sábado, 3 de agosto de 2013

E olha que há 22 anos temos a Lei de Cotas (Lei 8213/91). Imaginem se ele não existisse.



Audiodescrição: é uma charge colorida, com dois bonecos, um empresário vestido de terno, gravata e calça social, sorrindo e estendendo a mão para um cadeirante, negro e amputado das duas pernas, abaixo do joelho, com um diploma na mão. acima do empresário há um balão com a sua fala "Bem Vindo à nossa empresa! Sua função será na guarita do estacionamento". acima do cadeirante há outro balão, com a resposta: "O senhor não entendeu! Tenho doutorado em economia!". Autor da charge: Ricardo Ferraz

Nova York propõe novo Símbolo Internacional de Acessibilidade


A proposta é de que novo Símbolo Internacional de Acessibilidade substitua o antigo, estático e "deficiente" ícone, que retratava uma pessoa deficiente em uma cadeira de rodas, tão estática quanto um objeto

Depois de vários anos de petições por mudança, designers da Gordon College, de Massachusetts, chegaram a uma alternativa à figura de um boneco sentado em uma cadeira de rodas.

Sua nova personagem é dinâmica, inclinada para frente com os braços a postos. "É algo que se move adiante", esclarece Victor Calise, encarregado da Secretaria Municipal de Nova York pelas Pessoas com Deficiência.

Calise, que ficou paraplégico após um acidente de ciclismo aos 22 anos, planeja começar a espalhar, imediatamente, a nova logo por toda a cidade.

A RS Paradesporto, a partir de hoje, também incorpora esse novo símbolo às suas publicações



RS Paradesporto

institucional faça a diferença

Moda adaptada de Vitória Cuervo - Programa Especial

Lado B Moda Inclusiva: www.ladobmodainclusiva.com.br

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Não deu certo?E agora?

Fisioterapeuta cria roupas e abre loja virtual para pessoas com deficiência

Peças adaptadas têm elásticos, velcros e aberturas laterais.
Estilistas também criam modelos 'inclusivos' e vendem sob encomenda.



Dariene desenvolveu calças com aberturas nas laterais (Foto: Divulgação)Dariene desenvolveu calças com aberturas
nas laterais (Foto: Divulgação)
Calças jeans com elástico e velcro e agasalhos com aberturas nas laterais estão entre as peças adaptadas vendidas no site de roupas para pessoas com deficiência lançado no começo de julho pela fisioterapeuta Dariene Rodrigues, de 35 anos, de Sorocaba, no interior de São Paulo. Os modelos buscam atender a demanda dessas pessoas por peças confortáveis e fáceis de vestir – o que facilita a vida, por exemplo, de cadeirantes ou de quem precisa usar sondas ou fazer fisioterapias.

“[A ideia surgiu] de tanto eu ouvir as pessoas que eu atendia, principalmente as pessoas com deficiência física, que são os paraplégicos e tetraplégicos, a dificuldade de usar, ter uma vestimenta adaptada”, explica.

O projeto demorou três anos para ser colocado em prática. Dariene revela que o pontapé inicial surgiu “meio que sem querer”, quando recebeu a indicação de uma estilista que poderia tornar reais os modelos que imaginava. “Eu tinha um projeto em mente e meio que me faltava uma pessoa para poder confeccionar a minha ideia, confeccionar esse molde (...). Acabei encontrando uma estilista, e a gente criou um projeto piloto”, explica.

Para a elaboração dos modelos, Dariene afirma que avalia todas as necessidades das pessoas com deficiência com as quais tem convivência.
A fisioterapeuta Dariene criou as peças pensando nas necessidades das pessoas com deficiência (Foto: Arquivo Pessoal)Dariene pensou nas necessidades das pessoas
com deficiência (Foto: Arquivo Pessoal)
"De início eu pensei na questão da pessoa com cadeira de rodas, que usa prótese de membro inferior. Dependendo da patologia que ela teve, da sequela, acaba tendo dificuldade... Às vezes é com o comprometimento da parte urinária, às vezes essa pessoa usa fraldas. Se antes ela vestia número 40, vai ter que comprar um número a mais”, diz. Por isso, o modelo de calça que desenvolveu tem elástico e é um pouco mais “fofo” atrás caso a pessoa use fraldas.

