segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

De onde vem a força das mulheres que têm filhos com deficiência?

Mother And Babies Playing Picture
Por Cristiane Segatto
Conheça a vida selvagem: tenha filhos”. Sempre me divirto quando vejo esse adesivo colado no vidro de algum carro. Essa frase é a mais pura verdade. A maternidade nos aproxima das fêmeas de todas as espécies. Em nenhuma outra fase da vida percebemos tão claramente o papel animalesco que a natureza nos reserva.Viramos leoas que se desdobram para cuidar da cria, alimentá-la, protegê-la e – principalmente – amamentá-la.
Sim. Não importa se a mulher é uma executiva empertigada, uma intelectual inatingível, uma operária calejada. Quando o filho nasce, ela vira um peito. Ou melhor: dois. Nada do que a mulher fez na vida ou ainda pretende fazer tem importância diante da função especialíssima de ser a única fonte de alimento de um ser que acabou de chegar. Um ser que vai crescer, ajudar a povoar o mundo e tocar em frente a grande aventura do Homo sapiens.
Quando eu amamentava a Bia (hoje uma moça de 10 anos) eu me sentia um par de peitos. Nas primeiras semanas, ela mamava a cada hora e meia. Eu vivia para isso. Minha função nesse mundo – de manhã, de noite, de madrugada – era amamentar. E, claro, trocar fralda, embalar, acalmar o choro, dar banho, lavar roupa etc, etc, etc. Quando ela mamava e dormia, eu ganhava uns 90 minutos de folga. Aí não sabia o que fazer com eles. Tomar uma ducha? Almoçar? Colocar as pernas para cima?
Eu era tão “sem noção” que três dias antes da Bia nascer fui à livraria comprar Guerra e Paz. Achava que a licença-maternidade fosse uma espécie de período sabático, o momento ideal para ler aquelas 1.349 páginas que faziam tanta falta na minha cultura geral. Tolinha. Só fui conseguir preencher essa lacuna quando ela completou três anos.
Os primeiros tempos da maternidade foram, sem dúvida, a fase mais selvagem da minha vida. Acordava cheia de energia, pulava da cama e, quando a Bia deixava, tomava um banho revigorante. Às 7 horas tomava um café da manhã reforçado enquanto assistia ao Bom Dia Brasil. Depois passava o dia inteiro em função da cria. Decidi que nos primeiros meses não pediria ajuda a mãe, sogra ou babá. Queria ser mãe em tempo integral. Queria ter liberdade para errar, acertar, aprender.
Naquele inverno de 2000, meus dias eram amamentar. Nos intervalos, corria para o tanque (que ficava no quintal, ao ar livre) e lavava na mão, com sabão neutro, a montanha de roupinhas frágeis de bebê. O vento gelado batia no meu rosto, mas eu tinha uma disposição para cuidar das coisas da minha filha que só a natureza pode explicar. Meu gasto calórico devia ser brutal. Almoçava pratos gigantescos e, ainda assim, só emagrecia. No Spa da Selva, perdi rapidamente mais de 10 quilos.
À noite, a pilha acabava. Às 22 horas, estava exausta. Dormia profundamente e mal conseguia abrir os olhos durante a mamada da meia-noite. Eu e o pai da Bia desenvolvemos uma técnica animal. Eu levantava um pouco o tronco e recostava no travesseiro. Ele segurava a Bia e acoplava a boca dela no meu peito. Ela mamava, eu dormia. Ele ficava com ela no colo por um tempo e depois a devolvia no berço. Nessa hora eu já estava no melhor do sono. Às quatro da manhã, me sentia recuperada. Pronta para a maratona de mamadas e afazeres de mais um dia. Pronta para sobreviver na selva e garantir a sobrevivência da minha cria.
Com o tempo, as obrigações mudam. Mas a vida selvagem dura pelo menos até a criança completar três anos. Aos poucos fui recuperando várias liberdades que haviam sido confiscadas pela maternidade. Hoje, com uma filha de dez anos, estou praticamente alforriada. Aproveito para respirar profundamente. Afinal, há quem diga que a verdadeira vida selvagem começa quando o filho chega à adolescência. Será mesmo? Que venha a nova selva, então. No lugar da leoa incansável, ela vai encontrar a leoa maleável. Muito mais do que era a moça que pariu aos 30 anos. A natureza é mesmo sábia.
Por tudo isso (e muito mais), sempre me considerei uma mãe dedicada. Eu me achava uma ótima mãe até conhecer a mãe do Idryss Jordan. Perto do que ela faz pelo filho, o que fiz pela minha é uma espécie de passeio no parque, com direito a pipoca e algodão doce. Vida selvagem não é a minha. É a dela. Posso ser uma mãe dedicada. Ela é mãe coragem.
Idryss Jordan tem 11 anos. É autista. Não é um daqueles autistas portadores dasíndrome de Asperger (que falam, avançam nos estudos e podem até chegar ao mestrado, como eu contei numa reportagem publicada em ÉPOCA há dois anos). Idryss é um autista de baixo rendimento. Não fala, usa fralda, precisa ser vestido, trocado, alimentado e cuidado 24 horas por dia. Muitas vezes se debate e se torna agressivo.
