sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Acessibilidade é ponto fraco de cartões-postais de BH

Cadeirante testa pontos turísticos na Pampulha, pano de fundo para os jogos da Copa. Mineirão agrada, mas Igreja de São Francisco de Assis é reprovada

Homem em cadeira de rodas está na frente da igreja da pampulha
O preço da liberdade é a eterna vigilância. A frase, usada largamente por regimes totalitários por óbvios motivos, é creditada ao escritor britânico George Orwell, mas há controvérsias. Ele teria sido considerado o criador por ser o autor do best seller 1984, onde um poderoso big brother vigia indiscriminadamente seus cidadãos. Trinta anos depois da data em que ocorre a trama – o livro foi escrito na década de 1940 –, parafraseamos Orwell e, com uma ligeira distorção, podemos dizer que para os turistasdeficientes físicos o preço da liberdade é a eterna cobrança. Liberdade para viajar e paciência para cobrar equipamentos de acessibilidade(rampas, corrimãos, pisos e banheiros especiais, etc). O Ministério do TurismoSite externo. lança em fevereiro mais uma etapa do programa federalTurismo Acessível. Para avaliar como anda a acessibilidade na capital mineiraSite externo., fomos à Pampulha, um dos principais atrativos turísticos da cidade, acompanhando o cadeirante Gil Porta (foto), que reprovou a Igreja de São Francisco de Assis.

Para ele, Belo Horizonte contabiliza avanços (o Mineirão é um exemplo) mas falta muito a ser feito. E é bom lembrar que todos nós podemos ser deficientes em algum momento: basta, por exemplo, quebrar uma perna. Saiba também como foi a emocionante viagem de Elizabeth Dias de Sá,cega desde jovem, aos parques da Disney, nos Estados Unidos, no interessante relato de seu sobrinho, João Lucas Sá, de 15 anos.
Gilberto Porta, o Gil, entrou determinado no MineirãoSite externo.. Na direção de seu Honda Fit adaptado, vinha com um jeitão de Jérome Valcke, também conhecido como “JV, o Inclemente”, aquele francês, palpiteiro-geral da Fifa, encarregado de fiscalizar os estádios que vão sediar os jogos da Copa. Porém, vinha educado e comedido, numa sexta-feira com manhã de muito sol, pouco antes das 10h. Era o pontapé inicial de um périplo pelo conjunto arquitetônico da Pampulha. A missão: testar as condições oferecidas às pessoas com deficiência para fazerem turismo num dos principais cartões-postais da capital.
No comando da operação, Gil, de 51 anos, “mestre especialista” em detectar falhas ou, em muitos casos, observar que não há o que criticar, pelo fato puro e simples de não haver instalação alguma para deficientes. O que, por si só, constitui motivo de protesto, em se tratando de bens públicos ou a serviço de um público.
Cadeirante há mais de 25 anos, portanto experiente sabedor da rotina de um deficiente físico para a missão, Gil era “o cara” para a missão proposta pelo EM. A esposa Telma, igualmente deficiente, tem um site dirigido para o público de deficientes, o BH Legal (bhlegal.netSite externo.). O casal é viajante contumaz, portanto useiro e vezeiro de instalações para turistas como eles.
O destino a ser conferido se justifica: a proximidade da Copa do Mundo de Futebol FifaSite externo., que tem Belo Horizonte como uma das sedes e o Mineirão e a Pampulha como pano de fundo. Tocante também o fato de que em fevereiro, o Ministério do Turismo (MTur) lança mais uma etapa do programa Turismo Acessível. Que, como o nome aponta, pretende tornar a vida do viajante com deficiência física mais suave, menos laboriosa, dotando as atrações de equipamentos de acessibilidade.

