terça-feira, 26 de março de 2013

Adaptando tudo



Sabe que muita gente por aí passa uns maus bocados só porque não adapta o ambiente às suas necessidades? Por que será que as pessoas pensam em tantas coisas menos importantes e nem se lembram de adaptar a casa aos portadores de deficiência?
cool eh?
Um homem que trabalhava para meu avô cuidava do irmão, adulto, obeso e com as pernas amputadas e, na hora do banho, fazia a maior força carregando o irmão da cama para uma cadeira comum que depois era arrastada - isso mesmo, arrastada - até o banheiro para o banho.

Não que a família fosse pobre e não tivesse dinheiro para comprar uma cadeira de rodas. Nada disso. Eles simplesmente tinham se acostumado a arrastar a cadeira comum, sem rodas, de um lado para o outro pela casa. Coisa estranha, né?

Meu avô mesmo, depois de aposentado, fez umas vinte cadeiras de rodas em sua pequena oficina, só para ajudar portadores de deficiência pobres que não tinham como comprar. Sabe o que aconteceu? Pessoas que tinham dinheiro vinham pedir cadeira de rodas também. Ele não dava não.

É que muita gente ainda tem na cabeça que portadores de deficiência devem viver de esmolas, que devem ser ajudados pelo governo, por alguém etc. Na maioria das vezes, o que falta não é ajuda, é idéia.

Mas as pessoas preferem comprar uma TV nova do que uma cadeira de rodas. Às vezes não é preciso muito não, é só colocar umas rampas nos degraus, um corrimão no corredor e tantas outras coisinhas até mais simples que podem facilitar a vida do portador de deficiências.

Veja o que fizeram os pais de minha amiguinha Vicky, que mora nos Estados Unidos. Como a casa deles é de dois andares e os quartos ficam em cima, fizeram uma reforma no térreo mudando a cozinha de lugar e construindo um belo quarto e banheiro para ela não precisar ser carregada escadas acima todas as vezes que precisava dormir e tomar banho.


Agora Vicky pode ficar em seu quarto usando seu computador, o qual também tem um teclado especial adaptado às suas necessidades. Também colocaram uma rampa para ficar mais fácil de entrar na casa com a cadeira de rodas. Viu como ela está contente com a adaptação? É isso que a gente deve fazer para as pessoas que amamos.

P.S. Muita gente acessa esta página em busca de teclados adaptados para portadores de necessidades especiais. Encontrei uma empresa no Brasil que trabalha com isso: Clik Tecnologia Assistiva - www.clik.com.br

Estudante com doença degenerativa emociona comissão avaliadora e se torna mestre em Educação


Cláudio Dusik tem atrofia muscular espinhal e desenvolveu um teclado virtual para poder escrever

Estudante com doença degenerativa emociona comissão avaliadora e se torna mestre em Educação Júlio Cordeiro/Agencia RBS
Larissa Roso  Zero Hora
larissa.roso@zerohora.com.br
Cláudio Luciano Dusik, psicólogo que sofre de atrofia muscular espinhal (AME) retratado em reportagem de Zero Hora na segunda-feira, defendeu, na manhã desta terça, a dissertação de mestrado Teclado Virtual Silábico-Alfabético: Tecnologia Assistiva para Pessoas com Deficiência Física. Depois de uma hora de explanação, familiares, universitários e colegas de trabalho e de curso o aplaudiram de pé em uma sala lotada da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os três avaliadores ressaltaram o impacto social e a utilidade pública do trabalho e indicaram a publicação sem qualquer mudança no texto. Dusik também foi convidado a representar a instituição em um evento sobre informática na educação a ser realizado no México, em julho. 

– Um trabalho impecável. Foi comovente. A recomendação da banca é publicar, divulgar, apresentar em eventos científicos – conta a doutora em Educação Lucila Maria Costi Santarosa, orientadora da pesquisa. 

