sexta-feira, 8 de maio de 2015

Grávida, deficiente visual sente rosto do bebê impresso em 3D após exame

Tatiana tem cerca de 8% da visão por conta de esclerose múltipla.
Jovem espera o segundo filho, Murilo, que deve nascer em agosto.


Mariane RossiDo G1 Santos
Tatiana sente o rosto do filho Murilo (Foto: Mariane Rossi/G1)Tatiana sente o rosto do filho Murilo em exame 3D (Foto: Mariane Rossi/G1)
Uma jovem mãe de São Vicente, no litoral de São Paulo, que tem baixa visão, conseguiu sentir na ponta dos dedos os detalhes do filho Murilo, que está no quinto mês da gestação, por meio do ultrassom 3D. Tatiana Guerra, que já tem uma filha de sete anos, não conseguiria conhecer os traços do filho se não fosse pela nova tecnologia. A sensação única ficará para sempre na lembrança dela.
Aos 17 anos, Tatiana começou a perder a visão e descobriu que tinha esclerose múltipla. Desde então, começou a apresentar sequelas a cada surto da doença. "Faço um tratamento para diminuir os surtos. Mas a cada surto que tenho, perco mais a visão.”. Por conta do problema, ela teve que se afastar do emprego de relações públicas.
Tatiana espera Murilo que deve chegar em agosto deste ano (Foto: Mariane Rossi/G1)Tatiana espera por Murilo, que deve chegar em
agosto deste ano (Foto: Mariane Rossi/G1)
Tatiana conheceu o empresário Jackson Souto e teve a primeira filha, Julia, hoje com sete anos. Como já estava perdendo a visão, teve a ajuda de várias pessoas. No entanto, muitas vezes ficava sozinha com a menina em casa. Em 2015, ela descobriu que seria mãe pela segunda vez. “Eu usava DIU, mas tirei e ia colocar outro. Entretanto, houve uma mudança de plano de saúde, e nesse meio tempo veio o Murilo. Foi uma surpresa”, relata. A confirmação veio com um teste de farmácia, seguido de um ultrassom. Logo depois, ela já começou a fazer dois pré-natais, já que o parto é de alto risco, devido às medicações que ela precisa tomar.
Aos cinco meses de gravidez, ela passou por uma sensação que nunca imaginou sentir durante a gestação. Tatiana, que frequenta o Lar das Moças Cegas, foi chamada para participar do comercial de uma linha de produtos para bebês. Na ocasião, ela pôde fazer um ultrassom 3D, para identificar o sexo da criança. Tatiana recebeu então a notícia de que Murilo estava a caminho. “Fiquei muito feliz, chorei. Queria mesmo um menino para fazer um casal e fechar a fábrica”, brinca.
O médico então perguntou como ela imaginava o bebê. Tatiana deu todos os detalhes e, em seguida, para sua surpresa, recebeu um gesso com o rosto do menino reproduzido e um recado em braile: “Eu sou seu filho”. A emoção tomou conta da jovem mãe, assim que ela sentiu os detalhes do filho na ponta dos dedos.
Julia,Tatiana e o gesso com o rosto de Murilo (Foto: Mariane Rossi/G1)Julia,Tatiana e o gesso com o rosto de Murilo (Foto: Mariane Rossi/G1)
“Eu não esperava, não sabia. Foi a mesma sensação que tive quando a Julia nasceu e o médico a colocou nos meus braços. Sempre perguntava para o médico se estava tudo bem, porque tomo remédios muito fortes. Tinha medo de ocorrer alguma má formação. Quando você faz um ultrassom, sabe que vai ver o bebê. Mas, no meu caso, sabia que não ia ver, tinha que perguntar. De repente, pude ver com as minhas mãos, foi emocionante. Consegui sentir onde estava o narizinho, a boquinha, a orelhinha”, conta.