As peças também têm aberturas dos lados e fechamento com velcro, que facilitam na hora de serem vestidas (um cadeirante, por exemplo, consegue se vestir deitado).  “Algumas pessoas usam cateterismo que é uma sonda de alívio, têm a necessidade de tirar a calça a cada três horas.” Os modelos facilitam, ainda, a vida daqueles que precisam da ajuda de um cuidador para se vestir, comenta.
Mercado
Em cerca de duas semanas de funcionamento do site, foram vendidas dez calças jeans. Os preços, contudo, são um pouco superiores aos de modelos convencionais encontrados em grandes varejistas, e são em torno de R$ 200.  "As peças são personalizadas e acabam levando uma quantidade maior de tecido devido às adaptações. Também procuramos levar em consideração a qualidade da matéria-prima. Porém, há a facilitação de parcelamento, permitindo a compra em até 12 vezes", diz.
Ao todo, foram investidos R$ 40 mil no projeto e criação da empresa, que recebeu o nome de Lado B – Moda inclusiva. “Contei com os serviços de uma agência de publicidade para desenvolvimento da marca, assim como de uma agência de website para a criação da loja virtual”, diz. “A nossa expectativa é que se torne um negócio realmente sólido e lucrativo”.
De acordo com censo do IBGE de 2010, 45,6 milhões no país têm algum tipo de deficiência
Ela diz que uma das coisas que levou em consideração na hora de formular esse projeto é que, de acordo com censo do IBGE de 2010, 45,6 milhões têm algum tipo de deficiência no país. “Então, existe, sim, público consumidor para isso, mas há falta de produto, de locais, as empresas acabam esquecendo um pouquinho desse público, que é um potencial consumidor.”

A fisioterapeuta explica que ainda não começou a divulgação propriamente dita, mas espera que os consumidores apareçam quando tomarem conhecimento da marca. “Inicialmente, como qualquer negócio, a gente lógico que vai passar por um período de divulgação do produto, da própria marca, para que mais para a frente um pouco a gente comece a ter, sim, um retorno financeiro”, relata.
A ideia é aumentar cada vez mais o leque de produtos, com a inclusão de peças que acompanhem a moda. “A gente vai acompanhar as tendências mesmo”, diz, acrescentando que pretende se qualificar na área de moda para aprimorar os modelos.
Drika Valério criou vestido de noiva adaptado para projeto e vende modelos para o dia a dia (Foto: Arquivo Pessoal)Drika Valério criou vestido de noiva adaptado para
projeto e vende modelos para o dia a dia
(Foto: Arquivo Pessoal)
Outros projetos
Mas Dariene não é a primeira a pensar em peças de roupas que buscam atender as necessidades das pessoas com deficiência.

Para promover ideias como a da fisioterapeuta, por exemplo, Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo realizada, há cinco anos, um concurso anual de moda inclusiva.