Dusik sofre de AME do tipo Werdnig-Hoffmann, doença de origem genética que provoca fraqueza e atrofia progressivas, comprometendo os movimentos e causando deformidades no corpo. Aos 36 anos, o estudante consegue mexer, com limitações, apenas a cabeça e a mão esquerda. Para driblar a rápida evolução da enfermidade, que o impediu de escrever a partir de meados do curso de graduação, Dusik estudou lições de informática e aprendeu os princípios da linguagem de programação. Em quatro meses, lendo pesados livros durante a madrugada e nos intervalos das aulas de psicologia na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), criou um teclado virtual. O Mousekey permite a seleção de letras e sílabas na tela, a partir de cliques no mouse.

Muitos dos espectadores interessados em acompanhar a sessão não conseguiram entrar. Surpresos, professores comentavam nunca ter visto uma banca de mestrado tão concorrida. Dusik e a mãe, a professora de séries iniciais Eliza Arnoldo, 58 anos, choraram no momento em que a comissão expôs suas considerações.

– Eu estava bastante ansioso, mas era só uma ansiedade natural. É um tema que domino. Os professores disseram que não me avaliaram, fui eu que os ensinei. Acho que não teve quem não se emocionou – disse o mestre, ao final de um almoço comemorativo com parentes e amigos, após o compromisso acadêmico.

Promoção do bazar da AFECE.

Secretaria Especial dos Diretos da Pessoa com Deficiência

A Secretaria Especial dos Diretos da Pessoa com Deficiência lança nesta quarta-feira (27) o projeto Acesso. É um projeto piloto que irá atender, inicialmente, a Regional Pinheirinho, com um serviço de transporte por micro-ônibus. Buscando e levando as pessoas na porta de casa, é destinado exclusivamente para pessoas com deficiência que possuem um alto grau de comprometimento - sem autonomia ou independência funcional, relacionada às questões motora, intelectual ou emocional. São aquelas pessoas que têm restritas condições de mobilidade, autonomia ou comportamento e não conseguem utilizar os demais meios de transporte coletivos existentes para ir a consultas médicas.

O lançamento será às 11 horas, na Rua da Cidadania do Pinheirinho.

Destinos

O projeto Acesso foi criado para conduzir pessoas com deficiência de suas residências a locais específicos, como serviços de saúde (consultas, exames, habilitação e reabilitação) e atendimentos socioassistenciais não continuados. Para a avaliação socioeconômica e de funcionalidade, os interessados devem fazer inscrição no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) mais próximo de sua casa.

O serviço vai funcionar em dias úteis, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17 horas.


 Secretaria Especial dos Diretos da Pessoa com Deficiência

segunda-feira, 25 de março de 2013

Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba (SEDPCD)

Na Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba (SEDPCD), segundo Rroseli Isidoro"
descobrimos muitas semelhanças na metodologia de atuação e nos desafios que temos a enfrentar. Até por isso mesmo, já é possível traçar a perspectiva de excelentes parcerias, como a campanha de prevenção e conscientização para enfrentamento da violência contra as mulheres com deficiência, indefesas vítimas de maus tratos e das mais variadas formas de agressões."

 





Cadeira dura afeta sua forma de ver o mundo


Ó, vida triste
Ó, vida triste
Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e das universidades de Harvard e Yale (coisa pouca, hein?), nos EUA, descobriram que as sensações que móveis e objetos causam quando você os toca afetam diretamente o seu humor e a maneira como você se relaciona com as outras pessoas. Ou seja: sua cadeira é dura? Pode muito bem ser isso que está te deixando azedo ultimamente.
Em geral, toques suaves e delicados nos deixam bem humorados, felizes e cheios de generosidade. Já o contato com superfícies duras e ásperas nos deixa num humor egoísta e agressivo.
Isso foi comprovado em seis experimentos. Em um deles, pessoas sentadas em cadeiras duras (sem almofadas, daquelas bem sofridas mesmo, os caras ressaltam) foram menos maleáveis e mais ríspidos em negociações do que voluntários que sentaram em poltronas confortáveis. Em outro teste, estar em contato com objetos ásperos fez as pessoas sentirem uma dificuldade fora do normal na hora de interagir com desconhecidos.
Vem cá: é só comigo ou cada vez mais fica a impressão de que a gente não controla quase nada do que faz? E o resultado desse estudo ainda dá as mãos ao de outro, de 2008 e também com dedinho do pessoal de Yale: as pessoas veem as outras como mais agradáveis e carinhosas logo após terem segurado um copinho de café quente (!).
E por quê? Os pesquisadores acreditam que tenha alguma coisa a ver com o cérebro puxando lembranças de quando estávamos no útero – uma época em que as sensações táteis, o toque, o contato físico, era tudo o que existia pra gente.