Tatiana tem cerca de 8% da visão e só consegue distinguir o claro do escuro. Daqui em diante, ela sabe que contará com a ajuda de amigos e familiares para cuidar de Julia e Murilo. E sabe também que irá acompanhar os passos dos filhos de forma diferente das outras pessoas. “Eu ficava chateada, a Julia fazia uma graça e todo mundo começava a rir, e eu não podia ver. Sentia muito isso e sei que vou sentir também com o Murilo”, relata.
Agora, Tatiana sabe usar os outros sentidos para enxergar além do que muitos conseguem ver apenas com os olhos. “Sentir com as mãos, apalpar, ouvir bem o barulhinho dele, isso também aguça e desperta a minha imaginação. Se ele não for apressadinho, virá no dia 17 de agosto”, conclui.
Ultrassom 3D de Murilo, aos 5 meses de gestação de Tatiana (Foto: Bruna Corralo/Lar das Moças Cegas)Ultrassom 3D de Murilo, aos 5 meses de gestação de Tatiana (Foto: Bruna Corralo/Lar das Moças Cegas)

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Garota de 14 anos cria projeto em combate à violência contra a mulher

Por Jarid Arraesdezembro 17, 2013 14:13


http://www.revistaforum.com.br/questaodegenero/2013/12/17/garota-de-14-anos-cria-projeto-em-combate-a-violencia-contra-a-mulher/












Por Jarid Arraes





(Foto: Divulgação)


Jaqueline de Sousa é uma estudante do 9º ano do Ensino Fundamental, com grandes interesses na literatura e nas Ciências Humanas. Com apenas 14 anos de idade, Jaqueline decidiu desenvolver um projeto e apresentá-lo na Feira de Ideias promovida pelo Instituto Entrando em Cena. Em busca de inspirações, pesquisou na internet sobre a violência contra a mulher no Brasil e se deparou com dados alarmantes. Nesse momento não havia mais dúvidas: Jaqueline tinha certeza de que queria fazer a diferença.


Intitulado de “Só um tapinha?”, o projeto de Jaqueline teve como objetivo promover intervenções nas escolas, apresentando videos, músicas, debates e seminários para conscientizar os alunos sobre a questão da violência contra a mulher. Os resultados foram muito positivos, o que levou o projeto a concorrer ao Prêmio Entrando em Cena no Mundo, vencendo na terceira colocação. Mas agora Jaqueline vai ter bastante trabalho pela frente: ela vai passar por várias escolas que vão receber o seu projeto.


Quer saber mais? É só ler a entrevista feita com ela logo abaixo:


Como surgiu o seu interesse pelo tema da violência contra a mulher?


- Então, como eu sempre li muito, aconteceu que eu comecei a ver em portais de notícias dados e estatísticas sobre a violência contra a mulher e isso só me fez ficar mais interessada. Na verdade, eu carrego esse incômodo desde sempre, isso é algo muito frequente, então sempre ouvimos dizer “ah, ‘fulana’ apanhou, mas também mereceu”. Isso sempre me deixou com uma pulga atrás da orelha… como assim “mereceu”? Acho que foi assim que tudo começou.


Qual é a ideia do seu projeto? Como é colocado em prática?


-A ideia “macro” do meu projeto é a redução do índice de violência contra a mulher. Ele vai funcionar com os alunos das escolas de rede pública de Bragança Paulista, a cidade onde moro. O 1° módulo do projeto será ainda em parceria com o Instituto Entrando em Cena, que foi o Instituto que despertou em mim a vontade de mudar essa situação.

Ele vai funcionar com ações de impacto nos 4 primeiros dias da semana, tudo de forma muito artística – como teatros, documentários, depoimentos de mulheres que já sofreram violência e apresentação de dados -, para despertar o interesse dos alunos. Já no ultimo dia da semana, vamos promover um debate reflexivo onde teremos contato tanto com as possíveis vítimas quanto com os possíveis agressores. A ideia é que jovens passem as informações para outros jovens. Inicialmente, 8 escolas vão receber o projeto e vamos trabalhar com todos os alunos de 14 à 17 anos dessas unidades.









(Foto: Divulgação)


Quais resultados você espera desse projeto?


- Eu espero a humanização desses jovens e que eles fiquem tão impactados quanto eu fiquei quando vi tantos dados negativos. Espero que os jovens que vão fazer parte do projeto passem essas informações adiante. Eu só quero que meu projeto mude a história de muitas mulheres e que desperte um lado mais racional nos homens.


