terça-feira, 29 de janeiro de 2013
AIESEC no Brasil - O Diferencial do Intercambista
A força do voluntariado
| Postado por: Magali Pereira28 de janeiro de 2013
Viver experiências e não apenas acumulá-las. Contribuir para o crescimento de outras pessoas com o seu trabalho. Impactar crianças, jovens e organizações com suas habilidades e conhecimentos. Conhecer novos pontos de vista. Essas são apenas quatro frases simples que mostram o quão poderoso e recompensador é ovoluntariado.
E por acreditar nessas e outras definições sobre os benefícios do trabalho voluntário que a AIESEC, através de seus escritórios espalhados pelo Brasil, busca engajar cada vez mais jovens no programa de intercâmbio voluntário ‘Cidadão Global’. Em 2012, mais de mil estudantes deixaram o Brasil para transformar sua visão de mundo, impactando realidades completamente diferentes.
Alguns desses jovens compartilharam com a gente ano passado os seus depoimentos e nós reunimos todos em um álbum especial no Facebook. China, Índia, Egito, Ucrânia, Colômbia e Mocambique foram alguns dos destinos dos nossos intercambistas. Uma inspiração e tanto para quem está animado a viver essa experiência em 2013.
http://aiesec.blog.br/
Mal de Parkinson causas, sintomas e tratamentos.

Mal de Parkinson causas, sintomas e tratamentos. Para obtermos o sucesso no controle e tratamento do Mal de Parkinson é muito importante compreender suas características. A Doença de Parkinson surge após os 55 anos e apresenta-se em 1% da população idosa. O processo fisiopatológico inicia-se com a degeneração, progressiva negra mesencefálica, do cérebro. O diagnóstico é feito pelo quadro clínico e pela exclusão de outras doenças. Os sintomas mais comuns são o tremor de repouso do tipo “contar dinheiro”, lentidão dos movimentos (bradicinesia) e rigidez dos membros que “destrava aos poucos” nomeada de “rigidez em roda-dentada”. Porém nem todos os pacientes apresentam esta tríade ou apresentam sintomas sutis. Acesse e veja mais: http://ow.ly/herYm
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
domingo, 27 de janeiro de 2013
‘Sinto que nasci de novo’, diz Pedro Leonardo após acidente
Fantástico visitou a fazenda do cantor Leonardo, onde seu filho, Pedro Leonardo, se prepara para a etapa final de sua recuperação
G1
O Fantástico foi até o interior de Goiás, para a fazenda do cantor Leonardo. É lá que seu filho, Pedro Leonardo, se prepara para a etapa final de sua recuperação. Pedro se acidentou depois de um show em Uberlândia (MG) em abril de 2012. Ficou 81 dias internado; 30 em coma.
São 40 minutos de voo de Goiânia até a fazenda. É lá que o Leonardo costuma reunir todos os anos os seis filhos durante as férias. Por isso, é um momento muito especial para o Pedro e para toda a família depois de tudo que aconteceu.
Renata Ceribelli: Olha só a mordomia em que a gente encontrou o Pedro. Só quer sossego?
Pedro Leonardo: Aqui é só sossego.
Tem bastante gente na fazenda. Dos seis filhos de Leonardo, cinco já chegaram. Além do Pedro, tem o Mateus, de 15 anos, a Jéssica de 18, o José Felipe, de 14, e o João de 10. Cada um de uma mãe diferente. E tem a Taís, que não é filha de Leonardo, mas também é irmã de Pedro por parte de mãe.
Pedro: Estar aí com a minha família neste momento é fantástico. Mas, para mim, voltar aqui depois de tudo, depois de tudo que eu passei. É a primeira vez que eu volto. É uma vitória, é uma luta, é uma paz, sabe? Estou aqui com a minha filha, vejo ela correndo na varanda dia e noite. Minha mãe atrás, a mãe dela atrás.
Renata: Como é que está a sua recuperação? De um a cem, você diria que você está.
Renata: Como é que está a sua recuperação? De um a cem, você diria que você está.
Pedro: 98.
Renata: O que falta?