Memorial da Inclusão vira cenário de book fotográfico


As fotos feitas pela fotógrafa Daniela Gama, da jovem cadeirante Daiane Lopes, foram tiradas durante o último dia 22 de março



http://www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br/sis/lenoticia.php?id=1144


Produção fotográfica no lado externo da sede da Secretaria, em São Paulo. Foto: Simone Nieves
Uma ideia que surgiu pequena na cabeça da jovem Daiane Lopes, cresceu e chegou ao espaço do Memorial da Inclusão, na sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo.
Daiane é cadeirante e residente em São Paulo. Ao ver o trabalho da fotógrafa Daniela Gama, de Salvador, desejou ser fotografada por ela. E assim, de um contato por meio das redes sociais, modelo e fotógrafa marcaram a sessão. Por inúmeras razões, o primeiro encontro marcado pelas duas, em novembro de 2012, não deu certo e a sessão foi remarcada.
Neste meio tempo, muitas pessoas foram se envolvendo no sonho de Daiane e o transformando em algo maior. A fotógrafa Daniela estava acostumada a fazer seus books em espaços abertos e achou que este seria como os outros, porém Daiane escolheu o Memorial para o cenário de suas fotos.
O Memorial da Inclusão é um espaço que reúne em um só lugar, fotografias, documentos, manuscritos, áudios, vídeos e referências aos principais personagens, às lutas e às várias iniciativas que incentivaram as conquistas e melhores oportunidades às pessoas com deficiências, principalmente em um dos períodos mais importantes da história sócio-cultural e política do movimento de luta das pessoas com deficiência, que ocorreu no início dos anos 80.
Com o espaço escolhido, a fotógrafa envolveu, em Salvador, pessoas dispostas a ajudar neste bonito projeto fotográfico. A artista plástica da Universidade Federal da Bahia, Daiane Troesch, produziu inúmeros origamis em formato de borboletas, símbolo do Memorial da Inclusão, para o cenário do book. Janaína Rodrigues e Vajuraci, do Cultuarte, da Bahia, produziram acessórios e um vestido de crochet para utilizarem durante a sessão.
Daniela Auler, assessora de Moda Inclusiva da Secretaria também disponibilizou um vestido para o book de Daiane. Um vestido foi feito especialmente para Daiane pelo estilista baiano Romulo Salomão, do SENAC da Bahia. O artista plástico Marcel Gama, da Universidade Federal da Bahia, também preparou uma iluminação diferente para esse momento.
Como em uma rede, as pessoas foram se juntando ao projeto e o transformando em algo interativo. “Depois que nossa sessão chegou a esse tamanho, minha intenção é escrever a história de como tudo começou, das pessoas que foram se envolvendo no trabalho e a história dela (Daiane) e fazer um projeto para exposição de arte com fotografia. Além das melhores fotos dela, faria a exposição das peças que utilizamos e contaria essa história para as pessoas conhecerem”, enfatizou a fotógrafa. “Minha maior expectativa é que ela fique feliz com as fotos”, finalizou.
Daiane Lopes falou sobre a sensação de ser fotografada no Memorial. “Para mim é um presente, tanto pelo lugar, como pela fotógrafa. E era pra ser algo tão pequeno e tomou uma proporção muito grande. Essa sessão de fotos mostra também a superação. É importante poder mostrar o outro lado, que pessoa com deficiência também é bonita, que pode tirar fotos e elas ficam boas do mesmo jeito”.