Análise detalhada
Diferentemente de JV, o Inclemente, Gil manteve a fleuma ao entrar no hall principal do Mineirão. De-se por satisfeito com as instalações do estacionamento – são 52 vagas para deficientes e 73 para idosos, num universo de 2.169 abertas para o público –, as indicações por placas e a carreira de piso podotátil (aquele que tem ranhuras e relevos para que, com o toque da bengala, o deficiente visual se oriente) e a catraca própria. Disparou, porém: “Este carpete que colocaram no chão faz a cadeira de rodas agarrar. Se fosse liso, seria melhor.”
Por questões de segurança, de acordo com a assessoria de imprensa da Minas Arena (que administra o Mineirão), as instalações para deficientes são oferecidas somente no anel inferior do estádio. O local na arquibancada para a colocação da cadeira de rodas, bem como rampas de acesso e corrimãos mereceram a aprovação do cadeirante. No banheiro especial (38 ao todo), a colocação de peças como pia, espelho, corrimãos e o vaso sanitário foram também aprovados. Somente o modelo do vaso sanitário, aquele com uma abertura na ponta, foi reprovado, “porque é desconfortável e pouco prático.”
E os espaços dos camarotes não oferecem instalações para deficientes, fato que, obviamente, não passou despercebido. De acordo com a Minas Arena, o estádio tem, além de espaços para cadeiras de rodas, 622 assentos especiais para idosos, grávidas, obesos e crianças de colo.
E aí, Gil? Numa escala de um a 10, qual a nota do Mineirão? “Eu daria um 10. Se bem que os camarotes deixam a desejar. Talvez um nove. Bom acho que oito tá bom. Isso é igual hotel, você nunca pode dar 10 que eles param no tempo. Mas dá para dizer que o Mineirão está aprovado”, afirmou. Então, “bora lá” para a Igrejinha da Pampulha.

Valei-me, São Francisco!
Em matéria de acessibilidade, a Igreja de São Francisco, que também atende pelo nome de Igrejinha da Pampulha, está a anos-luz de qualquer avanço. Nem mesmo uma simples rampa para cadeira de rodas existe no entorno do templo. Corrimãos, pisos podáteis e placas em braile então, nem pensar. Para piorar a situação, por exemplo, dos cadeirantes, parte da pista em frente à igreja foi transformada em ciclovia, o que impede o estacionamento de carros. Resta ao cadeirante estacionar nas proximidades do Parque Guanabara e se deslocar por cerca de 200 metros até lá. Mesmo esse deslocamento é sofrível, já que o piso é totalmente irregular.
Nota zero para a igrejinha, que também não anda muito bem em matéria de conservação, necessitando urgente de reformas, conforme noticiou o EM semana passada. Inclusive para acabar com goteiras no teto, que se transformam num inferno (com perdão do sacrilégio), quando chove mais forte. A assessoria da Arquidiocese de Belo Horizonte, responsável pela igrejinha, informou que um projeto de recuperação do templo e a instalação de equipamentos de acessibilidade está a cargo da Prefeitura de Belo Horizonte, porém não há previsão para execução das obras. O Museu de Arte da Pampulha está em bom estado de conservação, mas segue os passos da igrejinha e não oferece nenhum equipamento de acessibilidade.
Fundação Zoobotânica
Aquário, dentro do zoológico de BH, foi outro ponto testado. No estacionamento não há pista para cadeiras de rodas e o piso é de cascalho. Mas há rampas para acesso e dentro do espaço. No mais, as instalações foram parcialmente aprovadas: há pisos podotáteis, informações embraile, os bebedouros estão na altura ideal, etc., etc. Porém, Gil avalia que o banheiro tem algumas falhas, como papeleira e toalheira mal colocadas e falta de puxador interno nas portas. O Aquário tirou nota quatro. Há um projeto da Prefeitura de Belo Horizonte em plena execução a fim de melhorar a acessibilidade para deficientes dentro de todo o zoológico.
Em que pese o fato de que muitas das instalações para deficientes no Brasil, turistas ou não, caminham a passos lentos – isso quando existem –, Gil considera que muito coisa melhorou. E Belo Horizonte é exemplo. “É uma cidade de relevo acentuado, o que dificulta a locomoção. Mas desde que me mudei para cá, em 2000 (quando veio morar com Telma, vindo de São Paulo), tenho visto que muita coisa melhorou. Mas ainda tem que melhorar muito”, afirma.
Para ele e Telma, uma cidade modelo no Brasil é Socorro (SP)Site externo., a 138 quilômetros da capital paulista, e polo de esportes de aventura. “Socorro é nota 10. A cidade é toda preparada, fruto de parceria do poder público com os empresários. O deficiente pode praticar inclusive esportes de aventura, pois há adaptações para tudo”, afirmou.
Fonte: EM.com.brSite externo.