Pedro: Falta só o manguito do ombro. É um nervo que permite mexer o ombro. Não é uma cirurgia complicada nem de risco.
Renata: Sua fala está perfeita?
Pedro: A fala está melhorando. “Melhorando” era uma palavra que eu não falava de jeito nenhum.
Renata: Mas o que você já evoluiu com a fonoaudiologia já te permite subir em um palco e cantar?
Pedro: Sem problemas. Eu me sinto bem demais cantando. As dificuldades na hora em que você está cantando não são invencíveis. A dificuldade pode ser grande ou pequena, mas é certeza que você vai vencer.
Renata: Pedro, o que você se lembra do acidente? Qual a última imagem que você se lembra antes do acidente?
Pedro: Não me lembro. Nenhuma.
Renata: Quando você vê tudo que aconteceu com você o que você pensa? O que sente?
Pedro: Cara, eu sinto que eu nasci de novo.
Renata: Qual foi o momento mais difícil?
Pedro: O que mais me incomodou foi a voz. Minha extensão vocal diminuiu demais.
Renata: Isso para um cantor sertanejo é terrível, não é?
Pedro: É, porque eu sempre cantei lá em cima, sempre. Então, eu queria voltar a ser o que eu era.
Renata: Você já tá 98%...
Pedro: Só faltam esses dois. Relaxa, Relaxa.
Renata: A fonoaudióloga vai tirar essa graça do seu sotaque? Você vai falar só falta esses dois? Ou vai continuar falando só “farta” esses dois?
Pedro: Só “farta” esses dois. É isso mesmo. Esse é o Pedro Leonardo.
E o pai de Pedro Leonardo é de quem, com certeza, ele herdou o lado otimista e brincalhão.
“Tudo tem um gosto especial. A gente estar aqui podendo relembrar tudo que aconteceu com alegria hoje, porque foi uma vitória muito grande. A gente vê a melhora dele, a cada dia que passa ele está melhor”, diz o cantor Leonardo.
Leonardo está tão feliz com a recuperação de Pedro que faz um convite ousado: ele quer que o filho volte a montar a cavalo pela primeira vez depois do acidente. Pedro aceita. Ainda precisa de ajuda mas depois é só diversão.
Renata: Pedro, você montar em um cavalo novamente é um desafio ainda maior hoje em dia?
Pedro: É gratificante. Era praticamente impossível. Subir em um cavalo eu nem pensava. A dificuldade era para andar.
Renata: Você tinha medo de nunca mais conseguir estar em cima de um cavalo?
Pedro: Medo eu nunca tive. Eu acho que para Deus tudo tem o seu tempo. Sabia que tinha o tempo dele e tinha que esperar.
Renata: Mas você sabia que isso talvez pudesse acontecer, né Leonardo?
Leonardo: Com certeza. Estava difícil até para sobreviver, mas esta aí a prova de que tudo aconteceu e que a gente está forte.
Renata Ceribelli: A força da família foi fundamental?
Pedro: Uma força fundamental que eu tive acima de tudo foi minha filhinha, Maria Sofia. Queria ver ela crescer, andar..
Renata Ceribelli: Como vocês se sentem, os irmãos, de ver o Pedro bom?
“Inexplicável. A melhor coisa”, disse Matheus.
Renata Ceribelli: Vocês tinham medo dele não estar aqui com vocês novamente?
“Eu sempre acreditei. Deus parece que mostrou que nada ia acontecer, eu tinha certeza que nada ia acontecer”, disse Jéssica.
“Nos primeiros dias que eu o vi no hospital o ‘trem’ foi feio”, contou José Felipe.
“Foi muito bom vê-lo aqui de novo porque eu achei que ele não ia estar bom como agora, que não iria ser como antes”, disse João.
O próximo desafio do Pedro agora é voltar para o palco em um show para valer, junto com Tiago, o seu parceiro. Mas a família toda já está prometendo que vai estar presente e não só para homenagear, simplesmente. Vai todo mundo cantar.
