Acessibilidade é palavra que aponta para a qualidade, a prática e a extensão do acesso. Em geral, aparece no contexto de conceitos, técnicos ou práticos, associados a pessoas com deficiência.
Tanto melhor será a acessibilidade quanto mais pessoas atingir, seja no mundo físico e palpável, seja no mundo virtual. Para pessoas com deficiência, a par da quebra de barreiras físicas, com planejamento, arquitetura e equipamentos adequados, há todo um trabalho para romper obstáculos virtuais, tornando a informática acessível.
Nesse campo, há ferramentas que promovem o acesso e possibilitam o usufruto da tecnologia por pessoas com deficiência. São leitores de tela para deficientes visuais, teclados virtuais para quem tem deficiência motora ou dificuldades de coordenação e sintetizadores de voz para pessoas com deficiência auditiva e consequentes problemas de fala.
São situações que devem ser levadas em conta na montagem de páginas para a web. Há recomendações para nortear condutas adequadas a esse respeito, no W3C (Consórcio para a web) e na WAI (Iniciativa para a acessibilidade na rede). Apontam desde o tipo de fonte a ser usado, seu tamanho e cor, até recomendações relativas ao código (HTML – Hypertext Markup Language, referente à estrutura - e CSS – Cascading Style Sheets - para o layout, a “cara” da página na web).
Ao montar uma página na internet, leve em conta a acessibilidade. Procure responder a estas demandas, para incluir o maior número de pessoas:
1.Incapacidade para ver, ouvir ou deslocar-se e dificuldade para interpretar certos tipos de informação;
2.Dificuldade visual para ler ou compreender textos;
3.Incapacidade para usar o teclado ou o mouse;
4.Insuficiência de quadros, apresentando apenas texto ou dimensões reduzidas, ou ligação muito lenta à internet;
5.Dificuldade para falar ou compreender a língua em que o documento foi produzido;
6.Desatualização – navegador com versão muito antiga ou diferente dos habituais.
Ao ser projetada de modo a preencher as necessidades de vários grupos de incapacidade ou deficiência, a página da web potencializará a acessibilidade. Será exemplo de elemento inclusivo e com responsabilidade social.
"Esse mundo também é meu!", agora podem dizer diversos deficientes físicos, auditivos e visuais, que lutam para possuírem maior autonomia e também maior auto-estima. Graças a diversos programas de computadores, que auxiliam e os deficientes nas dificuldades do dia a dia, eles podem ter lugar no meio dessa sociedade tão caótica.
Desde 2005, inúmeros softwares foram desenvolvidos para melhorar a inclusão desses cidadãos em empresas, e assim, conquistando seu espaço e sua independência.
Tecnologia Assistiva: deficiente físico é incluído no mercado de trabalho com ajuda de novos softwares.
Softwares de leituras para navegar à internet, mouses virtuais que funcionam com movimentos do rosto e da boca, leituras de tela, para pessoas com deficiência visual terem acesso às suas contas de banco, sem falar de caixas eletrônicas que foram adaptadas com identificador de voz e pela palma da mão, entre diversos outros recursos
Muitos outros recursos estão sendo aprimorados e maiores pesquisas estão sendo desenvolvidas. Em breve, muitos outros estarão disponíveis no mercado para dar suporte no ambiente de trabalho e na vida cotidiana de diversos deficientes no mundo.
A terceira edição da Revista DI – Revista da Deficiência Intelectual traz como destaque os temas relacionados ao ensino de pessoas com Deficiência Intelectual no formato de artigos científicos.
Em um formato de publicação especial, a terceira edição da Revista DI apresenta os resultados da parceria do Instituto APAE DE SÃO PAULO com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE) da Universidade Federal de São Carlos.