Aparelho criado para deficientes visuais é capaz de ler livros em voz alta



As pessoas que possuem algum tipo de deficiência visual poderão encontrar em um futuro não tão distante um equipamento capaz de permitir a leitura de livros sem braile.
Desenvolvido pelo Fluid Interfaces Group, no laboratório do MIT, o FingerReader pode ser classificado como um tipo de anel capaz de ler e repetir através de um áudio as palavras de um livro qualquer. Certamente, um grande avanço quando comparado ao sistema braile, popularmente utilizado entre pessoas com deficiência visual.
Uma pequena câmera acoplada na superfície do anel lê as folhas de um livro (ou mesmo de um tablet) e as narra sequencialmente em voz alta para o usuário. Com a ajuda do dedo indicador, o equipamento consegue identificar as linhas e ajuda a pessoa a não se perder em meio às informações do texto. Caso o usuário ultrapasse as linhas ou invada espaços desnecessários, o anel vibrará de leve para que ele volte ao posicionamento anterior.
A vibração também ocorre quando o fim das linhas está próximo, para que as pessoas já se preparem para colocar o dedo na linha de baixo. Pelo vídeo, é permitido ver como o sistema lê e repete as palavras, já observando as próximas letras para criar uma continuidade na leitura. O aparelho está em fases de testes, porém já é possível perceber como será tal equipamento quando estiver finalizado. Possivelmente, compatibilidade com fones de ouvido e outros idiomas serão implementados no futuro.


Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/conceito/51554-aparelho-criado-para-deficientes-visuais-e-capaz-de-ler-livros-em-voz-alta.htm#ixzz2tyo6tjZK