Atletas de Santos se classificam para Parapan-Americano de Tênis de Mesa
Jennyfer Parinos e Israel Stroh qualificaram-se pela seletiva disputada em Piracicaba (SP), e vão integrar delegação brasileira em Curitiba (PR)
G1
(Foto: Divulgação / CBTM)
Dois atletas de Santos classificaram-se para o Campeonato Parapan-Americano de Tênis de Mesa. Israel Stroh e Jennyfer Parinos qualificaram-se na seletiva para o torneio, disputada em Piracicaba (SP), e vão integrar a delegação brasileira na competição, que ocorre de 2 e 7 de julho, em Curitiba (PR).
Jennyfer, de 16 anos, superou a concorrência de Carollna Maldonado e Elen Alves da Silva na categoria que reuniu as classes 8, 9 e 10 para ficar com a vaga. A mesatenista, que tem Raquitismo Hipofosfatérmico (problema que impede o organismo de absorver o cálcio dos alimentos, deixando os ossos fracos e as pernas arcadas, por ter de sustentar o peso do corpo), participará pela terceira vez de uma competição internacional.
- Apesar de ter enfrentado atletas que estão uma classe abaixo da minha, não foram jogos fáceis. Tive que lutar muito para garantir essa classificação e vou treinar mais ainda a partir de agora para chegar bem preparada no Parapan - disse Jennyfer, em entrevista ao site da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM).
Israel, por sua vez, teve de superar Marcelo Cardim, Luiz Filipe Manara e Francisco Melo para ficar com a vaga na Classe 8 (voltada a atletas com amputações simples acima ou dupla abaixo do joelho; ou com grave deficiência em um ou dois membros inferiores). O mesatenistasonha com uma vaga direta para os Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
Alguns Paralisados Cerebrais Vencedores.
Muito embora a sociedade manifeste desconhecimento ou preconceito em relação ao paralisado cerebral, existem vários exemplos de pessoas que se destacam com maestria em suas áreas de atuação. São vencedores, sobreviventes da realidade excludente a que são submetidos, desde o nascimento, uns mais outros menos, dependendo da gravidade do quadro.

Ricardo Tadeu Marques da Fonseca.
Um exemplo clássico é o procurador do Ministério Público do Trabalho, Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, que nasceu no sexto mês de gestação e o excesso de oxigenação no cérebro e problemas no parto ocasionaram deficiência visual e paralisia cerebral. Ele é um exemplo de paralisia cerebral leve. Hoje, aos 48 anos, é cego, com PC e um dos mais brilhantes defensores dos direitos das pessoas com deficiência. A paralisia cerebral afetou seus membros superiores e inferiores, mas realizou fisioterapia e várias cirurgias na infância e adolescência, ficando com poucas seqüelas.

Antonio Carlos Viviane.
Um exemplo de pessoa com paralisia cerebral não tão leve é Antonio Carlos Viviani, o Carlinhos, escritor e poeta. Com 31 anos, tem deficiência física nos membros superiores e inferiores. Quando escreve, expressa nas letras seu lado romântico e terno com amplo alcance. Quando fala é pouco entendido, pois a PC lhe deixou sérias seqüelas que prejudicam a comunicação oral. Mesmo assim, sente-se diferente apenas porque utiliza cadeira de rodas para se locomover. Cadeira, aliás, que empurra com o próprio pé de ré, para que ninguém a empurre, pois gosta de enfatizar que é independente.
Para ele, as maiores dificuldades que enfrenta no dia-a-dia são a comunicação, o preconceito e a falta de informação de algumas pessoas. "Dependendo do caso, algumas coisas não consigo fazer, como tirar a barba, porém me alimento sozinho e faço quase tudo", destaca.
No fundo, Carlinhos alimenta o sonho de um dia ser tratado como qualquer um. "Afinal, a gente é igual", afirma. Carlinhos destaca, ainda, que no caso dele, a PC não lhe afetou a mente. "O mais importante é a força de vontade. É preciso ter força de vontade para colocar o dom para fora. Eu escrevo porque gosto! As pessoas começaram a elogiar e saiu o livro. Para vender é difícil, mas eu gosto de escrever", observa.