Você se considera uma jovem feminista?


- Na verdade, eu tive meu primeiro contato com o Feminismo quando comecei a desenvolver o projeto. Acabei pesquisando sobre o assunto e achei a iniciativa maravilhosa. Eu me identifico de certa forma com o feminismo e me considero uma jovem feminista. Muitas vezes, até me pego disparando “isso é machismo” pros meus amigos em meus círculos mais próximos.


Que mensagem você deixaria para outras garotas da sua idade?


- Se algo incomoda vocês, mudem. Os jovens têm a força para mudar o mundo. A iniciativa tem que partir de dentro de vocês – nunca, jamais abandonem seus sonhos!


Apesar do prêmio e da visibilidade que conquistou, há quem pense que Jaqueline é muito jovem para desenvolver esse trabalho. Os pais dela, no entanto, discordam: “a atitude dela foi surpreendente, eu não tinha conhecimento dessa vontade dela. Na verdade, eu não esperava tanto, mas com o desenvolvimento do projeto e seu potencial, as portas foram se abrindo e ela acabou tendo um reconhecimento incrível”, disse sua mãe.


A iniciativa de Jaqueline representa muito mais do que uma curiosidade pessoal e específica; ela é retrato de uma nova geração, que pode utilizar sua disposição para abrir a mente e seu acesso a internet como ferramentas de transformação social. E é nosso papel fazer com que esses novos protagonistas tenham espaço para crescer e solidificar uma realidade mais justa.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Óculos de realidade virtual ajudam pessoas com Parkinson a andar

Equipamento usado em fisioterapia projeta quadriculado em 3D.
Óculos estimulam que paciente use mecanismo mais consciente para andar.