Inclusão no mercado de trabalho

Felipe Carvalho faz parte do programa Iluminar, da Light, no Rio de Janeiro. Crédito: Vitor Madeira/Imagens do Povo
A entrada no mercado de trabalho é um passo importante para que os jovens possam fazer a transição entre o mundo da infância e o mundo adulto. O excesso de preocupação por parte de familiares e amigos muitas vezes torna essa passagem difícil para as pessoas com síndrome de Down, principalmente pela forma com que elas são tratadas e pelas baixas expectativas em relação à sua função na sociedade.
As pessoas que não estão empregadas tendem a ter mais depressão e menos autoestima. Isso acontece porque o ambiente de trabalho ajuda os indivíduos a ganhar responsabilidades e desenvolver relacionamentos com grupos diversos. Além disso, favorece o desenvolvimento de habilidades cognitivas, mecânicas e de adaptação a diferentes situações, inclusive na vida pessoal.
Reconhecer-se como parte do mundo do trabalho fortalece o sentido de cidadania de jovens e adultos. No caso de pessoas com síndrome de Down, muitas vezes as próprias famílias se surpreendem com mudanças de atitude, uma vez que elas se sentem mais independentes e capazes de realizar seus desejos.
O artigo 27 da convenção da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência estabelece que todos têm direito a oportunidades iguais de trabalho. Muitos países, assim como o Brasil, contam com uma legislação trabalhista que favorece a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, seja através de cotas ou de subsídios para as empresas contratantes.
É importante ressaltar que o trabalho não envolve apenas a pessoa e a empresa. Família, escola e sociedade precisam caminhar juntas na defesa da inclusão efetiva para que a entrada no mercado de trabalho de pessoas com síndrome de Down possa se tornar uma realidade para todos.
Na seção “Trabalho” do Movimento Down, você encontra informações sobre como contratar uma pessoa com síndrome de Down, experiências inclusivas no mercado de trabalho e um banco de dados com vagas disponíveis para pessoas com a trissomia em todo o Brasil. Se você representa uma instituição interessada em oferecer oportunidades a este público, não deixe de se cadastrar. Profissionais com síndrome de Down que desejam se candidatar a uma vaga de emprego também podem se cadastrar no banco de dados de prestadores de serviços.
Dicas para contratar pessoas com síndrome de Down
Empregar pessoas com síndrome de Down e outras deficiências intelectuais traz benefícios não apenas para os indivíduos, mas para as organizações. Para que a experiência seja positiva para todos, é fundamental enxergar as oportunidades de acordo com as potencialidades de cada um. Confira abaixo dicas importantes que podem facilitar este processo:
Além da deficiência
Compreender que o (a) profissional com síndrome de Down ou outras deficiências intelectuais é um ser humano com particularidades e potencialidades é um passo importante na hora de pensar nas oportunidades que serão oferecidas. Assim, embora seja importante compreender quais são as limitações e questões relacionadas à deficiência, é fundamental conversar com o (a) novo (a) empregado (a) para definir de que maneiras ele (a) poderá contribuir para a empresa de acordo com suas características pessoais.
Prazer, mundo do trabalho
Em virtude da falta de expectativas em relação ao futuro profissional no ambiente familiar e escolar, muitos jovens e adultos com síndrome de Down não foram apresentados ao mundo do trabalho. Assim, questões como o comportamento adequado, responsabilidade e hierarquia podem ser novidades para o (a) empregado (a) que acaba de chegar. Porém, isso não significa que essas pessoas não sejam capazes de se adaptar à rotina da empresa, muito pelo contrário. Trata-se apenas de ter disposição para facilitar sua entrada neste novo universo e explicar, sempre que necessário, quais são os direitos e os deveres relacionados ao vínculo com a organização.
Segundo a Fundação Síndrome de Down, é importante trabalhar com o exemplo dos colegas de trabalho para mostrar ao jovem que determinados comportamentos são inadequados, como por exemplo:
 Atrasos e faltas sem justificativas
 Higiene inadequada
 Confundir papel do chefe ou da equipe de trabalho
 Se negar a realizar determinadas tarefas sem motivo aparente
É importante ressaltar que uma adaptação adequada e o acompanhamento do desenvolvimento do (a) funcionário (a) dentro da empresa são fundamentais para que situações semelhantes às citadas acima sejam encaradas com tranquilidade e resolvidas com uma conversa franca entre as partes. Em alguns casos, pode ser benéfico entrar em contato com a família ou com o (a) profissional responsável pelo acompanhamento terapêutico do (a) empregado (a), se houver.
Referência é fundamental
É muito importante que cada pessoa com síndrome de Down empregada na organização saiba de forma clara que existe uma referência dentro da empresa. Um outro funcionário – não necessariamente o seu chefe – a quem ele (a) pode recorrer em caso de dúvidas e que também acompanhe de perto a sua adaptação ao trabalho para discutir questões relacionadas com a área de relações humanas da empresa caso seja necessário. Esse apoio traz segurança para o (a) profissional com síndrome de Down, que muitas vezes se torna ansioso (a) diante da incerteza sobre diversos assuntos ligados a um ambiente desconhecido.
O tempo de cada um
A síndrome de Down está relacionada a dificuldades de aprendizado, o que significa que os funcionários com a trissomia provavelmente vão demorar um pouco mais de tempo para realizar determinadas tarefas. Isso não quer dizer que elas não serão feitas, ou que serão feitas de forma inadequada. Assim, é importante acompanhar sempre o processo de adaptação da pessoa ao trabalho para determinar, de preferência junto com o (a) funcionário (a) em questão, quais serão as suas responsabilidades e tarefas a cumprir.
A relação com os pais
Para empresas como a Light e a Oi, que empregam pessoas com síndrome de Down, a parceria com os pais é fundamental no processo de adaptação ao mundo do trabalho. Muitas vezes, os pais podem se sentir inseguros em relação à convivência de seu filho ou filha em um ambiente desconhecido, pois eles também precisam se adaptar à ideia de que a pessoa com síndrome de Down ou outras deficiências intelectuais pode trabalhar. No entanto, com o passar do tempo, percebem que a experiência pode trazer benefícios inclusive no ambiente familiar. Na fase inicial, pode ser benéfico entrar em contato com eles no sentido de tranquiliza-los ou com o profissional responsável pelo acompanhamento psicológico do (a) empregado (a), se houver.
Orientações aos colegas de trabalho
A falta de acesso a ambientes inclusivos pode fazer com que algumas pessoas apresentem diversas dúvidas relacionadas à síndrome de Down. A falta de conhecimento pode gerar distanciamento e até mal-entendidos entre funcionários, prejudicando a cultura de inclusão e o ambiente de trabalho da empresa. Por isso, é importante que um profissional especializado converse com a equipe que receberá o (a) novo (a) empregado (a) sobre o assunto para criar um ambiente adequado e propício para a adaptação da pessoa com deficiência.
Cota para pessoas com deficiência
A legislação estabeleceu a obrigatoriedade de as empresas com cem (100) ou mais empregados preencherem uma parcela de seus cargos com pessoas com deficiência. A reserva legal de cargos é também conhecida como Lei de Cotas (art. 93 da Lei nº 8.213/91). A cota depende do número geral de empregados que a empresa tem no seu quadro, na seguinte proporção, conforme estabeleceu o art. 93 da Lei nº 8.213/91:
I – de 100 a 200 empregados ……………… 2%
II – de 201 a 500 …………………………………….. 3%III – de 501 a 1.000 …………………………………. 4%
IV – de 1.001 em diante ……………………….. 5% 


