Com recorde mundial nos 50 m livre, paulista Daniel Dias
triunfa na primeira das oito provas que disputa em Londres
Gazeta do Povo
Daniel Dias se abaixa, joga um pouco da água da piscina no corpo, na boca e,
literalmente sente o “gostinho” da prova que vai nadar. Pouco depois, vitória e
medalha de ouro no peito. O ritual do brasileiro, realizado ontem na prova dos
50 m livre (classe S5), garantiu a primeira conquista dourada do país na
Paralimpíada.
Todo esse passo a passo deve se repetir ainda muitas vezes em Londres e
ajudar o nadador a se consolidar como uma estrela internacional. O status em
âmbito nacional já está garantido. Não à toa, o paulista foi o porta-bandeira do
país na cerimônia de abertura dos Jogos.
No entanto, os olhares de torcedores de outras nações cada vez mais se voltam
para o representante do país.
Pouco antes do início dos Jogos, o presidente do Comitê Paralímpico
Internacional, Philip Craven, apontou Dias com um dos candidatos a protagonista
da competição. Ontem, com exceção dos dois atletas da casa na disputa, Dias foi
o mais exaltado pela torcida britânica na apresentação dos competidores antes da
final.
Como presente ao público, ele bateu o recorde mundial dos 50 m (32s05
superando o anterior de 32s27): “apenas” mais um na coleção de oito que ele
possui.
“Começar com vitória como foi em Pequim [quando terminou com nove medalhas,
sendo quatro ouros] é muito bom. Fenômeno é uma palavra forte, mas estou no
caminho”, disse ao ser questionado sobre um possível apelido dentro das
piscinas.
Um dos atletas batidos por Dias em sua primeira conquista foi Clodoaldo
Silva, recordista brasileiro de ouros (seis) e no total de medalhas (13) em
Paralimpíadas. Parece apenas questão de tempo para as marcas ganharem um novo
dono.
“Fico feliz porque ele está conseguindo me superar. Hoje já é uma honra para
mim nadar nas mesmas provas que ele”, disse Clodoaldo, que terminou em quinto
lugar.
Para continuar subindo ao alto do pódio, o brasileiro precisará administrar
bem a maratona que terá pela frente. Nos próximos nove dias, ele vai competir em
sete provas.
“Os adversários estão melhores do que eu pensava. Vai ser difícil, cansativo,
mas o programa está excelente. Vou ter dias para descansar”, defende ele que,
mesmo com os pais e a noiva em Londres, promete evitar qualquer distração. “Só
vou ver o restaurante da vila, o quarto e a piscina daqui para frente”,
emenda.
Após Londres, Dias se encaminha para ter um currículo de respeito. Tudo com
apenas 24 anos e mais duas ou até três Paralimpíadas para disputar na carreira.
“Não pensei até onde posso chegar. Procuro me focar neste momento. Depois dos
Jogos, eu paro para pensar”, diz.
Além de Daniel, outro nadador do país conseguiu medalha no primeiro dia
oficial de competições dos Jogos. André Brasil foi prata nos 200 m medley,
categoria SM 10. Esta é sexta medalha paralímpica da carreira dele.
*O jornalista viajou a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro