propiciando aos humanos um patamar superior de vida na Terra. Jobs ofereceu coisas novas e boas, sem dúvida; mas também contribuiu para o consumismo predador.
Antes, é preciso esclarecer um ponto: há inovações que são caracterizadas como “saltos tecnológicos”, enquanto outras, não. A evolução da abreugrafia (o raio X) para a ressonância magnética; da máquina de escrever para o computador; do telefone fixo para o celular; da carta para o e-mail, a invenção da internet... todos esses são exemplos de saltos tecnológicos geniais e extremamente úteis à humanidade. Mas sair de um iPad 1 para um iPad 2 não é salto tecnológico algum, são apenas melhorias marginais na mesma tecnologia e no mesmo produto.
Fiz, ao palestrante, a seguinte pergunta: “Diga-me em que a humanidade se torna superior por adquirir um iPhone e, antes de dominar e usar 20% de seus recursos técnicos, substituir pelo modelo 2, comprar o modelo 3 em mais seis meses... o modelo 4... o modelo 5...?”. Na realidade, afirmei, nada há de superior nisso, e o descarte de produtos praticamente novos está causando destruição de recursos naturais, aumentando o lixo mundial e colocando a humanidade em um beco capaz de comprometer a vida de nossos filhos e das gerações seguintes.
Há pessoas que compraram o iPad 1, exploraram uns 5% de sua capacidade, jamais leram um único livro em seu leitor eletrônico e, eufóricos, compraram o iPad 2 apenas meio ano depois. E irão comprar o iPad 3, o iPad 4 e quanto mais houver. E precisam disso? Não. Não precisam e não usam 80% do equipamento. Por que milhões de pessoas estão descartando aparelhos praticamente novos, diminuindo o tempo médio de vida dos produtos, e adquirindo modelos novos do mesmo, praticamente iguais, com pequenas melhorias marginais? É apenas fruto de desejo, ansiedade, consumismo e exibicionismo, vícios que são antigos. Na obra Satiricon, escrita por Petrônio na época do Império Romano, o milionário diz: “Só me interessam os bens que despertam no povo a inveja de mim por possuí-los”. Karl Marx voltaria ao assunto, para dizer que “o fetiche da mercadoria vai transformar todas as relações sociais em mercadoria”.
A indústria programa desgastes artificiais dos: produtos e provoca sua obsolescência em períodos curtos, como forma de obrigar os mesmos consumidores a uma reposição mais rápida. Ao constatar que a troca de uma peça simples de seu aspirador de pó custava quase o mesmo preço de um aspirador novo, a professora italiana Giovanna Micconi, doutorando em Harvard, afirmou que “algo de muito errado está acontecendo com nossa sociedade”.
O caso do aspirador de pó é uma situação que deixa o consumidor meio sem alternativa. Porém, as versões novas de telefones, televisores, carros, computadores, tablets e até de roupas nos levam a entrar na onda de trocar o tempo todo apenas pela angústia de comprar. E há um sério agravante: grande parte dos consumidores está comprando tudo isso não com renda, mas com dívidas.
O economista Eduardo Gianetti deu entrevista indignado com a incapacidade da economia de mercado (da qual ele e eu somos fãs) em levar em conta o custo ambiental de nossas escolhas de produção e consumo. Ele fala da “corrida armamentista do consumo”, que, com mais bilhões de chineses e indianos ingressando no mercado consumidor, vai explodir os recursos do planeta. A Terra não vai aguentar.
O abacaxi está posto para a humanidade e esse padrão de consumo, do qual Steve Jobs é um símbolo, não é sustentável. A genialidade e as inovações são úteis; o consumismo que elas estão moldando é trágico.
José Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo.
FONTE: GAZETA DO POVO