Saiba mais: leia o artigo de Marina da Silveira Rodrigues Almeida, consultora em educação inclusiva, sobre a empregabilidade da pessoa com síndrome de Down.

 http://www.movimentodown.org.br/trabalho/inclusao-no-mercado-de-trabalho/#sthash.Yc6sWYJj.dpuf

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Cadeirantes derrubam mitos sobre sexualidade

IG


A lesão não impede uma vida sexual ativa e satisfatória. Conheça as histórias de quem superou os próprios desafios

Nas últimas semanas, a modelo e Miss Bumbum Dai Macedo e o advogado Rafael Machado, juntos há quase dez meses, viram uma reação inusitada à relação deles. Rafael, de 31 anos, é cadeirante.
“Pessoas com diferenças muito visíveis aos outros sempre são percebidas como incapazes ou sem os mesmos direitos às expressões sexuais”, afirma Oswaldo Rodrigues, psicólogo e especialista do Instituto Paulista de Sexo. Dai e Rafael ficaram impressionados com a reação das pessoas ao fato do casal ter uma vida sexual ativa. “É tão normal, tranquilo e gostoso. Acho que as pessoas precisam conhecer e saber o que a gente vive, para depois falar”, desabafou a modelo em entrevista ao iG Gente.
Getty Images
Cadeirantes podem -- e têm -- uma vida sexual saudável e ativa

Um dos orgasmos mais marcantes que eu tive foi justamente depois da lesão", diz Juliana Carvalho
O caso de Rafael, que sofreu um acidente há 10 anos, é de lesão medular, que acaba comprometendo as habilidades motoras e sensitivas do corpo. Mesmo com a sensibilidade do corpo alterada, é possível ter prazer por meio de outros estímulos, menos óbvios que a penetração.
“Não existe nenhuma informação de que o orgasmo seja atingido única e exclusivamente pela penetração. Então, é completamente possível atingir o prazer de outras formas, descobrindo novas zonas erógenas, como a nuca, mamilos, lóbulo da orelha, entre outras partes. O casal precisa tentar”, aconselha a médica fisiatra Rosane Chamlian, da Escola Paulista de Medicina.
Nem todos os cadeirantes, porém, sofreram lesão na coluna. Às vezes, o problema pode ser uma doença progressiva que afete a habilidade motora, sem prejudicar a sensibilidade. Em casos assim, ter uma vida sexual ativa também é possível, mesmo com o obstáculo da falta de locomoção.
Arquivo pessoal
Juliana é autora do livro 'Na Minha Cadeira ou na Sua?': orgasmo mais marcante depois da lesão
Sexo antes, sexo depois
Náusea, dor de cabeça e dores pelo corpo. A publicitária Juliana Carvalho, que na época tinha 19 anos, estava certa de que aqueles sintomas eram de uma ressaca qualquer. Quando precisou ser internada, porém, recebeu um diagnóstico mais grave. Ela teve mielite transversa, espécie de inflamação na medula, e 48 horas depois de ter entrado no hospital caminhando, ficou tetraplégica.
Com a ajuda da fisioterapia e a convicção de que estar na cadeira de rodas era apenas algo temporário, Juliana conseguiu reconquistar o movimento dos braços, mas da cintura para baixo nada mudou. “Depois de oito anos recusando a ideia de ser paraplégica, entendi que voltar a andar não era a coisa mais importante da minha vida. Ser uma referência para outras pessoas com alguma deficiência valia mais a pena, mostrar que a gente pode fazer tudo o que quiser, apesar da exclusão e do preconceito”, conta ela, que encarou isso como uma missão e publicou o livro "Na Minha Cadeira ou na Tua?" (Editora Terceiro Nome), com o relato de suas experiências como cadeirante, em 2010.
A ideia de que tudo é possível também se aplicou à vida sexual. Ela, que já tinha se relacionado com outras pessoas, precisou se adaptar a um “novo” jeito de transar. Juliana se sentiu travada no começo, com medo de que a relação não fosse tão prazerosa como antes. Pela experiência, ela percebeu que o medo era apenas um engano.
No centro de reabilitação do hospital, conversando com outros cadeirantes e compartilhando experiências, Juliana percebeu que poderia ter uma vida sexual tão satisfatória como a de qualquer outra pessoa, lesionada ou não. “Um dos orgasmos mais marcantes que eu tive foi justamente depois da lesão, quando eu já estava há cinco anos sem transar com ninguém”, lembra.
Divulgação
Mara Gabrili: 'nova primeira vez' ainda no hospital
Assim como Juliana, a psicóloga, publicitária e deputada federal Mara Gabrilli precisou se redescobrir sexualmente após um acidente que a deixou tetraplégica aos 26 anos, em 1994. “Essa foi a minha maior preocupação quando recebi o diagnóstico: fiquei com medo de não ter uma vida sexual saudável, já que eu estava na cama, sem conseguir me mexer ou respirar direito”, relembra ela.
Ainda na UTI, Mara resolveu arriscar e acabou tendo sua “nova primeira vez” atrás das cortinas do hospital, com seu então namorado. “Foi muito bom porque eu vi que várias coisas estavam vivas em mim, desde o desejo até a lubrificação. A sensibilidade era diferente, mas não estava perdida”, diz. Nesse ponto, ficou até melhor: depois do acidente, Mara sentiu que os orgasmos se tornaram mais duradouros. “O nosso corpo não é estático, não está congelado. A cada dia descubro um lugar onde a sensibilidade aumentou”, explica.
Ao contrário de Mara e Juliana, a estudante de Pedagogia Tuigue Venzon teve as habilidades motoras e sensitivas comprometidas por conta de uma má formação arteriovenosa, que a impediu de caminhar sozinha aos 20 anos. Até então, Tuigue não tinha se relacionado com ninguém. “Eu tinha medo, achava que ninguém ia me querer. Acabou rolando com meu ex-namorado e foi ótimo! Hoje, entendo que e experimentar é a melhor coisa podemos fazer, para tirar qualquer dúvida”, acredita ela.
Arquivo pessoal
Rafael e os filhos: se lamentar pela própria situação nunca foi uma escolha
Coragem e criatividade
O mais importante durante a fase de recuperação é não se deixar intimidar pelas dificuldades e não abrir mão de uma vida sexual ativa, que traz uma série de benefícios para o organismo. “A pessoa que redescobre a sexualidade fica com a autoestima lá em cima, aproveita melhor a vida e tudo isso se reflete na saúde”, afirma Rosane Chamlian.
Para o advogado Rafael Marajó, cadeirante há quase três anos, se lamentar pela própria situação nunca foi uma escolha. Em agosto de 2011, durante um assalto, ele levou um tiro que o deixou paraplégico. O contato com outros cadeirantes foi fundamental para que ele entendesse que, a partir dali, a experiência sexual seria completamente diferente, mas nem por isso menos prazerosa.
“A cultura masculina é a de que o prazer só é atingido com a ejaculação. O que a gente descobre é que uma coisa é totalmente diferente da outra, e mesmo que o cara não consiga ter um orgasmo, a relação vale a pena. Não tem coisa mais legal do que estar com a parceira e vê-la sentindo prazer”, conta.
Com os homens, a questão da sexualidade é um pouco diferente. Segundo a especialista Rosane Chamlian, a ereção é possível, a única coisa que varia é a sua duração. “A cumplicidade e o conhecimento entre o casal é o segredo para fazer com quem essa ereção se mantenha durante a relação”, ressalta ela.
Além disso, existem outras alternativas que prolongam ereção, como o anel peniano, Viagra e injeções estimulantes. Mesmo assim, vale lembrar: nenhum medicamento deve ser utilizado sem a devida prescrição médica e cadeirantes também estão sujeitos à contaminação por DST’s (doenças sexualmente transmissíveis), por isso, a proteção é indispensável.
“Sexo é uma coisa tão boa, não tem por que se esconder ou se culpar. Se der alguma coisa errada, qual o problema? Que homem nunca broxou na vida e que mulher nunca deixou de gozar? O fato de estar numa cadeira de rodas não é um obstáculo para conhecer novas pessoas”, reforça Rafael.