No último sábado, 23/03, a Sedpcd Direitos E Inclusão comemorou esta data no Parque Bacacheri

 Festa de comemoração dos 320 anos de Curitiba, sábado 

23 de março 2013, no Parque Bacacherri.

A participação de todos foi imprescindível para o sucesso da 


festa!




          Inclusive o Futuro esteve lá!!


Foi uma tarde muito agradável, com participação de 

todos/as na atividade proposta: a pintura do painel.


Olhem só como ficou lindo!





Essa é a Clarinha minha chara .Isso mesmo consciência inclusiva  começa cedo !!!


Equipe  Sedpcd Direitos E Inclusão, acesssem o face sempre tem novidades para o leitor!


Participação especial da Reviver Donw com danças


Parada para descanso tarde movimentada com inúmeras atividades para a criançada com programas de prevenções e primeiros socorros.
 




Agradecimentos a equipe da secretaria por proporcionar uma tarde animada e reencontrar velhos e novos amigos!!

Neurocientista mostra avanços em projeto para paraplégico andar na Copa


À frente dessa pesquisa tão avançada, na universidade Duke, uma das melhores do mundo, está o brasileiro Miguel Nicolelis.



Uma corrida da ciência contra o tempo! Um pesquisador brasileiro quer fazer uma pessoa com paralisia voltar a andar, na abertura da Copa de 2014.
O Fantástico já esteve no laboratório dele há um ano. Agora, em uma nova visita, vimos que os trabalhos avançaram. E a expectativa só aumenta. Será que vai dar?
Contagem regressiva. Faltam exatamente um ano, dois meses e 19 dias. É preciso correr. Mas a ciência costuma andar a passos lentos.
O neurocientista Miguel Nicolelis está numa corrida contra o tempo, e ele mesmo se impôs. Ao ser questionado se isso não seria um pouco anticientífico, ele disse que não.
“Não. Nós sabemos dosar o que é que precisa ser feito a longo prazo e o que pode ser canalizado pra uma demonstração técnica. Nós vamos demonstrar a viabilidade de um conceito, que começou a ser desenvolvido  há 15 anos atrás”, diz Miguel Nicolelis, neurocientista.
O conceito virou um projeto ambicioso e polêmico. Fazer um jovem paraplégico, do Brasil, voltar a andar. O objetivo é ousado e a ocasião, a mais pública possível: o primeiro jogo da Copa do Mundo de 2014, marcado para São Paulo.
“Nós temos as nossas equipes nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil trabalhando em coordenação. Estamos correndo contra o tempo”, diz Nicolelis.
E à frente dessa pesquisa tão avançada, na universidade Duke, uma das melhores do mundo, está um brasileiro: o neurocientista paulistano e palmeirense ensandecido Miguel Nicolelis.
“Essa demonstração é simplesmente para revelar ao mundo o potencial que essa área de pesquisa tem no futuro de reabilitar milhões de pessoas que hoje vivem ou em cadeiras de rodas ou em leitos sem poder se mexer”, diz Miguel Nicolelis.
Se tudo der certo, o paciente com paralisia vai usar um traje  robótico, chamado de exoesqueleto. Ou seja, um esqueleto por fora do corpo. E todos os movimentos serão controlados só com a força do pensamento. Há um ano, o show da vida acompanha esse trabalho.
No ano passado o Fantástico mostrou o primeiro protótipo de uma perna de exoesqueleto. Só tinha uma, tinha acabado de ficar pronta, e o Fantástico até precisou improvisar um pouco para mostrar como ela funcionava.
Mas olha como é que está agora: avançou bastante. São duas pernas, com pés, e o aspecto geral já é de uma coisa muito mais bem acabada. A pesquisa está seguindo.
A equipe de Nicolelis atua em várias frentes. Mas o objetivo é um só: por meio de estudos com animais, aprender a captar, interpretar e transmitir os sinais do cérebro para que eles se transformem em movimento.
O trabalho parece um videogame. “Nós últimos seis meses, avançamos com o nosso conceito de criar avatares realistas de animais, de primatas, para treinar os animais nas tarefas”, explica, Miguel Nicolelis.
O avatar é um desenho, uma representação gráfica do animal.
Fantástico: O macaco tá vendo essa imagem?
Nicolelis: Tem um macaco aqui, vocês estão vendo o cérebro, a atividade do cérebro dele.
Essas ondas são os sinais elétricos vindos do cérebro, e esse macaco tá observando esse avatar, essa representação gráfica aqui, de um macaco andando, tentando entrar nesses cubos. Ele está aprendendo o que ele tem que fazer. Vai ter um momento aqui, em algumas semanas, que nós vamos transferir a atividade elétrica dele para o avatar. Então, o macaco vai controlar as pernas desse avatar e vai fazer o avatar andar sob o controle do pensamento.
E tem um detalhe importante. “A gente consegue fazer esse animal imaginar essa caminhada sem mexer as próprias pernas. No começo ele mexe um pouquinho e depois ele percebe que não precisa. Só com o cérebro”, diz Nicolelis.
Também é só com a força do pensamento que outra macaca está mexendo no computador.
E a tarefa é botar o cursor pequenininho dentro do círculo grande. E os  sinais que ela manda pelo cérebro  vêm  de cerca de 500 neurônios dentro do cérebro dela.
E os sinais movem o cursor e um pequeno robô.
Fantástico: Como esses comandos chegam até aqui?
Nicolelis: Como a gente viu lá na sala dos registros, a atividade neuronal elétrica do cérebro dela está sendo transmitida sem fio, numa conexão wi-fi.
Fantástico: Ela sabe que ela está mexendo um carro?
Nicolelis: Ela não sabe que é um carro, mas ela sabe que tem alguma coisa vindo atrás do cursor. Ela está tendo um feedback visual.

Assim como as ordens cerebrais da macaca movimentam o carrinho, todos os comandos para que o nosso corpo se mexa partem do cérebro. São cerca de cem bilhões de células, os neurônios, que se comunicam por sinais elétricos.
Só que nas pessoas paralisadas esses comandos não chegam aos braços e pernas. O caminho está bloqueado. Por uma doença ou por uma lesão.
A ideia de Nicolelis é criar um atalho para executar a tarefa que o corpo está impedido de fazer.
“Para copa do mundo, a nossa intenção é se limitar a movimentos dos membros inferiores”, diz Nicolelis.
Primeiro, é preciso buscar os sinais elétricos diretamente no cérebro. Para isso, são usados sensores, chamados de eletrodos.
A próxima etapa é reunir e organizar esses sinais. Os comandos são enviados para vários chips, implantados no crânio. Eles têm um papel importante: transformar os sinais do cérebro em ordens para o esqueleto artificial.
A energia vem de baterias, instaladas sob a pele e também numa de mochila. E, finalmente, os comandos são transmitidos sem fio para antenas presas à cintura.
E o que isso tudo tem a ver com o com a macaca movendo o cursor e o carrinho?
“Imagine que em vez de um carrinho, nós tivéssemos um robô, que estivesse de pé. Esse exoesqueleto estaria sendo pelos mesmos sinais”, explica Nicolelis.
Dentro do laboratório acontece uma experiência importante. É uma das primeiras vezes em que o macaco mango está usando o exoesqueleto. O bicho ainda está se adaptando. Lá dentro, o professor Nicolelis vai explicar o que está acontecendo.
“É um dos primeiros testes com o nosso macaco, que está aprendendo a vestir o exoesqueleto”, diz Nicolelis.
Essa pesquisa com animais segue os princípios éticos mais rigorosos.
“O exoesqueleto está sendo controlado por um computador nesse momento e está gerando movimentos de locomoção e o mango, o nosso macaco, está se ajustando a esses movimentos”, completa.
O projeto, chamado de Walk Again, andar de novo, reúne pesquisadores dos Estados Unidos, da Europa e do Brasil. E é do Brasil que vem boa parte da verba.
Fantástico: O governo federal liberou mais de R$ 30 milhões para o seu projeto Walk Again. Há críticos que dizem que é muito dinheiro para um único projeto, que tem departamentos inteiros de universidades que não recebem tanto dinheiro. Como é que o senhor explica o uso desse dinheiro?
Nicolelis: O projeto Walk Again poderia ser desenvolvido em qualquer lugar do mundo, ocorrre que ele foi apresentado ao governo brasileiro e o governo brasileiro tomou a decisão de que valeria a pena incentivar um projeto internacional. Se nós pudermos fazer alguém andar e criar uma tecnologia que restaure a mobilidade de milhões de pacientes, a gente vai ver que esse investimento valeu a pena.
Para entrar na fase humana da experiência, o grupo de Nicolelis fechou uma parceria com a AACD, Associação de Assistência à Criança Deficiente.
“O que nós vamos fazer é apostar toda a nossa experiência com os nossos pacientes para complementar o projeto dentro de um laboratório de neurorobótica”, diz o superintendente geral da AACD João Octaviano Machado Neto.
E uma outra etapa foi cumprida: a Fifa autorizou oficialmente a demonstração na abertura da Copa.
“Nos foi dado o sinal verde para continuar os trabalhos e para planejar a possibilidade se tudo der certo, se tudo estiver pronto, de fazer essa demonstração”, acredita Nicolelis.
Agora, resta aos cientistas correr contra o tempo. E apresentar o resultado daqui a um ano, dois meses e 19 dias.

domingo, 24 de março de 2013

Por dentro do cérebro


entrevista_neuro
Responsável por curso de formação em Neuroeducação, Alfred Sholl-Franco defende interação entre neurociência, ciências cognitivas e educação como forma de melhorar o aprendizado. Foto: Dario de Dominicis
Duas vezes por ano, turmas de educadores se reúnem na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para aprender conceitos oriundos da neurociência e das ciências cognitivas. O objetivo do curso, segundo o coordenador Alfred Sholl-Franco, é discutir como esses conhecimentos multidisciplinares podem ajudar a compreender melhor os processos de ensino-aprendizagem que acontecem na sala de aula. Doutor em Ciências Biológicas, Sholl-Franco, 41 anos, é também coordenador do Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociência,Ciências e Cognição (CeC-NuDCEN) da UFRJ, responsável pela promoção do curso de formação continuada em Neuroeducação.
A Carta Fundamental, o especialista conta o que é neuroeducação, alerta para as deturpações no campo e explica como os conhecimentos em neurociência se relacionam com as teorias educacionais tradicionais.
Carta Fundamental: O que é neuroeducação?
Alfred Sholl-Franco: A neuroeducação é uma área de estudo que trabalha com a interação entre a ciência cognitiva, a neurociência e a educação. Desde 2004, a sociedade internacional, que é chamada de International Mind, Brain, and Education Society (Imbes), tenta entender melhor como essas grandes áreas podem contribuir para melhorar a educação. O que muitos acreditam ser apenas a neurociência ajudando a educação é na verdade um trabalho conjunto, multidisciplinar, que visa promover um melhor desenvolvimento dos recursos educacionais, tanto no que diz respeito aos processos do desenvolvimento normal quanto daqueles relacionados às falhas do desenvolvimento, problemas ou patologias. Aí se incluem também quadros patológicos que afetam o ensino-aprendizagem e a própria relação aluno-ambiente, como autismo, distúrbios de aprendizagem. O interesse maior da neuroeducação é proporcionar um melhor entendimento dos processos de ensino e de aprendizagem. Conhecendo esses processos, é possível promover sua melhora e facilitar não
só o processo de aprendizagem para os alunos, mas também o processo de ensino para os docentes. É uma coisa que não deve ficar restrita à comunidade acadêmica.
CF: Então se trata de uma área nova do conhecimento?
ASF: É uma área nova, por isso também sujeita a deturpações e oportunismos. Como apresentar
uma cura para tudo ou colocar muitos comportamentos como doenças. A neuroeducação é um campo emergente e está sujeito a apropriações, esse é o grande perigo e o grande destaque que eu gostaria de fazer. Muitos estão usando esse termo neuroeducação para se aproveitar e divulgar métodos extraordinários, facilidades para aprendizado e assim por diante, o que na maior parte das vezes não é verdade.
CF: Como esse conhecimento pode ajudar um professor a trabalhar em sala de aula?
ASF: O principal ganho na convergência dos conhecimentos oriundos da área de ciências cognitivas, da neurociência e da própria educação tem sido entender melhor os processos de aprendizagem, da memória,da aquisição da linguagem e até dos ciclos biológicos, como o período de sono. O conhecimento desses fenômenos facilita uma melhor exploração do processo de ensino-aprendizagem. A aquisição de conhecimentos pelos estudantes será melhor nse quem estiver transmitindo esses conhecimentos entender como o sistema está preparado para absorvê-los. Conhecer esses processos cognitivos e físicos de desenvolvimento de crianças, jovens e adultos favorece tanto o processo de transmissão do conhecimento quanto o entendimento de como aquela mente que está recebendo as informações irá trabalhá-las.
CF: Então o conhecimento desses processos favorece o professor?
ASF: Não só o professor, mas também o coordenador pedagógico, o diretor, todos que estão relacionados com o processo de ensinoaprendizagem.O ato de aprender está relacionado às modificações no sistema nervoso decorrentes de sua exposição a novas informações e ao modo como trabalhamos o conhecimento que já possuímos, o que fazemos não apenas no ambiente escolar.
CF: De que forma os conhecimentos da neurociência e das ciências cognitivas se relacionam
com as teorias da educação?
ASF: Antigamente, todos aqueles cuja graduação estava envolvida com docência aprendiam os teóricos da educação, como Piaget e vários outros. Pelo trabalho conjunto de educadores e neurocientistas e dessa visão multidisciplinar que caracteriza a neuroeducação, é possível discutir as teorias sob um olhar mais amplo. Um exemplo da aplicação é a escola de desenvolvimento piagetiana que relaciona determinados comportamentos a idades estabelecidas. Hoje em dia temos trabalhos da área de educação que confirmam dados neurobiológicos, que precisavam de um paralelo funcional, enquanto muitos dados neurobiológicos explicam fenômenos observados inicialmente em um contexto apenas educacional.
CF: Quais avanços ou descobertas da neurociência estão ligados ao processo de ensino-aprendizagem?
ASF: Atualmente existem vários estudos que ampliam o conhecimento de dificuldades de aprendizagem como discalculia, a dislexia e outros processos englobados dentro dos distúrbios de aprendizagem, como também o autismo e o TDAH. No caso do TDAH em particular, eu tenho um aluno que faz um estudo entre exergames, jogos como o Wii e o Kinect, que trabalham com o movimento corporal. Existem estudos que mostram que o trabalho físico coordenado com o trabalho mental leva a uma melhora cognitiva, uma melhora de aprendizado. Na verdade, no caso desse estudo em particular, como a criança tem de fazer uma relação entre o trabalho de corpo e tarefas exigidas, dados preliminares mostram que há uma melhora no tempo de reação, que bé o tempo que a pessoa leva para apresentar uma resposta a um estímulo sensorial. A criança com TDAH tende a se dispersar mais e a não se concentrar no objeto que ela está observando. A prática regular desses
jogos mostrou uma melhora no desempenho do tempo de reação e da atenção. Essa é uma maneira de você aplicar esse conhecimento como um coadjuvante na melhora atencional dessas crianças.
CF: De que forma os professores de Educação Infantil poderiam aproveitar melhor os conhecimentos da neurociência em sala de aula? Quais conhecimentos são importantes?
ASF: Principalmente os estágios de desenvolvimento motor e cognitivo. Por exemplo, não adianta eu querer algo acima do que o sistema pode comportar. Ou seja, não adianta entulhar o aluno de informações. Ao mesmo tempo, é preciso saber que todos nós somos ávidos por informação. Costumo dizer que uma criança tem 12 olhos: dois olhos mais dez dedos. Só o olhar não basta, tem de sentir, tem de construir novos circuitos cerebrais que representem essas. Então não basta para uma criança só ver um objeto. Os sensoriais – tocar, cheirar – são muito importantes. Se eu sei dessa necessidade do sistema por informações e eu preciso cumprir o currículo, como explorar melhor? Por exemplo, se vou falar de cores na Educação Infantil, posso levar frutos de cores diferentes, que servirão para as crianças apalparem, sentirem seu cheiro. Se o professor de Educação Infantil conhece melhor a mente e o desenvolvimento dos processos cognitivos das crianças, ele poderá aproveitar melhor as ferramentas com as quais poderá passar essas informações.
