quarta-feira, 8 de abril de 2015

Ana Clara realiza sonho de dançar valsa e ganha recado de Gabriel Medina

Exemplo de superação, estudante de 15 anos ganhou as redes sociais com a hashtag #AnaClaraNoCaldeirão

GSHOW
Ana Clara dança valsa no palco do Caldeirão (Foto: Tata Barreto / TV Globo)Ana Clara dança valsa no palco do Caldeirão (Foto: Tata Barreto / TV Globo)
A hashtag #AnaClaraNoCaldeirãoganhou as redes sociais e o Caldeirãofoi atrás da história da jovem de Rio das Ostras, litoral do Rio, que é sinônimo de superação. Ana Clara nasceu com amiotrofia espinhal tipo 2, uma doença que enfraquece os músculos e a impede de andar.
“Não é bom ser diferente, mas eu tive que aprender a lidar com isso”, diz a estudante, que se movimenta com a ajuda de uma cadeira de rodas. No palco doCaldeirão, Ana Clara, que assim como o programa também tem 15 anos, ganhou um baile de debutantes com direito a muita dança. “Eu danço do meu jeito, mas eu danço”, conta a jovem.
"Gostei muito, muito, muito", emociona-se Ana Clara após o número apresentado no palco. A menina ainda ganhou um recado do ídolo de Gabriel Medina e leu uma carta emocionante, que prometeu a Luciano Huck ao topar participar do programa.
Mauricio dança valsa com a filha Ana Clara (Foto: Tata Barreto / TV Globo)Mauricio dança valsa com a filha Ana Clara (Foto: Tata Barreto / TV Globo)
Superação
“É uma doença rara e grave e a expectativa de vida não passa de dois anos de idade”, explica Mauricio Moniz, pai de Ana Clara. Ele e Sandra Moniz, mãe de Ana Clara, se emocionaram ao contar a história de superação da filha.
“Ela é minha fonte de inspiração”, conta Caio Maia, amigo de Ana Clara. O jovem construiu uma prancha de stand up paddle adaptada especialmente para a amiga. Na hora do baile, claro que ele foi o príncipe de Ana Clara.
"A única coisa que me difere das outras pessoas é uma cadeira de rodas", resume Ana Clara, um verdadeiro exemplo de vida e superação. Emocione-se com essa história nos vídeos.

Ex paquita da Xuxa (a Pituxa) agora está desenganada pela medicina

Conselho Nacional de Imigração - CNig: Concessão de visto de permanência aos Cegos Angolanos trazidos ao Brasil.

Conselho Nacional de Imigração - CNig: Concessão de visto de permanência aos Cegos Angolanos trazidos ao Brasil.

Por que isto é importante

Depois de 14 anos vivendo em terras brasileiras, um grupo de crianças cegas angolanas que veio trazido ao Brasil pelo Governo de Angola, cresceu, se alfabetizou, estudou, criou laços, e hoje está prestes a se formar na universidade. Depois de todos esses anos, correm o risco de ter que regressar ao seu país de origem por pressão do Consulado de Angola. 
Não só é importante, como muito importante. Além de uma questão de lógica, bom senso e humanidade, os hoje jovens angolanos tem o nosso país como pátria de coração, que os acolheu e educou. Ajudem por favor.
https://secure.avaaz.org/po/petition/Conselho_Nacional_de_Imigracao_CNig_Concessao_de_visto_de_permanencia_aos_Cegos_Angolanos_trazidos_ao_Brasil/?pv=0&rc=fbdmtg

28 MOTORISTAS SÃO MULTADOS POR DIA POR OCUPAR VAGAS EXCLUSIVAS

Nos dois primeiros meses deste ano, a Secretaria de Trânsito de Curitiba (Setran), flagrou 1.651 veículos em vagas destinadas a idosos ou deficientes físicos nas ruas da cidade. Foram 395 em vagas destinados a deficientes e 1.256 nas de idosos. Uma média de 28 pessoas autuadas diariamente por esse tipo de infração.
Na média diária em 2013, foram cerca de 29 casos. No ano seguinte a média caiu para 24 casos diários e agora, nos dois primeiros meses de 2015, a média subiu para 28 casos todo dia.
Na comparação com o ano passado, houve aumento nas infrações. Nos dois primeiros meses de 2014 foram 1.326 somando as vagas para idosos e deficientes. No mesmo período de 2013, os números eram semelhantes aos de agora — foram 1.625 em janeiro e fevereiro de 2013.
Atualmente, Curitiba tem cerca de 470 vagas para idosos e 202 para deficientes espalhadas pelas ruas. No total são mais de 12 mil vagas pagas no Estacionamento Regulamentado (Estar).
Visadas
Pela legislação, 5% das vagas na cidade precisam ser destinadas aos idosos e 2% aos deficientes. Até por isso as vagas para idosos acabam sendo mais visadas pelos infratores. Embora, proporcionalmente, a quantidade de infrações em vagas de idosos seja três vezes maior, enquanto a quantidade de vagas pouco mais do dobro.
Segundo a Setran, até o fim do ano passado, quase 60 mil idosos estavam cadastrados com credenciais de uso das vagas exclusivas, e quase 3.330 deficientes também contavam com a credencial.
Os veículos estacionados em vagas especiais em Curitiba devem manter visíveis as credenciais fornecidas pela Setran para idosos e pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.
Os veículos flagrados pelos agentes da Setran em vagas preferenciais, sem credencial, são multados — infração leve com multa de R$ 53,20 e três pontos na carteira de habilitação.
Multa moral — Em janeiro deste ano, a Prefeitura de Curitiba sancionou o programa Multa Morall, de respeito às vagas de estacionamento público reservadas a idosos, pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida em Curitiba.
A campanha tem caráter permanente e é focada na distribuição de folhetos informativos e educativos sobre os direitos das pessoas às vagas especiais em áreas de estacionamento público e privado. A proposta foi apresentada na Câmara Municipal pela vereadora Professora Josete.
Números do desrespeito (quantidade de multas)
Ano                       Idosos                 Deficientes
2013                      8.401                      2.340
2014                      6.341                      2.553
2015 (jan/fev)     1.256                         395
[ Fonte – Pessoas com deficiência ]

terça-feira, 7 de abril de 2015

NA MESMA CENA, ESPETÁCULO DE DANÇA, DA CIA SEM FRONTEIRAS NO MAM COM AUDIODESCRIÇÃO

FLYER NA MESMA CENA. Descrição no final do convite.
O espetáculo de dança NA MESMA CENA com a Cia. DANÇA SEM FRONTEIRAS será apresentado com audiodescrição no MAM.
Data: 11 de abril, sábado, às 15:00 horas. 
Local: MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo / Parque Ibirapuera, portão 3 – (Av. Pedro Alvares Cabral, s/n° – São Paulo).
Evento gratuito.
Sobre o espetáculo: Através da dança, a coreógrafa Fernanda Amaral e os bailarinos conduzem a criação de uma paisagem diversa onde bailarinos com e sem deficiências dançam e atuam juntos com o público. A intervenção utiliza uma metodologia desenvolvida nos últimos vinte e cinco anos pela coreógrafa que incorpora, elementos das técnicas de dança contemporânea, Contato Improvisation, DanceAbility e dança-teatro, dialogando com o público e os transeuntes, usando como elemento de criação os diferentes potenciais e habilidades dos bailarinos, focando na igualdade e na quebra de paradigmas.
Músicos experientes em improviso, baseados em um escore pré-estabelecido criam ao vivo uma trilha sonora para cada intervenção, construindo e desconstruindo melodias e universos rítmicos. 
“Na mesma Cena” vai diretamente ao encontro do cerne do trabalho do Dança sem Fronteiras e da Fernanda Amaral que a mais de uma década tem demonstrado em seu trabalho um comprometimento em promover oportunidades para o público no plural, participando de forma ativa na criação de um produto artístico contemporâneo.
Sobre a companhia: *Dança sem Fronteiras foi criado em 2010, em São Paulo, por Fernanda Amaral, bailarina, coreógrafa e educadora, reunindo diferentes linguagens artísticas, entendendo cada sujeito em suas dimensões cognitivas e motoras, numa abordagem que focaliza a cultura corporal do movimento e dialoga com as várias formas de expressões artísticas.
Ficha técnica:
Direção Artística e bailarina: Fernanda Amaral 
Bailarinos: Beto Amorim, Camila Rodrigues do Carmo Barbosa, Lucinéia Felipe dos Santos (bailarina c/ baixa visão) e Rafael Barbosa (bailarino c/ síndrome dos ossos de vidro)
Músicos: Beto Sporleder –sopro, Daniel Muller – acordeon e Bruno Duarte – percussão
Dramaturga colaboradora com o processo artístico das intervenções: Teresa Athayde
Figurinos e cenografia: David Schumaker 
Foto: Ricardo Teles
Duração: 60 minutos 
Classificação: livre
Descrição do flyer: o flyer é ilustrado por três fotos em preto e branco dos bailarinos Fernanda Amaral e Rafael Barbosa, ambos descalços, usando calça e camiseta escuras em poses de dança. Fernanda é uma mulher de pele clara, cabelos castanhos, repartidos ao meio, na altura dos ombros; Rafael é um jovem negro, cadeirante, de cabelos pretos curtos, olhos pequenos. Na primeira foto, Fernanda está sentada no chão com as pernas esticadas embaixo da cadeira, nas costas de Rafael, que está com o corpo inclinado para trás segurando as mãos dela. Na segunda, Fernanda empurra suavemente a cadeira de Rafael que está com os braços abertos. E na terceira, Fernanda está sentada no braço da cadeira com um braço aberto e o outro tocando no ombro de Rafael. Um músico está sentado no chão com as pernas cruzadas, tocando um instrumento de sopro, no canto direito, na segunda e terceira fotos
http://www.vercompalavras.com.br/blog/?p=2535#.VSST8j0-t4g.facebook

Gibi: Nossa Turma



 GIBI com 4 histórias infantis abordando temas como Preconceito, Acessibilidade, Educação, Trabalho na vida das pessoas com deficiências.
http://blog.amigosdaabpst.com/category/campanhas/

Lei que regula a contratação de pessoas com deficiência completa 21 anos

Marcelo Casal Jr/Agência BrasilLei que completa 21 anos assegura contratação profissional de pessoas com deficiência
Lei que completa 21 anos assegura contratação profissional de pessoas com deficiência
A Lei de Cotas foi criada em 1991 e de acordo com o Ministério do Trabalho existem, atualmente, cerca de 306 mil pessoas com deficiência empregadas formalmente no país 
A chamada Lei de Cotas (Lei 8.213 de 24 de julho 1991) completou na última terça-feira (24) 21 anos desde a sua sanção. Atualmente, existem cerca de 306 mil pessoas com deficiência formalmente empregadas no Brasil. Desse total, cerca de 223 mil foram contratadas beneficiadas pela Lei de Cotas, o que comprova a importância da Lei.
Ela prevê que toda empresa com 100 ou mais funcionários deve destinar de 2% a 5% (dependendo do total de empregados) dos postos de trabalho a pessoas com alguma deficiência.
O desafio da empregabilidade para quem possui alguma deficiência, segundo o secretário Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antônio José Ferreira, é fazer com que os empresários acreditem em sua capacidade produtiva. 
De acordo com a Secretaria, se todas as empresas do país cumprissem a Lei de Cotas, mais de 900 mil pessoas com deficiência estariam empregadas. “Hoje nós já temos avanços em relação a capacitação destes profissionais. O governo federal está disponibilizando 150 mil vagas do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) para qualificação de pessoas com deficiência, justamente para que elas possam acessar as vagas que a Lei de Cotas assegura”, afirma Ferreira.
“Junto ao Ministério do Trabalho, estamos fazendo uma grande campanha de sensibilização para os empresários. Não tratando só na questão de aplicar multa, mas também de conscientizar e de capacitar o empresariado”. A empresa que desrespeitar a Lei de Cotas e negar oportunidade de trabalho às pessoas com deficiência poderá pagar multa de R$ 1.617,12 a R$ 161.710,08.
Lei de Cotas
Lei de Cotas, define que todas as empresas privadas com mais de 100 funcionários devem preencher entre 2 e 5% de suas vagas com trabalhadores que tenham algum tipo de deficiência. As empresas que possuem de 100 a 200 funcionários devem reservar, obrigatoriamente, 2% de suas vagas para pessoas com deficiência; entre 201 e 500 funcionários, 3%; entre 501 e 1000 funcionários, 4%; empresas com mais de 1001 funcionários, 5% das suas vagas. 
A baixa escolaridade e a falta de qualificação profissional são apontadas como as principais causas da não contratação de pessoas com deficiência, além da adaptação necessária na estrutura física das organizações, para que os espaços possam ser adequados ao trabalho e ao deslocamento dos profissionais.
De acordo com o art. 2º da Lei 10.098/2000, acessibilidade é a possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. 