Mariana LenharoDo G1, em São Paulo
No Hospital das Clínicas de São Paulo (HC-FMUSP), um grupo de pacientes com mal de Parkinson conseguiu avanços para voltar a andar com agilidade e segurança graças ao uso de óculos de realidade virtual em sessões de fisioterapia.
O paciente Pietro Azzolini, de 68 anos, já não se desequilibra ao andar na rua. Ele foi diagnosticado com a doença há 12 anos. “Depois do tratamento, senti mais firmeza e mais segurança para andar”, diz. “O Parkinson de modo geral não tem cura, mas esse tipo de equipamento, que muita gente nem sabe que existe, pode melhorar muito o desempenho das pessoas.”
Segundo a fisioterapeuta Carolina Souza, do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP,  os óculos são especialmente eficazes para tratar um sintoma comum em pacientes com Parkinson em estágio 3 (ao todo, a doença tem 5 estágios): o “freezing”, ou “congelamento”.
O congelamento ocorre quando o paciente começa a andar com passos cada vez menores até parar ou cair. Isso normalmente acontece logo quando ele começa a andar, quando está diante de um obstáculo ou quando tem que mudar de direção.
Carolina conta que, em um grupo de 18 pacientes graves, com doença em estágio 3 ou 4, que começaram a treinar com os óculos na instituição, todos experimentaram uma melhora da marcha e uma diminuição dos episódios de "freezing".
Caminho cerebral alternativo
Quando está usando os óculos, o paciente vê um caminho quadriculado em 3D. Um sensor de movimento detecta quando o paciente começa a andar e o caminho quadriculado se movimenta como uma esteira. A pessoa também ouve sons que ajudam a ritmar as passadas. Ao coordenar os passos com o quadriculado virtual, o paciente consegue mais equilíbrio.
 Pietro Azzolini, diagnosticado com Parkinson há 12 anos, treina com óculos de realidade virtual (Foto: Mariana Lenharo/G1)Pietro Azzolini, diagnosticado com Parkinson há 12 anos, treina com óculos de realidade virtual (Foto: Mariana Lenharo/G1)
A fisioterapeuta explica que o Parkinson afeta a região do cérebro responsável pelos movimentos automáticos, como o andar. O que os óculos fazem é estimular que ele adote um caminho cerebral alternativo, mais consciente, para caminhar.
“Ele faz com que o paciente consiga desenvolver outras vias cerebrais, que estão alteradas por conta da doença, e com isso consegue ter uma marcha mais perto da fisiológica”, diz o neurocirurgião Erich Fonoff, do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP.
Tratamentos complementares
Não existe nenhum tratamento definitivo para o Parkinson. Até hoje, o que a medicina conseguiu foram várias estratégias que se complementam para inibir a progressão da doença e dar uma qualidade de vida melhor aos pacientes.
O tratamento com remédios visa basicamente à reposição da dopamina, hormônio que está em falta em quem tem Parkinson, já que a doença leva à morte dos neurônios dopaminérgicos. Há também um tratamento cirúrgico em que um eletrodo implantado no cérebro promove estímulos elétricos que ajudam o paciente a ter maior controle sobre seus movimentos.
Outra parte essencial do tratamento de Parkinson é a fisioterapia. E é aí que entram os óculos de realidade virtual.
Chamado GaitAid, o equipamento foi desenvolvido por uma empresa israelense e custa no Brasil cerca de R$ 15 mil. Depois de um treinamento apropriado, o paciente poderia usá-lo em casa. Porém o valor ainda torna a tecnologia inacessível a muitos pacientes. Segundo Carolina, o HC-FMUSP é uma das únicas instituições no país a oferecer fisioterapia com o equipamento.
Mariana LenharoDo G1, em São Paulo
No Hospital das Clínicas de São Paulo (HC-FMUSP), um grupo de pacientes com mal de Parkinson conseguiu avanços para voltar a andar com agilidade e segurança graças ao uso de óculos de realidade virtual em sessões de fisioterapia.
O paciente Pietro Azzolini, de 68 anos, já não se desequilibra ao andar na rua. Ele foi diagnosticado com a doença há 12 anos. “Depois do tratamento, senti mais firmeza e mais segurança para andar”, diz. “O Parkinson de modo geral não tem cura, mas esse tipo de equipamento, que muita gente nem sabe que existe, pode melhorar muito o desempenho das pessoas.”
Segundo a fisioterapeuta Carolina Souza, do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP,  os óculos são especialmente eficazes para tratar um sintoma comum em pacientes com Parkinson em estágio 3 (ao todo, a doença tem 5 estágios): o “freezing”, ou “congelamento”.
O congelamento ocorre quando o paciente começa a andar com passos cada vez menores até parar ou cair. Isso normalmente acontece logo quando ele começa a andar, quando está diante de um obstáculo ou quando tem que mudar de direção.
Carolina conta que, em um grupo de 18 pacientes graves, com doença em estágio 3 ou 4, que começaram a treinar com os óculos na instituição, todos experimentaram uma melhora da marcha e uma diminuição dos episódios de "freezing".
Caminho cerebral alternativo
Quando está usando os óculos, o paciente vê um caminho quadriculado em 3D. Um sensor de movimento detecta quando o paciente começa a andar e o caminho quadriculado se movimenta como uma esteira. A pessoa também ouve sons que ajudam a ritmar as passadas. Ao coordenar os passos com o quadriculado virtual, o paciente consegue mais equilíbrio.
 Pietro Azzolini, diagnosticado com Parkinson há 12 anos, treina com óculos de realidade virtual (Foto: Mariana Lenharo/G1)Pietro Azzolini, diagnosticado com Parkinson há 12 anos, treina com óculos de realidade virtual (Foto: Mariana Lenharo/G1)
A fisioterapeuta explica que o Parkinson afeta a região do cérebro responsável pelos movimentos automáticos, como o andar. O que os óculos fazem é estimular que ele adote um caminho cerebral alternativo, mais consciente, para caminhar.
“Ele faz com que o paciente consiga desenvolver outras vias cerebrais, que estão alteradas por conta da doença, e com isso consegue ter uma marcha mais perto da fisiológica”, diz o neurocirurgião Erich Fonoff, do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP.
Tratamentos complementares
Não existe nenhum tratamento definitivo para o Parkinson. Até hoje, o que a medicina conseguiu foram várias estratégias que se complementam para inibir a progressão da doença e dar uma qualidade de vida melhor aos pacientes.
O tratamento com remédios visa basicamente à reposição da dopamina, hormônio que está em falta em quem tem Parkinson, já que a doença leva à morte dos neurônios dopaminérgicos. Há também um tratamento cirúrgico em que um eletrodo implantado no cérebro promove estímulos elétricos que ajudam o paciente a ter maior controle sobre seus movimentos.
Outra parte essencial do tratamento de Parkinson é a fisioterapia. E é aí que entram os óculos de realidade virtual.
Chamado GaitAid, o equipamento foi desenvolvido por uma empresa israelense e custa no Brasil cerca de R$ 15 mil. Depois de um treinamento apropriado, o paciente poderia usá-lo em casa. Porém o valor ainda torna a tecnologia inacessível a muitos pacientes. Segundo Carolina, o HC-FMUSP é uma das únicas instituições no país a oferecer fisioterapia com o equipamento.
http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/05/oculos-de-realidade-virtual-ajudam-pessoas-com-parkinson-andar.html