UFSCar cria centro modelo para tratar autismo

Projeto pretende ser referência para o tratamento com técnica de apoio personalizado
MONIQUE OLIVEIRADE SÃO PAULOA UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) vai inaugurar um centro de referência para tratar o transtorno do espectro autista.
Além do atendimento personalizado, o projeto permitirá intervenções na comunidade que ajudarão pacientes a enfrentar a dificuldade de sociabilização, um sintoma evidente do autismo.
A inauguração do instituto, que também capacitará profissionais de todo o Brasil, está prevista para o ano que vem e atenderá inicialmente seis alunos. O prédio da sede está pronto. "Há muitas sintomas específicos para os quais ainda não existem propostas adequadas", diz Celso Goyos, idealizador do projeto na UFSCar.
O centro terá por base o ABA (Applied Behavior Analysis), técnica de observação personalizada que ajuda no desenvolvimento de competências individuais.
"Muitas manifestações motoras e de linguagem são meras reações e podem ser revertidas", explica Giovana Escobal, vice-coordenadora do projeto.
Outra meta é capacitar profissionais da instituição e de todo o país. "A experiência americana com esse método foi muito positiva", diz Thomas S. Higbee, professor do Departamento de Educação Especial da Universidade de Utah, e parceiro da UFSCar.

    Terapia com uso de fitas adesivas de kinésio

    Tratamento com fitas de kinésio ajudou Vito Bonomo a sentar corretamente antes dos seis meses. Crédito: arquivo pessoal
    A terapia com o uso de fitas adesivas de kinésio pode ser uma aliada importante para ajudar a criança com síndrome de Down a desenvolver uma postura adequada e ajustar grupos musculares mais fracos. Cada pessoa é diferente e pode precisar da aplicação das fitas em locais específicos do corpo, mas geralmente elas são utilizadas com as seguintes finalidades:
    - Abdome e braços: ativar maior força muscular em movimentos como engatinhas e andar.
    - Pescoço e costas: ajustar a postura.
    - Abaixo do queixo: ajudar a criança a manter a língua dentro da boca.
    Para iniciar um tratamento com as fitas adesivas de kinésio, é necessário contar com o apoio de um profissional especializado na terapia. Ele poderá atuar nas áreas de fisioterapia, fonoaudiologia ou terapia ocupacional e poderá auxiliar a família em questões como o uso das fitas, trocas e posicionamento correto.
    Como funciona?
    “Quinesiologia” é o estudo científico do movimento do corpo humano. Para se locomover, o corpo utiliza, além do cérebro que comanda os movimentos, ossos, músculos, articulações e tendões. A origem do uso de fita adesiva de kinésio é dos anos 1970 e foi desenvolvida por um quiroprata japonês, Kenzo Kase, para ajudar na recuperação de lesões musculares. Com o tempo, a técnica passou a ser adotada por praticantes de esportes e, mas recentemente, para pessoas com hipotonia (flacidez muscular), como o caso das pessoas com síndrome de Down.
    As fitas de kinésio ajudam a ajustar e/ou corrigir articulações desalinhadas e aliviam as tensões mecânicas sobre estas regiões. Seu principal objetivo é melhorar a amplitude e a qualidade de movimento. O material possui espessura e peso semelhantes aos da pele, com marcas na parte adesiva que simulam as impressões digitais ou veias da pele humana. Como pode ser esticado em até 140% do seu comprimento original, oferece apoio de forma seletiva aos músculos, favorecendo seu fortalecimento. Além disso, é 100% acrílico hipoalérgico, sensível ao calor e não contém quaisquer substâncias químicas ou medicinais impregnadas à fita.
    Exemplo de uso
    Vito Bonomo começou a usar as fidas de kinésio com quatro meses e sentou-se antes dos seis meses. Os pais e profissionais que trabalham com o Vito relatam grande melhora na postura do bebê com a aplicação das faixas.
    Vito Bonomo utilizou fitas de kinésio até em passeios. Segundo pais e profissionais, tratamento trouxe resultados expressivos. Crédito: arquivo pessoal

     http://www.movimentodown.org.br/2013/05/terapia-com-uso-de-fitas-adesivas-de-kinesio/#sthash.pYGNggOr.dpuf