Leia mais:

Ergonomia & Acessibilidade – áreas que se complementam


Ergonomia & Acessibilidade – áreas que se complementam

O que é Ergonomia?

Associação Brasileira de Engenharia de Produção define Ergonomia como: o estudo das interações das pessoas com a tecnologia, a organização e o ambiente, objetivando intervenções e projetos que visem melhorar, de forma integrada e não-dissociada, a segurança, o conforto, o bem-estar e a eficácia das atividades humanas.
O projetista que se preocupa com a acessibilidade e a necessidade das pessoas com deficiência pode ser definido dentro do mesmo conceito dado pela Associação Internacional de Ergonomia (em agosto de 2000) aos ergonomistas: “contribuem para o planejamento, projeto e a avaliação de tarefas, postos de trabalho, produtos, ambientes e sistemas de modo a torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas.”
Este conceito permite enxergar a ligação direta entre a ergonomia e a acessibilidade, visto que as duas “ciências” buscam a adequação do ambiente ao homem.
Campos da Ergonomia
Os domínios de especialização da ergonomia dividem-se, de maneira geral, em física, cognitiva e organizacional. Podemos entender cada um em sua aplicação na acessibilidade:
  • Ergonomia física: relacionada às características da anatomia humana, antropometria, fisiologia e biomecânica. Podemos avaliar o posto de trabalho de um cadeirante, por exemplo, levando em consideração sua postura na atividade e o manuseio dos materiais à sua volta. Com isso, projetar de uma forma que lhe proporcione segurança e saúde, aumentando sua produtividade.
  • Ergonomia cognitiva: refere-se aos processos mentais, tais como percepção, memória, raciocínio e resposta motora. Estudamos as respostas motoras de pessoas com deficiência visual e suas tomadas de decisões durante seu deslocamento. Porque foi para um lado e não para o outro? Porque tocou primeiro aqui eu não ali? Isso resulta no aparecimento de problemas que possibilitam a criação de um projeto que atenda às suas necessidades reais de orientabilidade.
  • Ergonomia organizacional: trabalha com a otimização dos sistemas sóciotécnicos, incluindo suas estruturas organizacionais, políticas e de processos. Tomemos como exemplo uma Instituição de Longa Permanência para Idosos que aumentou o número de quedas nos últimos meses. Um trabalho em grupo com projetos participativos poderá investigar o problema de acessibilidade por meio dos relatos dos idosos ou funcionários da casa, buscando solucioná-lo através de uma ação conjunta.
Aproveitando o último domínio, lembramos a importância da Ergonomia Participativa junto à acessibilidade para obter bons resultados através da participação de todos os interessados na ação ergonômica. “Os saberes que outros detêm, suas representações do problema ou das saídas possíveis, os projetos que eles alimentam, devem ser levados em conta. O ergonomista deve, portanto, se dar os meios de uma confrontação positiva entre o ponto de vista, do qual é portador, e os outros pontos de vista representados.”Daniellou e Béguin (2007)
Interdisciplinaridade
Profissionais de diversas áreas têm unido seus conhecimentos para encontrar formas de incluir as pessoas com deficiência no cotidiano de toda a sociedade, promovendo, ao mesmo tempo, saúde, conforto, segurança e autonomia através da acessibilidade.
Como uma área interdisciplinar, a ergonomia está cada vez mais presente em outras ciências, adicionando informações a profissionais que também se preocupam com a acessibilidade, como: Médicos do trabalho, engenheiros de projeto, engenheiros de produção, engenheiros de segurança e manutenção, desenhistas industriais, arquitetos, designers, analistas do trabalho, psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, administradores, etc.
Uma ação ergonômica deve atender e satisfazer ao maior número de pessoas e excluir o menos possível, ela deve estar preparada para analisar todas as pessoas e solucionar problemas que elas enfrentam. Logo, atender, também, às pessoas que possuem necessidades específicas, buscando adequar os espaços vivenciados por elas.
O próprio Itiro Iida – autor do livro “Ergonomia – Projeto e Produção” – reconhece que, atualmente, a contribuição da ergonomia não se restringe às indústrias. Os estudos ergonômicos são muito amplos, podendo contribuir para melhorar as residências, a circulação de pedestres em locais públicos, ajudar pessoas idosas, crianças em idade escolar, pessoas com deficiência e assim por diante.
A ergonomia em projetos para pessoas com deficiência
O desenvolvimento de suportes informáticos para os deficientes visuais, por exemplo, foi acompanhado por um esforço significativo de pesquisas em ergonomia, abordando não só a avaliação de protótipos e as melhorias desejadas, mas também um conhecimento melhor da função visual deficitária e, paralelamente, um conhecimento melhor das funções auditivas e hápticas (ou seja, o tato associado a movimentos) enquanto funções substitutivas privilegiadas.
Ao projetar um ambiente público consideramos a média antropométrica, desenvolvida para cobrir a faixa de 5 a 95% de uma população, baseando-se na idéia que isso aumenta o conforto para a maioria, mas em projetos particulares para pessoas com deficiência, o ergonomista deve se referir a características fora das normas e dos dados obtidos habitualmente na população em geral. Os estudos em ergonomia mostraram que projetar para atender à média da população não é uma forma de inclusão, pois todas as pessoas possuem características próprias e assim também acontece com as pessoas com deficiência, que mantém suas especificidades mesmo fazendo parte de uma mesma categoria de deficiências.
Uma das formas de inserir acessibilidade e aproximar-se do Desenho Universal – que atende à maior parte dos tipos humanos – é adotar a abordagem ergonômica no desenvolvimento dos projetos de espaços e de produtos, antevendo sua utilização por um maior número de pessoas. Integrar a ergonomia e a acessibilidade é uma questão de ampliação das áreas, principalmente da Ergonomia, que por muito tempo foi apenas relacionada à adequação do trabalho ao ser humano.
Larissa Santos
*Imagens adaptadas do livro Ergonomia: Projeto e Produção. Itiro Iida, 2005.

Mitos sobre as deficiências: você conhece todos?

Certa vez, em um dos almoços de reunião realizados quando ainda era Secretária da Pessoa com Deficiência, fui informada de que me seria servida na ocasião uma generosa “papinha”. Pensaram: se ela não se mexe sozinha, não mastiga também. Depois da explicação óbvia, o episódio se tornou algo engraçado e hoje serve para ilustrar como a deficiência écercada de mitos. Alguns, como esse que contei, são bem simples de reverter: foi só mastigar um bife. Mas muitos outros precisam ser desmistificados para todo mundo.
Cadeirantes não têm sensibilidade
Sim, todos nós temos. O que muda é a forma como as sensações se manifestam – elas variam muito de pessoa para pessoa. Eu, por exemplo, tenho muita sensibilidade do peito para cima. Um lençol colocado por cima do meu peito me faz sentir sua presença em excesso. Assim como o vento, que depois da lesão medular passou a ter outro efeito no meu corpo. Essa mudança também vale para as temperaturas, como quente e frio. Elas continuam ali, mas diferentes.
Pessoas com deficiência não fazem sexo ou não sentem prazer
Essa história de que tudo desligou e nunca mais se sente prazer é pura balela. Uma pessoa com deficiência pode sentir muito prazer e também proporcionar o mesmo. A primeira vez que fiz sexo depois de perder movimentos foi enquanto ainda estava na UTI, e foi um grande alívio saber que eu ainda ficava lubrificada com o toque do meu namorado. O mesmo vale para os homens com deficiência, que também continuam a vida sexual depois da lesão medular e podem ter ereção, sim. E, tanto o homem, quanto a mulher com deficiência podem fazer e gerar filhos. Conheço vários homens e mulheres com deficiência que são pais e mães incríveis.
Todo surdo é mudo
A verdade é que não existem mudos, mas pessoas com deficiência auditiva que se comunicam pela Língua Brasileira de Sinais (Libras) e outras que utilizam a Língua Portuguesa. O fato de uma pessoa não ouvir não significa que ela não possa falar, são apenas formas diferentes de se comunicar.
Todas as pessoas com paralisia cerebral não têm capacidade de raciocinar
A paralisia cerebral pode afetar o intelecto de certas pessoas, mas isso não ocorre em todos os casos. Embora apresente algumas dificuldades de coordenação e fala, muitas pessoas com paralisia cerebral são capazes de aprender como qualquer outra. Basta contar com o ferramental necessário para que se desenvolva, cada uma ao seu tempo. O mesmo vale para as pessoas com deficiência intelectual.

A cegueira é a pior deficiência a se encarar

Conheço diversos cegos capazes, autônomos e felizes. Ser cego não é sinônimo de tristeza. O fato de não enxergar desperta na pessoa com deficiência visual outros sentidos que a fazem ver muito além, acredite.
Pessoas com deficiência são infelizes e deprimidas
A deficiência não é um estado de espírito. O que interfere no humor de uma pessoa com deficiência é ser barrada de fazer algo por falta de acesso, mas isso não nos torna infelizes. Pelo contrário: nos faz querer derrubar barreiras todos os dias para buscar a felicidade. Está cheio de gente “normal” por aí buscando um sentido para viver.

Agora que você sabe de tudo isso, que tal colocar as informações em prática e conviver de forma leve e verdadeira com a diversidade humana? Sempre lembre que perguntar não ofende ninguém. Bora derrubar outros mitos?

Mara Gabrilli

A superação do 1.º juiz cego do Brasil


Ricardo Tadeu Marques da Fonseca em seu escritório. Tornou-se desembargador  do TRT-PR em 2009. | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Ricardo Tadeu Marques da Fonseca venceu 
as próprias limitações e hoje é desembargador do TRT-PR