Os interessados em adquirir um exemplar devem escrever para instituto@apaesp.org.br. Clique na imagem abaixo e conheça a 3.ª edição da revista DI do Instituto APAE DE SÃO PAULO:
Desde 1993, um grupo do Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ se dedica a desenvolver programas voltados para pessoas com deficiências físicas. O projeto completa 20 anos e rendeu a criação de vários softwares, dentre eles o Dosvox, voltado para pessoas cegas, e o Motrix, para usuários com deficiências motoras graves. Todos são gratuitos e compatíveis com Windows O Dosvox já é um programa conhecido e seus usuários realizam, inclusive, encontros anuais. O software tem cada vez mais aplicativos, com funções como agenda, calculadora, editor e leitor de textos, formatador para Braille, jogos, programas multimídia, utilitários de internet e outros. As aplicações são acessadas por meio de teclas específicas do teclado. O Dosvox, então, faz perguntas e confirma as ações tomadas por quem o utiliza.
A aluna de comunicação da UERJ Daniela Tavares é usuária do programa e trabalha com comunicação nos projetos de acessibilidade da UFRJ. Com um tipo de degeneração na retina, a estudante usa o aplicativo principalmente para ler textos da faculdade e anotar telefones e compromissos na agenda. “O editor de texto, similar ao Word, também ajuda”, explica.
Já o Motrix começou a ser desenvolvido em 2002, para permitir que pessoas com deficiências motoras graves tivessem acesso a computadores. “Lenira, uma médica tetraplégica há muitos anos, nos procurou com a ideia de criar uma forma de acionar o computador com a voz”, conta o professor José Antônio Borges, coordenador do projeto do NCE/UFRJ.
O programa cumpre exatamente esta função. Ao pronunciar determinados comandos em inglês em um microfone, a pessoa é capaz de exercer funções simples no aparelho, como mexer o cursor do mouse e acionar aplicações do Windows. O usuário consegue ainda soletrar para o computador, mas o processo é lento, de letra por letra.
Por mais que já existam muitas alternativas de reconhecimento de voz no mercado, Borges afirma que o software ainda não conseguiu se tornar mais completo porque essas tecnologias são caras. “Nosso programa tem que ser gratuito para ser acessível a todos e, por isso, acaba sendo mais precário”, explicou.
Se você enxerga, ouve, não tem restrição de mobilidade, tem a cognição preservada, e, principalmente, não tem contato próximo com pessoas com deficiência, assista este vídeo e desfaça os seus mitos.
O Instituto Mara Gabrilli (IMG) é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve e executa projetos que contribuem para a melhoria da qualidade de vida de pessoas com deficiência. Fundado em 1997, por Mara Gabrilli, atua no apoio a pesquisas cientificas para cura de paralisias, apoio a atletas do esporte paraolimpico, na orientação para desenvolvimento social de pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social. Além disso, o IMG colabora com o apoio a diversos eventos e projetos de inclusão com o intuito de gerar um impacto na sociedade, tornando-a mais justa e acessível para todos.
olhar da foto acima diz muito, mas não diz tudo sobre a história da empresáriaJuliana Françozo, uma bambambã da decoração de festas infantis, e do engenheiro mecatrônico Stefan Janzen. Ele ficou paraplégico num acidente, em 2001. Os dois se conheceram um ano depois – foi ela que insistiu para namorar. Stefan apostou que Ju desistiria ao deparar com sua rotina de deficiente. Mas ela enxergou o homem, e não a deficiência. “Meu príncipe não chegou em cavalo branco, mas numa cadeira de rodas”
Bati o olho no Stefan pela primeira vez em meados de 2002. Ele passou por mim de cadeira de rodas. Estávamos na igreja que ele frequentava e eu visitava pela primeira vez. Falei para a minha mãe, em tom de piada: “Poderia namorar esse cara...”. Só tornaria a vê-lo no ano seguinte, quando voltei à igreja depois de um período conturbado. Estava me curando de uma dengue e havia perdido dez quilos... Apesar do desânimo que sentia, observei de longe uma cena que me tocou: o Stefan tirou o próprio casaco e ofereceu a um morador de rua que apareceu na igreja com frio. Passados alguns dias, quando chegou o aniversário dele de 21 anos, uma amiga em comum me ligou pedindo que eu telefonasse para levantar seu astral – Stefan estava chateado por passar mais um ano na cadeira de rodas [o acidente de moto que o deixou paraplégico foi em abril de 2001, e ele ainda não havia se conformado.