CF: A formação atual recebida pelos professores contempla de alguma forma os últimos conhecimentos sobre a neurociência?
ASF: Não. Na maior parte das vezes, o que temos de maneira muito fraca são disciplinas de fisiologia ou de anatomia e fisiologia, que são ministradas de forma fragmentada, o que não permite a aplicação desses conhecimentos no processo de ensino-aprendizagem. Mas é uma tendência agora. Estamos iniciando na UFRJ, na USP, na UFRG e na UFRN. Pontualmente, temos grupos fazendo esse tipo de trabalho, partindo da formação de novos profissionais que sairão para o mercado de trabalho. Mas não basta introduziresse tipo de conhecimento para as pessoas que vão entrar no mercado de trabalho. Por isso criamos o curso de formação continuada em neuroeducação, que não existe em outro lugar do Brasil. Nosso objetivo é pegar profissionais que já estão em sala de aula e proporcionar a eles uma forma de se prepararem melhor para o desafio que é o processo de ensino-aprendizagem.
CF: As descobertas da neurociência têm sido levadas em conta na formulação de políticas públicas de educação?
ASF: Nós temos um problema geral, que foi colocado para o público pela mídia e pelo governo, que é a questão da pontuação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Isso expôs um problema que já existe há muito tempo. Se analisar as notas do Ideb do Brasil inteiro, por região e pegar o Rio de Janeiro em particular, você perceberá que o Rio tinha um nível muito baixo. De cinco anos para cá, o governo tem valorizado mais e se aplicado mais no processo de levar conhecimentos e informações da academia para as escolas. É uma preocupação muito forte. No Rio temos tido um investimento significativo.
CF: Como funciona o curso de neuroeducação que o senhor ministra para educadores?
ASF: O curso de formação continuada ocorre duas vezes por ano, sempre em janeiro e julho. Em Belford Roxo (RJ) temos também minicursos de formação continuada. Começamos o curso explicando o que é  neuroeducação, como a neurociência e as ciências cognitivas podem contribuir com a educação. Em seguida, estudamos o desenvolvimento do sistema nervoso e assim eles descobrem, por exemplo, as etapas do desenvolvimento motor, sensorial, cognitivo. Depois vamos para os estudos dos sensoriais, que são as portas de entrada da informação em nosso sistema, e depois para os sistemas motores. Nos sistemas motores, falamos do desenvolvimento motor da infância até a velhice e abordamos também as respostas autônomas do organismo. Em seguida, vamos para os processos de aprendizagem e de formação de memória. Todas as aulas são compostas de teoria e prática, isso torna o curso dinâmico. No quarto dia, abordamos os processos de linguagem e os distúrbios de aprendizagem. No último dia, fechamos com os ciclos biológicos, a importância do sono, o processo de fixação de memória durante o sono etc. O curso se encerra com o desenvolvimento de novas atividades práticas pelo participante. Uma coisa interessante é que 70% do nosso público é formado por profissionais da escola pública. A grande demanda tem vindo de lá.