As estilistas Julia Sato e Inaye Brito, ambas de 25 anos, participaram de uma das edições do concurso e criaram uma marca para o setor, a Lira. Ficaram em segundo lugar. “De lá para cá, já desenvolvemos vários projetos juntas, trabalhos apresentados em outras cidades brasileiras e no exterior”, conta Julia.
Atualmente, elas dizem que vendem em pequena quantidade e por encomenda. “Estamos analisando o mercado e estruturando um projeto para atender da melhor forma um maior número de pessoas”, afirma Julia. Pensam em desenvolver pesquisas na área e também oferecer consultoria.
Blusa com abertura com velcro criada por Drika Valério (Foto: Arquivo Pessoal)Blusa com abertura com velcro criada por
Drika Valério (Foto: Arquivo Pessoal)
A empreendedora conta que as peças da última coleção têm preço médio de R$ 100 a R$ 200. “Todas foram elaboradas para atender a ergonomia da pessoa sentada e dão atenção especial às limitações do corpo do cadeirante. As roupas são confortáveis e versáteis, valorizam a parte superior do corpo como colo, ombros e braços”, explica. Ela afirma que são feitas adaptações como uso de elásticos e botões mais fáceis de abrir e fechar.
“Para desenvolver as peças, seguimos o conceito de design universal, ou seja, as roupas possuem adaptações importantes, mas que são imperceptíveis”, diz. Ela cita, ainda, que as peças não excluem, pois podem ser utilizadas por pessoas sem deficiência física.
A estilista Driélli Valério de Oliveira, de 25 anos, que usa o nome de Drika Valério para divulgar seu trabalho, também participou do concurso. Foi a vencedora do ano passado. Ela desenvolveu um vestido de noiva adaptado, mas percebeu que a demanda maior mesmo é por peças do dia a dia. “Quando eu comecei a trabalhar com isso, comecei a receber muito pedido de peça casual, os de vestidos são casos mais específicos, 90% são peças casuais.”
Inaye Brito e Julia Sato (Foto: Arquivo Pessoal)Inaye Brito e Julia Sato (Foto: Arquivo Pessoal)
Ela afirma que já vendeu aproximadamente 50 modelos por encomenda, como blusas e calças. Ela também é do interior de São Paulo, da cidade de Bauru.

Drika também diz que pensa em peças que não sejam “exclusivas”, explicando que os modelos podem ser usados por qualquer pessoa.

Criou uma marca chamada "Somos todos nós". “Já estou com lote de moletom, camiseta e calças sendo feito, que estará pronto para lançar na internet [no Facebook] para vendas”, afirma.

Ela diz, que no caso do moletom, por exemplo, pensou em uma blusa mais larga do que as convencionais, sem costura nos punhos. Nesse caso, o preço inicial sugerido é de aproximadamente R$ 69. No caso das blusinhas, disse que saem por R$ 40.

“Cada deficiência é muito específica, então vamos tentar nos focar em lesão medular (por enquanto) e trabalhar peças bonitas, na moda e funcionais, que vistam com mais facilidade em pessoas que utilizam cadeira de rodas e têm dificuldade em se vestirem sozinhas ou usarem um jeans. Mas o objetivo para o longo prazo é atender a todas as deficiências, inclusive investir em etiquetas e detalhes em braile, para deficientes visuais”, revela.
Blusa fácil de vestir, com ombro que valoriza a parte superior, e calça-saia fácil de vestir, em modelo criado por Julia e Inaye para concurso (Foto: Divulgação)Blusa fácil de vestir, com ombro que valoriza a parte superior, e calça-saia fácil de vestir, em modelo criado por Julia e Inaye para concurso (Foto: Divulgação)

Instituto de reabilitação de São Paulo cria modelo de cadeira de rodas mais leve



A Rede de Reabilitação Lucy Montoro criou um modelo mais leve de cadeira de rodas nacional para atender os pacientes da rede pública.
O produto, batizado de M Leve, foi lançado nesta semana pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência no Fórum Reabilitação, que traz novidades em acessibilidade.
Foram produzidas 30 cadeiras. Elas serão testadas por seis meses e depois entrarão em produção regular.
"As cadeiras disponíveis hoje no SUS são inviáveis para a vida social e profissional", afirma o dentista José Roberto Mendes, 45.
Moacyr Lopes Junior/Folhapress
O dentista José Roberto Mendes, 45, testa a nova cadeira de rodas
O dentista José Roberto Mendes, 45, testa a nova cadeira de rodas
Ele foi o primeiro a testar a M Leve e já sugeriu ajustes no apoio de pé, rodas e encosto.
"Talvez dê para ficar mais leve", diz. A M Leve pesa 7 kg, abaixo da média do mercado.
A cadeira será fornecida aos pacientes da Rede Lucy Montoro. O governo pagará a diferença ente o valor coberto pelo SUS e os custos de produção, já que o preço do novo modelo ainda é alto.
"Mas a manutenção e as peças são nacionais. É importante fomentar a indústria a pensar nas necessidades dos pacientes", diz o fisiatra André Sugawara.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Como se começou a perceber a utilidade do Pediasuit?