    Os veículos conduzidos por pessoas com deficiência podem ficar isentos do pagamento de pedágio em rodovias

     A mudança é o objetivo do Projeto de Lei do Senado (PLS)  452/2012, que está na pauta da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). A reunião da comissão está marcada para terça-feira (18).

    De autoria da senadora Ana Amélia (PP-RS), o projeto condiciona a isenção ao princípio da preservação do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão de rodovias. A relatora na CAE, senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), observa que o projeto não menciona recursos orçamentários para a despesa decorrente. Assim, "conclui-se que o benefício seria custeado pelo aumento do valor do pedágio para os demais motoristas", o que poderia gerar aumento de cerca de 15% nas tarifas.

    Para assegurar a viabilidade econômica do projeto, a relatora considera necessário impor limite à gratuidade. O limite, segundo Lúcia Vânia, pode se dar em função de fatores como a renda da pessoa com deficiência, o grau de comprometimento da acessibilidade e os recursos médico-hospitalares que necessita alcançar pela rodovia.

    Por considerar a matéria eminentemente técnica e sujeita a atualizações constantes, a relatora não considera conveniente fixar os parâmetros em lei e optou por emenda que remete a matéria à regulamentação do Poder Executivo.

    A decisão da comissão é terminativa, ou seja: se a matéria for aprovada na CAE e não houver recurso para a tramitação em Plenário, segue para a apreciação da Câmara dos Deputados.

    http://www.cenariomt.com.br/

    terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

    Arte precisa descrição!!Quem se habilita?


    https://www.facebook.com/AmigosCadeirantes

    LACRE AMIGO+COTOLENGO = CADEIRA DE RODA

    Programa Especial revela iniciativas de apoio à Acessibilidade




    Raul Krauthausen é um dos responsáveis pelo aplicativo que classifica locais como acessíveis ou não; Zé Luiz Pacheco testa a ferramenta no Rio de Janeiro
    Raul KrauthausenRaul KrauthausenO ativista alemão Raul Krauthausen explica o Wheelmap, um site e aplicativo para smartphones que mapeia a acessibilidade de locais para cadeirantes. “No Brasil, muitos locais são marcados como cinza, o que significa que nós não temos informações sobre esses lugares, mas pode-se adicioná-las facilmente. Se você quiser contribuir com informações sobre um lugar na sua vizinhança, você pode classificar os locais”, acrescenta Krauthausen. O repórter Zé Luiz Pacheco usa o aplicativo para avaliar oCentro Cultural Justiça Federal, no Rio de Janeiro, e conversa com o arquiteto responsável pela acessibilidade do local,Edvaldo Junior.
    Em Berlim, o Messe Frankfurt é um importante centro de convenções que recebe eventos o ano todo. Responsável pela área de acessibilidade, Stefan Luchtenberg revela o papel da acessibilidade nos negócios: “nas últimas décadas, ficou evidente que se deviam levar em conta as necessidades das pessoas com deficiência e apoiar a criação de condições para que essas pessoas possam participar da vida econômica e social.  E para o Messe era claro aderir a esse conceito.”
    Programa Acesso foi criado para ampliar a mobilidade de pessoas com deficiência em Curitiba. O projeto oferece um serviço de micro-ônibus com elevador, cadeira de rodas e espaço para cão-guia. De acordo com a secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência de CuritibaMirella Prosdócimo, o “todos os atendentes e os motoristas passaram por capacitações para saber como lidar da melhor maneira e saber de que forma melhor auxiliar.”

    Apresentação: Juliana Oliveira
    Direção: Angela Reiniger
    Reportagem: Fernanda Honorato e Zé Luis Pacheco
    Produção: Ricardo Petracca