As vistas de Ricardo Tadeu Marques da Fonseca se escureceram definitivamente quando ele tinha 23 anos. Cursava, então, o terceiro ano de Direito na tradicional Faculdade do Largo São Francisco, na Universidade de São Paulo (USP). Com o apoio de colegas – que gravavam em fitas cassete a leitura dos livros, para que ele pudesse estudar –, Fonseca se formou com louvor. Seria apenas mais um capítulo da história de superação, estoicismo e trabalho. Pouco mais de duas décadas depois, ele se tornava o primeiro juiz cego do Brasil.
Fonseca foi nomeado desembargador do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR) em 2009, indicado pelo então presidente Lula (PT). Com perfil sério e decidido de quem teve que brigar para vencer as adversidades, imprimiu seu ritmo de trabalho à equipe. Em quatro anos, zerou a fila de mais de mil processos que aguardavam julgamento. Analisa, em média, 400 casos por mês. “Aqui, o trabalho se impôs”, ressalta.
Para suprir a falta da visão, teve de se adaptar e criar um método próprio. Em sala, uma assessora lê os autos em voz alta. A partir de então, Fonseca memoriza o caso, destacando palavras-chave. No tribunal, a servidora menciona as palavras-chave e pronto: o processo brota na mente do desembargador que, então, pode dar andamento ao julgamento. “Ela é meu olho nas sessões”, sintetiza.
Desta forma, o desembargador se consolidou avesso a qualquer sentimento de pena ou de incapacidade. “Eu sempre quis ser juiz e nunca acreditei que não iria conseguir”, diz. Menciona outros grandes que superaram deficiências – como Beethoven (que compôs a nona sinfonia depois de surdo), o escultor Aleijadinho e o físico Stephen Hawking. “Não existe o ‘não pode’. Tudo é método. É questão de se encontrar o método adequado para fazer o que se quer.”
As dificuldades, no entanto, começaram já nos primeiros instantes de vida. Fonseca veio ao mundo prematuramente – aos 6 meses de gestação. Por isso, nasceu com retinopatia da prematuridade, doença que lhe deixou com baixíssima visão. Enxergava apenas borrões coloridos, sem contornos nem detalhes. “Eu não distinguia rostos ou flores. Tinha uma visão impressionista”, define.
Filho de um executivo de multinacional e de dona-de-casa, Fonseca teve as primeiras lições ainda em casa. Em meio a brincadeiras, a mãe o ensinou a ler e a fazer as primeiras contas, grafando grandes letras e números em uma lousa. Quando veio a idade escolar, a família optou por matriculá-lo em um colégio normal, e não em escola especial.
Como não conseguia ler os livros, as professoras copiavam a matéria em letras maiores. “Foi um esforço maravilhoso da minha mãe, que nunca me deixou pensar que eu era incapaz, que eu não podia. Eu sempre pude”, observa.

Da rejeição à carreira no MPT do Paraná

Em 1990, Ricardo Tadeu Marques da Fonseca foi aprovado em um concurso para ocupar uma vaga de juiz no Tribunal Regional de São Paulo (TRT-SP), então presidido por Nicolau dos Santos Neto, o “Lalau”. Foi desclassificado por não enxergar. “Alegavam que um cego não poderia ser juiz. Aquilo me bateu forte, porque eu não esperava algo semelhante da Justiça”, disse.
Depois de uma semana sem dormir, deu o caso por sepultado. Voltou aos estudos e, no ano seguinte, foi aprovado em sexto lugar em um concurso para o Ministério Público do Trabalho (MPT) – do qual participaram mais de 4,5 mil candidatos. Em 18 anos na instituição, trilhou uma carreira destacada, primeiro como promotor, depois como procurador.
Deu de ombros à sua condição e foi à campo. Participou de vistorias, fiscalizações e investigações. Em uma delas, ele e sua equipe fizeram campana em uma fazenda que mantinha 37 mil trabalhadores, no interior paulista. Descobriram que os lavradores eram pulverizados com agrotóxicos antes de entrarem nos pomares de laranja.
“Eu mesmo tomei banho de veneno para comprovar que aquilo afetava a pele dos trabalhadores”, conta. “Eu nem lembrava que era cego. Eu era só um procurador atuante, querendo fazer meu trabalho da melhor forma possível”, acrescenta.
Fonseca promoveu incontáveis audiência públicas na região de Campinas, São Paulo, orientando empresas quanto aos menores-aprendizes. “Eu consegui fazer com que se registrassem dez mil ‘guardinhas mirins’, em contratos formais de aprendizagem”, aponta. Esta atuação virou referência para a lei federal 10.097, a lei da aprendizagem.
Em 2006, foi convidado a integrar o grupo que redigiu a convenção internacional sobre o direito da pessoa com deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque. Refuta o rótulo de “defensor dos deficientes”. Diz defender todas as minorias. “Ser cego é um atributo, não uma incapacidade. A deficiência não está na pessoa. Está na sociedade que não dá condições a essa pessoa de fruir seus direitos”, afirma.
Gazeta do Povo