Os fisioterapeutas americanos perceberam que o conceito de um Suit (fato) que proporcionasse alinhamento biomecânico, se adequaria ao tratamento de crianças com deficiência motora em conseqüência de causas neurológicas.

Para que servem os elásticos?
Os elásticos têm uma dupla função:
A FUNÇÃO FACILITADORA: quando são colocados na inserção distal, os elásticos vão ajudar na activação muscular, facilitando assim o movimento. 
A FUNÇÃO INIBITÓRIA: os elásticos dão maior estabilidade à criança, por exemplo estabilizando o tronco

A que doenças neurológicas é que se aplica o Pediasuit?
. Atraso no desenvolvimento motor;
. Distúrbio de equilibrio;
. Alterações em coordenação motora
. Diminuição de massa óssea;
. Diminuição de força muscular;
. Disturbios de integração sensorial
. Paralisia cerebral;
. Traumatismo crânio-encefálico;
. Acidente vascular encefálico;
. Ataxia, atetose, hipertonia, hipotonia;
. Desordens neurológicas;
. Autismo;
. Síndrome de down e outras síndromes.
 — em Love4Kids - Centro de Estimulação e Desenvolvimento Infantil

O que acontece às crianças com doenças neurológicas? As crianças portadoras de patologias neurológicas não se desenvolvem linearmente como as outras crianças, e neste sentido as aquisições motoras estão diretamente ligadas à formação da sua imagem, da sua auto-estima e confiança.

E o que faz o Pediasuit por crianças com doenças neurológicas?
O conceito básico do Pediasuit é a criação de uma unidade de suporte para o corpo, estabelecendo alinhamento biomecânico e descarga de peso que são fundamentais na normalização do tónus muscular, da função sensorial e vestibular e como tal nessa formação da sua ima
gem.

Qual a origem do Pediasuit?
O conceito de órtese de retificação postural foi estudado inicialmente na Polônia, na década de 70, onde astronautas russos, que após passarem mais de 300 dias no espaço, perdiam força muscular devido à falta de gravidade, já que os mesmos chegavam do espaço com dificuldades motoras, perda de movimentos, de massa muscular e com uma estrutura óssea debilitada.

O Pediasuit Lisboa está em Love4Kids
O Centro de Estimulação e Desenvolvimento Infantil LOVE4KIDS nasceu do encontro de uma MÃE de uma criança com Encefalopatia Crónica da Infância (anteriormente designada Paralisia Cerebral), em busca de soluções para o seu filho, com uma FISIOTERAPEUTA duma nova geração. Uma terapeuta dedicada, com experiência, que utiliza métodos inovadores em Portugal.
Pensámos numa estrutura onde se reúnam as necessidades dos pais e das crianças com técnicas inovadoras de fisioterapia e técnicas complementares de promoção da saúde, numa vertente integrada e única em Portugal. Por isso, tudo o que oferecemos no Centro LOVE4KIDS é testado e não oferecemos nada em que não acreditamos.
— em Love4Kids


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Pai cria quadrinho protagonizado por herói com síndrome de Down

"Metaphase" ficou no ranking de histórias gratuitas mais lidas de um aplicativo norte-americano entre maio e junho deste ano. Versão impressa deve sair em janeiro de 2014