Conversamos muito, e falei para ele me ligar quando quisesse. E não é que Stefan ligou de novo no mesmo dia? Começaram aí longos bate-papos diários com hora marcada.Eu não entendia bem o que ele queria comigo... Conversávamos como amigos, mas óbvio que eu esperava algo mais. Até que finalmente marcamos um cinema.Lembro que, na hora de me arrumar, cogitei escolher um sapato baixo, mas pensei: “Se estivesse saindo com outro cara, eu deixaria de usar meu salto? Não!”. Então me vesti, me perfumei e fui. Entrei no carro [Stefan dirige um veículo adaptado], e bateu um arrependimento: “O que eu estou fazendo aqui?”.
Mas ele logo quebrou o gelo, colocou um CD e falou qualquer coisa que me deixou à vontade. Fiquei bem atenta a seus movimentos, curiosa para entender quanto ele se movimentava, quão independente era. Stefan não move do peito para baixo e só precisou de ajuda para retirar a cadeira do carro. Assistimos ao filme de mãos dadas, bem namoradinhos. Um pouco antes dos créditos, ele me deu um beijo no rosto... que virou um beijo de verdade! Combinamos de nos ver de novo. Nunca esqueço que, quando estava a caminho desse segundo encontro, fui abordada na rua. Levei um susto. Um rapaz que não conhecia me olhou fundo nos olhos e disse: “Deus manda dizer que está chegando sua vez, que tudo está perto de acontecer!”. Achei o cara apenas doido, mas ele estava certo. Fico arrepiada ao me lembrar disso. Bem, saí desse date completamente apaixonada, mas Stefan me jogou um balde de água fria logo depois, ao telefone: avisou com todas as letras que não queria nada sério. Mas não passava um só dia sem ligar. Precisei dar uma intimada: “E aí, vamos namorar? Do contrário, pode me esquecer!”. Como ele reagiu? Aparecendo em casa com lírios laranjas para me pedir em namoro.
Veio então a fase de conhecer as famílias, trocar alianças de compromisso... E, como era de se esperar, apareceram as primeiras dificuldades. Ouvi coisas bem absurdas por causa da deficiência dele! Tinha gente que dizia que eu nunca seria feliz, que teria de cuidar dele para sempre. Uma pessoa chegou a perguntar à minha mãe como eu, “uma mulher vivida”, poderia ficar sem sexo. Como assim? Aquilo me machucava e me indignava na mesma medida. Naigreja que frequentávamos, boa parte dos “amigos” do Stefan se afastou. Alguns abusavam de seu jeito gentil, e comigo por perto ficava mais difícil se aproveitarem dele. Quando completamos quatro meses de namoro, a família dele viajou para a Alemanha, para o casamento de sua irmã. Ele preferiu ficar. E foi aí que vivi com Stefan todas as limitações de sua deficiência. Como ele acreditava num milagre, a casa não havia sido adaptada, e eu tinha de ajudá-lo a entrar e sair do banho, a coletar a sonda... Mas nunca pensei algo do tipo “onde foi que me enfiei?”. Ao contrário: nesse momento tive certeza de que queria viver com ele. Amava aquele homem com todo o pacote que ele me oferecia. Simplesmente não conseguia isolar sua condição física de todo o resto. Era o Stefan inteiro, por acaso com uma limitação.
Ficamos noivos e, naquele mesmo ano, Stefan se formou engenheiro mecatrônico. Ele, que estava na faculdade na época do acidente, fez provas em casa no início da reabilitação para não perder o ano letivo. Só impus uma condição para nos casarmos: queria que a casa fosse adaptada. Acredito, sim, numa possível recuperação, mas, enquanto ela não chega, defendo que o Stefan tenha qualidade de vida. Foram dez meses de preparação e uma enxurrada de gente se metendo na nossa vida, palpitando maldosamente. Cheguei a desconvidar uma pessoa para o casamento por ela dizer na minha cara que “casar com cadeirante era acabar com o próprio futuro”.
Esse tipo de coisa, por mais que me desgastasse, só me dava ainda mais certeza do meu amor e da minha vontade de fazer dar certo. E deu: em 2005, numa festa para 300 pessoas, confirmamos nosso amor com um sonoro “sim”. Estamos há nove anos juntos. Minha rotina é bem corrida com a Happy Happenings, empresa de festas infantis que criei em 2006. Me esforço muito, como toda mulher, para sempre achar um tempinho só para nós dois. Nos entendemos pelo olhar, sabemos quando falar e quando calar. Só um amor maduro traz isso. E como amadureci! Hoje, valorizo o simples fato de tomar banho sozinhaou vestir uma meia... Aprendi a me colocar no lugar dele. Na reforma da casa, por exemplo, sentei na cadeira de rodas e percorri o ambiente para saber onde era preciso mexer. Nossa rotina é quase como a dos outros casais. Não dá para irmos a qualquer restaurante, cinema, hotel... Quando vamos sair, precisamos ligar, confirmar se o local pode nos receber com dignidade. Tem muito estabelecimento que acha que um banheiro com barras basta para ser considerado adaptado... E o que era para ser um programa bacana, leve, se torna um horror! É cada vez menos frequente, já que aprendi a deixar a vida do Stefan mais confortável. Por exemplo, carrego material de higiene e roupa extra para ele no carro, porque às vezes há imprevistos – por causa da paralisia, ele não controla as necessidades fisiológicas. Acidentes acontecem.
Também não podemos fazer de tudo juntos. Dançar abraçados de pé é impossível. Mas e daí? Adaptamos a nossa dança. Ele fica na cadeira e me vira com as mãos, eu sento no seu colo e o giro também. É mais uma bagunça que uma dança propriamente dita, mas eu adoro. No sexo, também tivemos de... ser criativos. Não temos a mesma mobilidade de um casal comum, então aprendemos quais posições nos favorecem e recorremos a remédios que nos ajudam a ter uma vida sexual saudável. O Stefan lesionou as vértebras T7 e T8 e, apesar de ter perdido os movimentos do peito para baixo, isso não significa que ele não tenha nenhum tipo de sensibilidade. Como a ereção natural dura pouco tempo, usamos uma injeção no pênis. É ele que aplica porque sabe direitinho a área onde sangra menos. É um sangramento pequeno, nada que interfira no sexo. Temos de uma a três horas de estímulo. E é sempre bom, a despeito dessas “dificuldades técnicas”. O prazer dele também está em me ver, então é como se eu tivesse orgasmo por mim e por ele. Como não há ejaculação, não poderemos ter filhos pelas vias normais – quando decidirmos que é hora de aumentar a família, faremos inseminação artificial. Mas é engraçado, as pessoas se surpreendem quando digo que não me falta sexo! Muito pelo contrário, eu é que fujo das investidas dele, na maioria das vezes. Ou seja: enfrentamos percalços, mas nunca nos vitimizamos. Quem não tem nossos problemas tem outros. A única coisa que nos tira do sério é preconceito. As pessoas apontam, comentam quando nos veem de mãos dadas. Não entendem que o que sentimos é simplesmente amor, querem nos rotular. Quando eu era criança, me disseram que o príncipe encantado viria num cavalo branco, e não numa cadeira de rodas. Mas isso não me impediu de encontrá--lo, amá-lo e ser feliz para sempre a seu lado.
Com a palavra... Stefan Janzen Em abril de 2001, derrapei numa poça de óleo numa curva da Rodovia Anchieta, em São Paulo, meu corpo se prendeu na moto e acabei parando só quando a minha cabeça bateu no concreto. Fiquei paraplégico. Nunca, porém, me passou pela cabeça que poderia morrer e sempre acreditei que voltaria a andar. Ainda acredito, aliás. Comecei a ir à igreja que minha mãe frequentava e entrei para o grupo de louvor (toco saxofone e guitarra). Foi lá que conheci a Juliana. No início, claro, fiquei inseguro, mas sabia que quem se aproximasse de mim naquelas circunstâncias estaria com o coração puro. Óbvio que passou pela minha cabeça que ela desistiria assim que conhecesse meus altos e baixos emocionais, deparasse com meu descontrole fisiológico. Mas tenho a sorte de ter uma esposa que não mede esforços para me ajudar e aliviar as coisas para mim. Tivemos momentos inesquecíveis, brigamos um pelo outro, nos unimos e amadurecemos. Seria mais fácil desistir. Só que sabemos que a vitória só vem com a luta.
“Stefan perdeu os movimentos do peito para baixo, mas tem sensibilidade! Quase sempre sou eu que fujo de suas investidas sexuais”.
A homenagem foi proposta pelo deputado Rasca Rodrigues, do PV, em comemoração à conquista do vice-campeonato pela equipe curitibana Quatro por Quatro.//
A Assembleia Legislativa recebeu os atletas da Associação de Power Soccer de Curitiba para homenageá-los com a entrega de menções honrosas pela conquista do vice-campeonato brasileiro da modalidade.//
O power soccer é uma modalidade paradesportiva, praticado por cadeirantes que usam cadeiras motorizadas.//
Para o atleta Lucas de Aguiar a homenagem tem grande importância para todos os envolvidos com a atividade.
Alex Garcia. Uma das Pessoas Surdocegas e Pessoa com Doença Rara mais conhecidas do mundo. Graduado e Especialista em Educação Especial pela UFSM/RS. Alex Garcia é o primeiro Surdocego brasileiro que cursou uma Universidade. É pioneiro no Brasil ao desenvolver a primeira pesquisa em campo para localização de Surdocegos que abrangeu o Estado do Rio Grande do Sul e teve como principais apoiadores a Federação Sueca de Surdocegos e a Federação Mundial de Surdocegos. É considerado o "Pai" da Surdocegueira no Estado do Rio Grande do Sul. Desde 2004, de forma voluntária, pela primeira vez no Brasil, estruturou trabalho de atendimento domiciliar com as famílias de Surdocegos para informações e orientações educacionais, encaminhamentos médicos e sociais, preparação de profissionais para atuação com Surdocegos em seus locais de origem, adaptando locais e programas especiais em escolas de ensino regular ou especial. Alex Garcia é escritor, sendo a 1ª Pessoa Surdocega à escrever um livro sobre Educação na América Latina. Sua obra "Surdocegueira: empírica e científica" foi editada em 2008. Em 2010 editou a obra infantil "A Grande Revolução". Jamais abdicando de sua soberania, Alex Garcia é Registrado na Biblioteca Nacional como Editor Pessoa Física - Prefixo Editorial 908690. Em 2009 vence o Prêmio Sentidos, concurso nacional, tendo sua história de superação sido eleita a maior do ano no Brasil. É Rotariano Honorário - Rotary Club de São Luiz Gonzaga-RS e Líder Internacional para o Emprego de Pessoas com Deficiência - Professional Program on International Leadership, Employment, and Disability - formado pela Mobility International USA - MIUSA, sendo a 1ª Pessoa Surdocega a ser aluno desta organização americana em 27 anos de história. Alex Garcia foi a primeira Pessoa Surdocega, no Brasil e América Latina, a ministrar curso de formação de professores com total soberania, este aconteceu em Cuiabá / MT. Também foi a primeira Pessoa Surdocega, no Brasil e América Latina, a ministrar curso de formação de professores com total soberania onde teve como alunos duas pessoas com deficiência - uma jovem educadora cega e um jovem educador surdo - este curso aconteceu em Niterói / RJ. É Fundador - Presidente da Associação Gaúcha de Pais e Amigos dos Surdocegos e Multideficientes - Agapasm e Coordenador do Núcleo Regional Rio Grande do Sul do Instituto Baresi - Doenças Raras. É Membro da World Federation of Deafblind - WFDB, colunista da Revista REAÇÃO e do Portal Planeta Educação. É consultor da Rede Educativa Mundial - REDEM e do Instituto Inclusão Brasil. (Texto informado pelo autor)
A Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT10)
manteve decisão que condenou a Construtora RV a pagar R$ 100 mil de indenização
por danos morais por não ter cumprido a legislação sobre a contratação de
pessoas portadoras de deficiência.
Seguindo voto do relator, desembargador Douglas Alencar (foto), a
Terceira Turma condenou a empresa comprovar até 12 de agosto deste ano que
atingiu o percentual previsto no artigo 93 da Lei 8.213/91, com base em seu
quadro de pessoal efetivo, desconsiderando-se os postos de trabalho que, por
suas particularidades, não possam ser ocupados deficientes físicos ou
reabilitados. Em caso de descumprimento, a construtora pagará multa diária de
R$ 2 mil por vaga reservada não preenchida.
De acordo com o magistrado, a empresa não cumpriu a citada legislação
mesmo depois que a Coordenadoria para Inclusão da Pessoa com Deficiência do
Distrito Federal, atendendo solicitação da própria construtora, encaminhou a
ela vinte currículos de pessoas com deficiência à procura de emprego, alguns
deles com experiência profissional como pedreiro ou carpinteiro. Além do pedido
à coordenadoria, a empresa publicou dois anúncios em jornal na tentativa de
contratar pessoas com deficiência, sem sucesso.
“A existência de trabalhadores com necessidades especiais e com
experiência profissional nas funções requeridas nos anúncios publicados em
jornal (pedreiro e carpinteiro) enfraquece a tese recursal de que o segmento de
atuação empresarial da ré dificulta o cumprimento da regra escrita no artigo 93
da Lei 8.213/91.
Além disso, não há como justificar o fato de não possuir a ré nenhum
trabalhador deficiente ou reabilitado em setores administrativos”, apontou o
desembargador Douglas Alencar.
Prazo - Segundo o magistrado, a construtora aderiu a um “Pacto Coletivo
para Inclusão de Pessoas com Deficiência” em agosto de 2010, comprometendo-se a
atingir a cota prevista na legislação no prazo de três anos.
“Em razão das especificidades e dificuldades que decorrem do labor
demandado no segmento empresarial em que atua a ré, entendo cabível uma
modulação da condenação ao cumprimento da obrigação de contratar trabalhadores
deficientes ou reabilitados.
Desse modo, entendo deva ser fixado prazo razoável para o atingimento do
percentual previsto no artigo 93 da Lei 8.213/91, que ora estabeleço em
12/8/2013, lapso temporal idêntico ao previsto no Pacto Coletivo para Inclusão
de Pessoas com Deficiência”, sustentou o relator.
O desembargador Douglas Alencar apontou que, devido às particularidades
do setor de construção civil, é razoável desconsiderar os postos de trabalho
que não podem ser ocupados por esses trabalhadores especiais (como, por
exemplo, as funções que demandem carregamento de peso) da base do número de
empregados da ré na apuração das vagas a serem preenchidos por deficientes.
Em relação à indenização de R$ 100 mil por danos morais, imposta pelo
juiz Raul Gualberto Fernandes Kasper de Amorim, em exercício na 4ª Vara do
Trabalho de Brasília, a Terceira Turma do TRT10 acompanhou o voto do relator,
que manteve o valor.
“Considerando a condição econômica da ré e o caráter
corretivo e pedagógico da medida aplicada - como meio de inibir a reincidência
da conduta ilegal -, entendo razoável o valor fixado na origem”, fundamentou o
desembargador Douglas Alencar.
( RO 01991.2011.004.10.00.0 )
Fonte: Tribunal Regional do Trabalho 10ª Região
Brasília, 24.04.2013
Salão iluminado, telões acesos e público ansioso pelo início do desfile. Nos bastidores, Carina Queiroz se prepara para mostrar sua desenvoltura na passarela. Este poderia ser um dia de trabalho comum para uma modelo, mas é apenas o início de uma história de superação. A protagonista, de 33 anos, desde os 18 utiliza uma cadeira de rodas para se locomover. Um acidente de carro, em 1998, a deixou paraplégica, mas não interrompeu seus sonhos pessoais e profissionais.
Carina se formou em enfermagem e, atualmente, trabalha como gerente em uma instituição financeira de Salvador. Esta é a profissão que a "sustenta", mas a relação com os flashes permanece desde 2008, quando conheceu o trabalho da fotógrafa paulista Kica de Castro. A ideia inicial era fazer apenas um book mas, após uma viagem para São Paulo, Carina foi convidada para participar do casting de modelos da agência de Kica.
Algum tempo depois do início da parceria, a enfermeira-modelo realizou seu primeiro trabalho: um desfile em uma feira de reabilitação de deficientes físicos na cidade de Goiânia, em Goiás. "Por ter sido uma coisa nova, foi o mais marcante de todos", relembra ela. A partir daí, participou de um desfile em João Pessoa, na Paraíba, e de campanhas em São Paulo, entre elas a mostra "Vidas em Cenas", que expôs em uma estação de metrô 15 imagens sobre o dia a dia de pessoas com deficiência.
Com curadoria de Antônia Yamashita, a exposição - que após o metrô esteve em cartaz no Memorial da América Latina e na XII Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade - foi organizada a partir de uma linha do tempo, da infância até a terceira idade. As fotos mostravam pessoas com deficiência realizando atividades de lazer, trabalho, namoro e esporte, entre outras. Carina estava devidamente representada em uma das imagens, que retratava a cerimônia de seu casamento.
A ideia de registrar o momento partiu da própria modelo. "Kica veio para Salvador como convidada e fotógrafa do meu casamento. O que eu gosto deste trabalho é que ela tem uma visão diferente, não são aquelas fotos básicas com pessoas com deficiência. No meu caso, a cadeira é um complemento e não chama mais atenção do que eu", explica Carina.
Foto técnica x artística - "Se uma modelo dita 'normal' fica fazendo caras e bocas em uma cadeira, então por que esta cadeira não pode ser a de rodas?". O questionamento parte da própria Kica de Castro, que é publicitária de formação mas sempre teve grande paixão pela fotografia, área em que se profissionalizou há 13 anos. Em 2002, ela aproveitou uma oportunidade de trabalho em um centro de reabilitação para deficientes físicos e passou a exercer a função de chefe do setor de fotografia.
Apesar de estar na área que escolheu como profissão, Kica ainda não se sentia realizada, já que as fotos dos pacientes eram muito técnicas. "Não era agradável para mim nem para eles, porque as imagens eram feitas em roupas íntimas e algumas em nu. Eles ficavam constrangidos e eu não me sentia fotógrafa, porque tinha de me restringir às quatro posições globais: frente, costas e os dois lados. Os pacientes se comparavam a presidiários", explica Kica.
Foi então que, após uma conversa com uma psicóloga do centro, a fotógrafa resolveu mudar a forma de atuação e tratar os pacientes de "igual para igual". No dia seguinte, foi à Rua 25 de Março - o maior centro comercial de rua do país - e comprou bijuterias, enfeites, espelhos, pentes, gel para cabelo, algumas revistas de moda e outras voltadas para o público adulto.
Com o material disponível no estúdio improvisado, Kica passou a "quebrar o gelo" com os pacientes. "Quando eles chegavam ao setor, eu dizia que era um teste para um editorial de moda e mostrava as revistas. As pessoas passaram a ser mais receptivas, me procuravam para fazer books e indicavam os conhecidos", revela.