Ela atribui seu desenvolvimento ao apoio da família. Seus pais a incentivavam sempre, mesmo nas situações mais difíceis. "Na escola também havia um outro extremo, na classe me consideravam a aluna exemplar por causa das seqüelas, mas na hora do lanche eu ficava com as excluídas (a mais gorda, a mais feia, etc.). Estas circunstâncias levaram-me a um desequilíbrio psíquico muito forte, que quase me colocaram em um hospício", afirma.
Suely gostaria que a sociedade a tratasse como as outras pessoas, vendo-a como ser humano, apesar das diferenças, e não como um ser incapaz com necessidade de tutela. "A sociedade deveria rever sua hipocrisia, fingindo que não é preconceituosa, e olhar profundamente para ela mesma, os indivíduos que a compõem, e se conhecer melhor. Talvez, agindo assim, as diferenças diminuiriam gradativamente", observa.
Felipe Sales.
Ricardo Tadeu Marques da Fonseca.
Um exemplo clássico é o procurador do Ministério Público do Trabalho, Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, que nasceu no sexto mês de gestação e o excesso de oxigenação no cérebro e problemas no parto ocasionaram deficiência visual e paralisia cerebral. Ele é um exemplo de paralisia cerebral leve. Hoje, aos 48 anos, é cego, com PC e um dos mais brilhantes defensores dos direitos das pessoas com deficiência. A paralisia cerebral afetou seus membros superiores e inferiores, mas realizou fisioterapia e várias cirurgias na infância e adolescência, ficando com poucas seqüelas.
Antonio Carlos Viviane.
Um exemplo de pessoa com paralisia cerebral não tão leve é Antonio Carlos Viviani, o Carlinhos, escritor e poeta. Com 31 anos, tem deficiência física nos membros superiores e inferiores. Quando escreve, expressa nas letras seu lado romântico e terno com amplo alcance. Quando fala é pouco entendido, pois a PC lhe deixou sérias seqüelas que prejudicam a comunicação oral. Mesmo assim, sente-se diferente apenas porque utiliza cadeira de rodas para se locomover. Cadeira, aliás, que empurra com o próprio pé de ré, para que ninguém a empurre, pois gosta de enfatizar que é independente.
Para ele, as maiores dificuldades que enfrenta no dia-a-dia são a comunicação, o preconceito e a falta de informação de algumas pessoas. "Dependendo do caso, algumas coisas não consigo fazer, como tirar a barba, porém me alimento sozinho e faço quase tudo", destaca.
No fundo, Carlinhos alimenta o sonho de um dia ser tratado como qualquer um. "Afinal, a gente é igual", afirma. Carlinhos destaca, ainda, que no caso dele, a PC não lhe afetou a mente. "O mais importante é a força de vontade. É preciso ter força de vontade para colocar o dom para fora. Eu escrevo porque gosto! As pessoas começaram a elogiar e saiu o livro. Para vender é difícil, mas eu gosto de escrever", observa.
Sueli Harumi Satow.
Outro exemplo é a comunicadora e filósofa Suely Harumi Satow, 54 anos, com
mestrado e doutorado em Psicologia Social, pela PUC de São Paulo. Apesar da titulação, ela destaca que, em geral, os atendentes de lojas e médicos a tratam como se tivesse deficiência intelectual.
Ela atribui seu desenvolvimento ao apoio da família. Seus pais a incentivavam sempre, mesmo nas situações mais difíceis. "Na escola também havia um outro extremo, na classe me consideravam a aluna exemplar por causa das seqüelas, mas na hora do lanche eu ficava com as excluídas (a mais gorda, a mais feia, etc.). Estas circunstâncias levaram-me a um desequilíbrio psíquico muito forte, que quase me colocaram em um hospício", afirma.
Suely gostaria que a sociedade a tratasse como as outras pessoas, vendo-a como ser humano, apesar das diferenças, e não como um ser incapaz com necessidade de tutela. "A sociedade deveria rever sua hipocrisia, fingindo que não é preconceituosa, e olhar profundamente para ela mesma, os indivíduos que a compõem, e se conhecer melhor. Talvez, agindo assim, as diferenças diminuiriam gradativamente", observa.
Felipe Sales.
Também o pequeno Felipe, de quatro anos, é um garoto com PC, mas isso não é sequer imaginado por quem o vê serelepe pelos corredores da Divisão de Medicina de Reabilitação do HC (DMR), onde faz reabilitação e conquista a todos com seu sorriso maroto. Sua mãe, Maria Paula Sales, psicóloga, conta que sua gravidez foi sem intercorrências, calma e normal. O filho apresenta pequena dificuldade motora em membros inferiores e braço esquerdo.
"Ele tem uma rotina normal, como qualquer outra criança, brinca, vai à escola, adora cantar e dançar, enfim, é uma criança muito alegre", destaca a mãe. Com a reabilitação, ela espera que as seqüelas, que não são acentuadas, sejam ainda mais amenizadas e que ele consiga cada vez com mais facilidade realizar as atividades de vida diária. "Espero que ele se realize como pessoa e que a pequena deficiência que ele apresenta não o impeça de fazer o que ele gostar e quiser", afirma.
Maria Isabel da Silva - Jornalista DMR HC FMUSP. Editora do Jornal da AME.
http://www.bengalalegal.com/paralisia.php
"Ele tem uma rotina normal, como qualquer outra criança, brinca, vai à escola, adora cantar e dançar, enfim, é uma criança muito alegre", destaca a mãe. Com a reabilitação, ela espera que as seqüelas, que não são acentuadas, sejam ainda mais amenizadas e que ele consiga cada vez com mais facilidade realizar as atividades de vida diária. "Espero que ele se realize como pessoa e que a pequena deficiência que ele apresenta não o impeça de fazer o que ele gostar e quiser", afirma.
Maria Isabel da Silva - Jornalista DMR HC FMUSP. Editora do Jornal da AME.
http://www.bengalalegal.com/paralisia.php
sábado, 26 de janeiro de 2013
QUESTÃO LEGAL DA INCLUSÃO ESCOLAR
Janeiro/2013
Capa/Inclusão
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, lançada pelo MEC em 2008, define a educação especial como modalidade de ensino transversal, realizada de forma complementar ou suplementar à escolarização dos estudantes com deficiência, Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) e altas habilidades ou superdotação, matriculados em classes comuns do ensino regular. No mesmo ano, o Brasilratificou e aprovou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONUcom força de emenda constitucional. Por meio dela, o Estado assegura a oferta de um sistema educativo inclusivo em todos os níveis de ensino e garante, ao público-alvo da educação integral, acesso ao ensino de qualidade e gratuito na comunidade em igualdade de condições.
Como são regidas pela mesma legislação, as escolas privadas têm igual obrigação de matricular essas crianças e promover a inclusão.
Mas muitas matrículas continuam sendo recusadas sob os argumentos de "falta de recursos (materiais ou financeiros)" ou "despreparo do corpo docente", especialmente na rede particular.
"Negar ou fazer cessar matrícula por motivo de deficiência é crime, com pena de reclusão de 1 a 4 anos", afirma a advogada Claudia Grabois, coordenadora do Fórum Nacional de Educação Inclusiva e membro da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da OAB/RJ.
Ainda pairam certos mitos sobre como se dá, na prática, a educação especial nas escolas comuns, daí o receio ou o preconceito. "O papel da educação especial é oferecer recursos, tecnologias assistivas, códigos e equipamentos às pessoas com deficiência e ensiná-las a se utilizarem deles para que, diante das barreiras sociais, conquistem a autonomia e a independência desejáveis. Não se trata de ensinar a ler, escrever ou fazer conta, como muitos ainda acham", diz Maria Teresa Égler Mantoan, professora da Faculdade de Educação da Unicamp e uma das maiores referências no assunto do país.
Apoio à formação
O Atendimento Educacional Especializado (AEE) é um serviço da educação especial, previsto em lei, em caráter complementar ou suplementar à escolarização. Implica a criação de um espaço dentro das dependências escolares - a Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) - destinado ao atendimento de alunos com deficiência. Cabe à escola a contratação de um professor com formação inicial ou continuada em Educação Especial para realizar o AEE. E ao MEC, a provisão de materiais e recursos para montar a sala, de acordo com o perfil dos alunos matriculados. O Decreto 7.611/2011 confirmou o duplo financiamento para matrículas de estudantes público-alvo da educação especial, na escolarização e no contraturno, no AEE.
Já a formação continuada é direito de todos os profissionais do magistério. O MEC, por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), em colaboração com estados e municípios, apoia e também oferece cursos nas modalidades presencial, semipresencial e a distância, nos níveis de extensão, aperfeiçoamento e especialização. Há formações específicas para os professores que atuam no AEE, mas também cursos para todos os educadores e profissionais das escolas que têm matrículas de estudantes com deficiência.
Tripé inclusivo
A jovem Juliana de Oliveira, de 24 anos, fez sua estreia como professora na rede municipal de Santo André no início de 2012. Na primeira turma que assumiu (o 2° ano do ensino infantil) na EMEIEF Professor Nicolau, estavam Kauã Santos, de 5 anos, com um laudo sugestivo - mas não fechado - de Transtorno Global de Desenvolvimento, e Kelvin Valério Domingues, de 5, com paralisia cerebral e comprometimento motor. Ela não se intimidou e agora identifica os progressos desses e dos demais alunos. "Não vejo diferença entre eles. Cada um tem uma necessidade específica, uma facilidade ou uma dificuldade. O Kelvin faz as mesmas atividades que todos os outros, mas precisa de alguém que o ajude. E não fala, embora já consiga fazer-se entender. Quanto ao Kauã, não encontro nele problema algum de aprendizagem", conta Juliana. O auxiliar de Kelvin é o Anderson Nascimento Lopes.
A parceria e a troca de informações entre regente, professor de AEE e cuidador é fundamental para o desenvolvimento dos alunos com deficiência. Professor de Apoio Especializado(como a rede de São Gonçalo [RJ] denomina o cuidador), Jeferson Oliveira acompanha João Matheus, de 6 anos, e João Victor, de 8, ambos autistas, na EM Padre Cipriano Douma, no município. Antes de entrar para a rede municipal de ensino, Jeferson, que completou o magistério e é fluente em Língua Brasileira de Sinais (Libras), já tinha trabalhado numa classe especial de uma instituição especializada para deficientes auditivos. "Havia uma sala com crianças surdas voltada apenas para o ensino da língua de sinais. Não existia um trabalho pedagógico ou um compromisso com o ensino e o desenvolvimento da inteligência", conta ele. "Se antes experimentei uma prática segregativa, agora tenho uma vivência inclusiva. Constatei que a interação é fundamental para a criança com deficiência, ela precisa ter contato com o mundo ao seu redor," diz.
Quando o AEE é oferecido nas dependências da escola, os alunos com deficiência frequentam a Sala de Recursos Multifuncionais no contraturno. Espaços geralmente coloridos, repletos de estímulos visuais e táteis e equipados com computadores, materiais diferenciados e brinquedos adaptados às necessidades dos alunos, as SRMs começaram a ser implementados com o Plano de Desenvolvimento da Educação (2007).
Tampouco o processo tem sido fácil - nem sempre as escolas destinam um espaço adequado à SRM, nem sempre é possível vencer logo a indiferença dos docentes do ensino regular, que podem enxergar o espaço como adversário, e não como um aliado."É necessário tempo para que a mudança ocorra, ou seja, para que o educador absorva novos conceitos, modifique seu fazer e inove seus saberes", afirma Iara de Moraes Gomes, articuladora de educação especial da Secretaria de Educação, Esporte e Cultura de Campina Grande (PB). "O professor da sala regular e o da sala de recursos sempre são orientados a interagir, principalmente no planejamento pedagógico de seus alunos com deficiência. Pela metodologia do AEE, o professor de SRM deve fazer um plano individual para cada um dos estudantes atendidos," explica.
É inegável que o trabalho desenvolvido pelos docentes do atendimento educacional especializado tem trazido frescor à dinâmica escolar, com o desenvolvimento de estratégias pedagógicas diferenciadas, que saem da mesmice. E os benefícios vêm para todos os alunos, não apenas para as crianças com deficiência. As entusiasmadas professoras Denise Montibeller e Rosemeri Vargas, responsáveis pela SRM da Escola Básica Municipal José do Valle Pereira, em Florianópolis (SC), que funciona como polo (oferece AEE a alunos de unidades próximas), sempre buscam oportunidades para levar propostas desenvolvidas durante o atendimento individualizado - e baseadas no interesse do próprio aluno de AEE - para a sala onde ele estuda, a fim de que toda a turma participe. "Em vez de só sugerir à professora regente o que é possível fazer, apresentamos para ela o 'como' e envolvemos a todos. Isso é inclusão", afirma Rosemeri.
Escola-polo
Até 2009, a Escola Municipal de Educação Infantil e Fundamental Professor Nicolau Moraes Barros, em Santo André (SP) fazia parte da rede estadual paulista e mantinha, em suas dependências, uma classe especial. Ou seja, as 14 crianças com deficiência que frequentavam a escola ficavam separadas dos outros estudantes e tinham professores específicos. Em 2010, quando o estabelecimento passou para a rede do município, a classe especial foi extinta e os alunos foram redistribuídos nas escolas mais próximas de suas residências. Um deles permanece lá até hoje: Eric Góes, com deficiência intelectual.
Em 2012, já eram 16 crianças com necessidades específicas estudando ali, no turno da manhã e da tarde, distribuídas em várias séries. Com duas Salas de Recursos Multifuncionais, uma para o ensino fundamental e outra para a educação de jovens e adultos, a instituição tornou-se uma escola-polo e também oferece Atendimento Educacional Especializado a alunos de unidades próximas.
Transformar a EMEIEF Professor Nicolau numa escola inclusiva não foi um processo simples, nem rápido. "No início de 2010, quando vim para uma reunião com o corpo docente, os professores me perguntavam: mas os alunos daquela sala vão se misturar com os demais?", conta Maria Helena de Castro Faria, Professora Assessora de Educação Inclusiva (PAEI), profissional itinerante que acompanha e assessora as práticas de inclusão em cinco escolas da rede de Santo André. "No início, foi muito complicado. Fizemos várias formações com os professores e, pouco a pouco, as dificuldades foram sendo superadas. Ainda há desafios, mas, hoje, tenho muito respeito e admiração por esse grupo," comemora.
Literatura para todos
Na sala do 4° ano do ensino fundamental da Escola Municipal Padre Cipriano Douma, em São Gonçalo (RJ), os alunos acabam de fazer a leitura de um conto infantil. Na lousa, estão algumas perguntas de interpretação de texto, passadas pela professora Daniele Benevides, que eles devem responder por escrito em seus cadernos. Vários já começaram a fazer a tarefa, enquanto outros se mantêm distraídos, brincando com o lápis ou enchendo as margens de desenhos. Alguns, mais ruidosos ou agitados, continuam conversando com os colegas. Entre as 26 crianças da turma, três têm algum tipo de deficiência: Caio Marcos Pereira Reis, de 10 anos, com Transtorno Global de Desenvolvimento; Wellerson de Oliveira Lima, também de 10, com surdez, e Matheus Vinícius Monteiro Antunes, de 12 anos, com distrofia muscular de Duchenne, que o mantém na cadeira de rodas e lhe provoca déficit intelectual. Eles também estão fazendo a atividade. Os dois últimos sentam-se próximos à professora, que, embora não seja docente de educação especial naquela escola, é fluente em Libras. Mesmo sendo oralizado - ou seja, com desenvoltura na comunicação oral - Wellerson prefere a língua de sinais. Muitas crianças já aprenderam algumas palavras em Libras com ele - e acham o máximo. "Sinceramente? Não vejo diferença entre meus alunos. Tenho desafios e aprendizados diariamente, como qualquer professor. Procuro fazer um planejamento flexível, que contemple a turma inteira. Afinal, todos os estudantes têm alguma necessidade 'especial'", diz Daniele.
A desinformação tem sido um dos maiores obstáculos à matrícula e permanência de alunos como Caio, Matheus ou Wellerson nas escolas comuns e ao cumprimento integral da legislação referente ao tema. "Até poucos anos atrás, as pessoas com deficiência ainda eram institucionalizadas em estabelecimentos exclusivos para o ensino delas, as chamadas escolas especiais", diz Claudia Pereira Dutra, responsável pela Secadi/ MEC. Nesses estabelecimentos, a educação para esse público era entendida como algo substitutivo à escola comum. "Os desafios para a efetivação da educação inclusiva vinculam-se à necessidade de rompimento do modelo que historicamente estigmatizou as pessoas com deficiência. Na medida em que a escola acolhe, conhece e aprende com a diversidade humana, tem a oportunidade de desconstruir tais modelos, percebendo que o processo de inclusão beneficia todo o coletivo", diz Claudia.
Embora seja indiscutível o direito de toda criança, com deficiência ou não, de estar na escola e ser respeitada em sua dignidade - o que inclui a valorização de sua capacidade de aprender -, a oferta do AEE no ensino regular ainda desperta insegurança em muitos professores e famílias e, numa esfera mais ampla, traz à tona preconceitos, divergências políticas e interesses econômicos muitas vezes alheios às necessidades infantis. Principalmente, expõe as fragilidades de uma sociedade e de um sistema educacional ainda pouco afeitos à diversidade. "As pessoas são diferentes, mas a escola quer que, depois de um processo educativo, elas se igualem a um modelo", diz a pedagoga Maria Teresa Mantoan, da Unicamp. "Se a regra for o parâmetro, sempre haverá os bem-sucedidos, que conseguiram se adaptar, e os malsucedidos, que não conseguiram. A normalização que a escola busca é impossível". Como ela costuma dizer:"inclusão é sair da escola dos diferentes e promover a escola das diferenças".
Fonte: http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/189/uma-escola-para-todosao-incluir-alunos-com-deficiencia-a-instituicao-276034-1.asp
Museu do Futebol adapta acervo para ajudar pessoas com deficiência visual
Um catálogo do acervo e equipamentos adaptados permitem um passeio emocionante para quem não consegue ver uma partida de futebol.
G1
Em São Paulo, o Museu do Futebol adotou medidas que facilitaram a visita de pessoas com deficiência visual. Um catálogo do acervo e equipamentos adaptados permitem um passeio emocionante para quem não consegue ver uma partida de futebol.
A visita começa com um aprendizado sobre o estádio do Pacaembu, que abriga o Museu do Futebol. Roseli, de 23 anos, tem apenas 6% da visão, que perdeu em um acidente de moto. A aposentada Maria Zélia Mota só enxerga vultos - consequência da diabete.
“Que legal! Aqui já é o campo de futebol”, exclama Maria Zélia.
“Que legal! Aqui já é o campo de futebol”, exclama Maria Zélia.
O caminho é facilitado por um piso tátil. Elas também conheceram em primeira mão um catálogo produzido no museu, com textos em braile e fotos em alto relevo.
“O catálogo vai para o Brasil inteiro. A gente vai distribuí-lo para todas as entidades na esperança de que eles possam vir a conhecer o local onde foi concebido esse catálogo”, diz o diretor do museu, Pedro Sotero.
Todas essas experiências que o museu proporciona aos visitantes só têm sido possíveis com a ajuda de pessoas que conhecem e vivem os problemas da visão, e sabem muito bem que com toque e sensibilidade dá para entender e admirar a beleza do futebol.
Durante três meses, o vendedor José Vicente de Paula ensinou funcionários a receber melhor visitantes especiais.
“Até então a gente não sabia como lidar com um cego, como subir uma escada, como conduzir um elevador. Se a gente poderia falar de cores. Como, se a gente pode falar, e como falar”, afirma a educadora Simone Venâncio dos Santos.
E ele, cego de nascença, aprendeu muito:
“É o Pelé dando uma bicicleta. A perna direita dele, ele está na horizontal, levantado do chão, chutando a bola em direção ao gol”, descreve José Vicente. “Deve ser muito lindo. A pessoa ficar no ar, ter esse movimento, bola para trás porque aqui pegou a bola no alto e fez o movimento inverso. Isso aqui ficou perfeito. A gente consegue enxergar.”
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