Por Elisa Feres e Marcela Bourroul 
Ollie na versão super-herói dos quadrinhos (Foto: Reprodução/Facebook)
Quando o assunto é super-herói, quais são os personagens que vêm a sua cabeça? Provavelmente nomes como Batman, Super-Homem, Homem-Aranha e Flash, certo? Para mudar esse cenário já conhecido pelo grande público, o norte-americano Chip Reece resolveu criar uma história com um protagonista inesperado: seu filho Ollie, de 3 anos, portador de síndrome de Down. E o que era para ser apenas uma homenagem tomou proporções muito maiores. Metaphase, como foi chamada, entrou para o ranking de quadrinhos gratuitos mais lidos do aplicativo Comixology entre maio e junho deste ano e tem previsão para ser lançada também em versão impressa.
“Originalmente, criar essa história tinha apenas uma intenção pessoal nascida das minhas experiências com meu filho. Eu acharia incrível se fosse além disso, mas entendia que era um universo novo para mim. Só depois de um tempo, quando conversei com o Peter Simeti, dono da Alterna Comics (editora independente de HQs), percebi que elas realmente tinham potencial para uma audiência maior”, disse o autor em entrevista a CRESCER.
O paralelo do menino com a figura do herói não foi difícil de ser construído. Além de ter que aprender a lidar com a síndrome de Down, Ollie teve que passar por três cirurgias delicadas em seus primeiros anos de vida graças a diferentes problemas congênitos no coração. “As chances sempre estiveram contra meu filho, mas ele nunca deixou de vencer. A principal intenção das histórias que escrevo é mostrar que pessoas com Down, como ele, podem nos inspirar, podem ser nossos heróis”, afirmou.
Ollie e seu pai, Chip Reece, autor de "Metaphase" (Foto: Reprodução/Facebook)
Confira a entrevista na íntegra:
CRESCER: Vamos começar falando do Ollie. Qual foi sua reação quando descobriu que ele tinha síndrome de Down?
Chip Reece:
 Eu e minha mulher, Amy, lidamos bem com a notícia de que ele tinha síndrome de Dowm, mas ficamos assustados com os outros problemas de saúde que foram diagnosticados. Acho que o mais difícil foi entender que ele teria uma longa batalha pela frente com pouca garantia de sobrevivência. A única vantagem que tivemos foi ter descoberto essas condições meses antes de ele nascer, o que nos deu tempo para preparar os tratamentos.
C.: Com quais problemas de saúde ele nasceu?
C.R.: 
Ollie tem dois problemas congênitos no coração, por isso teve uma série de complicações e passou por três delicadas cirurgias. A primeira aconteceu quando ele tinha apenas 10 dias de vida. Foi uma operação que durou várias horas, algo muito grande para alguém que pesava menos de 3 kg. Ele passou os três meses seguintes em estado crítico no hospital lutando pela vida.

Ao mesmo tempo, as paredes do seu coração não estavam se fechando corretamente, fazendo com que o sangue fosse bombeado diretamente para os pulmões. Isso fez com que os pulmões ficassem molhados e pesados, tirando sua capacidade de respirar por conta própria e lentamente o “afogando” em seu próprio corpo. Foi nesse momento que a equipe do hospital resolveu fazer uma segunda cirurgia.

Depois, duas outras pequenas operações foram feitas, uma traqueostomia e uma colocação de tubo para alimentação. Ollie foi liberado depois de cinco meses e retornou uma semana depois de seu primeiro aniversário para consertar o outro defeito no coração. Desde então, ele também teve amígdalas e adenoides removidas para melhorar o funcionamento de suas vias aéreas (danificadas pela entubação precoce).
C.: Com quantos anos ele está hoje e como anda seu desenvolvimento?
C.R.:
 Celebramos seu terceiro aniversário em junho! Indivíduos com síndrome de Down geralmente têm baixo tônus muscular, o que torna o desenvolvimento físico um desafio. E Ollie estava ainda mais atrás por causa de seus problemas físicos. Ele tinha a mobilidade extremamente limitada, especialmente no primeiro ano de vida. A fisioterapia o ajudou muito nesse sentido. E meu filho tem uma atitude ótima, sempre cumpre suas tarefas e nunca desiste de nada. Três semanas atrás, ele deu os primeiros passos sozinho!

Em relação à fala, Ollie também teve um progresso limitado. Só recentemente ele conseguiu emitir alguns sons. Esse atraso foi causado por um acidente; ele teve um nervo da corda vocal esquerda decepado durante a primeira cirurgia. É uma complicação comum em cirurgias cardíacas. Sua corda vocal direita está começando a compensar a esquerda. Ele tem andado até meio barulhento nos últimos tempos. Está falando “mamãe” e “papai”! Fora isso, aprendeu uma boa quantidade de sinais da linguagem dos bebês e consegue se comunicar bem com a gente dessa maneira.