Aos 39 anos, Keli Mello, a mãe coragem, já precisou consertar os dentes da frente. Eles foram quebrados pelo filho. Se você acha que a criança que tem em casa lhe dá trabalho demais, espere até conhecer a história de Keli, uma gaúcha de Três de Maio que vive há duas décadas em São Paulo. Não sei de onde ela tira energia para enfrentar o que enfrenta. Por sorte (ou por destino), Keli é casada com Silvio Jerônimo de Teves, um pai coragem.
A dedicação e o amor incondicional que esse casal oferece ao filho fazem qualquer um se arrepender de algum dia ter dito que criança dá trabalho demais. Quem tem um filho saudável não sabe o que é trabalho. Keli e Silvio vivem para o filho (e para a filha Hyandra, de 5 anos, que não tem a doença). Não podem trabalhar fora de casa. Quando o autismo do filho se manifestou, Keli abandonou o trabalho de auxiliar de fisioterapia.
Mãe EspecialVirou artesã. No período em que Idryss está na escola, Keli faz panos de prato e toalhas. Silvio prepara o almoço e o jantar. Idryss não aceita comida esquentada. Se ela não for fresquinha, ele percebe e não come. Depois de cuidar da alimentação da família, Silvio sai para entregar as encomendas do artesanato que Keli produz. São movidos pelo amor e acreditam que o garoto é capaz de senti-lo e retribuí-lo. “Autista não é robô. Ele sabe amar. Se peço um beijo, Idryss me dá o rosto”, diz Keli.
Nos momentos de grande agitação – quando Idryss se morde e pode agredir quem estiver perto – a única coisa que o acalma é o metrô. Isso mesmo. Ele tem fixação pelo metrô. Quando não consegue controlar o garoto, o que Keli faz? Pega o metrô na estação Tucuruvi e vai até o Jabaquara. Depois volta até o Tucuruvi. Se precisar, vai novamente ao Jabaquara e retorna ao Tucuruvi.
Cruza São Paulo de norte a sul (são 23 estações em cada trecho) para acalmar Idryss. Na bolsa, leva o almoço do garoto acondicionado num pote plástico. Quando ele fica menos agitado, saltam na estação Parada Inglesa. Keli procura duas cadeiras vazias na beira dos trilhos, com vista privilegiada para o trem. Abre o pote, retira uma colher da bolsa e alimenta Idryss. A plataforma do metrô é sua sala de jantar.
Conheci essa família há alguns dias quando fazia uma reportagem sobre o trabalho da dentista Adriana Gledys Zink. Ela será publicada amanhã (10/07) na edição impressa de Época. As famílias dos autistas enfrentam todo tipo de desassistência. Não encontram vagas em escolas preparadas para lidar com o problema, não encontram atendimento médico adequado e, como é de se imaginar, não encontrar dentistas dispostos a atender autistas. Quando essas crianças precisam de tratamento odontológico (mesmo que seja uma simples limpeza) costumam ser internadas num hospital para receber anestesia geral.
“Mesmo quem pode pagar, não encontra dentistas dispostos a cuidar de autistas. Eles sequer vêem o paciente. Simplesmente informam que não os atendem”, diz Adriana. Ela decidiu tentar fazer diferente. Depois de se especializar em pacientes especiais na Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas (APCD), frequentar reuniões de famílias autistas e estudar os métodos de aprendizagem disponíveis, ela criou algumas técnicas que lhe permitem se aproximar desses pacientes. Na maior parte dos casos, ela consegue cuidar dos dentes dessas crianças (e também de adultos) no consultório, sem anestesia geral.
O processo é longo. Exige extrema dedicação das famílias e da dentista. Às vezes, ela precisa de quatro sessões (ou mais) só para conseguir levar a criança até a cadeira. Quando isso não é possível e o procedimento necessário é simples (uma limpeza, por exemplo), atende a criança no chão. O entusiasmo de Adriana surpreendeu a família de Idryss. “Essa dentista não existe. Acho que estou sonhando. Ela senta no chão com meu filho, tenta de tudo e não olha no relógio para ver se a sessão acabou”, diz Keli.
Se você quiser conhecer um pouco mais sobre o trabalho especialíssimo que Adriana e o marido (o dentista Marcelo Diniz de Pinho) realizam, acesse o blog. Para ver Adriana em ação e conhecer Keli e Idryss, assista a esse vídeo:http://www.youtube.com/user/zinkpinho#p/a/u/1/ou7PVTWnfoA
Keli, Idryss e Adriana me deram uma lição de vida. Agradeço todos os dias por ter uma profissão que me permite encontrar gente tão especial. Saio de cada reportagem melhor do que entrei. Graças à enorme generosidade dessa gente que confia em mim e divide tanto comigo. Muito obrigada a todos – mães e pais coragem, entrevistados e leitores. Saio de férias hoje. Essa coluna volta no dia 06 de agosto. Espero voltar com as baterias recarregadas e os sentidos bem calibrados para mais um semestre de intensa troca com vocês. Até lá.
*Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 14 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismo.
Fonte: http://revistaepoca.globo.com/  (09/07/2010)
Referência: Inclusive Inclusão e Cidadania
Veja:

CONHEÇA 5 DIREITOS DO AUTISTA

Conheça 5 direitos do autista

Conheça 5 dos direitos listados na Lei Berenice Piana:
1. Ações e serviços de saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS, incluindo: o diagnóstico precoce, o atendimento multiprofissional, a nutrição adequada e a terapia nutricional, os medicamentos e as informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento.
2. Acesso à educação e ao ensino profissionalizante, à moradia, ao mercado de trabalho e à previdência social.
3. É dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da sociedade assegurar o direito da pessoa com TEA à educação, em um sistema educacional inclusivo, sendo que em casos de comprovada necessidade, o autista que cursa ensino regular terá direito a acompanhante especializado durante as atividades realizadas no ambiente escolar.
4. O gestor escolar ou autoridade competente que recusar a matrícula de estudantes com transtorno do espectro autista, ou qualquer outro tipo de deficiência, será punido com multa de 3 (três) a 20 (vinte) salários-mínimos e você pode exigir isso!
5. Qualquer interessado poderá denunciar a recusa da matrícula de estudantes com deficiência ao órgão administrativo competente, sem prejuízo a outras denúncias previstas na legislação.
A Lei Berenice Piana
No Brasil, foi somente a partir da lei 12.764 (2012) que a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) passou a ser considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais. A lei criou a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo, também conhecida como “Lei Berenice Piana”, em referência a uma mãe que  lutou pela criação da legislação. Recentemente, o documento foi reforçado pelo Decreto nº 8.368 (2014), que regulamenta todos os pontos apresentados em 2012.
Veja também:

Menino chinês brinca na neve com minicharrete puxada por ursinho robô

Um menino chinês foi flagrado nesta segunda-feira (9) andando em um carrinho puxado por um robô vestido como um ursinho de pelúcia no parque Taoranting, em Pequim, na China. (Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters)Um menino chinês foi flagrado nesta segunda-feira (9) andando em uma minicharrete puxada por um ursinho robô no parque Taoranting, em Pequim, na China. (Foto: Kim Kyung-hoon/Reuters)G1

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Causas psicanalíticas das Auto Agressões em Autistas

Muita gente assiste desesperado(a) seu filho ou sua filha autista se auto agredir e não consegue entender o que está acontecendo, nem porque, nem muito menos tem idéia de como evitar isto.
Hoje então vou explicar em detalhes o que acontece e porque, desta maneira pais e mães de autistas, em especial os clássicos, poderão tentar evitar estas ocorrências no Futuro.
As auto agressões elas são provocadas por outras pessoas, não são parte do autismo e nem fazem parte do autismo. Elas são provocadas por um lidar equivocado e /ou inadequado com o Autista, como rejeições, não-aceitações, bullying, agressões, traumas psicológicos graves, mágoas sentimentos de incompreensão e/ou injustiça, especialmente se estas coisas forem frequentes, sistemáticas. Como muitas vezes o autista imaturo sabe que quem o agride, incompreende, é injusto com ele, é mais forte/poderoso do que ele e ele acha que não deve expressar o que sente com medo de uma reação ainda mais negativa destas pessoas, ele se auto reprime para se defender. Só que isto vai se acumulando com o tempo e se estes eventos forem se acumulando, uma hora ele não aguenta mais e ai ou ele reage agredindo a quem o provoca, humilha, agride, não compreende, é injusto com ele, etc., ou, se o medo da reação das outras pessoas for maior do que a mágoa, o Juiz Interior dele vai julgar que ele falhou em ser capaz de reagir e se expressar , e consequentemente o Ditador Interior vai cumprir a sentença do juiz, que é punir o autista por sua falha fazendo-o agredir a si mesmo. Portanto, não é o Autismo, não faz parte dele e sim provocado por outras pessoas sem saber em alguns casos ou de propósito em outros.
Ficou vago ainda? Então vamos dar exemplos e esmiuçar em detalhes!
O Autista vê o Mundo, a Realidade, de dentro do seu Mundo Interno de Fantasia, da seguinte maneira: ele espia lá fora e tudo o que está fora lhe parece gigantesco, ameaçador, e pior, imprevisível. E porque a previsibilidade é importante para ele?
Porque, como é ele quem constrói seu próprio Mundo, cria seus próprios personagens e dá a eles a personalidade que ele quiser, e como é ele quem cria suas próprias regras e dá as ordens, e faz e desfaz regras de acordo com sua própria vontade, tudo é, portanto, previsível no Mundo dele, por que tudo está sob o controle dele.
Mas a Realidade não funciona assim, e ao conviver na Realidade e perceber esta imprevisibilidade humana, ele se assusta.
Repentinamente todas as pessoas são potencialmente agressivas, hostis, perigosas e não se tem a mínima idéia da reação que tiverem ‘as suas ações.
Quando esta agressividade da Realidade se concretiza, seja no bullying, nos gritos das pessoas com ele, nas broncas de teor humilhante (podem até nem ser, na maioria das vezes realmente nem são, mas ele as sente como humilhantes). Numa acusação injusta, nas gozações e pilhérias, de pessoas que o fazem de bobo, aí o autista passa a ter certeza de que suas suspeitas são reais, o que o aterroriza. Se estas provocações e/ou agressões se repetem sistematicamente, diariamente, os traumas psicológicos, o sentimento de rejeição, inferioridade, injustiça, incompreensão vão se acumulando com o tempo.
Para os pais ou outras pessoas que o rodeiam, este processo pode parecer ser invisível ou para eles nem existir, por que o autista aparentemente não se expressa, mostrando claramente o que está sentindo e o que está se passando com ele. Muitas vezes ele inclusive esconde estas coisas dos pais, pois está inseguro e considera a reação deles desconhecida, imprevisível, portanto temerária. E é muito comum “a ficha demorar a cair” e ele mesmo demorar horas, dias, semanas, meses para se auto conscientizar do que aconteceu, mas que há muito seu inconsciente já processou e foi acumulando.
Mas há um limite para este acúmulo e quando ele é atingido, isto pode ser externado por meio do Meltdown, ou seja, uma explosão de fúria cega atingindo aquém quer que seja que estiver na frente, ou na forma da Auto agressão.
Quando um autista chega ao ponto de se auto agredir, podem ter certeza, há por trás do gesto uma cadeia de eventos provocados por outras pessoas que vem se acumulando á meses, anos ou até décadas.
Este acúmulo é especialmente dramático para os autistas clássicos ainda não verbais. Ocorre que, ele já tinha deixado de falar por conta de traumas, rejeições, agressões, gozações, incompreensões, injustiças, segregações, ou seja por conta das consequências da imprevisibilidade humana, portanto ele já está inseguro e desconfiado, já esperando de antemão o pior das pessoas, com sentimento de inferioridade o levando ‘a auto piedade, angústia e depressão, fazendo com que ele se auto reprima ainda mais e proíba a si mesmo de falar. Só que a vida continua, e quando ele não consegue se expressar de outras formas não verbais adequadamente ou as pessoas não conseguem interpretar corretamente seus sinais ou entender o que ele quer dizer através de seus gestos e atitudes, ele se sente incompreendido. E o que ele interpreta como incompreensão passa a ser considerado por ele uma forma de agressão(embora não seja , na realidade), e se os pais, professores, colegas, vizinhos, irmãos, parentes, etc., não conseguem captar sua mensagem (que de fato ‘as vezes é dificílima de ser interpretada corretamente, posto que cheia de simbolismos, mensagens subliminares, sutilezas e muitas vezes são extremamente sutis) e o “punem” com ordens, broncas ou contestações/contrariedades, ele se sente incompreendido, frustrado e se culpa, principalmente por se auto reprimir e não se deixar falar. Esta auto repressão , se estes fatos se repetem com frequência, o podem levar a uma explosão, ou, numa auto repressão extrema (de temor das pessoas, mas também como uma mensagem de socorro, para que as pessoas , no ponto de vista dele “o percebam”, “percebam que ele existe”), ele se auto- agride, pois sua insegurança e temor da imprevisibilidade da reação das pessoas já chegou a um ponto tal que ele não vê outra saída a não ser se auto –agredir, já que ele não tem coragem de agredir quem o incompreende, por receio de reações ainda mais agressivas das pessoas para com ele.
Isto sem falar que, durante este tempo todo, Juiz e Ditador Interiores ficaram pressionando-o, acusando-o de ser incapaz de reagir, de provar sua inocência, de se fazer compreendido, de não se comunicar adequadamente, enfim, chamando-o de falho, incompetente, condenando-o e ordenando que ele se puna a si mesmo por suas “falhas” agredindo a si mesmo.
Então, como evitar que tudo isto aconteça no futuro?
Em primeiro lugar, ter, na frente dele, em todas as situações que se repitam, reações previsíveis, sempre as mesmas, de preferência positivas. E nunca fazer brincadeiras imprevisíveis com ele, como, por exemplo, dar sustos nele de repente brincando, isto costuma ter consequências muito sérias para ele mais tarde.
Segundo, tomar muito cuidado com o que se fala, pois como se sabe, para o autista, pequenos gestos tem grandes significados e muita coisa que a maioria das pessoas considera que não machuca, não magoa a ninguém, ao autista machuca. Muita coisa que as pessoas em geral acham que não é nada de mais, coisinha à toa, pode traumatizar um autista. E a mágoa, que leva ao sentimento de incompreensão, injustiça, baixa a auto estima, que leva ao sentimento de inferioridade, que leva ao trauma, que leva ao acúmulo de traumas, que leva ‘a explosão ou auto-agressão.
Terceiro, evitar ao máximo que outras pessoas o agridam, o humilhem e façam gozações com ele.
Por fim, e muito importante: sempre que acontecer, procurar investigar em profundidade a cadeia de acontecimentos que ocorreu antes da auto agressão e entrevistar as pessoas, e mesmo que digam que não aconteceu nada de mais, tentar conseguir um relatório detalhado dos últimos acontecimentos, seja em casa ou na escola. Lembrem-se que enquanto a fonte de agressões e/ou provocações não parar ou for eliminada, o problema continuará. Se as auto-agressões são frequentes, é porque os fatos psicanalíticos externos que as provocaram continuam e são igualmente frequentes.
Concluindo, o recomendado é submeter o autista a um acompanhamento psicanalítico o quanto antes, para que as causas psicanalíticas sejam enfrentadas e corrigidas. Mas não só ele: se os pais não tiverem o equilíbrio emocional e paciência necessários para lidar com filhos autistas, eles também devem procurar um psicólogo para trabalhar isto e terem uma estrutura psicológica robusta e adequada para lidarem melhor com seus filhos.
É muito importante as pessoas não transferirem , ou não descontarem aos e nos autistas, suas neuroses, ansiedades, inseguranças , stress , frustrações e angústias ,depressões e etc., tudo isto o autista percebe nas pessoas (e muitas vezes não expressa que sabe) e o afeta, aumentando ainda mais as suas pressões externas, e leva a um julgamento inadequado, incompreensivo ou mesmo equivocado, do comportamento do autista, levando a atitudes equivocadas e injustas, erros de interpretação do que o autista quer ou quer expressar, que podem levar ele ao sentimento de injustiça, que tem as consequências já descritas aqui. Uma auto avaliação das pessoas que lidam com o autista, se elas estão fazendo estas coisas com ele ou não, sem ao menos perceberem (o que é muito comum) é muito importante de ser feita e corrigir isto e/ou mesmo ir a um psicólogo trabalhar estas coisas para não mais se repetirem, podem evitar muitos surtos e/ou auto agressões do autista no futuro, prevenir é sempre o melhor!
Cristiano Camargo

Sobre os tipos de Autismo



Sobre os tipos de Autismo

Vira e mexe, muita gente me pergunta sobre os diferentes tipos de Autismo e quais as diferenças entre eles.
Então vou colocar aqui uma brevíssima descrição dos principais tipos, mais comuns*:
*(a ilustração que acompanha o texto também só mostra os tipos mais comuns)...

Tipos de Autismo:

Os principais tipos de Autismo são:

Clássico: o tipo mais comum.No autismo clássico, verifica-se em um número expressivo de casos, a presença das ocorrências coincidentes( também chamadas comumente de “comorbidades”,falarei sobre este assunto mais para a frente),que são transitórias e temporárias, todas superáveis.Na questão da verbalidade, os clássicos geralmente começam a falar na mesma idade que as crianças não- autistas( em vários casos podem começar depois) e depois de um certo(e variável) tempo, param de falar temporariamente, mas depois de certo tempo (muito variável, podendo ir de meses a algumas décadas, conforme o caso)voltam a falar fluentemente.

Alto Desempenho: Os autistas de Alto Desempenham diferem dos Clássicos apenas na incidência bem maior de casos de QI elevado ou acima da média.

SAVANT: Os Autistas do tipo SAVANT, diferem dos demais pelo talento fabuloso e espetacular para uma área muito específica do conhecimento ou a prática de uma forma de arte, com uma inteligência que beira, ou em alguns casos ultrapassa a barreira da genialidade no assunto específico que gostam e em que se especializaram.De resto, em nada diferem dos Clássicos.

Asperger: Os Autistas tipo Asperger são em muita coisa parecidos com os de Alto Desempenho:geralmente tem QI pouco acima da média, e em alguns casos , muito acima ou mesmo atingem a genialidade(em bem poucos casos,é bom frisar).Porém diferem de todos os outros tipos por geralmente não apresentarem ocorrências coincidentes e na questão da verbalidade: a maioria dos Aspergers (ou Aspies, como também gostam de serem chamados) geralmente costumam aprender a falar em idades variadas, desde a mesma idade de crianças não-autistas até quatro ou cinco anos de idade, raramente começam a falar depois desta idade, mas alguns casos assim existem também.A maioria costuma falar por volta de até os quatro ou cinco anos de idade.Só que os Aspergers,assim que aprendem e começam a falar fluentemente, diferentemente dos outros tipos, nunca mais param de falar, a verbalidade, uma vez iniciada ,é para sempre.

Lembrando sempre que os tipos que fazem parte do leque do Autismo não concorrem entre si, nem tem uma hierarquia entre si ,qualitativa ou de qualquer outro tipo,não sendo cabível nenhuma comparação entre eles.Nenhum tipo é melhor ou superior, ou pior ou inferior que o outro, são apenas diferentes entre si.

Cristiano Camargo

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

E o seu nome é Jonas

INDISCIPLINA

Um pesquisa feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) constatou: o professor brasileiro é o que mais gasta tempo tentando manter a classe em ordem. A metodologia e as conclusões desse estudo estão em uma reportagem do jornal Valor Econômico, reproduzida no site do Todos Pela Educação:http://bit.ly/1IhLRH0
Como mudar esse cenário e criar um ambiente escolar sadio?
No nosso site, você encontra experiências de professores que aprenderam a lidar com as atitudes desrespeitosas: http://abr.ai/1ujKh0T
Docentes contam como lidam com pequenos desrespeitos que tiram qualquer um...
REVISTAESCOLA.ABRIL.COM.BR

Cérebro de autistas percebe movimentos mais rápido

Sensibilidade ajuda a explicar a irritação de pessoas com o transtorno em ambientes cheios e barulhentos

Por Marcela Bourroul 
crianca_tela (Foto: shutterstock)
Crianças autistas percebem movimentos duas vezes mais rápido do que crianças sem o transtorno. Essa foi a conclusão de um estudo publicado este mês no Journal of Neuroscience, importante publicação científica americana. A descoberta pode parecer estranha, mas ela dá pistas fundamentais para explicar alguns comportamentos típicos de autistas.
Segundo o cientista Duje Tadin, professor de ciências cognitivas na Universidade de Rochester e um dos autores do estudo, essa maior sensibilidade a movimentos pode justificar porque os autistas ficam tão incomodados com muito barulho ou claridade. Ela também pode estar associada a déficits comportamentais.
“Vemos o autismo como um distúrbio social porque crianças com essa condição geralmente têm dificuldade de interagir, mas, às vezes, deixamos de lado o fato de que tudo o que sabemos sobre o mundo, sabemos a partir de nossos sentidos. Se uma pessoa vê ou ouve de maneira diferente isso pode ter um efeito relevante na interação social”, afirmou Tadin em nota divulgada pela universidade.
Estudos anteriores já haviam mostrado uma maior sensibilidade de visão dos autistas, mas este é o primeiro a avaliar a percepção de movimento. O estudo contou com a participação de 20 crianças autistas e 26 crianças com o desenvolvimento normal. Os autores pediram que elas assistissem vídeos nos quais barras brancas e pretas se mexiam e indicassem para qual direção as barras estavam indo (esquerda ou direita).
contraste_pesquisa (Foto: divulgação)
Se a criança acertasse, o vídeo seguinte era mais curto, aumentando o grau de dificuldade. Se errasse, era mostrado um mais longo. Dessa maneira, os pesquisadores mediam a velocidade com que a criança era capaz de perceber a direção das barras. No caso dos vídeos com pouco contraste (pouca diferença entre barras brancas e pretas), os dois grupos de crianças tiveram desempenho similar. No entanto, com o contraste mais alto (diferença acentuada entre branco e preto) os autistas identificaram a direção duas vezes mais rápido que o grupo controle.
“Essa capacidade dramaticamente melhor de perceber movimentos é uma pista de que o cérebro de pessoas com autismo continua respondendo mais e mais conforme a intensidade aumenta”, explicou em nota Jennifer Foss-Feig, pesquisadora da Universidade de Yale, que também participou do estudo. Esse hiperestímulo também está ligado à epilepsia, um problema muito comum em crianças autistas – estima-se que cerca de um terço dos autistas também sofram de epilepsia. A resposta intensa aos estímulos no autismo também pode ser uma razão para a introspecção dos indivíduos.
http://revistacrescer.globo.com/Criancas/Desenvolvimento/noticia/2013/05/cerebro-de-autistas-percebe-movimentos-mais-rapido.html

Susan Boyle revela ter síndrome de Asperger

Susan Boyle revela ter síndrome de Asperger

A cantora escocesa Susan Boyle, que ganhou fama em 2009 após participar do programa de calouros Britain’s Got Talent, revelou sofrer de síndrome de Asperger, uma forma branda de autismo.
Em entrevista publicada neste domingo no site do jornal The Observer, Susan, de 52 anos, diz que recebeu o diagnóstico há um ano. “Agora entendo melhor o que estava errado e me sinto aliviada e um pouco mais relaxada comigo mesma’, disse ela.

Proposta inclui transtorno mental na lista de doenças que abrangem a educação especial

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 7798/14, que inclui, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB – 9.394/96), o transtorno mental na lista doenças que englobam a educação especial. Atualmente, a legislação estabelece que essa modalidade de ensino abrange alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento, altas habilidades e superdotação.
Autora da proposta, a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) destaca que a esquizofrenia é um transtorno mental grave que atinge até 1% da população brasileira e merece ser considerada na LDB. “Apesar de a legislação atual tratar sobre a oferta de educação especial também na modalidade profissional, prevendo as adaptações necessárias ao adequado atendimento do aluno, acreditamos ser essencial mencionar os alunos portadores de problemas da esfera mental”, defende a parlamentar.
Para Gabrilli, com a medida, serão acrescidos novos itens de cuidado, treinamento e condutas mais abrangentes para estudantes com doenças mentais e esquizofrenia.
Tramitação
O projeto será arquivado pela Mesa Diretora no dia 31 de janeiro, por causa do fim dalegislatura. Porém, como a sua autora foi reeleita, ela poderá desarquivá-lo. Nesse caso, o texto precisará ser analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Educação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Marcelo Oliveira

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'


Comentários

Gloria | 09/01/2015 - 19h57
Parabéns Deputada!! precisamos continuar lutando contra as discriminações inclusive dos profissionais de educação que não realiza o trabalho eficaz e eficiente...
Cristina | 09/01/2015 - 11h45
Não sou contra, porém deve ser levado em conta vários fatores, pois existe casosmais delicados. Existe uma diferença entre DOENÇA MENTAL e DEFICIÊNCIA MENTAL e a generalização pode não ser eficaz, pois infelizmente a nossa EDUCAÇÃO não está preparada para esse trabalho. A inclusão que tanto falam não existe. Antes de tudo temos que pensar em uma EDUCAÇÃO INCLUSIVA RESPONSÁVEL, pois pelo que vejo é o contrário. Antes de sancionar a lei, devemos pensar em qualificar os profissionais e toda Instituição. Temos que pensar que um trabalho mal feito por falta de qualificação pode piorar o quadro.
christina | 08/01/2015 - 06h00
muito importante este projeto de lei e o amparo da educaçao ao portador de transtorno mental.Teremos um imenso avanço educacional nas questoes de saude mental se pudermos trabalhar de forma a dar condiçoes de estudo para estes portadores .
  • Câmara Notícias
    Expediente
    Disque-Câmara: 0800 619 619
  • http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/480118-PROPOSTA-INCLUI-TRANSTORNO-MENTAL-NA-LISTA-DE-DOENCAS-QUE-ABRANGEM-A-EDUCACAO-ESPECIAL.html