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Futuro ,divulgando Campanha:LACRE DO BEM!!Confiram!!!


PARABÉNS LUCIA PELA INICIATIVA.
BH GANHA COM SUA POSTURA SOLIDARIA!!

VAI AI O FACE DESSA GATINHA E TODA SUA TRUPE :
https://www.facebook.com/pages/Lacre-do-Bem/710698032317878?fref=photo 







sexta-feira, 1 de maio de 2015

SONATA PARA VIOLONCELO - UM FILME SOBRE FIBROMIALGIA


'Sonata para violoncelo' de Anna M. Bofarull, vai ser apresentado ao mundo no Dia Mundial da Fibromialgia, 12 de Maio de 2015. 

Este é o primeiro filme dedicado a este tema.

Sinopse:
Julia é uma reconhecida violoncelista de quase 50 anos, que passa a vida a viajar para diferentes cidades do mundo, a fim de dar concertos.
O seu trabalho exige muitas horas de estudo e de ensaios o que ela aceita, porque gosta do que faz e porque desfruta da companhia dos seus amigos, mantendo uma vida social muito animada.
O aparecimento de um problema imprevisto vai obrigar Julia a repensar toda a sua vida, a longo prazo. Depois de vários anos sofrendo dores intermitentes em diferentes partes do corpo, é finalmente, diagnosticada com fibromialgia, uma doença crónica. Enquanto Julia tenta viver a sua vida como sempre fez, a doença vai impondo numerosos obstáculos e ela começa a relacionar-se com pessoas, até então, afastadas.
Com Montse GermánJuanjo PuigcorbéJan Cornet más 
Género Drama 
País España 

trailer



Anna M. Bofarull diz "São poucos os que realmente entendem como vive alguém com fibromialgia". 
Neste filme a realizadora pisa um terreno que conhece muito bem, usando a música como fio condutor. A sua mãe sofre de fibromialgia há anos e, é esta a causa do envolvimento pessoal e da necessidade de falar sobre o assunto, através do cinema. Graças à divulgação que faz da doença, o filme recebeu o apoio de diversas associações e entidades, públicas e privadas, relacionadas com a fibromialgia. Para financiar o filme usaram-se os meios tradicionais mas também o crowdfunding (financiamento colaborativo).

Julia é uma mulher atraente, elegante e culta, disposta a viver a vida à sua maneira, entregue de corpo e alma à música. Reconhecida violoncelista de trajectória internacional, a determinado momento enfrenta uma reviravolta inesperada que a vai obrigar a repensar a sua vida, a longo prazo. Depois de anos de dores esporádicas em várias partes do corpo, Julia recebe um diagnóstico definitivo: fibromialgia. 

A longa metragem protagonizada por Montse Germán, Juanjo Puigcorbé e Anna Salas, rodou-se principalmente nas comarcas de Tarragona e também em Lleida, Barcelona, nos Pirinéus e em Berlim. A estreia do filme foi no Festival de Málaga e vai agora iniciar a apresentação em vários outros festivais, até chegar às salas comerciais.


COMO SURGE ESTE PROJECTO?

A ideia já surgiu há muito tempo. A minha mãe sofre de fibromialgia e a mim interessava-me ver o reflexo desta doença no grande écran. Quis confrontar este problema com o processo de criação, de modo a que a mudança de vida que a dor crónica implica não obrigue apenas a mudar de trabalho mas obrigue a renunciar à única coisa importante na vida de uma artista, neste caso uma violoncelista reconhecida a nível internacional. Para Julia, a protagonista, a dor converte-se numa limitação que a leva a lutar contra o próprio corpo para continuar a tocar.