A paralisia de sua corda vocal também contribui para sua inabilidade em engolir comida. O corpo humano precisa das cordas vocais para que elas fechem as vias aéreas quando engolimos, senão a comida e a bebida podem ir pela via errada. Por isso, será um longo processo para o Ollie aprender a comer da maneira correta. Até lá, ele usa um tubo que permite que o alimento seja colocado diretamente em seu estômago.
C.: Qual é a história por trás de Metaphase? Quando você teve a ideia?
C.R.: 
A ideia veio durante a primeira hospitalização do meu filho. Imaginei-o como um super-herói, superando todas as adversidades, e me inspirei com aquilo. Com o passar do tempo, este virou um tema constante na vida dele. As chances sempre estiveram contra Ollie, e ele nunca deixou de vencer. Dois anos depois do nascimento, quando as coisas se acalmaram um pouco, finalmente consegui sentar e começar a trabalhar na ideia. No final de 2012, um artista já estava colocando tudo em prática.
C.: Por que o nome Metaphase?
C.R.: 
O nome se refere ao processo de adulteração de cromossomos que a empresa da história usa para dar poderes às pessoas. Os personagens são chamados de “metas”.
C.: O que você pretende publicando os quadrinhos? É uma intenção pessoal ou uma maneira de falar sobre a síndrome de Down com outras pessoas?
C.R.: 
Originalmente era mais pessoal, nasceu das minhas experiências com meu filho. Eu acharia incrível se fosse além disso, mas entendia que era um universo muito novo para mim. Foi só quando tive a oportunidade de conversar com o Peter Simeti, dono da Alterna Comics, que percebi que as histórias tinham potencial para atingir audiências maiores. Mas a intenção não mudou. Continua sendo mostrar ao mundo que pessoas com síndrome de Down podem nos inspirar e ser nossos heróis e àqueles que vivem com a condição que eles são super do jeito que são!
C.: Como você e o artista criaram a linguagem visual? Quais foram as referências?
C.R.:
 O importante para mim era que as pessoas olhassem para os quadrinhos e percebessem de cara que o personagem tem síndrome de Down. Para isso, dei fotos do meu filho para Kelly (Williams), o ilustrador, usar como referência.
C.: Qual é a ideia de crianças com síndrome de Down que você quer passar?
C.R.:
 Que elas são seres humanos incríveis, lindos e inspiradores!
C.: Qual resposta você tem recebido dos leitores? E o Ollie, já disse alguma coisa?
C.R.:
 O feedback tem sido muito positivo até agora. Ollie ainda não disse nada, mas ele adora livros e gibis. Aguardo ansioso pelo dia em que poderei explicar que essa história foi inspirada nele.
C.: Metaphase é um trabalho paralelo ou você está vivendo financeiramente disso?
C.R.:
 Além de escrever o Metaphase, sou editor no site StashMyComics.com, em que escrevo artigos promovendo quadrinhos e atualizando catálogos. Fazer isso é ótimo, pois me possibilita estar em contato com outros profissionais da indústria. Durante o dia, trabalho também em serviços sociais ajudando pessoas desempregadas a arrumar emprego.
C.: Você fica bastante tempo com Ollie em casa?
C.R.:
 Durante a semana, minha mulher fica em casa com ele. Tomamos a decisão de que iríamos trabalhar assim depois da primeira cirurgia dele, quando percebemos que ele teria que fazer terapia e tratamento médico. Amy é praticamente sua enfermeira, fisioterapeuta e professora, além de desempenhar todas as tarefas de mãe. Ela é incrível! E Ollie deve começar a fazer um programa de transição para a pré-escola neste outono.
C.: Quais são as atividades preferidas dele?
C.R.:
 Ele gosta de ler livros e ouvir música. “Livro” foi um dos primeiros sinais que ele fez. E quando toca alguma música ele logo fica com as mãos para o alto, balançando os braços. Fora isso, ele brinca com seus brinquedos e adora quando nos juntamos a ele. Recentemente começou a gostar também de wrestling [um tipo de arte marcial]. Se eu for para o chão, com certeza ele virá me enfrentar!