APESAR DO GRANDE NÚMERO DE PESSOAS DIAGNOSTICADAS EM TODO O MUNDO, PERTO DE 4%, NÃO EXISTE AINDA NENHUM FILME QUE FALE DA FIBROMIALGIA...

Certo. Assim que tive um guião escrito e comecei a pesquisar formas de financiar o projecto, investiguei e fiquei muito surpreendida ao saber que nunca ninguém tinha feito um filme sobre este assunto, apesar do grande número de afectados pela doença. Assim pensei que este seria mais um motivo para apostar neste projecto.


PORQUE É TÃO DESCONHECIDA, A FIBROMIALGIA?

Nos últimos anos este nome 'fibromialgia' tem-se ouvido mais, mas, ainda que muitos comecem a associá-la a dor crónica, poucos são os que realmente entendem como vive alguém com fibromialgia. Os portadores desta doença queixam-se de que nem amigos nem familiares os compreendem, que os acusam de "fazer de conta" ou que não têm vontade de trabalhar, não são activos. Isto é muito injusto.


'SONATA PARA VIOLONCELO' PARTE DE UM CONTEXTO DE FICÇÃO, ATRAVÉS DO CINEMA, ATÉ À COMPLEXA REALIDADE QUE ENVOLVE A FIBROMIALGIA. O QUE VAMOS DESCOBRIR SOBRE ESTA DOENÇA?

O espectador vai descobrir, não tanto as razões médicas da doença, mas de que forma se pode viver com a dor, como se enfrenta, como condiciona muitos aspectos da vida. Trata-se de um caso concreto mas, até à data, o filme tem sido muito bem recebido por parte dos afectados pela doença (maioritariamente mulheres), que se vêm reflectidas, o que, para mim, é muito importante.


NÃO É A PRIMEIRA VEZ QUE ABORDAS, EM FILME, UMA PROBLEMÁTICA SOCIAL. O QUE TE ATRAI NO TEMA?

Para mim, escrever, realizar e produzir um filme significa dedicar muitos anos de vida a um projecto, envolver-me de forma obssessiva, já que o tema e os personagens me absorvem por completo. Por isso sinto necessidade de ser útil, de alguma forma, à sociedade onde vivo, que o meu trabalho tenha mais sentido do que a pura diversão cinematográfica. Consigo isso ao estar próxima de temas sociais relevantes.

A INTERNET E AS REDES SOCIAIS FORAM AS GRANDES ALIADAS DESTE PROJECTO. DE QUE MANEIRA CONTRIBUIRAM PARA QUE O FILME SE FIZESSE?

Há 4 anos decidimos avançar com este projecto, publicamente. Partilhamos a ideia e a dificuldade de financiar o filme com todos os portadores de fibromialgia, ao mesmo tempo que apelamos ao crowdfunding (uma forma de financiamento colectivo). O mais interessante foi receber o feedback de muita gente, em todo o mundo, durante todo este tempo, o que nos animava a prosseguir pelo duro caminho que se percorre para concretizar um filme. Houve momentos em que isto foi a única causa pela qual continuamos a trabalhar, sem atirar a toalha ao chão. A cada semana recebemos contactos a perguntarem quando poderão ver o filme, em cada um dos países.


PORQUE FOI ESCOLHIDO O FESTIVAL DE MÁLAGA PARA ESTREAR O FILME?

Foi uma espécie de prémio pelo longo processo de produção, um reconhecimento pelo trabalho realizado. Málaga é uma montra fundamental para o panorama cinematográfico espanhol, recebe muita atenção da imprensa e pode ser uma grande ajuda para abrir caminho até às salas de cinema.


Jan Cornet, Anna Maria Bofarull e Montse Germán no Festival de Málaga



website do filme Sonata para Violoncelo
El Diario
http://fibromialgiaempt.blogspot.com.br/2015/04/sonata-para-violoncelo-um-filme-sobre.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook